sábado, 7 de abril de 2012

Maravilhas da natureza


Foto tirada ontem, entre a Sertã e Tomar, num dos mais belos locais do país, depois de ter apanhado chuva, trovoada e até granizo na estrada.
A natureza sabe mesmo aquilo que faz.

terça-feira, 3 de abril de 2012

E agora, para algo completamente diferente...



Tenho usado este blogue para os meus desabafos, mas hoje vou fazer algo completamente diferente.
Deu-me na cabeça fazer umas filhós à moda da Beira Baixa, que se fazem cá em casa pelo Natal, e coloquei a foto no facebook. Como tive vários comentários e pessoas a pedir a receita, então aqui fica a receita das filhós de joelho da Beira Baixa. De joelho, porque se tendiam bocados de massa sobre um pano estendido no joelho, e se fritavam em seguida.
Esta é a minha receita:

Fermento de padeiro (pode comprar-se o fermento no Pingo Doce, em dois pacotinhos por 50 cêntimos, que depois têm de ser desfeitos num pouco de água quente e farinha, fazendo uma bolinha de massa) ou uma carcaça de pão em massa (uma carcaça crua).
Um dos segredos desta receita é o gosto a azedo. Por isso, quer seja pãoem massa ou o fermento, antes de usar, o mesmo tem de azedar, deixando-o durante a noite ou mais tempo numa tijela ao ar livre.

Desfaz-se o fermento em cinco ou seis ovos (no tempo do meu pai, faziamos com uma dúzia ou mais) à mão, desfazendo bem os grumos.
Aqueça o sumo de duas laranjas e duas boas colheres de aguardente, com uma pitada valente de sal (que tem de desfazer no liquido), e deita-se devagar sobre a mistura de ovos.
Quanto mais ovos e liquido levar, mais farinha irá também levar e mais rende.
Depois vai-se deitando farinha até a massa descolar, e amassa-se bem, batendo a massa. No final, aqueça cerca de quatro colheres de azeite, e vá deitando abrindo buracos na massa e fechando-os em seguida, amassando de novo.
Enfarinhe um pouco o alguidar onde amassou, e deite a massa (com a mão fazia-se o sinal da cruz sobre esta com os dizeres: «Deus te acrescente e te livre da má-gente»).
Vai a levedar em local quente, coberta com mantas, até dobrar de volume.
Frita-se em óleo quente.
As redondas são tendidas de pequenas bolas e depois a massa é esticada com os dedos, as que têm açucar e canela, são estendidas com o rolo e cortadas com uma faca.
Bom proveito!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

É de mim ou anda tudo parvo?

Esta história seria para rir se não fosse tão triste, quase o retrato de muito do funcionarismo público à portuguesa.
A semana passada tive uma conversa telefónica com uma senhora da Segurança Social que tive pena de não poder gravar.
Uma conversa que só posso considerar como surreal, a lembrar o melhor de Kafka.
Devido a uma situação que não interessa para aqui a minha empresa tem apresentado várias queixas à Direcção da Segurança Social de Setúbal.
Ora na quinta-feira passada ligou-me uma senhora muito abespinhada comigo porque eu «estava a fazê-la perder tempo» com as minhas queixas.
Disse ainda que eu «devia ter lido com atenção a legislação porque estava lá tudo».
Quando lhe perguntei em concreto qual era legislação e o artigo referente ao que discutíamos, disse muito ufana que «a lei não é bem clara sobre isso, mas está lá, um bocadinho camuflada»!
Perguntei-lhe ainda porque é que essa resposta não me tinha sido dada quando telefonei por várias vezes para os serviços.
Resposta: «As pessoas que atendem esses telefonemas não têm formação para dar a resposta correcta»!
Caramba!! Mas é de mim ou anda tudo parvo???!!!
Então agora a lei «está um bocado camuflada»???
E as pessoas que estão ao serviço da Segurança Social «não têm formação para responder ao telefone» e não passam a chamada para quem pode responder?
Andamos a brincar com as pessoas?? Já agora, a discussão só acabou porque lhe lembrei que tinha sido ela, o ano passado a atender uma das minhas chamadas (registo tudo, desde o nome da pessoa com quem falo, à hora a que o fiz, ossos do ofício) e a dar-me a tal «resposta sem formação para tal».Aí depois já me sabia indicar o que eu devia fazer para tentar resolver a questão, que pelos vistos já não é com a Segurança Social mas com outro organismo do Estado.
Mais uma saga, sem dúvida. Esta que aqui falo dura desde 2009...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Lobo mau


Hoje dei com esta imagem na net, esse infindável mundo de informação (perdoem-me estar sempre a falar disto, mas como dizia o outro eu ainda sou do tempo de estar à espera do fax para ter notícias).
É uma frase que já conhecia, mas mesmo assim faz pensar sobre as nossas decisões, as nossas atitudes, e sobretudo, os nossos ódios e amores.
Sou uma mulher de paixões, amo profundamente e odeio ainda mais profundamente, por isso nem sempre sei qual o lobo que alimento.
O que sei é que há um lobo em mim, e esse está sempre alerta para as coisas boas e más da vida, simbolizando o meu lado que por vezes só tem vontade de uivar à lua.

terça-feira, 27 de março de 2012

Quando a notícia é demasiado próxima

Ao preparar-me esta noite de segunda-feira para o meu serão facebookiano, não estava à espera que às 01h30 ainda por aqui andasse. Mas mais uma vez a reportagem me bateu à porta, e eis senão quando fico a saber da derrocada de uma placa de betão de um prédio, na Arrentela.
Uma busca e alguns contactos mais tarde, fico a saber que é mesmo aqui perto da minha casa, a alguns metros. Claro que arranco de imediato para o local. Lá chegada, de novo a informação do prédio onde tudo indica aconteceu um desastre.
O susto começa a tomar conta de mim, trata-se do prédio onde vive a mãe de uma amiga de infância, cujo percurso escolar foi igual ao meu até à entrada para a universidade. Graças a um amigo, consigo passar a barreira policial e vou encontrar a senhora rodeada de bombeiros, numa cadeira na rua.
Mal me viu, agarrou-se a mim em aflição, e eu também. Depois de uns minutos de conversa, acalmámos, e lá fui sabendo um pouco da história, e sobretudo, que nada de mal lhe tinha acontecido nem ao marido ou à casa.
Durante vários minutos, esqueci completamente o jornalismo, porque estava ali uma pessoa que precisava de alguém que a apoiasse um pouco.
Depois, logo que vi que a situação estava encaminhada, e também graças às pessoas que ali estavam da Câmara e da Protecção Civil, voltei à minha pele de jornalista, a tirar as fotos e a obter as declarações de que necessitava.
Mas tudo isto me faz pensar, não estarei a trabalhar demasiado perto daquilo tudo que me é querido?
Se por um lado, tenho mais conhecimentos sobre as coisas, por outro, o coração está demasiado ligado a tudo. É que a cada toque de telefone, a cada mensagem, tenho redobrado o receio que todos os jornalistas têm, o segundo pensamento quando recebemos informação sobre um acidente ou uma catástrofe, depois do «será que chego a tempo de um furo?», que é «será que é alguém conhecido?».

segunda-feira, 26 de março de 2012

Se bu i kong, kong bu i se


Se bu i kong
kong bu i se
«A vida não é diferente do nada, o nada não é diferente da vida».
Oração fúnebre budista.

Depois de um fim-de-semana de trabalho, pouco descanso e algum mau humor, de uma sexta-feira com emoções à flor da pele por causa da Juju (os lenços de papel cá de casa levaram um rombo enorme), mas também de uma sobremesa chamada bomba de chocolate, feita pelas mãos de um amigo para ajudar a afastar as nuvens, deixo-vos no início desta semana com algo para reflectirmos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

JUJU


Já aqui falei mais do que uma vez da Internet e do seu poder, indiscutível. Tanto serve para os cobardes se sentirem homens, como para ajudar quem mais precisa.
Um exemplo disso são as ondas de solidariedade que todos os dias se vêm quer seja com pessoas quer seja com animais, e eu estou em especial ligada a estes.
Digam o que disserem, é aos patudinhos que devo quase todo o meu amor.
E hoje é o exemplo máximo disso.
No facebook faço parte de um grupo, os Donos dos Peludinhos no Petnet, o que começou por ser um site de donos de peludinhos e hoje é uma enorme comunidade. E como comunidade que somos, vivemos as alegrias e as tristezas de uns e de outros.
Nestes últimos dias temos todos acompanhado o caso da Juju, uma gatinha cuja dona faleceu à algum tempo atrás e que foi recolhida com uma irmã por outra senhora, que já tinha vários gatos, mas que arranjou espaço para mais estas duas meninas.
E o que temos acompanhado é o facto de a Juju estar doente.
Começou por vomitar, miar com dores, até que o veterinário chegou à conclusão mais benévola para a Juju, e marcou para hoje às 16h00 a sua partida.
O movimento de pessoas que esteve nesse momento online, e as outras que aos poucos vão chegando e deixando as suas mensagens aos donos, é algo absolutamente incrível.
E isto quererá dizer alguma coisa.
Por mim, posso dizer que já chorei hoje bastante, tudo por uma gata que nunca vi senão em foto, por uns donos que não conheço, mas com os quais me identifico pela dor da perda e da decisão que, felizmente até hoje, nunca tive de tomar.
Podem chamar-me o que quiserem, mas eu vou continuar a questionar: qual de vós que lê este post com um esgar de escárnio tem alguém que vos ame incondicionalmente em casa, que vos espere todos os dias com ansiedade, que vos recebe com manifestações de alegria, que se aconchega a vós quando estão tristes, tentando consolar-vos com um simples olhar?
Eu tenho. Chamam-se Belchior, Rita, Bruno e Sofia.

Limpar Portugal

Numa altura em que tanto se fala do limpar Portugal, não posso deixar de colocar aqui esta imagem que me enviaram.
A cidania no seu melhor, que cabe a todos, por isso ajude a limpar a sua freguesia este ano.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Piquetes

Tenho uma enorme curiosidade em saber se amanhã, a partir das 9h30, iremos ver estes coletes junto ao Rio Sul Shopping, ao Fórum Almada, ao Barreiro Retail Park, ao Colombo, enfim, percebem o que quero dizer.
Ou será que os grevistas de amanhã vão vestir comodamente as suas fatiotas de consumidores e aproveitarem a folgazinha para fazerem comodamente as suas compras para a Páscoa?
Ironias à parte, digam-me apenas se os mesmos piquetes de greve agora à porta da Câmara Municipal de Oeiras, estarão amanhã à porta dos Jerónimos Martins e CIA.
Só preciso que me digam que sim para me terem como ferverosa apoiante destas greves, embora continue a dizer que as mesmas deviam ser feitas à porta dos respectivos locais de trabalho, durante todo o horário de serviço. Mas já que não posso pedir tanto, terei eu o bónus de ver os que de todas as formas apelam à greve, lembrar-se amanhã daqueles que não se podem dar ao luxo de a fazer, quando estiverem na fila da caixa do Pingo Doce, do Jumbo ou do Continente?

segunda-feira, 19 de março de 2012

«Filho és...»


Já aqui falei do dia do pai, e do meu pai. A nossa relação não foi fácil, devido aos feitios demasiado iguais e a outras 'questões'. No entanto, a ele e a todos os pais que conheço, não queria deixar de fazer aqui a minha homenagem, não deixando de vos lembrar, a vós pais de hoje, que os vossos filhos são os homens e pais de amanhã.
«Filho és, pai serás, como fizeres, assim acharás».