quarta-feira, 14 de março de 2012

To dream the impossible dream


Esta é a minha canção de vida, desde que já lá vão algumas dezenas de anos, vi o filme com Sofia Lauren e Peter O'Toole.
Apaixonei-me pela canção, e pela letra, porque afinal, quem não luta pelo sonho impossível, não pode dizer que alguma vez tenha vivido a vida.
Esta versão de Elvis só a descobri recentemente, e embora ainda prefira a de Scott Bakula na série 'Quantum Leap', confesso que esta, cantada pelo Rei, é de arrepiar.
Agora aguardo ansiosamente que Filipe La Féria avance com a sua versão... a promessa já ficou feita pelo próprio!

terça-feira, 13 de março de 2012

«Vamos lá empobrecer!»

Um texto fantástico da médica Isabel do Carmo, que me foi enviado por email e que traduz bem o que se vai passando por este jardinzinho...

«O primeiro-ministro anunciou que íamos empobrecer, com aquele desígnio de falar "verdade", que consiste na banalização do mal, para que nos resignemos mais suavemente. Ao lado, uma espécie de contabilista a nível nacional diz-nos, como é hábito nos contabilistas, que as contas são difíceis de perceber, mas que os números são crus. Os agiotas batem à porta e eles afinal até são amigos dos agiotas. Que não tivéssemos caído na asneira de empenhar os brincos, os anéis e as pulseiras para comprar a máquina de lavar alemã. E agora as jóias não valem nada. Mas o vendedor prometeu-nos que... Não interessa.
Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os "remediados" só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia "mais tenrinho" para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse "a fénico". Não, não era a "alimentação mediterrânica", nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência.
Na terra onde nasci, os operários corticeiros, quando adoeciam ou deixavam de trabalhar vinham para a rua pedir esmola (como é que vão fazer agora os desempregados de "longa" duração, ou seja, ao fim de um ano e meio?). Nessa mesma terra deambulavam também pela rua os operários e operárias que o sempre branqueado Alfredo da Silva e seus descendentes punham na rua nos "balões" ("Olha, hoje houve um 'balão' na Cuf, coitados!").
Nesse país, os pobres espreitavam pelos portões da quinta dos Patiño e de outros, para ver "como é que elas iam vestidas".
Nesse país morriam muitos recém-nascidos e muitas mães durante o parto e após o parto. Mas havia a "obra das Mães" e fazia-se anualmente "o berço" nos liceus femininos onde se colocavam camisinhas, casaquinhos e demais enxoval, com laçarotes, tules e rendas e o mais premiado e os outros eram entregues a famílias pobres bem-comportadas (o que incluía, é óbvio, casamento pela Igreja).
Na terra onde nasci e vivi, o hospital estava entregue à Misericórdia. Nesse, como em todos os das Misericórdias, o provedor decidia em absoluto os desígnios do hospital. Era um senhor rural e arcaico, vestido de samarra, evidentemente não médico, que escolhia no catálogo os aparelhos de fisioterapia, contratava as religiosas e os médicos, atendia os pedidos dos administrativos ("Ó senhor provedor, preciso de comprar sapatos para o meu filho"). As pessoas iam à "Caixa", que dependia do regime de trabalho (ainda hoje quase 40 anos depois muitos pensam que é assim), iam aos hospitais e pagavam de acordo com o escalão. E tudo dependia da Assistência. O nome diz tudo. Andavam desdentadas, os abcessos dentários transformavam-se em grandes massas destinadas a operação e a serem focos de septicemia, as listas de cirurgia eram arbitrárias. As enfermarias dos hospitais estavam cheias de doentes com cirroses provocadas por muito vinho e pouca proteína. E generalizadamente o vinho era barato e uma "boa zurrapa".
E todos por todo o lado pediam "um jeitinho", "um empenhozinho", "um padrinho", "depois dou-lhe qualquer coisinha", "olhe que no Natal não me esqueço de si" e procuravam "conhecer lá alguém".
Na província, alguns, poucos, tinham acesso às primeiras letras (e últimas) através de regentes escolares, que elas próprias só tinham a quarta classe. Também na província não havia livrarias (abençoadas bibliotecas itinerantes da Gulbenkian), nem teatro, nem cinema.
Aos meninos e meninas dos poucos liceus (aquilo é que eram elites!) era recomendado não se darem com os das escolas técnicas. E a uma rapariga do liceu caía muito mal namorar alguém dessa outra casta. Para tratar uma mulher havia um léxico hierárquico: você, ó; tiazinha; senhora (Maria); dona; senhora dona e... supremo desígnio - Madame.
Os funcionários públicos eram tratados depreciativamente por "mangas-de-alpaca" porque usavam duas meias mangas com elásticos no punho e no cotovelo a proteger as mangas do casaco.
Eu vivi nesse país e não gostei. E com tudo isto, só falei de pobreza, não falei de ditadura. É que uma casa bem com a outra. A pobreza generalizada e prolongada necessita de ditadura. Seja em África, seja na América Latina dos anos 60 e 70 do século XX, seja na China, seja na Birmânia, seja em Portugal.»

segunda-feira, 12 de março de 2012

Para reflectir

Um ano depois (ontem) desta tragédia, não seria altura de nós, enquanto país costeiro, e nós, enquanto concelho ribeirinho, discutirmos formas de protecção das populações para algo tão horrendo quanto isto?
Afinal, o terramoto de 1755 não foi assim à tanto tempo...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Trocaria um por cem

É um cliché, sei que é, mas quanto mais conheço as pessoas, posso dizer sem hesitar que mais gosto dos animais.
Os animais não mentem, não traiem, não vos causam desgostos nem preocupações.
Mesmo como o meu Belchior, que volta e meia se porta mal, tenho que desculpá-lo por ser aquilo que é, um animal.
Tenho de o desculpar se me preocupa e aflige porque foge para o meio da estrada, porque a culpa, em última análise, será sempre minha.

Como posso desculpar pessoas adultas, 'inteligentes', formadas, profissionais, e que mentem?
Que prejudicam os outros?
Que enganam?
Que roubam deliberadamente?
Afinal, nesta equação, quem é que é o «animal»?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Por uns pagam outros

Nestes últimos dias muito se tem dito sobre desemprego. Mas será esse desemprego real?
Se quem está no mercado de trabalho à procura sabe as dificuldades que enfrenta, algo que de constantemente se fala, há a outra parte que pouco se fala.
Na minha empresa tenho histórias mirabolantes para conseguir empregados.  
Como qualquer empresa que se preze, começámos por pedir pessoas ao Centro de Emprego. Foi uma autêntica saga. As listas vinham, telefonávamos, agendávamos reunião.
Claro que todas diziam que sim, que vinham, mas chegado o dia não apareciam. E nem uma justificação.
Outras chegavam e iam longo dizendo que não tinham interesse naquela área de trabalho, que só ali tinha ido para que lhes colocássemos o carimbo para apresentarem no Centro de Emprego, que o ordenado oferecido era abaixo do que recebiam ficando em casa, enfim, aquilo que toda a gente que tenha uma empresa, já ouviu.

Até tive uma pessoa que vinha da Impala e que teve a lata de dizer que não aceitava a proposta porque não estava habituada a trabalhar em empresas pequenas.
E houve mesmo pessoas que vinham para vendas e que não quiseram ficar porque não tinham computador para trabalhar.
E depois admiram-se por perderem os subsídios.
Claro que depois lá estão os outros para pagar por isso, aqueles cuja especialização não lhes dá muitas saídas, como professores ou técnicos especializados em determinada área. Para esses as propostas continuam, a meu ver, a não ter respostas.


Desistimos.
Passámos a colocar anúncios pelos sites de emprego.
Pior a emenda que o soneto.
Respondiam pessoas que se viam claramente que nem sequer se tinham dado ao trabalho de ler o anúncio ou o que era pedido. Limitavam-se a mandar emails, alguns só com o CV anexado, quando se davam ao trabalho de o fazer. Ou seja, se os queríamos como empregados, devíamos adivinhar onde moravam, o que faziam e o que queriam.
Outros respondiam, mas com questionando logo quanto era o ordenado, dando mesmo a entender que não tinham tempo nem paciência para perder se este não lhes «enchesse as medidas».
Tive o cúmulo de ter pessoas que vieram cá oferecer-se para prestar provas, mas depois percebiam que afinal isto não era uma brincadeira de crianças, e «iam beber um cafezinho» e zás.
E outros que diziam que sim na entrevista ou no contacto para virem trabalhar, que «segunda-feira de manhã estarei lá». Estiveram vocês?
O mais engraçado é que isto acontecia sobretudo com adultos, com pessoas que se diziam profissionais, com pessoas com experiência de trabalho. Nunca tive problemas do género com estagiários.

Estou a falar em quatro anos de empresa, quatro anos em que temos trabalhado duramente para manter esta empresa de pé.
Não exigimos mais do que aquilo que fazemos a quem connosco está, mas exigimos que façam igual.
Agora não me venham falar de aumento desemprego quando o que vejo todos os dias é um aumento da falta de profissionalismo. Ou melhor, chego à conclusão, e não só pela minha experiência como pela de muitos mais, que há muitas pessoas que não procuram trabalho, procuram emprego.
Será que se oferecessemos carro com motorista, computador portátil, ipod e mais umas regalias, além das do pacto social, teria mais sorte?
Acho que não...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Mais Mafalda


Vi este cartoon da Mafalda e não podia deixar de o partilhar aqui, em especial quando se ouve falar para aí de umas cantinas sociais...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Aumento da produtividade????

Numa era de globalização, a Internet permite que o mero cidadão se dirija directamente àqueles que só costuma ver na altura de eleições. O facto de pessoas como Cavaco Silva ou Pedro Passos Coelho terem aberto uma página no Facebook, mesmo que não seja actualizada desde o Natal, é na certa lida por estes e deve, sem qualquer dúvida, ser aproveitada para colocar questões.
Foi o que fiz mais do que uma vez, na página de Pedro Passos Coelho, embora confesse que não o fiz da forma mais 'suave'... http://www.facebook.com/#!/pedropassoscoelho/posts/158635384243648?notif_t=like



Maria Do Carmo Torres Senhor Primeiro Ministro, uma pergunta inocente: o senhor pretendia que os portugueses trabalhassem mais meia hora por dia, nao é verdade?
Tudo em nome do aumento da produtividade.
Então explique-me lá, como se eu e todos os portugueses fossem mesmo muito estupidos, porque é que quando passo durante um fim-de-semana numa SCUT como a A23, tenho de passar depois cerca de vinte minutos numa estação dos CTT para pagar essa portagem.
Digo vinte minutos só de espera, porque há que contar com o tempo de deslocação, ou até o tempo que tenho de sair do meu emprego proque a estação dos CTT mais próximo está fechada à hora de almoço.
Ou seja, o senhor e os restantes inteligentes pretendem ganhar com as portagens e poupar com cortes nos portageiros e nos empregados dos CTT, e ainda querem aumento de produtividade no país?
 
Domingo às 22:11 · · 5

sábado, 18 de fevereiro de 2012

snapshot


Uma boa fotografia é a captura do momento certo, do «momento único» de Cartier Bresson.
Longe de mim comparar-me com tal mestre da fotografia, mas se há algumas coisas que me fazem realmente feliz, é estar com uma máquina fotográfica nas mãos. E este é um desses momentos únicos capturados um destes dias enquanto aguardava para fazer uma reportagem (também ela especial, com o Gabriel).
Modestamente, chamar-lhe-ia «A mãe Natureza dá sempre uma ajudinha»...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Servos e vilões


Feudalismo: «Sociedade rural, de economia essencialmente agrária, onde a propriedade ou posse da terra determinava a posição do indivíduo na hierarquia social. A terra era a expressão da riqueza, que dividia a sociedade feudal em dois estratos: os senhores e o servos.
Os senhores feudais eram os possuidores ou proprietários de feudos.
Os dependentes eram servos e vilões. Os servos não tinham a propriedade ou posse da terra e estavam presos a ela. Eram trabalhadores semi-livres. Em número reduzido, havia um outro tipo de trabalhador medieval, o vilão.»


Lembro-me que dos meus dias de escola onde ouvi pela primeira vez falar deste tipo de sociedade. E isto era algo que me fazia uma enorme confusão. Como é que podia ter existido uma sociedade onde um único homem pudesse dispor da vida de centenas e todos estivessem sujeitos, sobrecarregados de impostos, sem se revoltarem e exigirem melhores condições de vida?
Na altura pensava, ufanamente, que era uma sorte já não viver naquela época de trevas.
Afinal, eu era uma das crianças de Abril, ouvia desde o primeiro dia de escola (e antes) falar de liberdade, de direitos, de uma nova sociedade.

Nesses «dias de hoje», eu era livre para poder ir para qualquer lado, os meus pais ganhavam o seu sustento e não tinham de obedecer cegamente a um senhor feudal e tinha um Governo que defenderia sempre os meus direitos.
E só pensava como era afortunada.
Hoje, quase quarenta anos volvidos, vejo-me a olhar para este tipo de sociedade feudal medieval, e a pensar que, afinal, vários séculos passados desde a idade das Trevas, voltámos a um novo estado feudal, onde os direitos básicos são ignorados, onde o trabalho não garante um ordenado ou a independência, onde há um «senhor» que manda e desmanda nos seus servos e vilões, onde uma vida inteira a trabalhar não dá garantias de ter uma casa própria ou de ter apoio na velhice.
Afinal, não aprendi apenas História do passado, estou a vivê-la.
Mas fica a pergunta: afinal, quando é que a História voltou à Idade Média?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Feliz Dia dos Namorados


Embora ache que é apenas mais um dia para merchandising, aqui deixo na mesma os votos de um Feliz Dia de S. Valentim para todos os namorados e enamorados.