sábado, 12 de junho de 2010

Este não é o meu país...

Isto sim, estraga o dia a uma pessoa. E o título deste post poderia também ser «Este país não é para velhos».

Uma velhota hoje na farmácia ficou muito aflita porque lhe faltavam três euros para pagar os medicamentos. Pensei em pagar esses três euros, mas achei que a senhora ainda ia ficar mais envergonhada. A farmacêutica resolveu a situação, disse que não fazia mal, que pagaria depois, com ar de pena, mas a senhora ficou muito envergonhada, só se desculpava.
Só consegui pensar: «E se fosse a minha mãe?».
Pedi a embalagem de aspirinas e fui para o carro a chorar.

Há uns dias atrás, uma amiga do Facebook relatou uma história semelhante, também com uma idosa numa farmácia.

Quando, neste país dito avançado, deixaremos de ver os idosos envergonhados por não terem dinheiro para os medicamentos e aos bandidos e calhordas a receberem subsídios?!?!
 
Quando deixaremos de ver os diabéticos a terem de voltar a pagar as tiras de diagnóstico mas os drogados a receberem seringas grátis nas prisões e nos centros de apoio?
 
Quando deixaremos de ser perseguidos pelo ministério público por recusar pagar uma multa por falta de documentos do carro na altura de uma patrulha, mas vemos os assaltantes apanhados em flagrante virem para a rua como forma de protesto dos senhores juízes?
 
Não, este não é o meu país...

ERC delibera arquivamento da queixa de Mário Crespo contra o Jornal de Notícias

Hoje chegou-me esta notícia, que tanta tinta fez correr.
Na minha opinião, a ERC (por uma vez) agiu correctamente. Cabe ao director de um jornal saber o que pode ou não afectar a imagem deste. E um texto de opinião, baseado numa conversa que só uns ouviram, só podia trazer problemas. Mesmo dando a cara pelo que diz, na altura de «pagar as favas», estou mesmo a ver o Sr. Mário Crespo a dizer «eu só escrevi, eles é que publicaram...».

«O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) deliberou, por unanimidade, "determinar o arquivamento do processo" referente à queixa do jornalista Mário Crespo, relativa à recusa de publicação de uma crónica de sua autoria na edição de 1 de Fevereiro de 2010 do Jornal de Notícias.
A queixa apresentada por Mário Crespo solicitava, por um lado, a "apreciação" dos acontecimentos descritos na crónica em causa, com o título "O Fim da Linha", nomeadamente "do comportamento do Primeiro-Ministro e das injúrias proferidas em público que [lhe] foram dirigidas e que (...) considera ameaçadoras da liberdade de expressão em Portugal", e, por outro, apresentava "uma queixa formal por censura contra José Leite Pereira, Director do Jornal de Notícias, que (...) ordenou a suspensão da publicação da crónica".
Quanto à parte da queixa em que Mário Crespo alega censura pela não publicação da sua crónica, o Conselho Regulador assinala que "as dúvidas do Director do Jornal de Notícias sobre o teor da crónica dirigiam-se não só para o valor do facto em si nela reportado, dado que, na sua opinião, o relato de uma conversa privada contrariava a prática editorial do jornal, mas também para a circunstância de o relato feito não ter sido confrontado com a audição das partes com interesses atendíveis no caso, as quais seriam, sem dúvida, os intervenientes na conversa relatada".
A ERC reconhece ainda, de acordo com a deliberação, que "a consciência do Director do Jornal de Notícias, também ele jornalista, seria susceptível de ser interpelada ao deparar-se com um artigo de opinião de um jornalista que relata factos em primeira mão os quais poderiam constituir notícia", destacando também o facto de "o alcance das competências e responsabilidades do Director do Jornal de Notícias, previstas na Lei de Imprensa (...) lhe permitiam questionar o jornalista Mário Crespo quanto a aspectos de uma crónica que lhe levantava reservas do ponto de vista deontológico e de prática habitual do seu jornal", reservas estas que, para o Conselho regulador da ERC, "não configuram uma utilização abusiva do poder genérico de orientação do jornal" e também que "as mesmas assumem contornos de razoabilidade e adequação".»

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A volta dos Marretas!!


Uma excelente noticia!!! Pelo menos para mim, que adoro «Os Marretas», e claro, a Miss Piggy!!
(perdão pelo português do Brasil, mas foi onde encontrei hoje a notícia)


«Disney anuncia data de estreia de novo filme dos ‘Muppets’
Longa deve chegar aos cinemas mundiais no Natal de 2011.
Do G1, em São Paulo

A Walt Disney Pictures anunciou na manhã desta quarta-feira (9) a data de lançamento do filme dos “Muppets”. O longa, antigamente batizado de “The cheapest muppet movie ever made” ('o filme mais barato dos 'Muppets' já realizado", em tradução livre), agora se chamará simplesmente “The Muppets” e irá estrear em 25 de Dezembro de 2011.
O ator Jason Siegel, da série “How I met your mother” e filmes como “Eu te amo, cara” será o roteirista do longa ao lado de Nicholas Stoller, além de protagonizá-lo. Os dois trabalharam juntos em “Ressaca de amor”. A direção ficará por conta de James Bobin, um dos criadores do cultuado seriado “Flight of the conchords”.
Com a mudança da data, o filme enfrentará uma forte concorrência nas bilheterias. Está previsto para estrear dois dias a adaptação de Steven Spielberg para as tirinhas “As aventuras de Tintin”.»

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Casa Nova, regras velhas

Durante bastante tempo, fui correspondente do jornal «Rostos» do Barreiro e tive oportunidade de fazer a cobertura de sessões das várias Câmaras de Setúbal e Assembleias Municipais.

Vem isto a propósito de me terem falado sobre a visita que foi feita ao novo edifício da Câmara (sim, um dos meus amigos) e me ter contado que reparou que na sala destinada às reuniões quinzenais, não havia (de novo) um espaço para os jornalistas.
É pena, que uma Câmara tão progressista, não consiga seguir o que é feito nos concelhos vizinhos.
Senão vejamos:
No Barreiro, em Palmela, na Moita e no Montijo, as salas onde decorrem as reuniões camarárias, além da sua simplicidade e de colocarem os vereadores e presidentes ao mesmo nível dos visitantes, sem «tronos», contam com uma mesa para os jornalistas.
Uma simples mesa, por vezes com umas folhas A4 e até canetas, sem luxos, mas que facilita em muito o trabalho (em algumas delas chegam mesmo a colocar copos e jarros de água).
Também nestas Câmaras, durante a reunião, alguém do departamento de informação está disponível para os jornalistas, chegando mesmo no Montijo a serem colocadas folhas onde podemos requisitar a cópia dos documentos que estão nessa sessão a ser discutidos e no caso de se tratar de um dossier volumoso, o mesmo é-nos fornecido para assinalarmos quais as folhas de que pretendemos cópia.
Também nas assembleias municipais está alguém a receber os jornalistas, e a ficar com os contactos (quando não conhecem a pessoa) para poderem enviar informações. (Já me aconteceu, no Barreiro, cuja assembleia decorria no auditório da Biblioteca, me virem pedir desculpas pela falta de condições para poder estar a apontar o que necessitava).
Além de nos darem estas condições, esta é também uma demonstração de respeito para com o nosso trabalho.
Aqui, no Seixal, por vezes nem sítio temos onde nos sentar. Condições para escrever, népias. Pedir documentação, seja ela qual for, é mais burocrático do que comprar uma casa. E muitas vezes (não coloco em causa o trabalho do departamento respectivo), a mesma chega depois do prazo que temos para fechar a edição, porque são precisas “autorizações”.
Parece que no Seixal, os jornais e jornalistas não merecem nem uma mesita.
Infelizmente, isto não é de agora, e pelos vistos, apesar da Casa Nova, tudo vai ficar na mesma.

domingo, 6 de junho de 2010

Imoralidades sem rosto

"Roubei" este magnifico texto do blogue «O Insurgente», e acho que se aplica inteiramente aos «corajosos» que se servem da Internet para o único uso que lhe descobriram, a calúnia. (Ao menos, que se entretessem a ver sites pornográficos, podia ser que assim encontrassem um alívio para as suas necessidades...)


«Imoralidades sem rosto
Março 2, 2010
Arquivado em: Justiça — filipeabrantes @ 15:52
Um indivíduo que se veja ofendido ou caluniado por um manifesto anónimo tem o direito de procurar a autoria desse manifesto e de a divulgar publicamente. Exemplo: “Apurei que o autor do manifesto que me insultou sob a capa do anonimato, chama-se X, vive em Y e faz Z”. Mesmo que as ofensas ou as calúnias não passem de verdades, é um direito que lhe assiste pois o direito ao bom nome é isto mesmo, a confrontação de versões para que seja possível um apuramento da verdade (ao contrário da ideia dos legalistas que pensam que o direito ao bom nome é o direito a pedir assistência ao aparelho judicial e respectivo braço armado que vão ao bolso do alegado caluniador).
Mais: esse indivíduo tem o direito até de publicar um contra-manifesto num site pessoal ou de o afixar, por exemplo, em locais públicos (que, sendo “públicos”, não devem ser monopólio de propaganda partidária mentirosa nem de publicidade de gosto duvidoso, já agora).
Mais ainda: a revelação da identidade do caluniador pode ser feita pelo visado ou pode ser delegada a terceiros. Nada tem de errado ou de imoral nisso. Fazê-lo num jornal não tem nada de chocante, porque para além de haver legitimidade para tal (a propriedade do jornal assim o permite) essa revelação até pode ser vista pelo jornalista como tendo interesse público (se tem ou não, não sei nem interessa para o caso).
Temos assim o caso do “Jumento”, um quadro superior do Ministério das Finanças que, sob a capa do anonimato, passava o seu tempo a enxovalhar personalidades públicas ou outras pessoas que dão o nome e a cara em blogues concorrentes e que agora viu o seu nome e profissão divulgados publicamente.
Olha que chatice.»

Nem mais, embora só não concorde com colocar isso nos jornais, porque o papel é demasiado caro para isso. Mas é um conselho a ter em conta.

sábado, 5 de junho de 2010

Santíssima Trindade

Voltando à minha lide blogosférica habitual, e porque hoje me dediquei a ver televisão, já que a maré estava vazia na Praia da Velha, não pude deixar de reparar na cobertura totalmente absurda da partida da selecção de Portugal para o Mundial.
Isto dias depois de saber que Portugal vai propor o fado a património da UNESCO, uma proposta dos deputados municipais de Lisboa e que tem de ser apresentada às Nações Unidas até 31 de Agosto.
Ora, se contarmos com a visita do Papa a Fátima, e os dias de feriado que uns ganharam com isso, com os dias de futebol que se aproximam, onde alguns vão ganhar milhões, temos este ano uma conjuntura excepcional: Fado, Fátima e futebol.
Três factores que, na certa, levarão os portugueses a esquecer a crise, o aumento do IVA, o desemprego, o fecho de empresas, a gripe das aves, etc. etc.
Porque o que conta mesmo é o fado ser reconhecido mundialmente, o Papa ter dado uns feriados à malta, e a malfadada vuvuzela.
Tá-se bem, tá-se tá-se...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Se:
"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo." George Bernard Shaw

Também:
"As nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam." Martin Luther King

O corajoso flamingo

Como são as coisas

Costuma dizer-se que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo. E também é pela boca que morre o peixe.
E eis que, quando este J.S.Teixeira pensava estar a enviar mensagens por interposta pessoa, se desmascara face às duas directoras do «Comércio».

Comecemos pelo princípio.
No dia 15 de Janeiro, enquanto distribuíamos os jornais no Seixal, um grupo de pessoas pediu um exemplar antes de entrar para um restaurante. Lá dentro, quando parte da nossa equipa entrava para almoçar, o mesmo grupo discutia o jornal na sua mesa.
Azar dos azares, tinham ficado mesmo ao lado da mesa reservada para o «Comércio».
Claro que os ouvidos ficaram alerta.
Logo que nos sentámos, começamos a ouvir as «bocas», em voz esganiçada, obviamente direccionadas para serem ouvidas por aqueles que julgavam ser apenas «distribuidores» do jornal e mais tarde transmitidas à Redacção/Direcção.

«Vou processá-las, este texto sobre o Hospital é tirado do meu blogue! Estas jornalistas que nem currículo têm, andam a copiar os textos dos outros, mas não se preocupem, eu, sim eu mesmo, vou processar o jornal e dar uma lição nestas jornalistas da treta. Não quero ver mais esta porcaria, este pasquim, à minha frente!»

O que este senhor não sabia é que as seis pessoas a quem ele julgava estar a enviar recados por interposta pessoa, eram exactamente as que estavam na mesa ao seu lado.
O que também não sabia era que eu também tinha lido o tal blogue que ele dizia ter escrito.
E o que também não sabia era que havia alguém na nossa mesa que sabia perfeitamente quem ele era.

Ora agora, venham as guloseimas:
O tal blogue onde estavam os “textos copiados” era nada mais nada menos que o-flamingo.blogspot.com, onde o autor colocou as declarações recebidas da Comissão Política da CDU Seixal e do PCP sobre o Hospital no Seixal, e as declarações da deputada Paula Santos, tal como o «Comércio» também os recebeu e publicou.

http://o-flamingo.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

Logo, a pessoa que ameaçava em altos brados esganiçados, só podia ser o autor deste blogue.
Logo a pessoa que o conhecia o identificou, até porque se trata de um “individuo” com um estilo muito característico, que é “apenas” o coordenador de um gabinete na Câmara Municipal do Seixal.
Este corajoso indivíduo, paladino da verdade, quando se apercebeu de algumas «bocas» lançadas da nossa mesa, fez silenciar o grupo com quem se encontrava.
Bastaram-lhe alguns minutos para se aperceber da sua gaffe, até porque da nossa parte também recebeu alguns “miminhos”. Mas mesmo face à provocação directa, preferiu o silêncio, uma vez que naquele momento não se poderia esconder cobardemente sob o protector cobertor do anonimato.
À saída, evitou bravamente os olhares directos das duas directoras, e saiu de mansinho do estabelecimento.
O mesmo corajoso que, momentos antes, fazia ameaças e enviava recados, saiu evitando os olhares, com aquilo que se chama «o rabo entre as pernas».
Sem comentários.

Mais um sem comentários, mas não resisto...

«77% dos funcionários parlamentares sofre de dores nas costas

No seguimento de uma primeira iniciativa realizada no passado dia 21 de Maio na Assembleia da República, onde dois especialistas visitaram os postos de trabalho dos funcionários e deputados para rastrear os hábitos mais comuns e prejudiciais à coluna, como a incorrecta postura corporal, e perante as diversas queixas de dores nas costas que foram apresentadas, a campanha Olhe pelas Suas Costas regressa agora à AR, para uma consulta individualizada a ser realizada pelo Dr. Francisco Sampaio, fisiatra no Hospital de Santa Maria.
O levantamento efectuado na primeira sessão de rastreios da campanha Olhe pelas Suas Costas na AR detectou que 77 por centro dos funcionários parlamentares sofre ou já sofreu de dores nas costas, sendo que 9 por cento dos funcionários foram mesmo forçados a faltar ao trabalho, no último ano.»

Era uma vez...

Há uns anos atrás, trabalhava no primeiro site informativo dedicado à mulher, como jornalista, escrevi uma peça sobre a religião ou culto do Wicca.

E nesta disse que, segundo o que tinha pesquisado, a “religião” Wicca tinha sido considerada durante séculos como “bruxaria”.
Nem sabem a revolução online que aquilo deu.
Foram centenas de comentários sobre o assunto. Mas o mais interessante é que alguns deles eram extremamente ofensivos, e mais curiosamente, eram todos escritos sob anonimato.
Perante isto, e como sempre peguei os bois pelos cornos, respondi a alguns, pedindo para marcar entrevistas de forma a que, sendo tão mais iluminados que eu, explicassem ao vivo e a cores, o que era a real “religião” Wicca.
Silêncio.
Não consegui, da parte dos ofendidos, uma palavra frente-a-frente.
Continuei o meu trabalho, várias reportagens sobre religiões e cultos, e até me lembro de ter entrevistado membros do culto do espiritismo que me ofereceram um livro de Alan Kardecc.
Mas este episódio, passado nos inícios da Internet, nunca me saiu da memória.
A forma como as pessoas escrevem e ofendem cobardemente, sob a capa do anonimato, e quando confrontadas, recuam como éguas assustadas.
Já aqui coloquei um post com o comentário de Miguel Sousa Tavares sob a blogosfera e o anonimato, mas continuo espantada com a cobardia e a forma como a internet veio transformar mentes humildes em mentes humilhantes, tudo bem escondidinho sob a capa do anonimato.
Basta ver a “coragem” com que alguns «corajosos» depois já não comentam em outros locais como as redes sociais do Facebook, porque aí teriam de realmente «dar a cara pelo que dizem».
Mas a mentalidade humana sempre foi assim, mesquinha.
Lembro-me de ler na colecção «Mistério» da Enyd Blynt uma aventura em que o «Gordo» descobria quem na vila andava a enviar cartas anónimas. E na altura isso me fazer uma enorme confusão.
Agora, mais adulta, percebo.

“Pois a calúnia vive por transmissão, alojada para sempre onde encontra terreno”
(William Shakespeare)