Há dias atrás escrevi aqui sobre «O monstro».
Esse monstro levou agora um dos grandes actores nacionais, depois de uma luta de herói que ele manteve contra o «monstro».
Sendo conhecido de uma das pessoas da equipa do «Comércio», já tinhamos combinado uma entrevista para dar a conhecer o seu percurso e também a sua luta.
Uma das vezes, por motivos profissionais, essa foi adiada.
Na outra, por motivos de saúde, acabou por não se realizar. "Quando estiver melhor, combinamos tudo, tá?".
Mas o monstro levou a melhor. Apagou para sempre o sorriso maroto e a forma gaiata de ser e de falar.
Só deixou a recordação de um homem que levou a luta contra o Monstro até ao fim, a sorrir ou a tentar fazê-lo.
Tchau, "Tony", tá?
Um blogue de uma jornalista que já viu um pouco de tudo, usado para falar de qualquer coisa.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
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Maria do Carmo
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sexta-feira, julho 30, 2010
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quinta-feira, 29 de julho de 2010
Amigos de quatro patas
Quem me conhece sabe da minha paixão pelos animais. Sempre assim fui.
Amante de gatos, gostando de cães, fazendo mesmo criação de hamsters só pelo prazer de ver os pequeninos (altura em que todos os miudos da minha rua tiveram um de estimação porque sempre os dei) e criada numa casa onde sempre imperou o máximo respeito pelos nossos amigos de quatro patas.
Nunca consegui encarar nem o mais pequeno animal como menos do que sendo uma parte da familia, e isso aplica-se até ao Xico, um gordinho peixe vermelho, agora algo atormentado pelos gatos Bruno e Sofia, que passam os dias sentados sobre o seu aquário a vê-lo nadar.
Por isso mesmo o sofrimento dos animais sempre me deixou de rastos.
Por isso mesmo logo que pude integrei no meu jornal o «Cantinho da Bicharada», porque acho que desta forma posso ajudar a que nalgumas pessoas se desperte o sentimento de amor por estes quatro patas.
E o que me dá um enorme prazer é falar com pessoas que me dizem que contactaram o Canil /Gatil do Seixal ou seu Grupo de Voluntários (ambos uma referência em Portugal, quer pelo apoio aos animais por parte dos voluntários quer ainda por ter sido dos primeiros que aboliu o abate de animais) ou ainda a Bianca, à procura de um determinado animal que viram nas nossas páginas.
Agora, através do Facebook estou também ligada à União Zoofila, e os casos ali contados são de cortar o coração. Não sei como aquelas pessoas conseguem lidar com casos como a Angelina, o Pretinho, etc, etc.
Eu não tenho essa coragem.
Por isso, e para os outros todos voluntários, do Seixal, da Moita, de Sesimbra, aqui deixo a minha homenagem e muito obrigada por serem corajosos e saberem lidar com estes amigos que o são dos humanos, mas nem sempre encontram a mesma resposta.
Aconselho ainda uma visita a http://www.uniaozoofila.org/
Amante de gatos, gostando de cães, fazendo mesmo criação de hamsters só pelo prazer de ver os pequeninos (altura em que todos os miudos da minha rua tiveram um de estimação porque sempre os dei) e criada numa casa onde sempre imperou o máximo respeito pelos nossos amigos de quatro patas.
Nunca consegui encarar nem o mais pequeno animal como menos do que sendo uma parte da familia, e isso aplica-se até ao Xico, um gordinho peixe vermelho, agora algo atormentado pelos gatos Bruno e Sofia, que passam os dias sentados sobre o seu aquário a vê-lo nadar.
Por isso mesmo o sofrimento dos animais sempre me deixou de rastos.
Por isso mesmo logo que pude integrei no meu jornal o «Cantinho da Bicharada», porque acho que desta forma posso ajudar a que nalgumas pessoas se desperte o sentimento de amor por estes quatro patas.
E o que me dá um enorme prazer é falar com pessoas que me dizem que contactaram o Canil /Gatil do Seixal ou seu Grupo de Voluntários (ambos uma referência em Portugal, quer pelo apoio aos animais por parte dos voluntários quer ainda por ter sido dos primeiros que aboliu o abate de animais) ou ainda a Bianca, à procura de um determinado animal que viram nas nossas páginas.
Agora, através do Facebook estou também ligada à União Zoofila, e os casos ali contados são de cortar o coração. Não sei como aquelas pessoas conseguem lidar com casos como a Angelina, o Pretinho, etc, etc.
Eu não tenho essa coragem.
Por isso, e para os outros todos voluntários, do Seixal, da Moita, de Sesimbra, aqui deixo a minha homenagem e muito obrigada por serem corajosos e saberem lidar com estes amigos que o são dos humanos, mas nem sempre encontram a mesma resposta.
Aconselho ainda uma visita a http://www.uniaozoofila.org/
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Maria do Carmo
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quinta-feira, julho 29, 2010
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
NÃO SÃO OBJECTOS!!!
Acabava de partilhar uma mensagem no Facebook da União Zoófila sobre dois gatitos irmãos abandonados, quando dei com esta noticia, que me alegrou bastante.
Pode ser que aos poucos as mentalidades mudem, não só em Espanha, mas também em Portugal, onde os animais continuam sem ter personalidade júrídica e por isso a poderem ser tratados por "animais irracionais" como meros objectos.
Por PÚBLICO
Por 68 votos contra 55
«Parlamento da Catalunha acabou hoje com as corridas de toiros
O Parlamento da Catalunha aprovou hoje a abolição das corridas de toiros nessa região autónoma.
O resultado foi de 68 votos a favor e 55 contra, com nove abstenções, sendo esta a primeira vez em toda a Espanha que se proíbem as corridas de toiros numa das comunidades.
Em Dezembro, o Parlamento catalão assinara uma petição de um grupo de cidadãos a proibir as corridas.
Durante o debate, foi referido que este género de espectáculos tem vindo a perder popularidade em todo o território espanhol, com cada vez menos gente a ir às praças de toiros.
“Há tradições que não podem permanecer congeladas no tempo, enquanto a sociedade muda. As coisas mais degradantes devem ser abolidas”, disse Jose Rull, deputado do partido nacionalista catalão Convergência e União, que dera liberdade de voto à sua bancada.
Só não participou na sessão de hoje um dos 135 deputados do Parlamento regional e a abolição vai entrar em vigor no mês de Janeiro de 2012.»
Post Scriptum: Sou absolutamente contra touradas ou largadas, mas ainda considero um pouco, só um pouco, menos gravosas as largadas ou forcados a enfrentarem um touro. Aí as hipóteses são «ela por ela». Mas a tourada em si, o espetar de ferros no corpo de um animal, é algo que não consigo entender, e não me falem em culturas, porque a escravatura, a tortura e outras «uras» também eram "de cultura aceite" e a evolução do Homem aboliu-as como "cultura".
Pode ser que aos poucos as mentalidades mudem, não só em Espanha, mas também em Portugal, onde os animais continuam sem ter personalidade júrídica e por isso a poderem ser tratados por "animais irracionais" como meros objectos.
Por PÚBLICO
Por 68 votos contra 55
«Parlamento da Catalunha acabou hoje com as corridas de toiros
O Parlamento da Catalunha aprovou hoje a abolição das corridas de toiros nessa região autónoma.
O resultado foi de 68 votos a favor e 55 contra, com nove abstenções, sendo esta a primeira vez em toda a Espanha que se proíbem as corridas de toiros numa das comunidades.
Em Dezembro, o Parlamento catalão assinara uma petição de um grupo de cidadãos a proibir as corridas.
Durante o debate, foi referido que este género de espectáculos tem vindo a perder popularidade em todo o território espanhol, com cada vez menos gente a ir às praças de toiros.
“Há tradições que não podem permanecer congeladas no tempo, enquanto a sociedade muda. As coisas mais degradantes devem ser abolidas”, disse Jose Rull, deputado do partido nacionalista catalão Convergência e União, que dera liberdade de voto à sua bancada.
Só não participou na sessão de hoje um dos 135 deputados do Parlamento regional e a abolição vai entrar em vigor no mês de Janeiro de 2012.»
Post Scriptum: Sou absolutamente contra touradas ou largadas, mas ainda considero um pouco, só um pouco, menos gravosas as largadas ou forcados a enfrentarem um touro. Aí as hipóteses são «ela por ela». Mas a tourada em si, o espetar de ferros no corpo de um animal, é algo que não consigo entender, e não me falem em culturas, porque a escravatura, a tortura e outras «uras» também eram "de cultura aceite" e a evolução do Homem aboliu-as como "cultura".
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Maria do Carmo
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quarta-feira, julho 28, 2010
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sábado, 24 de julho de 2010
Só pagam os gordos?
Ontem, o Correio da Manhã trazia uma notícia interessante: um deputado alemão, Marco Wanderwitz, dizia numa entrevista, que os gordos deveriam pagar um imposto para pagar os gastos de saúde resultantes do seu excessivo peso corporal. Segundo o deputado do Partido Cristão-Democratico, «quem tem voluntariamente uma vida pouco saudável deve assumir a responsabilidade financeira dessa sua escolha. Os custos não devem ser assumidos pelo Sistema de Saúde».
Estou perfeitamente de acordo e assino por baixo.
Com um senão.
Então, que todos aqueles que são responsáveis pelo declínio da sua saúde que paguem igual imposto.
Neste caso, coloco os alcoolicos e, principalmente, os fumadores, que além de terem «uma vida pouco responsável», contribuem de igual modo para perturbar a saúde de quem com eles lida.
Há alguns anos atrás, as companhias aéreas propuseram uma sobretaxa para os obesos, que lhes permitia viajar em dois lugares, em vez de um.
Já viajei para Madrid com um senhor com uns respeitáveis duzentos quilos ao meu lado, e sei como cheguei completamente amassada. Também sei que quando viajo ao lado de alguém, essa pessoa pode ir incomodada. E sei que a visão da minha obesidade também pode afectar a sensibilidade de alguns. Toda a minha vida vi isso, os olhares de escárnio e até as bocas.
Mas agora, também teria o direito de pedir uma indemnização a todos os com quem trabalhei ou lidei e que me fizeram ser uma fumadora passiva.
É que em relação ao excesso de peso (sei perfeitamente que afecta a minha saúde) mas também sei que sempre pratiquei desporto, que não tenho colesterol quaisquer problemas de problemas de saúde, até sendo dadora de sangue).
Então porque é que hei-de eu pagar para o sistema de saúde daqueles que fumam?
É que segundo dados médicos, o cancro dos pulmões mata ainda mais, no caso das mulheres, que o cancro da mama, e no caso dos homens, que o da próstata.
Mas eu, que optei «voluntariamente por uma vida saudável» no que respeita ao tabaco, não devo ter de pagar pelos outros.
Sobre o tema do tabaco, lembro-me de uma situação que aconteceu na sessão de Câmara do Seixal, há uns anos, antes de entrar em vigor a lei anti-tabaco. O presidente Alfredo Monteiro e alguns vereadores fumavam durante a sessão. A determinada altura, falou-se das Cidades Saudáveis e da lei do tabaco, e a vereadora Corália Loureiro (com um excelente sentido de oportunidade) propôs que o Seixal desse o exemplo, e se começasse logo ali com a proibição de fumar dentro da sala, proposta que foi de imediato aceite.
E este foi um excelente exemplo de respeito para com os outros.
Estou perfeitamente de acordo e assino por baixo.
Com um senão.
Então, que todos aqueles que são responsáveis pelo declínio da sua saúde que paguem igual imposto.
Neste caso, coloco os alcoolicos e, principalmente, os fumadores, que além de terem «uma vida pouco responsável», contribuem de igual modo para perturbar a saúde de quem com eles lida.
Há alguns anos atrás, as companhias aéreas propuseram uma sobretaxa para os obesos, que lhes permitia viajar em dois lugares, em vez de um.
Já viajei para Madrid com um senhor com uns respeitáveis duzentos quilos ao meu lado, e sei como cheguei completamente amassada. Também sei que quando viajo ao lado de alguém, essa pessoa pode ir incomodada. E sei que a visão da minha obesidade também pode afectar a sensibilidade de alguns. Toda a minha vida vi isso, os olhares de escárnio e até as bocas.
Mas agora, também teria o direito de pedir uma indemnização a todos os com quem trabalhei ou lidei e que me fizeram ser uma fumadora passiva.
É que em relação ao excesso de peso (sei perfeitamente que afecta a minha saúde) mas também sei que sempre pratiquei desporto, que não tenho colesterol quaisquer problemas de problemas de saúde, até sendo dadora de sangue).
Então porque é que hei-de eu pagar para o sistema de saúde daqueles que fumam?
É que segundo dados médicos, o cancro dos pulmões mata ainda mais, no caso das mulheres, que o cancro da mama, e no caso dos homens, que o da próstata.
Mas eu, que optei «voluntariamente por uma vida saudável» no que respeita ao tabaco, não devo ter de pagar pelos outros.
Sobre o tema do tabaco, lembro-me de uma situação que aconteceu na sessão de Câmara do Seixal, há uns anos, antes de entrar em vigor a lei anti-tabaco. O presidente Alfredo Monteiro e alguns vereadores fumavam durante a sessão. A determinada altura, falou-se das Cidades Saudáveis e da lei do tabaco, e a vereadora Corália Loureiro (com um excelente sentido de oportunidade) propôs que o Seixal desse o exemplo, e se começasse logo ali com a proibição de fumar dentro da sala, proposta que foi de imediato aceite.
E este foi um excelente exemplo de respeito para com os outros.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Cair na banheira
É verdade. Aconteceu comigo.
Quando pensava que certas coisas apenas aconteciam com os outros e depois de me fartar de avisar a minha mãe sobre os perigos de não ter um tapete anti-derrapante em condições na banheira dela, eis que sou eu quem cai na minha banheira.
Literalmente.
Preparava-me eu para um duche rápido de água fria, como tomo sempre nesta altura do ano, na minha casa no Barreiro, quando ao endireitar o tapete da banheira, me sinto escorregar e zás.
Uma coisa tão estúpida como levantar um pé uns centímetros, apenas para ajeitar a ponta do tapete (novo e nas tais “condições”) e de repente perdi o equilíbrio.
Sem pensar duas vezes, deitei a mão ao varão e escusado será dizer que este não aguentou com o peso-pluma aqui da menina.
E como é dos antigos, ainda pregado à parede, dei comigo entalada dentro da banheira, com o cortinado do banho e caliça em cima de mim e a torneira “confortavelmente” espetada nas costas.
A minha mãe, que tinha ido comigo, apanhou o susto da vida dela.
Não sabia o que fazer, porque era quase impossível tirar-me dali sem um guindaste ou algo semelhante.
É que apesar de ser uma banheira (suficientemente) larga, parece que fez efeito de sucção e dali nada me arrancava.
Entre ais e risos, lá me fui conseguindo soltar, e levantar aos poucos.
Balanço: umas arranhadelas, umas dores no fundo das costas, um varão arrancado e dobrado, alguns buracos e muita caliça.
Muito positivo, se tivermos em conta que fiquei com os ossos inteiros.
Mesmo assim, um pouco melhor do que quando se me partiu a cama e a vizinhança julgou que tinha sido uma botija de gás que rebentou...
Mas é das tais coisas que pensamos sempre que apenas acontecem aos outros e que quando se passam connosco, só conseguimos pensar: “Mas como é que raio eu fiz isto?”.
Quando pensava que certas coisas apenas aconteciam com os outros e depois de me fartar de avisar a minha mãe sobre os perigos de não ter um tapete anti-derrapante em condições na banheira dela, eis que sou eu quem cai na minha banheira.
Literalmente.
Preparava-me eu para um duche rápido de água fria, como tomo sempre nesta altura do ano, na minha casa no Barreiro, quando ao endireitar o tapete da banheira, me sinto escorregar e zás.
Uma coisa tão estúpida como levantar um pé uns centímetros, apenas para ajeitar a ponta do tapete (novo e nas tais “condições”) e de repente perdi o equilíbrio.
Sem pensar duas vezes, deitei a mão ao varão e escusado será dizer que este não aguentou com o peso-pluma aqui da menina.
E como é dos antigos, ainda pregado à parede, dei comigo entalada dentro da banheira, com o cortinado do banho e caliça em cima de mim e a torneira “confortavelmente” espetada nas costas.
A minha mãe, que tinha ido comigo, apanhou o susto da vida dela.
Não sabia o que fazer, porque era quase impossível tirar-me dali sem um guindaste ou algo semelhante.
É que apesar de ser uma banheira (suficientemente) larga, parece que fez efeito de sucção e dali nada me arrancava.
Entre ais e risos, lá me fui conseguindo soltar, e levantar aos poucos.
Balanço: umas arranhadelas, umas dores no fundo das costas, um varão arrancado e dobrado, alguns buracos e muita caliça.
Muito positivo, se tivermos em conta que fiquei com os ossos inteiros.
Mesmo assim, um pouco melhor do que quando se me partiu a cama e a vizinhança julgou que tinha sido uma botija de gás que rebentou...
Mas é das tais coisas que pensamos sempre que apenas acontecem aos outros e que quando se passam connosco, só conseguimos pensar: “Mas como é que raio eu fiz isto?”.
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sexta-feira, julho 23, 2010
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Poder e homenzinhos
Ontem passaram na RTP Memória os últimos episódios da série «Holocausto».
Foi uma série que, aquando da sua primeira transmissão em Portugal, me deixou profundas marcas.
Não me recordo do ano em que a série passou pela primeira vez, mas lembro-me de uma cena em que uma menina era agredida (ou morta) porque trabalhava numa das fábricas alemãs a fazer canecas e colocou mal uma das pegas.
Para uma criança como também eu era na altura, que as únicas coisas que via era o Vicky e a Abelha Maia, aquilo foi brutal.
Agora, muitos anos e muita vivência depois, muitas coisas mudaram, mas ver a série ainda me deixa um enorme amargo de boca.
Pensar que um pouco de Poder nas mãos dos fracos pode causar algo como... o Holocausto. E como dizia uma das personagens que fazia a resistência no Gueto de Varsóvia «se querem destruir-nos é porque devemos mesmo valer a pena».
Porque é de Poder que se trata.
O Poder de um Partido, mas acima de tudo de uma farda e de umas insígnias, que colocam homenzinhos acima de outros homens, dando-lhes o poder de vida ou de morte sobre outros, em nome de um exército.
homenzinhos que se desculpavam dizendo que «o que fazemos é por necessidade» ou «só cumpro ordens».
homenzinhos que diziam combater os inimigos do Reich.
Portugal também teve os seus homenzinhos, também escondidos por detrás de leis que lhes permitiam perseguir outros homens. Fardas e insígnias que também lhes deram o poder de perseguir e matar em nome de uma polícia.
homenzinhos que se desculpavam dizendo que «o que fazemos é por necessidade» ou «só cumpro ordens».
homenzinhos que diziam combater os inimigos da Pátria.
Hoje em dia as fardas e insígnias dos homenzinhos são outras.
Mas dão-lhes (algum) Poder. O Poder de tentarem (mas só tentar) destruir aquilo que não lhes agrada, ou que não agrada aqueles a quem servem.
É um Poder que se chama Internet, e a farda e as insígnias que usam agora é o Anonimato.
Mas não deixam nunca de ser homenzinhos. A quem foi dado algum Poder, uma farda e insígnias. Em nome sabe-se lá de que exército ou polícia.
Post Scriptum: Não falei aqui da Resistência que todos estes homenzinhos tiveram. Falarei, talvez, noutro dia. Porque essa está também na História. Alemã e Portuguesa. E porque essa está também no sangue de todos aqueles que não são homenzinhos.
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quarta-feira, julho 21, 2010
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Aventura é aventura
Há dias via umas fotos e recordava a minha viagem como jornalista a Bruxelas. Acompanhava um grupo de sindicalistas de Sesimbra e alguns convidados de Joel Hasse Ferreira para a revista «Eurodeputado».
Antes de ir, falei com umas pessoas do circo Luftman que me disseram ter família na Bélgica e cujo circo estava junto do Atomiom, e que ficariam muito satisfeitas se as fosse lá visitar.
Claro, pensei. Aquilo deve ser fácil de encontrar.
Num dos dias que tivemos para visitar a cidade sozinhos, depois de ter almoçado uma sandes tamanho familiar numa loja no Metro (já agora, o melhor lugar para comprar os famosos chocolates, são de marca e muito mais baratos que nas lojas da superfície).
E então meti-me a caminho. Perguntei no hotel, disseram-me para apanhar o Metro e pronto.
Claro. Se em Lisboa já me perdi no Rossio e andei a perguntar como se ia para a estação dos barcos...
Mas lá fui. Entrei no metro e pedi um bilhete para o Atomiom.
Agora era perceber como fazer a viagem.
Cruzes.
No caminho, ia escrevendo as paragens por onde passava para saber quais as de regresso. Mas ao ver-me tão atrapalhada, uma passageira perguntou para onde eu ia, e lá consegui explicar no meu francês arranhado.
Se vissem o olhar dela de pena para esta estrangeira que se mete nestas alhadas. É que era preciso mudar de estação e ainda apanhar um eléctrico até ao jardim onde se encontra o monumento.
A simpática senhora fez então aquilo que muitos poucos fazem. Saiu comigo na respectiva paragem, atravessou a estação, foi comigo na viagem de duas estações e «meteu-me» no Electrico. Claro que agradeci efusivamente.
Cheguei então ao circo no Atomiom e procurei a família portuguesa. Fui bem recebida, visitei aquilo que poucos visitam no circo e voltei.
Lá consegui dar com as estações e as saídas. E cheguei a Bruxelas.
O problema é que nem sabia o nome do meu hotel. Mas lá andei por ali, e descobri-o por acaso.
Foi uma lição, levar moradas e aprender, ou pelo menos, treinar um bocado a língua local.
Ou então, não me meter em sarilhos. Como se isso fosse possível...
Antes de ir, falei com umas pessoas do circo Luftman que me disseram ter família na Bélgica e cujo circo estava junto do Atomiom, e que ficariam muito satisfeitas se as fosse lá visitar.
Claro, pensei. Aquilo deve ser fácil de encontrar.
Num dos dias que tivemos para visitar a cidade sozinhos, depois de ter almoçado uma sandes tamanho familiar numa loja no Metro (já agora, o melhor lugar para comprar os famosos chocolates, são de marca e muito mais baratos que nas lojas da superfície).
E então meti-me a caminho. Perguntei no hotel, disseram-me para apanhar o Metro e pronto.
Claro. Se em Lisboa já me perdi no Rossio e andei a perguntar como se ia para a estação dos barcos...
Mas lá fui. Entrei no metro e pedi um bilhete para o Atomiom.
Agora era perceber como fazer a viagem.
Cruzes.
No caminho, ia escrevendo as paragens por onde passava para saber quais as de regresso. Mas ao ver-me tão atrapalhada, uma passageira perguntou para onde eu ia, e lá consegui explicar no meu francês arranhado.
Se vissem o olhar dela de pena para esta estrangeira que se mete nestas alhadas. É que era preciso mudar de estação e ainda apanhar um eléctrico até ao jardim onde se encontra o monumento.
A simpática senhora fez então aquilo que muitos poucos fazem. Saiu comigo na respectiva paragem, atravessou a estação, foi comigo na viagem de duas estações e «meteu-me» no Electrico. Claro que agradeci efusivamente.
Cheguei então ao circo no Atomiom e procurei a família portuguesa. Fui bem recebida, visitei aquilo que poucos visitam no circo e voltei.
Lá consegui dar com as estações e as saídas. E cheguei a Bruxelas.
O problema é que nem sabia o nome do meu hotel. Mas lá andei por ali, e descobri-o por acaso.
Foi uma lição, levar moradas e aprender, ou pelo menos, treinar um bocado a língua local.
Ou então, não me meter em sarilhos. Como se isso fosse possível...
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Esse monstro
Esta altura do ano é um bocado complicada para mim, não só porque como gorda que sou me é difícil suportar o calor, mas também porque foi por esta altura que perdi uma amiga para um monstro.
Já me têm perguntado porque uso o cabelo tão curto. Para além de ser prático e de gostar, em especial nesta altura do ano, é também por memória a uma pessoa, que partiu vitima desse monstro que se chama cancro.
Há uns anos atrás, depois de lhe ter sido diagnosticado o cancro da mama, começou a quimio e um dia quando secava o cabelo com o secador, este começou a cair-lhe, ou como ela descreveu, «a voar ao vento». Decidiu cortar o que até aí era uma farta cabeleira. E eu apostei com ela que não seria a única careca no grupo e vá daí cortei o meu a pente um. Não vou dizer que foi um sacrifício, porque adorei.
O pior é isto aconteceu no ano em que os cabeças-rapadas mataram um rapaz no Bairro Alto e, eu com este delicado físico e cabeça quase rapada, tá-se mesmo a ver o sucesso que fiz... foi o Verão todo de boné e chapéu.
O cabelo cresceu, a luta contra o cancro da mama parecia vencida, embora outras lutas viessem a caminho, nomeadamente com um Ministério da Educação que não percebia as suas dificuldades e limitações para poder continuar a dar aulas, a paixão da sua vida.
Há três anos, o monstro voltou, com outra cara, desta feita no fígado, e ela perdeu a luta.
Perdeu? Não, por isso mesmo quis ser cremada, porque dizia que se não vencia a doença em vida, não a ia deixar continuar a vencer na morte.
Esta semana, faleceu uma tia minha às mãos do mesmo monstro.
Em Março, uma outra tia, irmã do meu pai, depois de sofrimento atroz.
Pela televisão, há uns anos atrás, a minha mãe descobriu que uma das suas irmãs padecia do mesmo mal. Não imaginam o que é estar a ver uma reportagem sobre cancro no IPO e ver a irmã deitada numa das camas... tia que também já partiu.
Perante isto tudo, poderíamos dizer que é o destino. Mas como sou uma inconformista, não aceito isso. Não aceito que no século XXI não se descubram mais tratamentos para o cancro, que este monstro ainda seja uma das principais causas de morte, em especial nas pessoas que nada fizeram para serem assim atacadas.
Quando trabalhei na área redactorial de medicina geral, ouvia alguns comentários de que se até hoje não existe cura para o cancro, isso se deve ao lobby dos laboratórios, que ganham milhares com tratamentos e não apostam na investigação preventiva.
Não queria acreditar, mas garanto que é uma tese que tem o seu quê de verdadeiro. E não posso deixar de ranger os dentes quando sei de mais alguma vítima do monstro.
Post Scriptum: Hoje deu-me para o sentimento, mas há dias assim, em que achamos que, por vezes, a vida não passa mesmo de uma luta inglória. E que o melhor é tirar mesmo o melhor partido do que temos.
Já me têm perguntado porque uso o cabelo tão curto. Para além de ser prático e de gostar, em especial nesta altura do ano, é também por memória a uma pessoa, que partiu vitima desse monstro que se chama cancro.
Há uns anos atrás, depois de lhe ter sido diagnosticado o cancro da mama, começou a quimio e um dia quando secava o cabelo com o secador, este começou a cair-lhe, ou como ela descreveu, «a voar ao vento». Decidiu cortar o que até aí era uma farta cabeleira. E eu apostei com ela que não seria a única careca no grupo e vá daí cortei o meu a pente um. Não vou dizer que foi um sacrifício, porque adorei.
O pior é isto aconteceu no ano em que os cabeças-rapadas mataram um rapaz no Bairro Alto e, eu com este delicado físico e cabeça quase rapada, tá-se mesmo a ver o sucesso que fiz... foi o Verão todo de boné e chapéu.
O cabelo cresceu, a luta contra o cancro da mama parecia vencida, embora outras lutas viessem a caminho, nomeadamente com um Ministério da Educação que não percebia as suas dificuldades e limitações para poder continuar a dar aulas, a paixão da sua vida.
Há três anos, o monstro voltou, com outra cara, desta feita no fígado, e ela perdeu a luta.
Perdeu? Não, por isso mesmo quis ser cremada, porque dizia que se não vencia a doença em vida, não a ia deixar continuar a vencer na morte.
Esta semana, faleceu uma tia minha às mãos do mesmo monstro.
Em Março, uma outra tia, irmã do meu pai, depois de sofrimento atroz.
Pela televisão, há uns anos atrás, a minha mãe descobriu que uma das suas irmãs padecia do mesmo mal. Não imaginam o que é estar a ver uma reportagem sobre cancro no IPO e ver a irmã deitada numa das camas... tia que também já partiu.
Perante isto tudo, poderíamos dizer que é o destino. Mas como sou uma inconformista, não aceito isso. Não aceito que no século XXI não se descubram mais tratamentos para o cancro, que este monstro ainda seja uma das principais causas de morte, em especial nas pessoas que nada fizeram para serem assim atacadas.
Quando trabalhei na área redactorial de medicina geral, ouvia alguns comentários de que se até hoje não existe cura para o cancro, isso se deve ao lobby dos laboratórios, que ganham milhares com tratamentos e não apostam na investigação preventiva.
Não queria acreditar, mas garanto que é uma tese que tem o seu quê de verdadeiro. E não posso deixar de ranger os dentes quando sei de mais alguma vítima do monstro.
Post Scriptum: Hoje deu-me para o sentimento, mas há dias assim, em que achamos que, por vezes, a vida não passa mesmo de uma luta inglória. E que o melhor é tirar mesmo o melhor partido do que temos.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Gerir a Raiva
Recebi esta mensagem por um amigo e não resisto a partilhar aqui. Mais não seja para rir um bocado!
«Gerir a raiva...
Por vezes, quando se tem um mau dia e precisamos de o descarregar em alguém, não o faça em alguém seu conhecido.
Descarregue em alguém que NÃO conheça.
Estava sentado à minha secretária, quando me lembrei de um telefonema que tinha de fazer.
Encontrei o número e marquei-o. Respondeu um homem que disse: -"Está?"
Educadamente respondi-lhe: -"Estou! Sou o Luís Alves. Posso falar com a Sra. Ana Marques, por favor?"
Ficou com uma voz transtornada e gritou-me aos ouvidos: - Vê lá se arranjas a merda do número certo, ó filho da puta!" e desligou o telefone.
Nem queria acreditar que alguém pudesse ser tão mal educado por causa de uma coisa destas. Quando consegui ligar à Ana, reparei que tinha acidentalmente transposto os dois últimos dígitos.
Decidi voltar a ligar para o número "errado" e, quando o mesmo tipo atendeu, gritei-lhe: "És um grande paneleiro!" e desliguei. Escrevi o número dele juntamente com a palavra "paneleiro" e guardei-o.
De vez em quando, sempre que tinha umas contas chatas para pagar ou um dia mesmo mau, telefonava-lhe e gritava-lhe: - és um grande paneleiro!" - Isso animava-me!
Quando surgiu a identificação de chamadas, pensei que o meu terapêutico telefonema do "paneleiro" iria acabar. Por isso, liguei-lhe e disse: - "Boa tarde. Daqui fala da PT.
Estamos a ligar-lhe para saber se conhece o nosso serviço de identificação de chamadas.
Ele disse -"NÃO" - e bateu o telefone.
De seguida liguei-lhe, e disse: "Não sabes, porque és um grande paneleiro!"
Uma vez, estava no parque do Centro Comercial e, quando me preparava para estacionar num lugar livre, um tipo num BMW cortou-me o caminho e estacionou no lugar que eu tinha estado à espera que vagasse.
Buzinei-lhe e disse-lhe que estava ali primeiro à espera daquele lugar, mas ele ignorou-me.
Reparei que tinha um letreiro "Vende-se" no vidro de trás do carro, e tomei nota do número de telefone que lá estava.
Uns dias mais tarde, depois de ligar ao primeiro paneleiro, pensei que era melhor telefonar também para o paneleiro do BMW.
Perguntei-lhe: "É o senhor que tem um BMW preto à venda?"
"Sim", disse ele.
"E onde é que o posso ver?", perguntei.
"Pode vir vê-lo a minha casa, aqui na Rua da Descobertas, 36. É uma casa amarela e o carro está estacionado mesmo à frente."
"E o senhor chama-se?." perguntei.
"O meu nome é Alberto Palma", disse ele.
"E a que horas está disponível para mostrar o carro?"
"Estou em casa todos os dias depois das cinco."
"Ouça, Alberto, posso dizer-lhe uma coisa?"
"Diga!"
"És um grande paneleiro!", e desliguei o telefone. Agora, sempre que tinha um problema, tinha dois "paneleiros" a quem telefonar.
Tive, então, uma ideia. Telefonei ao paneleiro Nº 1.
"Está?"
"És um paneleiro!" (mas não desliguei)
"Ainda estás aí?" ele perguntou.
"Sim", disse-lhe.
"Deixa de me telefonar!" gritou.
"Impede-me", disse eu.
"Quem és tu?" perguntou.
"Chamo-me Alberto Palma", respondi.
"Ah sim? E onde é que moras?"
"Moro na Rua da Descobertas, 36, tenho o meu BM preto mesmo em frente, ó paneleiro. Porquê?
"Vou já aí, Alberto. É melhor começares a rezar", disse ele.
"Estou mesmo cheio de medo de ti, ó paneleiro!" e desliguei.
A seguir, liguei ao paneleiro Nº 2.
"Está?"
"Olá, paneleiro!", disse eu.
Ele gritou-me: "Se descubro quem tu és..."
"Fazes o quê?" perguntei-lhe.
"Parto-te a tromba!" disse ele.
E eu disse-lhe: "Olha, paneleiro, vais ter essa oportunidade. Vou agora aí a tua casa, e já vais ver."
Desliguei e telefonei à Polícia, dizendo que morava na Rua da Descobertas, Nº 36 e que ia agora para casa matar o meu namorado gay.
Depois liguei para as cadeias de TV e falei-lhes sobre a guerra de gangs que se estava a desenrolar nesse momento na Rua da Descobertas.
Peguei no meu carro e fui para a Rua da Descobertas. Cheguei a tempo de ver os dois parvalhões a matarem-se à pancada em frente de seis viaturas de polícia e uma série de repórteres de TV.
Já me sinto muito melhor.
Gerir a raiva sempre funciona!!
Um abraço e... prometo que não telefono!... »
«Gerir a raiva...
Por vezes, quando se tem um mau dia e precisamos de o descarregar em alguém, não o faça em alguém seu conhecido.
Descarregue em alguém que NÃO conheça.
Estava sentado à minha secretária, quando me lembrei de um telefonema que tinha de fazer.
Encontrei o número e marquei-o. Respondeu um homem que disse: -"Está?"
Educadamente respondi-lhe: -"Estou! Sou o Luís Alves. Posso falar com a Sra. Ana Marques, por favor?"
Ficou com uma voz transtornada e gritou-me aos ouvidos: - Vê lá se arranjas a merda do número certo, ó filho da puta!" e desligou o telefone.
Nem queria acreditar que alguém pudesse ser tão mal educado por causa de uma coisa destas. Quando consegui ligar à Ana, reparei que tinha acidentalmente transposto os dois últimos dígitos.
Decidi voltar a ligar para o número "errado" e, quando o mesmo tipo atendeu, gritei-lhe: "És um grande paneleiro!" e desliguei. Escrevi o número dele juntamente com a palavra "paneleiro" e guardei-o.
De vez em quando, sempre que tinha umas contas chatas para pagar ou um dia mesmo mau, telefonava-lhe e gritava-lhe: - és um grande paneleiro!" - Isso animava-me!
Quando surgiu a identificação de chamadas, pensei que o meu terapêutico telefonema do "paneleiro" iria acabar. Por isso, liguei-lhe e disse: - "Boa tarde. Daqui fala da PT.
Estamos a ligar-lhe para saber se conhece o nosso serviço de identificação de chamadas.
Ele disse -"NÃO" - e bateu o telefone.
De seguida liguei-lhe, e disse: "Não sabes, porque és um grande paneleiro!"
Uma vez, estava no parque do Centro Comercial e, quando me preparava para estacionar num lugar livre, um tipo num BMW cortou-me o caminho e estacionou no lugar que eu tinha estado à espera que vagasse.
Buzinei-lhe e disse-lhe que estava ali primeiro à espera daquele lugar, mas ele ignorou-me.
Reparei que tinha um letreiro "Vende-se" no vidro de trás do carro, e tomei nota do número de telefone que lá estava.
Uns dias mais tarde, depois de ligar ao primeiro paneleiro, pensei que era melhor telefonar também para o paneleiro do BMW.
Perguntei-lhe: "É o senhor que tem um BMW preto à venda?"
"Sim", disse ele.
"E onde é que o posso ver?", perguntei.
"Pode vir vê-lo a minha casa, aqui na Rua da Descobertas, 36. É uma casa amarela e o carro está estacionado mesmo à frente."
"E o senhor chama-se?." perguntei.
"O meu nome é Alberto Palma", disse ele.
"E a que horas está disponível para mostrar o carro?"
"Estou em casa todos os dias depois das cinco."
"Ouça, Alberto, posso dizer-lhe uma coisa?"
"Diga!"
"És um grande paneleiro!", e desliguei o telefone. Agora, sempre que tinha um problema, tinha dois "paneleiros" a quem telefonar.
Tive, então, uma ideia. Telefonei ao paneleiro Nº 1.
"Está?"
"És um paneleiro!" (mas não desliguei)
"Ainda estás aí?" ele perguntou.
"Sim", disse-lhe.
"Deixa de me telefonar!" gritou.
"Impede-me", disse eu.
"Quem és tu?" perguntou.
"Chamo-me Alberto Palma", respondi.
"Ah sim? E onde é que moras?"
"Moro na Rua da Descobertas, 36, tenho o meu BM preto mesmo em frente, ó paneleiro. Porquê?
"Vou já aí, Alberto. É melhor começares a rezar", disse ele.
"Estou mesmo cheio de medo de ti, ó paneleiro!" e desliguei.
A seguir, liguei ao paneleiro Nº 2.
"Está?"
"Olá, paneleiro!", disse eu.
Ele gritou-me: "Se descubro quem tu és..."
"Fazes o quê?" perguntei-lhe.
"Parto-te a tromba!" disse ele.
E eu disse-lhe: "Olha, paneleiro, vais ter essa oportunidade. Vou agora aí a tua casa, e já vais ver."
Desliguei e telefonei à Polícia, dizendo que morava na Rua da Descobertas, Nº 36 e que ia agora para casa matar o meu namorado gay.
Depois liguei para as cadeias de TV e falei-lhes sobre a guerra de gangs que se estava a desenrolar nesse momento na Rua da Descobertas.
Peguei no meu carro e fui para a Rua da Descobertas. Cheguei a tempo de ver os dois parvalhões a matarem-se à pancada em frente de seis viaturas de polícia e uma série de repórteres de TV.
Já me sinto muito melhor.
Gerir a raiva sempre funciona!!
Um abraço e... prometo que não telefono!... »
Publicada por
Maria do Carmo
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quinta-feira, julho 15, 2010
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Que no credo en brujas....
Esta é uma frase que ouço (e digo) muitas vezes, mas há alturas em que parece ser cem por cento verdade. É naqueles «dias de manhã em que uma pessoa à tarde não devia sair à noite» ou então em pequenas coisas que sucedem.
Hoje foi uma delas.
Vinha a descer as Cavaquinhas e dei passagem a um automóvel que estava a sair do estacionamento. A rapariga abriu o vidro e agradeceu.
Mais abaixo, na rotunda, virou para a Arrentela e como iam dois indivíduos a passar a passadeira em «passeio dos alegres», ela manobrou e passou ao largo com eles ainda a terminarem muito calmamente a passagem.
Logo um dos passeantes se vira e lhe espeta com um «Tás com pressa Grande P***?». Ora o menino ainda nem tinha acabado de pronunciar o «a» quando o telemóvel que levava colado ao ouvido caiu no chão e se estraçalhou por completo.
Não resisti e desatei à gargalhada.
Sei que é feio rir dos males dos outros (dizem), mas este estava mesmo a pedi-las.
É que não acredito em bruxas, mas que as há, há.
Post Scriptum: Calma, "Sr. J.S. Teixeira", antes que fique muito excitado, este post não lhe é dirigido.
Hoje foi uma delas.
Vinha a descer as Cavaquinhas e dei passagem a um automóvel que estava a sair do estacionamento. A rapariga abriu o vidro e agradeceu.
Mais abaixo, na rotunda, virou para a Arrentela e como iam dois indivíduos a passar a passadeira em «passeio dos alegres», ela manobrou e passou ao largo com eles ainda a terminarem muito calmamente a passagem.
Logo um dos passeantes se vira e lhe espeta com um «Tás com pressa Grande P***?». Ora o menino ainda nem tinha acabado de pronunciar o «a» quando o telemóvel que levava colado ao ouvido caiu no chão e se estraçalhou por completo.
Não resisti e desatei à gargalhada.
Sei que é feio rir dos males dos outros (dizem), mas este estava mesmo a pedi-las.
É que não acredito em bruxas, mas que as há, há.
Post Scriptum: Calma, "Sr. J.S. Teixeira", antes que fique muito excitado, este post não lhe é dirigido.
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Maria do Carmo
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terça-feira, julho 13, 2010
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