sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Isto é economia de mercado?

Agora ao ver uma reportagem da Sic sobre os restaurantes, lembrei-me de uma conversa/discussão que tive ontem precisamente num restaurante.
Dizia a reportagem que estes estabelecimentos estão a sentir em grande a crise, porque as pessoas partilham doses ou vão para os pratos mais baratos. E depois, deparo-me com isto.
Tem a ver com a atitude de uma pessoa que gere um restaurante. Não vou dizer o nome, por uma questão de amizade pessoal, mas que me deixou banzada, deixou.
Já não é a primeira vez que lá vou acompanhada e estranho sempre os preços praticados, quando cá fora se anuncia que uma refeição completa é no valor de 7,50 euros.
E como normalmente até reclamo, hoje obtive a explicação por parte dessa pessoa.
Então é assim: se eu for sozinha, ou pedir uma dose só para mim, pago os tais 7,50 euros, com direito a bebida, café e sobremesa.
Mas se for acompanhada e pedir uma dose para duas pessoas, em vez de vigorar esse valor, já pago a dose «à lista». E tudo o que consumir além da dose, ou seja, pão, azeitonas, bebida, sobremesa e café, mesmo que seja apenas um de cada.
Explicação: porque sujam dois pratos e dois copos.
Entendo que se for almoçar dentro do esquema dos 7,50 euros e quiser mais uma bebida, um café e uma sobremesa, pague por eles. É óbvio.
Agora que por dividir uma dose (que diga-se são sempre generosas), tenha de pagar por lista, é que já não me cabe na cabeça.
E quando questionei isso mesmo, a resposta foi: quando tiveres um restaurante vais ver se não fazes o mesmo.
Faria? Nunca tive um restaurante, mas sei de uma coisa básica: só se enganam os clientes uma vez. E tentar fazer uns pagar pelos outros não é, na certa, economia de mercado.
E depois ainda há quem se queixe de que não faz negócio... mas se calhar a minha noção de honestidade é outra.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Liberdade de Imprensa

Eu sei que o Pedro Brinca me perdoa por publicar aqui um texto do Setúbal na Rede, mas é tão importante que não resisto, e aqui fica, com o devido link: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=13257

Provedoria do Leitor

por João Canavilhas
(Membro da Provedoria)

Liberdade de Imprensa
Portugal caiu para o 40º lugar no ranking da liberdade de imprensa, uma queda de dez lugares neste ranking de 178 países elaborado pela associação Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Para chegar a este ranking, a RSF contabiliza vários critérios entre os quais a violência sobre jornalistas, censura, apreensão de equipamentos ou alterações legislativas tendentes a um maior controlo governamental dos meios de comunicação.
O resultado deste ano acaba por não ser surpreendente pois os últimos tempos têm sido pródigos em casos que deram visibilidade à guerra surda vivida no sector. Entre processos, roubos de gravadores, suspensão de serviços informativos e não publicação de crónicas, foram muitos os episódios elencados pela RSF no ranking deste ano, uma situação que se reflectiu na referida queda de dez lugares.
Com menos visibilidade pública, mas tão grave como os casos anteriores, são as atrocidades cometidas sobre a imprensa regional portuguesa. Conhecendo a debilidade económica dos jornais e das rádios locais, muitos autarcas tentam dominar a imprensa gerindo de forma habilidosa as verbas da publicidade, privilegiando os meios que lhes são favoráveis. O resultado é um espaço público mais pobre e um acentuado declínio qualitativo das democracias locais. Quem ganha com esta situação é a blogosfera que se tem vindo a assumir num espaço de opinião verdadeiramente livre.
Ainda recentemente a ERC apresentou um relatório que torna públicos os investimentos publicitários do Estado: o documento, que permite saber quanto recebeu cada meio/grupo de comunicação nacional, é um forte contributo para uma sociedade mais transparente. Também as câmaras municipais deveriam ser obrigadas a divulgar os seus investimentos publicitários nos media locais, uma situação que, digo eu, nos custaria mais alguns lugares no ranking da liberdade de imprensa.
João Canavilhas - 26-10-2010 09:16

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rir da ignorância

O nosso presidente já respondeu uma vez que não sabia quantos Cantos tinha «Os Lusíadas»... por isso o mal não é só da nova geração.

Lusíadas

Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu 'Os Lusíadas'?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.
E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu 'Os Lusíadas' e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele...
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R., diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu 'Os Lusíadas' respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um 'aperto', vai ver que ele confessa tudo!
Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado no sofá, a ler o jornal. Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá ver. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu 'Os Lusíadas'. Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Como se discute o futuro deste país

Enviaram-me este cartoon, que acho excepcional.
No more coments.

sábado, 23 de outubro de 2010

Casa é onde está o nosso coração

Esta é uma frase batida, mas hoje realmente tive uma noção do que quer dizer. Fui dar uma voltinha até à Festa da Gastronomia em Santarém, porque por vezes temos de espairecer as ideias.

Já agora, não vale muito a pena... entrada por pessoa 2,50 euros, tasquinhas a abarrotar com doses a rondar os vinte euros (pessoa) e vi muitos pratos a ir para trás quase intocados, o que para mim serve como avaliação rápida da qualidade da comida. Na parte dos doces, tudo muito inflacionado, com um simples pastel de nata com a cobertura queimada a custar 1,50 euros.
Já a mostra de artesanato é sofrível, mas já vi igual numa simples feira em Cernache do Bonjardim (e onde não tive de pagar para entrar). Mas enfim, um dia não são dias e uma sandes à ganhão de presunto para duas pessoas e duas imperais, por seis euros fizeram a festa.
Mas o que me leva à frase que serve como título é tão simplesmente a foto que ilustra este texto.
É verdade, andava eu pelas artérias da Casa do Campino em Santarém quando me deparo com a foto que agora mostro.
Ao princípio, nem queria acreditar! Afinal, não estávamos na Expo, onde o Seixal tem estado representado em várias feiras, mas sim em Santarém!
E tive de ir perto do enorme painel para comprovar e tirar eu mesma outra foto. Fiquei tão contente que quando algumas pessoas que passavam estranharam estar a tirar a foto a um painel, com tudo o que se passava ali mesmo ao lado, lhes expliquei, orgulhosamente, que eu era do Seixal, que aquela era a minha terra.

domingo, 17 de outubro de 2010

O Cruzamento

E pronto, cá estou eu de volta às minhas lides gastronómicas, porque enfim, uma pessoa também tem de se distrair um bocado destas coisas de PEC, IVA, IRS e afins.
E então lá rumei eu hoje para terras alentejanas de Grândola, onde nesta altura do ano gosto de ir comprar, calculem, abóboras. Isso mesmo, abóboras. Ali mesmo a seguir a Alcácer do Sal, nas bancas que vendem à beira da estrada, costumo ir comprar abóboras e nozes para fazer o meu afamado doce de abóbora. E como este ano já estou a ver que ninguém me vem dar nenhuma porque estão a guardá-las para a sopa recomendada pela ministra da Saúde, achei por bem prover-me a mim mesma.
Lá fui, em passeio, devagarinho para aproveitar a gasolina colocada nas bombas do Jumbo e mais baratinha. E parei onde achei que havia as melhores abóboras. E já agora, uvas, peras, maçãs (é preciso aproveitar a viagem), cebolas, alhos, melancia, pimentos e, claro, abóboras, tudo pela módica quantia de onze euros.
E enquanto falava de almoço com a vendedora, que tal tinha sido a afluência de freguesia este domingo que nem tinha tido tempo de cozinhar um esparguete com tomate e atum, esta falou-me de um restaurante ali perto onde o marido tinha ido buscar o dito.
Antes disso, fiquei ainda a saber que a nora é natural de Arrentela e que ela até costuma vir passear para estas bandas, porque o marido trabalha no Alfeite. O mundo realmente é muito pequeno.
Mas vamos à paparoca.
Ora explicou-me então esta senhora que ali a meia dúzia de metros estava o restaurante «O Cruzamento», nome derivado do local onde ficava antes das obras de acesso à auto-estrada perto de Grândola. E como o restaurante que costumo ir, «As Três Irmãs» fecha ao domingo, aproveitei a deixa.
E em boa hora o fiz.
Parece ser um segredo bem guardado, porque só quem sabe é que lá vai, apesar de estar à beira da estrada, mas tem de se contornar a rotunda de acesso à auto-estrada, voltar para trás e então entrar no local.
Parece segredo mas não é, a julgar pelo número de pessoas que ali estavam já à espera. Mas como eu e a minha mãe ocupamos pouco espaço, foi fácil obter uma mesa.
As especialidades são Jantarinho Alentejano, pataniscas de bacalhau com arroz, carnes e migas com bacalhau assado.
E foi mesmo isso que pedimos. Antes, a vendedora de legumes tinha-nos avisado para pedir meia dose para as duas, mas arriscámos e vai de uma dose. Claro que trouxemos jantar. E por dez euros a dose apenas. Dose servida em duas travessas, uma com bacalhau coberto de azeite, alhos e coentros, desfiado e sem praticamente espinhas, mas com lascas de encher realmente o olho e assado na perfeição. As migas, secas como se chamam, de pão alentejano e rodadas sobre unto, para fazerem quase um bolo. Divinas.
Uma garrafa pequena de vinho de Borba, dois cafés e pão, tudo por 15 euros (mais o recipiente para trazer o jantar).
Um espaço um pouco barulhento, pela sua enorme dimensão, mas com duas salas mesmo que chegue com grupo grande em plena hora de almoço, não terá muito tempo de espera. E se tiver, pode sempre esperar numa salinha onde se vende artesanato e mel do Alentejo. Portanto, não perde nada.
E engraçado era ver as pessoas que, tal como nós, arriscaram a pedir uma dose, e levaram o tal restinho para o jantar ou alguns ossinhos para o cão. É que os tempos andam mesmo difíceis.
Uma ultima nota: o restaurante fechou hoje para férias e abre a 5 de Novembro.

sábado, 16 de outubro de 2010

A crise em plano inclinado

Hoje, em Plano Inclinado da Sic Noticias com Mário Crespo e com os convidados Tiago Calado, Medina Carreira e João Cantigas Esteves. Não vi do início mas acho que isto sumariza o que ali foi dito e aquilo com o que qualquer português com alguma inteligência concorda.
Tiago Calado referiu que a nova geração sofreu uma lavagem ao cérebro e pretende apenas ter estabilidade e trabalhar como funcionário público porque não foi ensinado a trabalhar e a esforçar-se para obter o que quer.
O Estado premeia quem não faz nada e vive de rendimentos e de subsídios, porque quem produz riqueza é tido como mal visto e por isso sofre na pele os aumentos e tem de pagar pela educação e pela saúde ao passo que quem vive de subsídios tem direito a casas à borla, saúde e educação. Mas depois fazem-se fortunas colossais com as parcerias publico privadas PPP que violam todas as regras do mercado. Se correr mal o Estado paga se correr bem ganho imenso.
O aumento dos impostos vai levar simplesmente a uma perda fiscal porque as famílias e as micro-empresas não vão ter capacidade para pagar e vão deixar de o fazer ou, no caso das micro e pequenas empresas, vão fechar. Diminui-se apenas a capacidade económica do país.
Será inevitável que venha o MFI e quanto antes, porque senão vamos levar um orçamento e vamos ter de sofrer mais tarde com a sua intervenção porque este orçamento não levará a nada.
Este primeiro-ministro faz uma enorme encenação e temos aqui uma ditadurazinha que até manda na comunicação social
O fim de certos organismos e a restruturação de outros só vai servir para pagar indemnizações a uns e readmiti-los daqui a uns meses.
Medina Carreira diz que não há ninguém com capacidade para liderar o país
Vamos ter um problema com as despesas sociais com a maior gravidade. O país está a saque e qualquer dia até vendem sapatos usados. Nunca pensei que o país pudesse ser dirigido desta maneira.
Há meses que ando a pedir para que chegue alguém à portela de Sacavém porque é preciso uma mão dura e de alguém que não fique cá a viver.
O problema é que a gestão do país está nas mãos de boys que estão no governo, entram como mendigos e saem como milionários.
Não vamos conseguir porque os partidos vão-se embora com o seu dinheiro no bolso no final do mandato e quem cá fica é que vai pagar.
O ataque ao poder é para colocar os amigos e pagar favores
Em 1924 foram buscar o Salazar porque o país estava na falência, e porque havia vergonha na cara.
E os partidos já não falam porque até o Passos Correia fugiu da reunião.
Vão reformular organismos públicos mas isso vai ser uma confusão porque ninguém vai saber quem são os chefes e não vão mandar ninguém embora, só vão remexer nas coisas. Isso é uma falsa questão e é uma mentira que não vai ajudar em nada a diminuição da despesa.

João Cantigas Esteves refere que a evolução da divida publica duplicou de 1999 para 2008 antes da crise no sector municipal e publico privado e nesse ano ainda nem se falava de crise.
Deve ser revisto o conceito de crime para o Estado para certas situações.
Toma-se um conjunto de medidas insinuando que as alternativas são piores e por isso nunca haverá uma alteração de fundo nesta gestão medíocre. É preciso rever a relação dos eleitores com os partidos políticos.

Já agora, acrescento eu apenas a opinião de um jornalista do Expresso num dos muitos programas e períodos de reflexão sobre o Orçamento, que dizia que será fácil a Pedro Passos Coelho não aprovar o Orçamento alegando ser contra o aumento dos impostos, levar o país a eleições e quando chegar ao Governo dizer que será preciso aumentar os impostos porque afinal as contas públicas estão pior do que pensavam.

Ontem como hoje

Português, ó malmequer
Em que terra foste semeado?
Português, ó malmequer
Cada vez andas mais desfolhado

Malmequer é branco branco
Que outra cor querem que escolha
Se te querem ver bonito
Por que te arrancam as folhas?

Por muito humilde que sejas
Malmequer ó meu amigo
Lá vem o dia da espiga
Que tens honras de trigo

Refrão
Malmequer tens pouca flor
Mesmo assim és um valente
Antes ser dez réis de flor
Do que ser dez réis de gente

És uma flor do povo
Vem do povo a tua força
Estás bem agarrado à terra
Não há vento que te torça

Refrão
Malmequer ou bem-me-quer
És a flor mais desprezada
Uns com muito, outros com pouco
E a maioria sem nada

És branco da cor da paz
Mas seja lá por que for
Há para aí uns malmequeres
Que andam a mudar de cor

Refrão
Regam-te a seiva com esperança
Mesmo assim não és feliz
Há muitas ervas daninhas
Que te atacam a raíz

Malmequer se fores regado
Num dia de muito Sol
Cresce, cresce, cresce, cresce
Para seres um girassol

Raul Solnado - 2001 - acabado de ouvir no programa de homenagem na RTP.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ai, ai

Estou como o Homer: Orçamento de Estado, PEC, aumentos na electricidade, IVA, IRS, IRC, preços da gasolina.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O mundo precisava de um milagre assim

Hoje é um dia muito especial.
Os olhos do mundo estiveram (e estão) presos à televisão, a seguir a aventura de 33 homens num ponto remoto do Chile.
Desta feita, as noticias dos telejornais não abrem com mortes e atentados. Abrem com a história de um milagre e da força de sobrevivência humana.
Hoje a esperança de um mundo melhor, onde a vida é celebrada, renasceu um pouco dentro de nós. Se fosse o mês de Dezembro, como o previsto, seria quase o milagre de Natal. Não foi, e ainda bem para aqueles homens e famílias.
Vi as primeiras imagens na sala de espera de um dos serviços do Hospital Garcia de Orta, caótica como as salas de espera não devem ser. No entanto, mal surgiram as primeiras imagens, imperou o silêncio, que permitiu ouvir a voz em off do pivot.
O silêncio de dezenas de pessoas naquela sala, que deve ter repercussão por todo o país. E hoje, um dia de destaque para a Igreja Católica, todos, crentes e não crentes, como eu, terão elevado uma pequena prece de agradecimento a um poder maior que consegue ainda provar aos homens que ainda há milagres.

P.S. – Milagre também necessário no tal serviço do HGO, porque não fui atendida uma vez que o doutor esteva num curso e alguém se esqueceu de me avisar.