quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Lenda da Costureirinha

Isto as conversas são como as cerejas, e hoje deu-nos aqui para falarmos de fantasmas e lendas. Recordei a lenda da Costureirinha e claro que logo surgiram algumas versões diferentes. Uma das pessoas dizia que ela era de Campo de Ourique, outra que era de Cuba.
Quem não se lembra de ouvir os pais e vizinhos falar da costureirinha? Eu recordo-me bem e quase, quase que jurava que em alguma vez ouvi a sua máquina nas paredes da casa...


Aqui fica uma das versões encontradas na Internet:

«O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto. O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha. 
Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. É esta a versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha for a condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir. 
No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.» 
Já não se houve, agora, a costureirinha? 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ainda há Natal!

Nestes dias raramente choro, mas um gesto de um colaborador do «Comércio», com uma pequena oferta que nos deixou aqui na redacção há minutos, levou-me às lágrimas.
Obrigado Senhor Gregório José pelo seu reconhecimento para com o nosso trabalho e a nossa luta!
Afinal, ainda há Pai Natal!

Portajados e Tramados

Confesso que ainda não me tinha preocupado muito com a história das portagens nas SCUT, apesar de utilizar com alguma frequência a A23 até Castelo Branco.
Achava eu, na minha doce inocência, que seria apenas necessário passar e depois pagar num qualquer balcão dos CTT.
Hoje recebi um email onde tudo aparece bem "explicadinho" pela Estradadas de Portugal. E só me dá vontade de responder com um valente DASSSSSEEEE!!!!.
Senão vejamos, e reparemos bem na nota final, que diz que sim senhor, posso pagar nos CTT ou numa payshop, mas com CUSTOS ACRESCIDOS!!!


VEÍCULOS COM MATRICULA NACIONAL
Para poderem circular, os utilizadores podem optar pelas seguintes modalidades:
·         Aquisição de dispositivo eletrónico Via Verde, nas lojas Via Verde ou balcões dos CTT, sendo o pagamento das portagens realizado através de débito em conta bancária;
·         Aquisição de dispositivo eletrónico CTT, nos balcões dos CTT, sendo o pagamento das portagens realizado através de pré-carregamentos (em dinheiro, via Multibanco ou homebanking) que o utilizador vai gastando conforme viaja;
·         Aquisição de dispositivo eletrónico temporário, nos balcões dos CTT, sem implicar identificação do titular, sendo o pagamento das portagens realizado através pré-carregamentos (em dinheiro, via Multibanco ou homebanking), que o utilizador vai gastando conforme viaja, e cujo saldo tem validade de 90 dias.
Assim, os utentes que ainda não possuam um dispositivo eletrónico, devem dirigir-se às lojas da Via Verde ou aos balcões dos CTT para aderir a uma das modalidades de pagamento disponíveis.
Caso não disponham de um dispositivo eletrónico no momento da passagem nas autoestradas, os utilizadores podem ainda proceder ao pagamento voluntário das taxas de portagem dirigindo-se aos balcões dos CTT e da rede Payshop, até cinco dias uteis após a passagem, contados a partir do segundo dia após a passagem, bastando para isso indicar a sua matrícula. Esta alternativa de pagamento tem custos adicionais, acrescendo às taxas de portagem os respetivos custos administrativos.

É caso para dizer: mas anda tudo parvo ou quê?????

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quem tem doença abra a bolsa e tenha paciência


A cada dia que passa, tenho mais receio de passar os olhos pelas notícias diárias. Hoje deparo-me com esta:

«Consultas especializadas e SAP custarão o triplo em 2012
As taxas moderadoras das consultas nos hospitais distritais vão triplicar a partir de Janeiro para atendimentos com especialistas e nos Serviços de Atendimento Permanente (SAP).
Actualmente a 3,10 euros, as taxas atingirão os 10 euros no primeiro mês do próximo ano. No caso de hospitais centrais como Santa Maria em Lisboa ou São João no Porto, as taxas têm valor de 4,60 euros e subirão igualmente para 10 euros.
Segundo a fonte ligada ao Ministério da Saúde que avançou a notícia ao DN, os atendimentos urgentes em centros de saúde passam de 3,80 euros também para 10 euros.»

Se bem que, como já disse aqui, é certo que há pessoas que fazem dos SAP os seus centros de dia, outros que por qualquer tosse do menino lá vão para lá a correr, esquecendo que existem linhas de Saúde que podem dizer exactamente o mesmo que o médico vai dizer, por outro lado, não estou a ver as pessoas irem passar horas no hospital só porque lhes apetece, e ainda por cima levarem com esta carga em cima.
E no meu caso, parece-me que por enquanto ainda estou safa, como dadora de sangue que sou. Mas mesmo assim, é caso para perguntar: afinal, para onde vão os impostos que pagamos? Ah, pois, para o tal carrito do ministro...
É caso para dizer: «Quando o mal é de morte, o remédio é morrer».

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Taxas e taxados


Ultimamente, em especial este mês, muito se tem debatido sobre as portagens que os automobilistas vão ter de pagar em algumas antigas SCUT agora elevadas a auto-estradas.
Da minha parte, como automobilista, sou a favor do conceito do utilizador-pagador.
E sou por uma razão muito simples: há décadas que os condutores da margem sul têm suportado o pagamento de portagens para entrar em Lisboa, seja pela ponte 25 de Abril, seja pela Vasco da Gama.
Ora se assim acontece, porque é que outros não o podem também fazer?
Terão de ser sempre os mesmos a pagar? Também não se viu os utentes do norte, por exemplo da A23, a virem até Lisboa protestar pelo facto de os utentes da margem sul terem de pagar todos os dias para entrarem em Lisboa para trabalhar. Ou já agora, para irem até Setúbal ou até ao Barreiro mais rapidamente.
E nós temos pago e bem.
Por outro lado, temos o ministro da Saúde Paulo Macedo a anunciar, no programa da RTP Prós e Contras, que a partir de Janeiro de 2012 as consultas nos centros de saúde passam de 2,25 euros para 5 euros, enquanto a taxa moderadora nas urgências hospitalares passa de 9,60 euros para 20 euros.
Claro que um aumento destes é brutal, tendo em conta que muitas das vezes os médicos dos Centros de Saúde não estão para se chatear muito e recambiam os doentes para as Urgências hospitalares por umas simples manchas na pele (acreditem, aconteceu!).
No entanto, analisando as coisas, é justo que os jovens até aos 15 ou 16 anos continuem a não pagar taxas moderadoras nos serviços de saúde? E quem está a receber subsídios? E outros que até agora estão isentos (exceptuando os dadores de sangue, e não o digo por ser dadora, mas acho que é justo que quem dá algo tenha em troca essa benesse, até porque para se ser dador de sangue, há que ser saudável, e por isso não é por essa isenção que o Estado irá perder muito dinheiro.
Se calhar, o que teria de ser revisto eram as isenções, e não os aumentos.
Por último, só uma palavrinha: continuamos a ver as medidas de austeridade a ser impostas, a aumentarem taxas e taxinhas, mas curiosamente ainda não vimos nada das tais medidas, que me parece terem sido também impostas pela troika, e que diziam que era necessária uma alteração na Justiça, nos gastos do Estado e nos altos cargos públicos.
Ou seja, esta é uma política do “fazer o que dá jeito”, olvidando tudo o resto.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tá mesmo mau...

O pior é que nem estes nem os outros ladrões já dão crédito.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E mais uma!!!!

É verdade, sou maluquinha por tatuagens. E também é verdade que quem faz a primeira já não pára.
Eu, por mim, já vou na sexta. E embora tenha feito esta ontem, já estou a congeminar sobre a próxima.
Para quem se queira atrever, aqui ficam alguns momentos e o resultado final. O artista é o Bruno, da Guri Tattoos, do Centro Comercial de Amora.


O produto final: o meu lado selvagem, a equilibrar a tatuagem da outra perna, essa uma pantera negra.
Só dois recados à navegação para quem nunca fez: 1.º é viciante e 2.º nunca por nunca façam apenas porque é bonito. Uma tatuagem tem de ter sempre uma questão pessoal por detrás, ou ficarão a odiá-la ao fim de alguns meses.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Greves e grevistas

Em dia de “Greve Geral”, tem havido algumas discussões interessantes pelo mundo da blogosfera e ainda mais pelo do facebook, que frequento.
Uma delas esteve em torno dos grevistas (alguns) não darem a outros o direito à não greve.
Lembro-me, quando o meu pai estava na Siderurgia Nacional e passou para a Lusosider, de ter ficado seis meses em greve pelos direitos que já tinha adquirido ao longo dos anos que trabalhou para a primeira, e que seriam perdidos com a passagem para a nova empresa.
Seis meses esses que incluíram Dezembro, sem que lá em casa houvesse praticamente dinheiro para comprar ovos para as filhoses, quanto mais para prendas. O que nos valeu foram os vizinhos. Nunca a minha mesa foi tão rica quanto nesse ano, com pratos de filhoses de todas as variedades, dados pelos vizinhos do meu prédio, que estavam a par da situação difícil que vivíamos.
E também não esqueço a prenda que a minha mãe lá nos conseguiu comprar: dois pequenos telefones de brincar verdes.
Mas vem isto a propósito das greves. Na altura, lembro-me que o meu pai dizia que uns quantos «fura-greves» não quiseram aderir e tudo faziam para impedir o protesto, mas depois da situação resolvida, foram os colegas que não os aceitaram de volta, tendo estes que pedir transferência para outros serviços.
Neste caso, ou porque os olhos que viam esta realidade fosse diferentes, tinha um ódio de morte aos «fura-greves», aos que não alinhavam com o protesto.
Mais tarde, como sindicalista, viria a sentir na pele o que é lutar pelos direitos de todos e sofrer as represálias como o despedimento, sem sequer um obrigado por parte daqueles que eu pensava estar a ajudar.
Tudo isto, e o facto de ter agora a minha própria empresa, me leva a encarar a greve como uma «palhaçada». E que me desculpem os de cravo vermelho ao peito (que a todos fica bem, como dizia o Zeca), mas ficar em casa a brincar no facebook ou ir passear para o Centro Comercial mais próximo não é protesto.
Protesto era irem todos até Lisboa, gritar bem alto à porta de S. Bento o que lhes vai na alma, entupirem os acessos à tal «Casa do Povo», e assustarem assim os senhores que ali ganham o seu sustento.
Isso era protesto.
Já agora, sou absolutamente contra os piquetes de greve. Se todos têm o direito de fazer greve, TODOS têm também o direito de não a fazer, mais não seja por não concordarem com os preceitos pela qual é feita. 

E esses piquetes também estiveram ou vão estar hoje no Rio Sul Shopping e no Almada Fórum e no Barreiro Retail Park a insultar os empregados e os empregadores?

P.S. - Não fiz greve nem ninguém na minha empresa, porque as pessoas sabem que as coisas não estão fáceis e se não trabalharem não recebem, não porque eu não lhes pague, mas porque se não "produzirem" não haverá dinheiro para que eu lhes possa pagar os ordenados, já de si baixos.
Se calhar, este seria um bom tema de reflexão para quem tão alto grita sobre Direitos...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Anúncio de emprego


Já aqui há uns tempos falei de alguns anúncios de emprego que vão surgindo, onde pedem jornalistas com carteira de clientes, ou estagiários com mais experiência que a minha nesta área.
O texto que se segue foi-me enviado por email, mas peço que reparem bem na "experiência em programas" deste jovem!!

«Este anúncio foi publicado num famoso site de procura e oferta de trabalho nacional. Um jovem recém-licenciado na área leu-o e achou que devia responder à letra!
A Revista Visão de 16 de Julho publica um artigo sobre o jovem que deu esta resposta!
"A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design Requisitos Académicos: Finalista ou recém-licenciada(o) em Design Competências pessoais:
* Poder de comunicação;
* Iniciativa;
* Auto-motivação;
* Orientação para resultados;
* Capacidade de planeamento e organização;
* Criatividade
Competências técnicas:
Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens
® Adobe Photoshop,
® InDesign,
® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash,
® Dreamweaver,
® Premiere,
® AfterEffects,
® SoundBooth,
® SoundForge,
® AutoCad,
® 3D StudioMax
® HTML (basic),
® ActionScript 2.0 (basic),
® CSS,
® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado - Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa.

Portanto, e resumindo, esta empresa quer um recém-licenciado que saiba de origem 13 softwares e 4 linguagens de programação. Isto é o país em que vivemos.
Não me ficando atrás perante esta pérola, decidi responder no mesmo estilo. Eis o que lhes respondi:
«Boa noite,
Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André Sousa, tenho 25 anos e sou um recém-licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa). Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos: Sou um mestre em Adobe Photoshop. Conheço o InDesign por dentro e por fora. O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles. Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados... Premiere... Até sonho com ele! AfterEffects tem um lugar especial no meu coração. Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge. Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos. Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo. Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC. Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERNespero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.

Cumprimentos,
A. S.

PS: Com um anúncio desses, a pedir o que pedem a um recém-licenciado, é uma resposta destas que merecem. Peço desculpa se feri susceptibilidades mas não me consegui conter.»

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Afinal, há mais...


Há uns anitos que o jornal que dirijo anda às bolandas com a autarquia cá do burgo sobre a inserção de publicidade institucional e obrigatória (Lei das Autarquias Locais (artigo 91.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro).
Uma “guerrilha” que deu origem à já célebre barrinha negra (tão, mas tão entalada que ainda anda por aí) onde contávamos os dias sem que a dita autarquia inserisse a dita publicidade no nosso jornal, (já agora, sem periodicidade superior a quinzenal, com mais, muito mais do que 1500 exemplares de tiragem embora, em rigor da verdade, seja distribuído gratuitamente, mas podem dizer-me qual é o jornal local daqui que não o é?).

Eis senão quando deparo com mais esta disposição da ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social relativa ao mesmissimo assunto na Câmara de Lagos, numa queixa apresentada pela Comissão Concelhia de um partido político.
A defesa da autarquia de Lagos levou a ERC a dar-lhe razão, «não obstante ser criticável, do ponto de vista regulatório, o recurso à figura do ajuste directo para a impressão/distribuição do boletim autárquico bem como a aquisição e distribuição de edições da imprensa regional, em moldes que possam comprometer a livre concorrência no sector da imprensa regional e influenciar os seus conteúdos editoriais.»
É interessante também ler a defesa da autarquia.
«A Visada questiona se a Autarquia deve apoiar órgãos de comunicação social, uma vez que “as autarquias locais não têm competências em matéria de regime de incentivos à comunicação social”».
Perante isto, a ERC refere que «As autarquias locais são dos principais consumidores de espaço publicitário dos órgãos de comunicação local e regional, gerando-se uma dependência forte relativamente a um único anunciante. Ora, as autarquias estão conscientes de que os cortes que façam em algum órgão de comunicação materializam uma forte penalização para as receitas do título. Por outro lado, as autarquias acabam por figurar no centro das suspeitas dos jornais não contemplados nas aquisições de publicidade.” (cf. Deliberação 2/CONT-I/2011, de 11 de Janeiro de 2011).»
Em suma, perante os factos, a ERC deliberou que «Considerando que a Autarquia está vinculada a um conjunto de princípios, obrigações e procedimentos no que toca à aquisição de bens e serviços que visam garantir equidade e transparência no exercício da actividade autárquica, no entanto a configuração dos dados apurados não permite dar como verificada a existência de situações de flagrante e abusivo tratamento favorável de umas publicações periódicas em desfavor de outras.»

A finalizar, referir que a queixa apresentada não foi feita por qualquer órgão de comunicação social da área, antes pela Comissão Concelhia de um partido político.
Neste concelho, perante a clara concuspiciência entre a autarquia e um jornal e as rádios locais, só alguns elementos de partidos políticos levantaram, muito ao de leve, o assunto das disparídades na atribuição da publicidade, assunto que sempre recebeu como resposta o silêncio e que depressa passou para segundo plano.
Apesar deste desabafo, quero dizer que felizmente temos ultrapassado todos os obstáculos e provámos a tudo e todos que não precisamos da dita publicidade instituicional para viver, o que também nos permite, ao contrário de alguns que para aí debitam as encomendadas notícias/reportagens e entrevistas, a andar de cabeça bem erguida e publicar aquilo que entendemos que temos de publicar, sem ter que pedir autorização a donos e senhores.