sábado, 22 de dezembro de 2012

Feliz Natal!!

 



E pronto, chegou a altura para desejar a todos os que tiram um bocadinho do seu tempo para visitar este meu cantinho, um Feliz Natal, cheio de saúde e amizade, porque dinheiro já sabemos que não há.
Mas talvez esta "crise" ajude a que nos voltemos a lembrar do real sentido do Natal.
Por isso aqui ficam os meus votos e dos meus patudinhos, para que todos tenham um Natal onde reine, sobretudo, a felicidade.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Love and peace

Entre hoje e o meu último post, vinte crianças morreram nos EUA.
A culpa será de um país que permite que todos tenham armas? De um país em crise? De um mundo onde a vida humana tem cada vez menos sentido?
Não sei.
So sei que vi hoje esta imagem, e não resisto a partilhá-la, porque para mim este é também o verdadeiro espírito de Natal, o respeito pelos mais frágeis.

Ainda cá volto, portanto esta ainda não é a minha mensagem de Boas Festas!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Feliz Natal?

Legenda: O corpo de uma criança é retirado dos escombros de uma casa em Gaza, após ataque de Israel.



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Servos da gleba


Já aqui o disse, que o povo português retrocedeu ao tempo da Idade Média onde, quais servos da gleba, existemos apenas para suportar a vida faustosa dos senhores do clero e da nobreza.
Estamos completamente reféns de um Estado que tudo tira e pouco dá. Ou melhor, de um Estado que só dá a alguns, sobretudo para manter lobbies cujos dividendos se vêm depois em campanhas eleitorais. Ou depois destas.
Hoje, na pausa para o café, passei os olhos pelo Correio da Manhã, onde li esta crónica de Eduardo Dâmaso, que vai totalmente de acordo com o que penso.
Já agora, nesta mesma edição, numa curta entrevista, Isabel Jonet quando questionada sobre o problema das crianças que vão com fome para a escola, tem uma resposta do género: isso é incuria e falta do tempo dos pais que não se preocupam com o facto do pequeno-almoço ser a refeição mais importante do dia. Tirem as vossas ilações.

«Agora as propinas
 O alargamento dos poderes do Fisco em matéria de execução é uma vergonha.
Por:Eduardo Dâmaso, director-adjunto
 
Como se não bastassem os exorbitantes poderes de que historicamente dispõe face ao cidadão, o Governo tem vindo a alargá-los a dívidas de portagens, de taxas moderadoras e, agora, à cobrança de propinas.
Este regresso ao tempo de um Estado ablativo, que só confisca e cobra, é um retrocesso civilizacional.
Estamos a deixar morrer um Estado prestador por puro preconceito ideológico.
Ou melhor, uma parte das nossas elites está a mantê-lo, mas só nos negócios que lhe convém e com lucros garantidos por via legal.
Roubam o Estado, a partir do Estado e da lei.
Resta saber se o povo algum dia acordará...»

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mais uma vez, Mafalda...

Quem pode negar razão a Quino?

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Os Bifes da Jonet


A história das declarações de Isabel Jonet teve contornos de histeria, o que não admira na altura em que vivemos, onde é fácil e funciona como uma catarse, esta caça às bruxas.
Embora compreendendo o que ela quis dizer, acho que o fez da forma mais infeliz possível.
É verdade que muito do crédito que agora sufoca as familias portuguesas foi feito na base da vaidade, para comprar o LCD da moda, o último Ipod, a X-Box para o menino, etc e tal.
Por isso, concordaria totalmente com ela se a metáfora fosse nesse sentido.
Infelizmente, talvez por ser a sua área de trabalho, optou por falar em comida. E com isso colocou tudo em pé de guerra. É que numa altura em que milhares de crianças vão para a escola com fome, em que optamos por levar arroz com atum para aquecer no trabalho e iogurtes XPTO nem vê-los, vir falar em comer bifes, é no mínimo, deselegante.
E também vindo de quem tem telhados de vidro. Gostaria de saber quando foi a última vez que a senhora Jonet se dirigiu a um supermercado para fazer as compras mensais de comida. E repito, de comida.
Infelizmente, e poderei ser criticada pelo que vou dizer, mas há vários anos que me recuso a dar para o Banco Alimentar.
E explico: é que eu cá em casa já comi de lá.
Não porque precisasse, felizmente, mas simplesmente porque tinha uma vizinha, que embora casada e sem necessidades económicas, conhecia alguém que lhe dava quantidades industriais de comida: arroz, farinha, manteiga, ovos, açucar, etc e tal, e as quantidades eram tamanhas que ela tinha de distribuir pelos vizinhos.

Por outro lado, conheci há algum tempo um casal que fez voluntariado no Banco Alimentar, e que ao fim de alguns meses deixou porque viam as carrinhas arrancar com os melhores alimentos e com prazos de validade mais longos para certas «moradas certas», deixando para trás os iogurtes e outros bens já perto da fim da data de validade.
Mas isto não se passa apenas aqui, passa-se com toda a distribuição de alimentos que são atribuidos pela Segurança Social (os tais que até trazem carimbo de venda proibida) e que vão parar, mercê de certos atributos de quem os distribui a pessoas que de nada precisam, racionando-se para quem realmente precisa.
E isto ninguém me disse, estive com pessoas que me mostraram listas e dados que provam isso, mas que não quiseram dar a cara para a reportagem que planeava, com medo de perderem o pouco que já recebiam.
Perante tudo isto, recuso-me terminantemente a contribuir para tais peditórios. Já estive com associações que de pouco fazem muito, que distribuem refeições para os mais carenciados, e que não fazem peditórios nacionais, ajudando talvez muito mais gente do que com campanhas mediáticas.
Por isso também sei que não é preciso vir para a televisão apelar com saquinhos ou para arrendondar contas. E esses sim, terão sempre o meu total apoio para o que precisem.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O triunfo...

Ao ouvir hoje um pouco da discussão sobre o OE2012, só me consigo lembrar de George Orwell.


«Doze vozes gritavam em fúria e eram todas idênticas. Não havia agora dúvidas sobre o que estava a acontecer à cara dos porcos. Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem.»

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Subir e descer


Muitos só quando estão a cair é que se lembram dos outros.
Se quisesse ser hipócrita e fingir-me de simpática, diria que é nessa altura que devemos mostrar que somos humanos e estender a mão.
Mas como não sou nem simpática nem hipócrita, garanto que nesse momento, serei a primeira a mandar um empurrãozinho.

domingo, 14 de outubro de 2012

Liberdade?


O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que as manifestações vão contra a democracia e que não resolvem nada. Esquece-se que só o ouro que está em Fátima resolveria a dívida externa e interna de Portugal.

Augusto Cid, cartoonista, diz em entrevista à revista do CM que se Sócrates voltasse amanhã, seria recebido em braços. Veja-se o resultado do PS nos Açores.

Sobre os portugueses pairam as ameaças do desemprego, a subida dos impostos, a fome...
E ainda acreditam em partidos políticos?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia do Animal

Sim, temos uns quantos energúmenos a roubarem tudo o que conseguimos ganhar com o nosso suor. Sim, temos o povo português a protestar nas ruas. Sim, temos o Sporting a jogar hoje.
Mas não podemos esquecer-nos deles, dos patudinhos, que estão sempre connosco nos bons e maus momentos, mas que muitas pessoas, com a desculpa da crise, se descartam sem dó nem piedade.
Da mesma forma que o farão a determinada altura com os pais ou avós idosos e adoentados, e que farão um dia com os próprios filhos.
Lembremo-nos deles neste dia, e em todos os dias.

sábado, 22 de setembro de 2012

"O mal da morte"

Estes dois dias rumei de novo até Pedrogão de S. Pedro, para mais dois dias de bricolagem e ares puros.
Como sempre, paragem obrigatória em Castelo Branco, ou melhor, no seu mercado, para comprar bicas de azeite, borrachões e os queijos babados que só ali se encontram ao melhor preço.
E como desta vez, até lá encontrei um vizinho do meu prédio aqui do Cavadas em compras para levar para o Ladoeiro.
As bancas para todos estes produtos são sempre as mesmas, e com isso acabamos por criar alguns laços com as pessoas, como a padeira que pergunta sempre como está Lisboa e recorda a vez que veio a um casamento à Igreja de Arrentela, ou a senhora dos queijos, de quem acompanhamos o casamento da filha e alguns momentos menos bons de saúde.
Sem sabermos sequer nomes próprios, os laços vão-se firmando.
E lá fomos em nova romaria.
Só que desta vez um choque nos esperava.
Ao perguntar à senhora da banca dos queijos como ia, a resposta veio rápida: "tenho o mal da morte".
Não queria acreditar nos meus ouvidos e perguntei de novo.
"Tenho o mal da morte…"
E passou a explicar que os médicos só agora, aos 69 anos é que viram que tinha um tumor maligno no peito, que iria ser removido, mas que já se alastrara para o braço… que iria começar a quimioterapia, mas que não estava sem grandes esperanças e por isso estava a passar o negócio para outra pessoa que a acompanhava nestes dias.
O choque deixou-me sem fala, embargada pelas lágrimas.
Pensar que nos preocupamos com tanta coisa, gritamos, ofendemos, sofremos e de repente podemos ser apanhados pelo «mal da morte».
Confesso que o queijo que comprei desta vez trás um travo amargo… muito amargo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

E o burro sou eu?????



Depois do post de ontem, hoje recebi estes dados por email.
E com isto ainda nos falam em necessidade de austeridade? E com estes tachos, acham mesmo que é com manifestações, por muitos milhares de pessoas que levem, que vão resolver as coisas? Pois, vão esperando sentados.

1º Exemplo

O Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,00Euros);
O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;

2º Exemplo
O Vice-Presidente dos EUA recebe, por ano, $ 208.000,00 (151.471,00 Euros);
Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
O Presidente da TAP: - ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo
A Chanceler da Alemanha recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médiode cada português.

4º Exemplo
O Primeiro-Ministro de Portugal recebe cerca de 100.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS: ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.

5º Exemplo
O Presidente da República Potuguesa recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 8,4 anos de salário médio de cada português;

6º Exemplo
O Presidente da República Francesa recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
O Presidente de Administração dos CTT Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

7º Exemplo
O Primeiro-Ministro da Inglaterra recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Por tudo e mais alguma coisa

Esta tinha mesmo de partilhar... por tudo o que se passa neste país e pelo que ainda virá.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sol e água morna...


Depois das férias, do sol e praia, eis que recebemos quase à mesma hora do início da Festa do Avante e do jogo da selecção, mais um dos baldes de água morna a que já nos habituaram.
E digo morna porque não me venham agora dizer que não era expectável, depois de tudo o que já suava cá para fora, que o governo não iria fazer alguma destas.
Mas claro, lá se seguiu a gritar viva a Portugal e a dançar a Carvalhesa e segunda-feira chega e de volta ao facebook toda a gente é revolucionária, toda a gente vai à manifestação, toda a gente está contra o governo.
Mas fizessem no próximo domingo eleições legislativas, e veriam o resultado...
Toda a gente está contra, mas falem-lhes em boicote fiscal, em não pagar portagens, em não pedir factura ou entregar a declaração de IRS, e «epá, isso não, vê lá, depois o que ia acontecer e tal...».
Da minha parte, à partida o assunto fica por aqui. Falem comigo quando decidirem reais formas de luta que não passem por desfiles na avenida mas que também não envolvam partir montras ou danificar carros de inocentes.
Falem comigo quando tiverem real coragem para uma resistência que passará por sacrificios, sim, mas que será a única resposta. Enquanto continuarem na ilusão que clicar em «Gosto» em fotos com cães a mijar para a foto do PPC ou a dizerem que vão a manifes mas já têm a toalha de praia no carro, não contem comigo.
Por mim vou continuar a partilhar as fotos dos animais, esses sim, as verdadeiras vítimas desta situação e a lutar contra as touradas, posição que curiosamente parece ofender algumas pessoas que, publicamente de cravo vermelho ao peito defendem a liberdade e o direito à indignação e à expressão, mas só até ao ponto em que esta não colida com os seus prazeres mesquinhos...

sábado, 1 de setembro de 2012

RTP, o fim?

Seria por princípio ou porque perderam os carrinhos de luxo?
Pelo que têm feito na RTP, RTP 2 e RTP Memória, já foram tarde.

«O Conselho de Administração da RTP apresentou o pedido de demissão ao Governo, numa reunião com o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, pedido esse que foi aceite, informou hoje o gabinete de Miguel Relvas.
A demissão do Conselho de Administração da RTP, liderado por Guilherme Costa, sucede depois das veementes críticas da equipa de gestão da própria RTP ao cenário de concessão da RTP 1 apresentado por António Borges, consultor do Governo para as privatizações, na semana passada.
Além da reação da administração da RTP, também toda a oposição, PS, BE e PCP manifestou o seu total desacordo face ao modelo apresentado por Borges em entrevista, na quinta-feira, na TVI. O anúncio do modelo de concessão da RTP1 criou inclusivamente mau estar no CDS, parceiro de coligação no governo, tendo vários dos seus dirigentes, reprovado esta ideia.
"O conselho de administração da RTP considera descabido do ponto de vista institucional a divulgação pública de opiniões favoráveis a um dos cenários ainda em análise, sentindo-se por isso obrigado a divulgar publicamente que manifestou, em tempo oportuno, a sua discordância relativamente a este cenário", apontou o órgão presidido por Guilherme Costa em nota divulgada na passada segunda-feira.
No documento, a administração da empresa disse ainda que "não reconhece os argumentos económicos de poupança para o Estado, apresentados publicamente, em favor deste cenário", quando comparados com os do Plano de Sustentabilidade Económica e Financeira (PSEF), aprovado pela tutela no final de 2011.
No entanto, é esta mesma administração que o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, decidiu reconduzir para mais um mandato, num convite tornado público pelo governante em plena Assembleia da República, em novembro último. "Convidei o atual presidente do conselho de administração para se manter em funções, renovando o contrato", disse o ministro em audição na reunião conjunta da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais e do Orçamento, a 16 de novembro.
O governante acrescentou acreditar que "o trabalho feito [pela administração da RTP] é significativo". Guilherme Costa era o rosto do plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP apresentado no final de outubro de 2011 e aprovado pelo Executivo, e que teria uma implementação mais aprofundada em 2012.
Na altura, o ministro manifestou-se "profundamente convencido" de que o plano de sustentabilidade financeira da RTP iria "ter sucesso" e o apoio dos trabalhadores.
Durante a apresentação do plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP, a 24 de outubro de 2011, Guilherme Costa tinha afirmado que o canal remanescente da privatização iria ter receitas publicitárias, o que estava incluído na estratégia do gestor.
Mas quase um mês depois, e após Guilherme Costa ter aceite o convite do ministro para continuar na RTP por mais um mandato, Miguel Relvas afirmava que "o canal subsistente da RTP não conterá publicidade comercial". Uma contradição que foi desvalorizada por ambos os intervenientes, mas nessa altura falava-se da privatização de um dos canais generalistas da RTP.»


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/administracao-da-rtp-demitiu-se-e-relvas-aceitou=f750272#ixzz25GHqIDpS

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Democracia, onde vais triste de ti?



Será da silly season?
Depois da machadada na democracia local que foi dada em Viana do Castelo, surge algo como isto, de um certo indivíduo que até compreende os anti-touradas, mas...
Depois disto, irá pedir o quê?
O fim das manifestações de desempregados, professores ou funcionários públicos?
O fim dos desfiles do 1.º de Maio e do 25 de Abril?
Ou da concentração na rua de mais do que cinco pessoas?
Já agora, este personagem é um ex-forcado... e mais não digo.


in: http://www.diariotaurino.blogspot.pt/2012/08/chaubet-escreveu-ao-ministro-da.html
foto: Blogue Farpas.

«Lisboa, 20-08-2012
Excelentíssimo Senhor Ministro da Administração Interna
Doutor Miguel Macedo
Carlos Alberto Patrício Álvares, cidadão português em pleno uso dos seus direitos constitucionais, vem respeitosamente requerer a Vossa Excelência, que se digne providenciar para que estes direitos não lhe sejam sonegados como tem vindo a acontecer, embora pontualmente.
Assim, valendo-me do Artigo 52º da nossa Constituição, venho expor a Vossa Excelência o que se passa, na esperança de que proceda de modo a que me sejam restituídos esses direitos.
No Artigo 2º da Constituição - “respeita e garante o direito de me expressar livremente”. O Artigo 12º diz “ninguém pode ser prejudicado, privado de qualquer direito, seja porque motivo for”. O Artigo 37º - no ponto 1- “Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento sem impedimentos ou discriminações”. No ponto 2- “O exercício destes direitos, não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”.
O recurso a estes artigos porque o assunto de que me vou queixar é muito importante para a minha tranquilidade de espírito e por pensar que assim, possa sensibilizar mais Vossa Excelência para uma solução que me seja benéfica. Aliás, não só a mim, como a milhares de portugueses.
Ultimamente, devido à expansão que a internet proporciona, têm-se intensificado as campanhas contra um espectáculo de que muito gosto - o tauromáquico. Porém, democraticamente, admito que haja quem não o aprecie. Mas, ao contrário dos que se intitulam anti taurinos, não faço qualquer pressão para que mudem de atitude, nem os censuro por a terem. Os anti taurinos, não têm igual procedimento. Antes pelo contrário. Essa a razão porque me dirijo a Vossa Excelência.
A manifestarem-se, têm tanto direito como eu. Penso no entanto que, subjacente a esse direito, deverá estar o respeito pelos direitos dos outros. O que faço tolerando os anti taurinos, ou não os hostilizando. Todavia estes não procedem do mesmo modo. É dessa falta de respeito que me queixo.
Tornou-se hábito dos “contra”, porem-se à frente das praças onde se vão dar espetáculos tauromáquicos, provocando e insultando quem os vai ver. Além dos megafones que usam para ofender os aficionados, levam cartazes chamando-lhes assassinos, cobardes, selvagens e, por vezes, termos bastante mais baixos e ordinários. É fácil Vossa Excelência verificar a veracidade do que afirmo.
O Artigo 2º diz - “o pluralismo de expressão admite-se, respeita-se e garante-se”. E certamente por essa razão, a PSP tem estado presente quando dessas manifestações. Todavia, para preservar os “contra” de possíveis agressões dos “cruéis” taurinos? Não! Precisamente o contrário. Para defender os taurinos das provocações dos caridosos “contra”. Para tal a PSP monta um perímetro de segurança que os isola, evitando assim, como eles gostariam, que se aproximem dos aficionados e possa haver confrontos violentos.
Agradeço e aprecio esse cuidado. Contudo, a liberdade de uns acaba quando elimina a liberdade de outros. A minha está a ser afetada com o comportamento arrogante e conflituoso dos “contra”.
Por esse motivo, baseado no Artigo 12º, peço a Vossa Excelência que proíba ou de algum modo discipline essas manifestações, afim de poder usufruir em paz o consagrado no ponto 1 e 2 do Artigo 37º.
Agradecendo desde já a atenção que se dignar dar a este meu pedido,
Respeitosamente
Carlos Patrício Álvares

domingo, 19 de agosto de 2012

Hoje a democracia portuguesa morreu.
A democracia e a justiça.
Cada um tire as suas ilações, mas só posso dizer que tenho vergonha de um país onde a Tauromáfia é mais poderosa do que uma autarquia e do que um tribunal.
Aos autarcas, deixo apenas um recado: hoje abriu-se um perigoso precedente. É que se uma susposta federação protaurina pode sobrepor-se à REN, à Câmara Municipal de Viana do Castelo e à população desta cidade, então, preparem-se porque muito pior virá por aí.
Curioso é o silêncio de Fernando Ruas, que tanto fala contra determinadas decisões contra os municípios...

Já agora, deixo outro texto que fizeram o favor de me enviar por email.
O ESTADO DEFENSOR DA IMORALIDADE TAUROMÁQUICA
A realização de uma tourada no passado dia 19 de Agosto na única cidade antitouradas de Portugal,contra a decisão da Câmara Municipal de Viana do Castelo que não a autorizou, mas que contou com a complacência de um juiz de um tribunal de Braga, levou-me a refletir sobre o assunto e a levantar algumas questões, relacionadas com a suposta imparcialidade das várias instituições no que diz respeito à elaboração e ao cumprimento das leis que eles próprios criaram.
No caso referido, não deixa de ser curioso o facto da providência cautelar da associação de torturadores de animais ter sido posta num tribunal de Braga e não do de Vianado Castelo, local onde propunha realizar a tourada. Será que o juiz de Braga era um juiz amigo?
Até serem legalizadasas touradas de morte em Barrancos, com uma ajudinha do ex-presidente da República, Jorge Sampaio, amigo da tortura animal, foram cometidas ao longo de vários anos inúmeras ilegalidades sem que os prevaricadores tenham sido devidamente punidos. Uma vez mais, estiveram os poderes instalados ao serviçodo retrocesso civilizacional e da imoralidade.
Nos Açores, a situação é por demais semelhante ao que se passa a nível nacional e até internacional. Se não fossem os apoios do Governo Regional e, pasme-se, da própria Assembleia Legislativa Regional que promove touradas, das autarquias, com destaque para as Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, as touradas de praça já tinham acabado e as de corda estariam reduzidas. Além disso, não poderá ficar esquecido o agrupamento de Estados denominado União Europeia que dizendo apoiar a agricultura ou a agropecuária hipocritamente subvenciona a criação de touros para serem torturados em espetáculos degradantes e violentos.
Deixando de lado as leis que são imorais pois, condenando os maus tratos animais, abrem exceção relativamente aos touros, se analisarmos a atuação das entidades que deviam zelar pelo cumprimento da lei, chegaremos à conclusão que a única legislaçãoque é cumprida no que se refere a touradas é a lei da selva.
Já foram denunciadas,que eu saiba, à Direção Regional da Cultura (ou melhor Direção Regional da Tortura) a realização de uma tourada em Dia de Luto Nacional e a presença de crianças com menos de seis anos em diversas touradas, na ilha Terceira. No primeiro caso a resposta foi do género: “não sabíamos que José Saramago ia morrer” e no segundo caso, até há algum tempo, o silêncio absoluto.
No caso da presença das crianças que lá estão levadas pelos familiares, embora em muitos casos chorem de medo, como já foi denunciado por quem já assistiu, as entidades fecham os olhos pois sabem que não é apenas a chamada arraia-miúda que o faz mas também pessoas que ocupam os mais altos cargos governamentais e autárquicos.
A presença da polícia muitas vezes não é para obrigar o cumprimento da lei, mas sim para garantir a segurança de espetáculos que nem cumprem o estipulado nas leis, nomeadamente em termos de licenciamento e de publicidade. Para confirmar o mencionado basta consultarem os cartazes que divulgaram as touradas à corda promovidas por comissões de festas, da Igreja Católica, da Pedreira de Nordeste, dos Aflitos ou de Santa Bárbara (Ribeira Grande). Em dois dos casos, a não indicação da proveniência dos touros (por vezes bezerros que deixaram a “fase de aleitação” há pouco tempo) poderá estar associada a uma tentativa de fuga aos impostos por parte dos seus donos.
Sabendo que o que se pretende é acabar com o desnecessário sofrimento animal, será que podemos confiar cegamente nas entidades que tudo têm feito para que as coisas continuem como estavam no início do século passado ou em alguns casos pior?
Mas, perante uma conjuntura desfavorável, os amigos dos animais não devem desistir. Devem auto-organizar-se em associações ou em grupos informais e assim combater a indústria tauromáquica, denunciando os seus negócios sujos, todas as irregularidades e rebatendo todas as inverdades que é por eles transmitida.
Só conseguiremos uma sociedade melhor para todos, animais incluídos, se formos capazes de romper o cerco de alguma comunicação social e se conseguirmos fazer chegar a  mensagem da verdade à maioria da população açoriana.
Manuel Soares
http://terralivreacores.blogspot.pt/

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Só faltou o «Tudo pela Nação, Nada contra a Nação»


Eu sei que estou de férias, e até tinha prometido deixar-me de discussões sobre alguns temas no facebook, mas quando deparo com algo como isto, é de ficar realmente de boca à banda.
Mas digam-me lá quem são os imbecis que se dizem Movimento em Defesa das Corridas de Toiros e que defendem a tourada com isto???
Ainda são piores do que os outros da ProCoiro (Federação Protoiro para quem não conhece)...

Até o Paulo Ramires, mais conhecido no meio dos anti-touradas como Atum Ramirez, excelso diplomado e defensor das touradas ficou chocado e disse-o no facebook:
Paulo Ramirez «Mudem de imagem, essa é uma alusão ao fascismo e ao estado novo, isso não é nada bom para a tauromaquia. E o mais depressa possível, caso contrário, estarão a prejudicar a tauromaquia e de que maneira.»
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Movimento em Defesa das Corridas de Toiros «Onde é que está a alusão ao estado novo?? E a sua alusão à república???»
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Não, claro que não há alusão ao Estado Novo... os bonecos nem pertencem aos livros escolares «Lusito»... mas esta gente pensa que os outros são tão imbecis quanto as ovelhas que seguem estes movimentos???
Só para lembrança futura, e para os que nunca estudaram por estes livros, tão do agrado de Salazar, e tão conhecidos no tempo da Velha Senhora:

Só faltou a frasesinha no primeiro cartaz de «Tudo pela Nação, Nada contra a Nação» e a imagem de Nossa Senhora de Fátima lá do alto a abençoar...
Sinceramente, o revivalismo disto num tema como a tourada assusta... o que virá a seguir?
Exigirem que as mulheres tenham de ter autorização dos maridos para sair do país ou a reactivação do Tarrafal e a implementação de uma nova PIDE, como uma ressabiada já pedia pelo facebook?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Haverá palavra mais ansiada no mundo que férias??


Não, na certa. Em especial nesta altura do ano.
Por isso, elas aí estão!
E quem estiver na mesma situação, então os meus votos de boas férias!!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Rica casinha

Neste post tinha duas fotos minhas a pintar a casinha.
Infelizmente, pela minha postura anti-taurina,
soube que andavam uns certos senhoritos desalmadamente
à procura de imagens da minha pessoa, visto que estão
bloqueados no facebook.
Sinceramente, depois de ter a minha cara num "concurso" de misses, promovido pelo Zè das Iscas, ex-grande e querido líder da Procoiro
e ainda numa Miss Piggy por um grupo de 
vassalos autárquicos aqui do Seixal,
e como não estou para pedir royalties para usarem a minha imagem,
retirei as fotos daqui.

«Ai como é bom, assim acordar, com o Sol na janela e magia no ar».
Esta é a letra de uma canção que agora muito passa na M80, mas que me veio à cabeça durante este fim-de-semana.
É que mais uma vez rumei até Penamacor, à minha casinha em Pedrogão de S. Pedro, onde ainda adormeço ao som dos grilos e acordo ao som do cantar dos pássaros, e com um sol esplendoroso a entrar pela janela.
Um sol com uma cor diferente da daqui, uma cor dourada, quente, enfim, uma cor que adoro.
E a viagem desta vez foi de «trabalho», a limpar e mudar alguns móveis (e muitas teias de aranha, porque pelo que falei com outras pessoas, as aranhas estão particularmente activas este ano em vários pontos do país), e pintar.
Como eu digo, há duas coisas que me fazem feliz quando as tenho nas mãos: uma máquina fotográfica e um rolo ou pincel para pintar paredes.
E lá andei eu de rolo e pincel em punho, pintando a porta do n.º5 da Rua do Barrocal, a tapar alguns buracos nas paredes com gesso (afinal a casa tem mais de duzentos anos) e a pintar.
Como diz a minha mãe, parece mesmo uma casa de bonecas... é pequenina, é velha, mas é nossa e sabe tão bem partir assim e deixar tudo para trás. E é ainda melhor quando a prima Olivia nos dá batatas de quase um quilo cada, melancia fresquinha e feijão verde ou quando compramos pêssegos que sabem mesmo a pêssego por 50 cêntimos o quilo.
Em Setembro de novo lá rumo a Pedrogão de S. Pedro, agora para ser um «papa-figos», como chamam lá na terra aos que só lá vão no fim do Verão.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Isto existe realmente???

Há uma frase batida, mas que a cada dia que passa faz mais sentido para mim: «Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais».
Não é preciso falar aqui do meu amor pelos patudinhos, que me merecem muito mais respeito do que alguns seres de duas pernas que por aí andam.
Já também aqui o disse que sou contra as touradas e por isso também "frequento" alguns grupos que discutem este tema.
Já tive conversas muito interessantes com aficionados e outras em que tive de descer ao mais baixo nível (o que também é bom, porque além de nos dar a noção do que de mais reles a humanidade tem, leva a que no final tenhamos a compreensão da nossa superioridade face a certos acéfalos).
Já vi pessoas a chamarem-me taliban e ressabiada por ser anti-tourada, e até uma «aficionada», ficar completamente histérica só porque combinei uma cerveja e uma discussão sobre o assunto nas próximas festas de Paio Pires com um assumido aficionado.

Mas algo como isto que se segue é que eu não esperava.
Devo dizer que nem comentei o que esta «pessoa» diz, porque uma coisa é descer a um certo nível, outra é enterrar-se em estrume.
Aqui ficam algumas pérolas de uma dita aficionada (sinceramente, até tenho dúvidas que seja alguém real, mesmo porque a dita até refere que nem vive em Portugal).
Mas tal como outros cobardes, esta também usa a Internet para debitar as suas aberrações. Senão, vejam o que a Senhora Dona Lurdes Gonçalves Pereira:

Sobre os anti-touradas:


Sobre a necessidade do Tarrafal:


Sobre a necessidade de campos de concentração:


 E a pérola maior, da admiradora de Salazar:


Estes e outras pérolas (como a madama gosta de dizer) são debitados no facebook da RTP e em tudo o que são perfis anti-touradas.
Francamente, se fosse aficionada tinha mesmo muita vergonha de ter algo tão abjecto a falar em meu nome.
Como é que aos 41 anos, alguns ditos «humanos» ainda me conseguem surpreender...

P.S - Esta é de outro orgulhos prótoiro, que também partilho pelo seu "elevado nível"... xenófobo. Mas aos anti-touradas é que estes mininos andam a chamar terroristas e talibans...

sábado, 21 de julho de 2012

Obrigada!!!


Não tenho escrito aqui, o calor, a falta de tempo e alguma preguiça são os culpados.
Mas hoje, com a morte de uma bombeira em Abrantes, e com a situação catastrófica do país, não podia deixar de fazer esta homenagem.
Ainda por cima quando não faltam os apelos para que seja a população a ajudar os bombeiros de Tavira com bebida e alimentos, uma vez que, alegadamente, até um bar dessa cidade, recusou gelo aos soldados da paz.
No more coments...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Campera e Lennox

Já disse e repito, esta coisa da Internet e das redes sociais é fenomenal.
Nestes últimos dias, tive experiências únicas simplesmente através do meu perfil no facebook.
Já não falo nas discussões sobre as touradas, onde me tenho divertido imenso, e encontrado pessoas interessantes e mantido conversas interessantes até mesmo com pessoas que defendem touradas, e com as quais se pode conversar, mas também tenho visto do pior da nossa sociedade através de autênticas pitas borradas, com uma linguagem que faria corar as profissionais do Intendente.
Mas não é sobre isso que hoje escrevo.
A maior parte dos meus amigos facebookianos são pessoas que estimam e protegem os animais (felizmente o virtual também permite que se acabe com a «amizade» de imediato, logo que detectamos gentinha anormal, o que infelizmente nem sempre podemos fazer na «vida real»).
E são essas pessoas que formam reais correntes de amor e de luta.
Esta semana tivemos dois exemplos: a Campera e o Lennox.
Eram dois cães. Eram, porque morreram devido à estupidez do bicho-homem.
A Campera foi recolhida pela União Zoófila, que tudo tentou para salvar um animal extremamente maltratado, mas não conseguiram vencer a luta contra a morte.
O Lennox era um cão, que teve o azar de ser parecido com um pitt-bull num país tão retrógado que tem leis que proibem por completo esta raça, e depois de processos em tribunais, acabou por ser assassinado legalmente na Irlanda  pelos "senhores" da Câmara de Belfast.
Estes dois casos foram seguidos por milhares de pessoas através das redes sociais.
E, segundo o Jornal de Notícias, a pressão sobre a Irlanda foi tal que já está previsto um bloqueio àquele país de batateiros.
Segui também a história destes dois animais e chorei, sim, chorei quando soube num dia da partida da Campera e no seguinte do assassinato do Lennox.
Sem esta coisa da internet e das redes sociais, muito possivelmente nunca teria sofrido por estes animais. Mas também não tinha encontrado tanta gente com o coração cheio de amor pelos patudos. Nem tido a noção de que este amor pode e vai mover montanhas e preconceitos.
Por isso, a todas essas pessoas, tenho orgulho de chamar Amigos.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ensinar

No programa «Contra-Corrente» na Sic Noticias, discute-se a educação, e fala-se que ensinar é carolice.
Um amigo professor enviou-me à bocado a conversa que teve com um aluno pelo facebook.
Aqui fica:

§  Olá voce está cotente com nosco?

§  Olá! Claro que estou contente convosco. Vocês trabalharam imenso os dois últimos anos, foram incansaveis! Tenho orgulho de ter sido vosso professor.
Deram dores de cabeça e gastaram a minha paciência mas foram uns alunos impecáveis.
Confesso-te que fiquei muito preocupado convosco quando vi o exame, porque era mesmo muito difícil. O exame da 2º chamada foi muito facíl. Se vocês tivessem feito esse exame aposto que quase todos teriam tido positiva.
Um abraço e boas férias

§  obrigadopara este ano voce cvai dar matematica com a nossa turma e vai para a escola?
   
§  ainda não sabemos como irá ser, mas irei estar na escola porque ainda tenho que fazer mais uns meses de estágio na universidade.

§  eu tenho orgulho de ter um professor tao bom

sábado, 7 de julho de 2012

De olhos em bico

Há coisas que me deixam mesmo de olhos em bico.
Nada tenho contra os chineses, aliás, acho que são pessoas ultra trabalhadoras, e quando se conhecem bem, excepcionais (minha querida e saudosa Ley, que tanto me ensinou sobre este povo, quando ainda tínhamos medo de ir a um restaurante chinês).
Mas não gosto particularmente das suas lojas, não me perguntem porquê.
No entanto, hoje, tive ocasião para rever algumas das minhas "condicionantes" neste campo.
Precisava de três coisitas simples: uma enxada (é verdade, vou virar-me para a agricultura, ehehehehe), uma lâmpada e uma lata de verniz para madeira (e também para a carpintaria, há que ocupar os tempos livres).
E como havia algumas coisas a fazer falta na dispensa, pensei: o melhor é ir a uma grande superfície onde vou encontrar tudo e deve ser mais barato. (Não é assim que pensamos todos??).
Rumei a uma grande superfície na Amora, e qual não é o meu espanto que os bens alimentares ali eram bem mais caros que no Aldi, onde sou cliente habitual. Ok, são de marca, dirão, e eu com isso? No Aldi compro a minha manteiga light e com pouco sal por 0,99 cêntimos, ao passo que ali a Flora é 1,49. Façam as contas.
Mas não é só por isso este meu desabafo.
Procurei o ancinho e o verniz e nada. Procurei também a lâmpada, baratinha, e o stock tinha acabado. Tudo bem, pensei, não são artigos que aqui tenham de ter, embora com a secção de bricolage e jardim.
Rumei então para uma grande superficie de bricolage. Pois aí nem ancinho e o verniz, bem, 7 euros por uma latinha onde nem cabia o pincel, no way Jose! Quanto à pequenina lâmpada, de 45volts, nérias. Só lâmpadas XPTO e um preço exorbitante.
Então fui a uma loja chinesa: ancinho, lâmpada e verniz comprados e com tudo não gastei 10 euros. E digam lá se não é para ficar de olhos em bico?
Certo que estes negócios, presumidamente, contam com apoios e isenções que os outros não contam, mas a minha carteira, nestes assuntos é que manda. E depois não querem que se diga que no «chinês» é que se encontra de tudo?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Hipocrisia

Já sabem que sou contra as touradas. Não consigo conceber um espectáculo onde um animal indefeso é espetado e torturado para gáudio de uns quantos...
Pode até parecer um pouco de hipocrisia da minha parte, mas até aceitaria que se fizessem espectáculos de forcados ou de toureio a pé, sem a parte de se espetarem as bandarilhas.
Assim como não assisto a largadas, mas aí trata-se de um animal quase em igualdade de circunstância com homens.
Agora que me digam em defesa das touradas que estas são criadoras de emprego, precisamente uma pessoa do mesmo Governo que se está marimbando para as dezenas de empresas que fecham todos os dias e para os milhares de desempregados, isso é demais.

Deixo aqui o resumo da ANIMAL sobre a discussão da proposta das propostas do BE e do PEV (finalmente, este partido lembrou-se, ou quase, que ecologia também sifgnifia defesa dos animais) para a proibição da exibição de espectáculos tauromáquicos na televisão pública.
Como não poderia deixar de ser, devido aos lobbies que pagam milhares de euros em campanhas eleitorais a todos estes partidos, os mesmos não tiveram outro remédio senão chumbar também estas propostas de lei.

Primeira intervenção:
Catarina Martins – BE

- introdução: senciência
- as populações são sensíveis à protecção dos animais
- touradas têm um regime de excepção na actual lei de protecção
- Estudo do ISCTE e estudos em Espanha
- 80% da população 15-24 anos opõem-se às touradas
- a TVE não transmite touradas
- Catalunha e Astúrias não tem touradas
- Outros países América-latina
- Apresenta os dois PL, cita valores dados por algumas autarquias (Santarém, Castro Marim, Setúbal)
- A TVI e SIC se quiserem passar touradas terão que cumprir as regras

Cita Miguel Macedo - PSD (há 13 anos): É preciso tomar as preocupações de outros países em relação à idade mínima
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Heloísa Apolónia – PEV

- “Os Verdes são pelo fim das touradas, mas não é isso que estamos aqui a discutir”.
- Não é a primeira vez na AR nem nesta legislatura que é discutida a questão das touradas
- O PEV viu o que era possível viabilizar
- O PL tem 2 objectivos: a lei de protecção dos animais diz que a touradas são lícitas – tem que ser alterado, tem que passar a ser ilícito e depois fazer um regime de excepções
- É um espectáculo violento – ninguém tem dúvidas disso
- Cita Teresa Caeiro – CDS-PP (em 2010) – “Aceitamos que se considere um espectáculo bárbaro e que incite à violência” – está nas actas da AR
- Vamos remeter as touradas para o sítio certo
- Os Verdes pedem para a Lei da TV para classificar para maiores de 18 anos, com todas as consequências: a partir de uma determinada hora e com bolinha vermelha
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Sérgio Sousa Pinto - PS

- Os pontos de vista dos partidos que apresentam as PL são legítimos
- A tourada é milenar
- Os partidos não têm a sensibilidade para os pontos de vista diferentes
- Os PL são tributários de uma corrente de opinião – onde se prevalece os direitos dos animais em detrimentos da cultura
- Ao aceitar, o legislador assumiria que a tourada é bárbara e caminharia para a sua extinção
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Odete Silva - PSD

- A tauromaquia é parte integrante do património material e imaterial
- é arte
- é o motor de economias locais
- 90% das praças fixas pertencem às Santas Casas
- cada tourada é organizada por 175 pessoas
- Existem 110 ganadarias que dão emprego a 370 pessoas
- criação de cavalos, confecção de trajes
- O BE ataca o ambiente rural, a caça e a pesca
- A caça tem 100 000 federados
- indica o número de federados na pesca
- 60% da população vê touradas na televisão
- A liberdade acaba…
- 1 povo que esquece as suas tradições não existe
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Paulo Sá – PCP

- As leis de protecção dos animais são exigentes mas não há meios técnicos e humanos
- tem que se apostar na fiscalização
- não só aos animais domésticos
- O PCP entende não ser acertado proibir as touradas
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Margarida Neto – CDS-PP

- Os PL são todos diferentes todos iguais – têm os mesmos limites das liberdades
- Os estudos citados nunca ninguém os leu, nem os comprovou
- Telecomando e zapping
- A última tourada que passou na RTP teve mais espectadores que o BE teve em votantes nas últimas eleições

(muita risota e olés)
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Pedro Delgado – PS

- É uma assunto que causa muita discussão, mesmo dentro dos blocos parlamentares
- É contrário ao que o colega disse (Sérgio Sousa Pinto)
- O que está em causa é o apoio público
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Catarina Martins - BE

- Não se espanta com o que ouviu, vindo de quem acabou com os feriados e reduziu a cultura a uma anedota
- Não leram os PL, o BE não pede a proibição das touradas, mas sim os meios públicos para as touradas
- pede para que a lei da TV seja actualizada
- “não seja cínicos, querem dinheiro para as touradase nós achamos que não pode ser, é isto que está em cima da mesa”
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Heloísa Apolónia – PEV

- para Margarida neto – está cega e virou-se para o lado errado (PEV)
- CDS-PP não apresentou nada para a lei da TV relacionada com os menores e o PEV sim
- Se a liberdade acaba no telecomando, a deputada acabou de assumir que não há restrições à programação
- “agora venha apresentar um PL para acabar com as restrições, digo-lhe já que os Verdes votam contra”


domingo, 1 de julho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dois pesos e duas medidas?

Estes últimos dias foram os jornalistas que fizeram de notícia. Normalmente do lado de lá das câmaras ou dos jornais, agora fazem a 1.ª página.
Por um lado, temos o caso de Miguel Relvas/ERC/Público.
A minha opinião sobre a Entidade Reguladora da Comunicação Social não é das melhores. Tenho várias razões para esta afirmação, desde decisões completamente aberrantes, até à falta de profissionalismo que se sente neste órgão, do secretariado aos «juristas»...
Só um pequeno exemplo: quando um órgão de comunicação ali registado altera a morada, tem de informar a ERC, e pagar um emolumento de 10,90 euros. De todas as vezes que o fiz, sempre pedi a emissão de uma factura, como decreta a lei. Nunca as recebi.
Adiante.

Temos então o caso Relvas, onde esta "Reguladora" ilibou um ministro das acusações de ter ameaçado divulgar a vida pessoal de uma jornalista do Público que acompanhava o caso das secretas e de ter ameaçado o jornal com um “blackout” por parte de todos os membros do governo.
No meu ponto de vista, a "Reguladora" deixa uma mensagem clara para os jornalistas que passem pelo mesmo: "Não se metam com quem está no poder, porque não podem contar connosco."

Por outro lado, temos o caso do deputado Ricardo Rodrigues, que "retirou" (digamo-lo assim) os gravadores de dois jornalistas em plena entrevista, que foi hoje condenado a uma pena de multa de 4950 euros. Um caso que remonta a Abril de 2010, o que diz muito sobre a celeridade da nossa Justiça.

Perguntas:
Se o partido de Ricardo Rodrigues estivesse no Governo, a condenação seria diferente?
Se o partido de Miguel Relvas não estivesse no Governo, a "Reguladora" teria actuado de outra forma?
A minha resposta: Acredito que sim.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Palhaçada do futebol



Lamento, estou sem paciência para futebois. Ouço agora andarem a apitar nos carros e a gritaria que foi no fim do jogo de Portugal, mas sinceramente não me consigo sentir entusiasmada.
Podem até dizer que é um escape para tanta porcaria, mas acho que o escape que isto precisava era tomarmos as decisões sobre a nossa vida e o nosso futuro nas nossas mãos e não esperarmos sejam os outros, que supostamente elegemos em liberdade e democracia, que decidam por nós.
Há pessoas com fome, pessoas sem emprego, pessoas que não têm possibilidade de colocar os filhos a estudar nem no secundário (já nem se falo na Universidade), pessoas que têm de emigrar e têm de deixar para trás familia e até animais de estimação em canis, pessoas que perdem as suas casas, negócios familiares que fecham, sonhos perdidos.
E depois ver os mesmos que todos os dias se queixam disso tudo, delirar por meia dúzia de grunhos que tratam o presidente da República por você e ganham milhões,  a correr atrás de uma bola, deixa-me piursa.
Não me venham com sonhos, com mostrar ao mundo que somos bons, com conversas fiadas. Querem protestos? Era pedir contas de quanto se gastou com a ida e estadia dos meninos para lá, em hóteis de dez estrelas, tratados como reis.
É que o país tem também centenas de jovens que são atletas, que conquistam títulos e medalhas, e que têm de pagar até a inscrição nas provas, do seu bolso, ou do dos pais.
Mas voltámos ao Fado, a Fátima, e ao Futebol. E ainda dizem mal dos tempos da «velha senhora»...

domingo, 17 de junho de 2012

Dia Mundial do Dador de Sangue

Celebra-se hoje, 17 de Junho, uma data importantíssima a nível mundial, o Dia do Dador de Sangue, bem como os 25 anos da Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Concelho do Seixal.
Sendo dadora de sangue desde os meus 18 anos, interruptamente, este é um dia que me toca de forma especial.
Um dador de sangue não é um herói, não arrisca a vida, não é um ser super. É um cidadão comum.
Mas um cidadão que sabe no seu íntimo que um pequeno gesto pode ajudar a mudar a vida de muitos outros seres humanos. Um pequeno gesto do qual não se gaba, do qual não espera obter quaisquer dividendos.
Um gesto que sente ser necessário realizar para nos sentirmos de bem com a vida.
Dar um pouco de nós a todos os que nos rodeiam devia ser algo inato, e não algo que necessite de ser celebrado e exaltado. Infelizmente não é assim, e por isso uma homenagem, recordando todos os que fazem esse pequeno gesto, é sempre bem vinda.
Nenhum dador pede nada em troca. Nada a não ser respeito.
Infelizmente, este ano a data marca a falta de respeito para com os dadores. E de duas formas distintas.
Por um lado temos um Governo que retirou aos dadores aquela pequeníssima «atenção» que nos fazia sentir que existia um reconhecimento pelo tal pequeno gesto.
Retirar a isenção aos dadores nas taxas moderadoras, quando milhares de outras pessoas ficam isentas «só porque»… é de uma enorme falta de respeito. Os dadores são pessoas saudáveis, não andam todos os dias a usar o Serviço Nacional de Saúde ou os Hospitais para pesarem assim tanto nas contas como isentos.
Não será este o motivo para que deixemos de fazer esse pequeno gesto, até porque os prejudicados não seriam quem toma estas decisões, porque esses nem que tenham de importar sangue, estarão sempre servidos.
Mas acredito que nos corações de muitos dadores, num ponto muito remoto, a vontade que temos, quando ouvimos os apelos histéricos que as televisões passam, é de dizer «Agora chamem ao Hospital o senhor Passos Coelho e CIA!».
Falando em televisões, esse é o segundo ponto desta falta de respeito.
Na Torre da Marinha teve lugar uma enorme festa com associações de dadores de todo o país, e a formação de uma gota de sangue humana. Uma ocasião que devia ter o destaque devido na comunicação social nacional, tal como referiu o vice-presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos durante o seu discurso.
No entanto, na altura dos discursos, não se via por ali nenhuma televisão, não foi feito nenhum directo nem nenhum dos espectáculos com animadores nacionais. Não, os olhares das televisões estão fixados noutros pontos do país, nas suas «Maravilhas», no seu «Coração» ou no jogo de futebol, mas não na homenagem aos dadores que foi feita no concelho.
Aqui não posso deixar de «mandar a minha boca».
Afinal, temos uma autarquia que aposta forte em publicidade nos meios de comunicação social nacionais, onde publicita eventos, festivais e festas. Mas depois, na hora da divulgação, são os meios locais, pequeninos e até desprezados nas contas e na atribuição de publicidade que lá estão, que transmitem os factos, que os imortalizam.
No entanto, hoje o dia foi de festa, de festa para centenas de pessoas que são lembradas uma vez por ano pelo tal pequeno gesto que fazem e que na verdade, salva vidas.
Gesto que todos continuaremos a fazer, independentemente das barreiras que se levantem, porque em primeiro lugar estará sempre o bem estar do próximo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Último dia de aulas... este ano lectivo!!!

O meu obrigado a todos pela experiência maravilhosa porque me fizeram passar enquanto tentei passar alguns dos meus conhecimentos e aprendi muitissimo com todos!!!
E obrigada pelas lindissimas orquídias!!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Uma lição de vida na Universidade Senior do Seixal

Nestes dias tenho andado destroçada por causa da Ritinha, que ainda não apareceu, mas não queria deixar de partilhar aqui isto.
Termino na próxima semana uma das melhores experiências da minha vida.
Termina o ano escolar na Universidade Senior do Seixal, e com isso terminam as minhas aulas de Iniciação ao Jornalismo (este ano lectivo, pelo menos).
Quando a D. Maria Vitória Afonso me desafiou para ir lá dar aulas, considerei isso quase uma brincadeira. Enviei o email a oferecer-me, mas como era tão em cima da hora, pensei, na minha forma pessimista de ser, que não iria ser aceite. Para meu espanto, os reitores da Unisseixal aceitaram de imediato. E assim começou esta nova aventura.
Acho que ensinei alguma coisa do que fui aprendendo ao longo destes anos.
Tenho a certeza de que aprendi imenso.
Muito mesmo.
Com uma turma de apenas cinco alunos ao início, a mesma foi crescendo aos poucos e com todos os meus alunos aprendi alguma coisa, um pormenor de vida que me escapara, nestas quatro décadas e mais um.
Tive ainda o prazer de ter como convidados José Carlos Araújo, jornalista da TVI, Pedro Brinca, fundador do «Setúbal na Rede» e Paulo Edson Cunha, que ao longo dos anos tem sabido fazer uso da comunicação social no campo político local e nacional.
A todos o meu muito obrigado.
Obrigado por me ensinarem a encarar a vida de forma diferente, e sobretudo por me ensinarem que nunca é tarde para fazermos algo de que gostamos, quer seja ensinando, quer seja, sobretudo, aprendendo.
Aqui deixo o texto da minha aluna Maria de Jesus Gomes Lopes, que me permitiu que reproduzisse aqui.

«A minha perspectiva sobre a missão do jornalismo e sobre as aulas em geral

Há pouco tempo que frequento as aulas de jornalismo. É com convicção que afirmo que me deixam encantada.
Pela professora, que com a sua maneira despretensiosa e de fácil palavra, nos transmite diversos ensinamentos relativos ao jornalismo, bem como de outros assuntos. Fico sempre desejosa de querer ouvir mais, para adquirir maior conhecimento sobre o que chamo a arte de ser jornalista, na verdadeira acepção da palavra. Já deduzi que não é fácil, com tantos condicionalismos que existem, com as normas e deveres deontológicos a que estão sujeitos. Sempre admirei os jornalistas que pela versatilidade das suas palavras fornecem-nos uma informação pública que é caracterizada pela periodicidade, e que abrange rádio, tv, cinema, revistas e com um estilo que é caracterizado pelo dinamismo e agilidade, e pela expansão e influência na opinião pública. Mas existem contradições, com a exploração de escândalos ou indiscrições, e por outro lado, têm de transmitir notícias que sejam credíveis para um outro sector de público.
Existem ainda os direitos de liberdade de expressão, com a livre escolha de informações, com o sigilo das fontes informativas que podem colidir com interesses contrários e que impeçam a veracidade da informação.  
Antigamente, o jornalista ascendia apenas pela prática, mas hoje em dia a profissão exige uma preparação específica e com formação académica. Nas aulas percebi que há erros que não devem fazer-se, os jornalistas têm que escrever correctamente porque é indispensável no progresso e na cultura, têm essa responsabilidade acerca das notícias que nos transmitem, e há que saber fazê-lo.
Não me regem quaisquer pretensões de escrever para qualquer edição do jornal, sei que não estou apta para o fazer, essa missão fica para quem cursou e estudou para o efeito.
Frequento as aulas porque gosto de me inteirar do faseamento destes assuntos do jornalismo e também pelos conhecimentos que vou adquirindo, como se deve escrever, e a maneira de ordenar as frases e as palavras com as explicações dadas nas aulas aperfeiçoou mais a minha escrita quotidiana.
Em casa estou a escrever sobre a minha vivência. Esta sim, é uma pretensão que escolhi e também me atrevi a escrever uma espécie de notas para romance, em que o protagonista é descendente de um templário que no tempo das Cruzadas esteve em Jerusalém (esta é uma fixação minha pelos templários).
Com as explicações dadas pela professora, atrevo-me a dizer que a qualidade do que estou a escrever certamente ficará muito melhor. Tudo o que escrevo em casa é para deixar para os meus descendentes, gosto muito do que escrevo, e sempre que o faço (todos os dias) as palavras vão surgindo no pensamento e afluem com facilidade. É um prazer imenso dar vida aos personagens que vou criando, dando-lhes o lugar adequado e, ao mesmo tempo, uma vivência que vou percorrendo com eles.
Voltando às aulas de jornalismo, estou a gostar do convívio com os colegas, embora não os conheça a todos muito bem, mas apraz-me dizer que têm sido simpáticos. Alguns ou quase todos devem ter uma cultura superior à minha, o que não me deixa intimidada. Todos somos diferentes e é necessário caminhar em frente e não ter limitações para adquirir conhecimentos, são estes que fazem dos seres humanos pessoas mais esclarecidas e com melhor percepção das coisas.
Sei-o por experiência própria, porque o ano passado recebi uma lição de humildade, que serviu para colocar as minhas capacidades à prova e até a minha força moral (julgava que a minha vida não teria mais sentido). Resolvi que teria que ser forte e ultrapassar os obstáculos que me surgiram, e todos os dias os vou superando. Fiz então a escolha de adquirir mais cultura, porque há vários anos que me tenho anulado como mulher.
Eis o motivo por que fiz a inscrição nesta universidade, apesar do ano lectivo já estar bastante avançado. Com simpatia e atenção, tanto da parte dos senhores administrativos, como dos senhores professores, já faço parte da que eu chamo a elite dos que desejam aprender sempre assim a vida não se torna tão monótona.
Entendi fazer este pequeno trabalho por compreender que os senhores professores prescindem e dedicam um precioso tempo transmitindo-nos alguns ensinamentos (alguns totalmente desconhecidos, como é o meu caso), acerca do que é o jornalismo.
Eu tinha uma perspectiva totalmente diferente do que era e como se fazia.
Eis o motivo porque escrevo estas linhas, e como é agradável na minha faixa etária, ainda nos sentirmos quase adolescente ao sentarmo-nos nestas cadeiras da sala, para nos ser ministrada mais uma aula. É uma forma do meu agradecimento especial para quem se preocupa e ajuda a adquirir mais saber e mais cultura.»

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A minha menina

Há coisas que não acreditamos que nos aconteçam... ter um cancro, um acidente de carro ou perdermos um animal de estimação sem mais nem menos.
Mas de repente essas coisas acontecem, e apanham-nos desprevenidos por completo.
Felizmente, não tenho qualquer doença nem tive um acidente, mas perdi a minha gatinha Rita. Nem sei o que dizer. Estou destroçada.
A palermita assustou-se com um toque de campainha e terá caído no 3.º andar mas por uma série de coincidencias macabras, não demos por isso. Só no domingo de manhã quando ela não apareceu para comer.
Há dois dias que a procuro, que grito, que tenho os pés e os braços arranhados por a procurar nos campos aqui perto da casa. Há duas noites que mal durmo, com a janela aberta, ouvido à escuta porque pode ser, há sempre a esperança, que ela volte aqui para os quintais.
Há duas noites que percorro de madrugada as quelhas e a vou chamando...
Não quero acreditar que se foi, a menina esguia de olhos azuis profundos que eu tirei de um motor de carro em Setúbal, e que pensava ser um menino, logo ali baptizado de Santiago, como as festas daquela terra.
Não quero acreditar nisso!! Mas já nem consigo chorar...
(nao coloco aqui a foto dela porque não suporto a dor de olhar as fotografias...)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Quarenta + um

Hoje, chegaram as quatro décadas e mais um!!! Venha o resto!!!

sábado, 26 de maio de 2012

Eu na feira


Se há coisa que esta menina adora mesmo, é andar pelas feiras de tralhas e antiguidades destas bandas e de outras. Azeitão, Costa da Caparica, Setúbal, Moita e Pinhal Novo, são as minhas paragens preferidas, passando ainda quando posso por Ponte de Sôr.
Agora, ficar do lado de lá da mesa para vender, isso era algo que estava longe de mim. Pelo menos até o senhor Fernando Reis me ter desafiado para participar numa «sociedade» e ir hoje de manhã à Feira da Troika em Fernão Ferro.
E às oito da manhã já estava a estender o meu «material», coisinhas que tinha juntado para doar a uma instituição de apoio aos animais para a sua própria feira de recolha de donativos, e por isso mesmo o pecúlio (não mais de 12 euros, infelizmente) irá reverter na totalidade para essa associação.
Mas também posso dizer que sou uma comerciante baratinha e que vendia três peças por 1 euro.  
No entanto, valeu também pela experiência de fazer alguma coisa diferente, de conversar com pessoas, ouvir as suas histórias, quer da parte dos visitantes, quer ainda dos «colegas», como imediatamente nos começaram a tratar.
Se é para voltar a fazer? Sem dúvida nenhuma!!! E lá vou eu começar a recolher coisas para a Feira, como fazia há uns anos atrás para as quermesses cá do burgo. E sempre que possível, com os valores a reverter para as muitas instituições de apoio aos animais abandonados que sigo no Facebook, porque nos dias que vivemos não basta apenas fazer um «Gosto».
E esta é mais uma coisa das que posso riscar das lista dos «A Fazer», para «Cumprida» e com muito, muito gosto.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Políticos e comunicação social

 Não, não vou comentar mais o tema que trouxe aqui ontem. Mas nem a propósito, a minha aula hoje de «Iniciação ao Jornalismo» na Unisseixal foi precisamente sobre o tema que defino no título.
Era um tema que eu pretendia tratar e para isso convidei um, primeiro amigo pessoal, e depois, político local, para palestrar sobre o assunto.
Paulo Edson Cunha, actual vereador da Câmara Municipal do Seixal, foi quem trouxe um toque de novidade para as campanhas políticas locais e nacionais, ao «colar» a sua campanha à imagem de Barack Obama.
A aula foi bastante interessante, porque foram focados temas como o «aproveitamento» político dos média, a diferentes formas de passar a mensagem política e ainda o que tal acarreta quer para os meios de comunicação social, quer ainda para o visado.
Esta será uma eterna discussão, mas pelo menos os meus alunos ficarão com uma visão de ambos os lados da «barreira».

terça-feira, 22 de maio de 2012

Onde é que eu já vi isto?

Realmente, onde é que eu já vi este tipo de pressões sobre jornalistas que são do «contra», que não dão a notícia mastigadinha como se quer, e que por isso os jornais onde trabalham perdem apoios, jornalistas que até são caluniados na sua vida pessoal e particular?
Devo estar enganada, estas coisas só acontecem no Governo...

sábado, 19 de maio de 2012

«Vai-se andando...»

Há uns anos atrás trabalhei com uma rapariga luso-brasileira que tinha vindo trabalhar para Portugal.
E há uma coisa que me lembro sempre de a ouvir dizer: "os brasileiros não entendem uma coisa nos portugueses. Quando você pergunta a um brasileiro como vai, a resposta é sempre: tudo em cima, cara.
Mas quando se pergunta a um português, que tem um clima excelente, uma vida sem grandes problemas (lembrem-se de que estou a falar de uns anos atrás...), não tem grandes problemas de segurança, como nós temos no Brasil, responde sempre: vai-se andando."
Ontem, ao sair do prédio cruzei-me com a minha vizinha que é brasileira e com quem converso sempre um bocadinho, e ao perguntar-lhe "como vai", a resposta dela foi "vai-se andando".
Não resisti e disse-lhe "você está a ficar cada vez mais portuguesa", e perante a surpresa dela, expliquei-lhe a história atrás.
A resposta não demorou: "tem razão, vizinha, nós sempre dizemos que está tudo em cima, está tudo bem, mas infelizmente agora com as coisas piorando como estão, só podemos mesmo dizer: vai-se andando, e um dia de cada vez".
De facto...

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Acreditas em deus?"

Ele há coisas... durante toda a minha vida tenho lidado com crianças e adoro ter conversas com elas, porque se as escutarmos sem as conversas de bebé que muitas vezes somos tentados a fazer, aprendemos mais do que com muitos adultos.
Já me fizeram perguntas estranhas, e quando não sei a resposta digo isso mesmo.
Já me fizeram perguntas sobre sexo, que embora com algum «engolir em seco» lá vou tentando explicar, rementendo, em último caso, sempre a conversa para o papá ou a mamã.
Neste domingo, fui até à Beira Baixa, celebrar o aniversário da mãe na nossa casita, e levei o meu afilhado de 9 anos. Além de ter sido espectacular apresentar-lhe tudo aquilo, ainda fiquei de boca aberta quando ouvi a frase acima.
A minha mãe é religiosa e tem vários santos num pequeno oratório nessa casa. E o meu afilhado começou por apreciar as imagens, e de repente vira-se e pergunta-me se eu acredito em deus.
Fiquei embuchada... é que apesar de ser madrinha pela Igreja, não sou católica mas assumo o papel que esse "cargo" me atribui, não por um papel assinado e uma cerimónia, mas pelo carinho profundo que tenho por este rapaz.
Mas agora responder a isto?? E assim do nada? Além disso, para ele não basta uma resposta evasiva, porque ele sabe se não lhe estão a dizer a verdade, e merece apenas isso.
Como é que lhe podia dizer que não acredito num deus que promete castigos infernais para alguns e permite que esses mesmos andem cá pelo mundo a fazer sofrer os restantes? Num deus que permite que crianças sem pecado sofram enquanto os que exibem publicamente esses pecados condenados são beneficiados como Job? Num deus que permite que no seu próprio templo continuem os vendilhões? Num deus que permite que as doenças se perpetuem para as industrias farmaceuticas ganharem milhares com tratamentos em vez de fazerem a prevenção? Num deus que permite que alguns loucos continuem a maltratar e abandonar animais, aqueles que ele supostamente devia cuidar porque deles é o reino dos céus?
Como não suporto a mentira nem ele, disse que não, que não acreditava. Resposta pronta: Mas se não acreditas não estás protegida! E vi que ele ficou um pouco assustado.
Expliquei-lhe que deus tem muitos nomes e nem sempre temos de acreditar naquela imagem que a biblia dá. Que ao longo da vida nós vamos mudando de ideias e que por vezes é também a vida que nos leva a deixar de acreditar. Que ele podia acreditar (e aqui, confesso que menti), mas que como criança que era, como qualquer criança, estaria sempre protegido.
Fomos conversando ao longo do dia sobre o assunto, ele a perguntar-me coisas sobre Fátima (porque era 13 de Maio) e sobre Cristo e eu a responder-lhe com as versões biblícas que conheço.
Foi interessante ter uma conversa assim refrescante com uma criança, porque sinceramente nos dias que correm já me fartam as conversas de adultos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ó pra mim!!!


Umas das coisas que mais gostei de fazer nesta vida de jornalista, foi a época em que trabalhei na área automóvel. Viagens, gente simpatiquissima, uma das únicas mulheres no ramo e, a cereja em cima do bolo, carrinhos com o depósito cheio para testar durante todo o fim-de-semana.
Agora as lutas são outras, mas não perco a ocasião de me "enfiar" num carrinho para testar sempre que posso.
E esta foto até pode vir a servir de publicidade à marca.
É que se eu caibo no twizy, qualquer pessoa cabe!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Limatória?? (ou mais "correctamente" - Liminatória)

E mais uma. Calinada? Como quem me enviou esta imagem, como a de baixo, começo também a ter as minhas dúvidas se é mera burrice ou algo mais.
É que no exemplo abaixo, trata-se de linhas que vão sendo escritas ao mesmo tempo que decorre o noticiario, ao passo que esta é uma peça, montada, com legendas, e como tal com a obrigação de ter sido «revista» antes de ir para o ar.
Com ordenados milionários a apresentadores, não haverá alguns euros para pagar a um revisor?
É que os erros são diários.
Numa televisão estatal. Pública.
Paga por todos nós.
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Pois, lá ficou «liminado» (liminatado)... acordo ortográfico para quê?


Obrigada, caro Fernando Mateus.

Anatomia de um golpe de Pedro Santos Guerreiro

Eu disse que não falaria sobre o assunto do Pingo Doce, mas foi-me enviado este delicioso texto, que merece ser partilhado.
Trata-se de um artigo de opinião de Pedro Santos Guerreiro no negocios.pt.

«Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. "O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida".
Primeiro, o acessório: este 1º de Maio alterou o equilíbrio na distribuição em Portugal. Este não foi um episódio único, foi uma afirmação de poder da Jerónimo, que vem perdendo para as estratégias agressivas de descontos da concorrência. O Continente chega aos 75% em certos produtos e horas; o Lidl está a quebrar 33%; o Pingo Doce entrou no jogo em grande estilo. Arrumou o assunto com uma bomba de neutrões. Pôs o país a falar disso. Arruinou o mês à concorrência. E fê-lo provavelmente perdendo dinheiro, o que significaria que comprou mercado.
Dar um desconto de 50% num cabaz significa ter uma margem média de 100% para ganhar dinheiro. Margens médias de 100% na distribuição são como manadas de gazelas na Atlântida, não existem. Dir-se-á: e os clientes com isso? É concorrência e a concorrência é linda. Pois, mas esta é feia. Porque se é abaixo de custo, a do Pingo Doce ou a do Continente, não é concorrência, é anti-concorrência. É destruir concorrentes que não suportam predações. É aniquilar fornecedores que as subsidiam.
A distribuição não é para meninos. É um negócio de margens reduzidas, negociações complexas, de um conhecimento quase doentio dos hábitos dos clientes. Fazem-se promoções ao meio-dia porque quem está com fome compra mais. Perfuma-se o ambiente com pão quente porque se vende mais. Dispõe-se os alhos ao pé dos bugalhos, nivela-se as prateleiras pela criançada, desnivela-se a iluminação entre dois corredores, puxa-se o lustro à fruta. É assim. E a Jerónimo Martins é o melhor grupo português a fazê-lo. É a empresa mais valiosa em Bolsa. Vale mais que a Galp.
Agora, o Pingo Doce inicia uma mudança estratégica. Esta é uma campanha de "hard discount", um posicionamento mais "baixo" do que o actual desta cadeia. É por isso que esta operação não tem a mão de Alexandre, o patriarca, mas de Pedro, o sucessor, que carrega uma década de grande sucesso deste modelo na Polónia. Esta é a afirmação, surpreendente e bombástica, da sua gestão. Vem aí mais disto. "Hard discount" quer dizer desconto duro. Assim será: duro. Vale tudo menos arrancar olhos?
Também vale arrancar olhos. Assim foi neste 1º de Maio. Cenas lúgubres em todo o país. Os gestores viram um livro de marketing a ser implementado. Os economistas viram um livro com curvas de oferta e procura. Os juristas viram um livro de direito da concorrência. Eu vi um livro de Saramago a escrever-se sozinho.
Já foi escrito: a reacção dos clientes é racional, nada a apontar. Faltou escrever: quem organizou o circo romano sabia ao que ia. E orgulhou-se no dia seguinte. Ficámos a saber como está o país. A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.
Esta não é uma questão entre direita e esquerda, entre idiotas e ideólogos, entre moralistas e pragmáticos, não é distracção, não se compara com saldos de trapos nem com liquidações de livros. Porque nenhuma dessas promoções provoca estes tumultos descontrolados. Talvez só uma oferta de gasolinas produzisse a mesma loucura.
Numa entrevista notável, a Teresa de Sousa, publicada no Público este domingo, Rob Riemen, que não tem medo de falar de fascismo, afirma: "O espírito da democracia quer dizer que a verdadeira democracia é o oposto da democracia de massas." Riemen refere-se a Tocqueville ou a Gasset. "Ou Espinosa, para quem uma verdadeira democracia significa que somos mais do que indivíduos, aspiramos a ser pessoas de carácter, que não somos apenas motivados pelo medo, pela ganância, pela estupidez, mas capazes de um pensamento e de escolhas".
Acicatar a voragem desumana, como se viu neste Maio, não faz parte dos valores que Alexandre Soares dos Santos construiu. De defesa de salários dignos, de criação de postos de trabalho, de assistência social aos funcionários em dificuldades. Nem serão os valores de Isabel Jonet, que gere no Banco Alimentar situações de pobreza extrema com tacto social e dignidade individual. Isto é uma manifestação de poder autoritário.
Disse Frei Fernando Ventura, nessa noite, na SIC Notícias: "Quando vi as imagens do Pingo Doce, fiquei triste e alarmado. Vi isto na Venezuela, com o Chavez, exactamente o mesmo tipo de reacção. Fiquei com esta imagem como um ícone, ou como um contra ícone, uma mensagem de sinal contrário daquilo que é uma das urgências a descobrir hoje". E disse mais: "Nós, em alguns arroubos místico-gasosos, ficamos muito alarmados e muito agitados interiormente com a multiplicação dos pães e dos peixes. Se nós percebêssemos o que está ali (…). Só houve multiplicação porque houve divisão. A solução tem que passar por aqui: é preciso dividir para multiplicar e é preciso somar sem subtrair nada a ninguém. O segredo está aqui. A chave está aqui. E por aqui pode construir-se a esperança. Por aqui pode criar-se redes de relações, por aqui pode dizer-se às pessoas que a esperança é possível. É preciso organizar esta esperança."
Para o Pingo Doce, os descontos do 1º de Maio terão sido um golpe de marketing ou um anúncio de uma nova estratégia. Mas para os portugueses, que reviram um país negado e renegado, foi mais do que isso. Foi uma humilhação. Como no "Rei Lear", de Shakespeare: "Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos".
"quando os loucos guiam os cegos"»

Obrigada, caro Fernando Mateus