sábado, 14 de abril de 2012

Por eles, que não têm direitos


Hoje, através do facebook, recebi dois lindissimos textos sobre os animais que quero partilhar aqui.
Temos um país com um partido ecologista que só se preocupa em ser eco do partido que o sustenta. Temos partidos que perante uma proposta de lei para dar mais direitos aos animais se limitam a dizer «que é pouco».
Ora Porra!!!
Se é pouco, façam mais! Se é pouco, em vez de discutirem o sexo dos anjos, apresentem as propostas que possam finalmente levar os animais a deixar de ser considerados como meros objectos!

Já agora, uma notícia: o rei Juan Carlos teve de ser operado depois de ter partido uma perna por andar a caçar elefantes. Devia era ter sido pisado por um!

Mas vamos aos textos. O primeiro é uma frase que diz mais do que um tratado, e pertence ao Maestro Vitorino d' Almeida:

«Se Tourada é Cultura, Canibalismo é Gastronomia»

O segundo é do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho, e aqui fica:
«CONTRA AS BESTAS, PELOS ANIMAIS

Em tempo de crise, tenho pena de não poder fazer publicidade para reforçar o mealheiro... Estou a brincar. Apesar de achar, como já aqui o disse, que os jornalistas arranjam... ligações muito mais dúbias como assessores, isso não me leva a admitir que possamos fazer publicidade. Ainda recebi um convite aqui e ali, mas com o tempo as empresas percebem que estamos proibidos pelo nosso código deontológico. Mas há um outro tipo de convites, que muitos julgam não ter a ver com publicidade, o que nuns casos é verdade, noutros, nem por isso... Refiro-me ao que vulgarmente se chama “campanhas”, sempre com uma face muito humanitária, sem ligações a partidos, clubes ou facções, sempre coisas muito politicamente correctas. Como beber um copo de leite, sorrir para a câmara e aconselhar as pessoas a prevenirem a osteoporose, ou ser filmado, sempre sorridente, a empacotar latas de atum e pacotes de arroz, pedindo às pessoas mais donativos para um qualquer banco alimentar contra a fome. Não recebi muitos convites destes, mas os suficientes para poder dizer que nem a isso estou disposto. Não é uma questão de afirmação de algo, é mesmo feitio. Não gosto de me expor mais do que já me exponho (por inerência de funções...), e ao contrário de muita “figura pública”, que gosta de aparecer porque isso lhe permite aparecer mais e mais vezes, o que “apareço” chega e sobra-me. Mas, aqui chegados, eis que informo que vou dar a cara por uma campanha. Contradição? Talvez, você julgará, depois de me explicar. Aceitei o convite para fazer parte de um vídeo que pretende reforçar a sensibilização da classe política que faz leis. Aceitei porque se trata de mudar (tentar mudar) a legislação absurda que, em Portugal, equipara os animais a objectos ou coisas. Não me vou alongar muito sobre o assunto, até porque me parece daqueles tão óbvios que não percebo porque têm sequer discussão. E é precisamente isto, e apenas isto que direi. Que, com quase 50 anos de idade (e portanto, pouca paciência), e mais de 25 de jornalismo, posso afirmar que o meu entendimento das coisas se baseia em factos, mais do que ideias ou outras subjectividades. E os factos são claros e gritantes. Os animais não podem ser equiparados a objectos porque... porque... não são objectos. Será tão difícil perceber? Será difícil perceber que não podem ser coisas se têm coração, sangue em veias e artérias, olhos para ver, mais todos os sentidos que nós temos, e que sentem fome, e sede, e medo, e solidão, e saudades? E que não só são seres vivos como nós, como nos ensinam tanta coisa que esquecemos depressa na nossa vida calculista, como dar incondicionalmente, sem saber o que receberão. E por isso, por estas coisas tão simples, vou juntar a minha voz aos que querem lembrar aos responsáveis do País as coisas mais elementares. Faço--o para ajudar a “causa”, mas faço-o também por mim, pela minha “imagem”, quero, neste caso, que não restem dúvidas a ninguém sobre a minha posição na matéria. Quero que seja claro que defendo e defenderei sempre os animais, as vítimas mais fáceis e indefesas da bestialidade de que somos capazes. Quero pedir à classe política que nos mostre, com uma nova lei, que não pactuará mais com abandonos selvagens (de facto, como se os bichos fossem coisas que se deitam para o lixo...), nem com mau tratos abjectos e gratuitos. E que quem o fizer enfrentará uma punição. E não me venham, por favor, como já ouvi, dizer-me que “em tempo de crise” a questão da defesa dos animais é uma questão “menor”. Os tempos de crise têm costas largas, quando se quer. Mas, precisamente, os tempos de crise não são, seguramente, apenas financeiros. São tempos de crise civilizacional, moral, educacional. Repare que na base da “crise” estiveram, como hoje todos sabemos, homens e mulheres que demonstraram falta de honra e dignidade, com as suas falcatruas, as suas fraudes, gastos faraónicos em nome da ganância e da ambição medíocre, negociatas a favorecer amigos, obras que não servem para nada pagas com o dinheiro dos nosso impostos, um desvario que foi originando pequeninos buracos, que depois formaram uma bola de neve, e depois um tsunami de dívidas que invadiu um país, depois, outro, e é hoje uma doença mundial. O dinheiro não tem vontade, não se mexe sozinho. Fomos nós que rolámos os dados assim. Foi a falta de solidez moral que levou à crise. Por isso, sim, a questão dos animais não só não é menor, como seria uma boa oportunidade para se começar a gerir povos com os princípios simples da defesa dos mais desprotegidos contra a lei selvagem do mais forte. Se pensar bem, aplica-se a tanta coisa...»

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uma casinha portuguesa, com certeza


Podem vir dizer que isto acontece em todos os países, mas caramba, então não venham com conversas fiadas sobre «comprar o que é português»!!!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo

Tenham Paciência mas hoje tem de ser!

Marcha do Sporting
O Sporting nasceu um dia
Sob o signo do leão
Nós aprendemos a amá-lo
E a trazê-lo no coração
Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!


Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória será nossa
Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória será nossa
Viva ao Sporting!

Bandeira verde o Leão
E uma esperança sem fim
Muita fé no coração
O sportinguista é assim

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória será nossa
Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória será nossa
Viva ao Sporting!

Ai vamos lá cantar a marcha
Que é a de todos nós
Cantam todos os do Sporting
Desde os netos até aos avós

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!
Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória será nossa
Viva ao Sporting!

Rapaziada oiçam bem o que eu lhes digo
E gritem todos comigo
Viva ao Sporting!

Rapaziada quer se possa
Ou se não possa
A vitória é sempre nossa
Viva ao Sporting!


E até o Belchior veio dar uma ajudinha!!!

sábado, 7 de abril de 2012

Maravilhas da natureza


Foto tirada ontem, entre a Sertã e Tomar, num dos mais belos locais do país, depois de ter apanhado chuva, trovoada e até granizo na estrada.
A natureza sabe mesmo aquilo que faz.

terça-feira, 3 de abril de 2012

E agora, para algo completamente diferente...



Tenho usado este blogue para os meus desabafos, mas hoje vou fazer algo completamente diferente.
Deu-me na cabeça fazer umas filhós à moda da Beira Baixa, que se fazem cá em casa pelo Natal, e coloquei a foto no facebook. Como tive vários comentários e pessoas a pedir a receita, então aqui fica a receita das filhós de joelho da Beira Baixa. De joelho, porque se tendiam bocados de massa sobre um pano estendido no joelho, e se fritavam em seguida.
Esta é a minha receita:

Fermento de padeiro (pode comprar-se o fermento no Pingo Doce, em dois pacotinhos por 50 cêntimos, que depois têm de ser desfeitos num pouco de água quente e farinha, fazendo uma bolinha de massa) ou uma carcaça de pão em massa (uma carcaça crua).
Um dos segredos desta receita é o gosto a azedo. Por isso, quer seja pãoem massa ou o fermento, antes de usar, o mesmo tem de azedar, deixando-o durante a noite ou mais tempo numa tijela ao ar livre.

Desfaz-se o fermento em cinco ou seis ovos (no tempo do meu pai, faziamos com uma dúzia ou mais) à mão, desfazendo bem os grumos.
Aqueça o sumo de duas laranjas e duas boas colheres de aguardente, com uma pitada valente de sal (que tem de desfazer no liquido), e deita-se devagar sobre a mistura de ovos.
Quanto mais ovos e liquido levar, mais farinha irá também levar e mais rende.
Depois vai-se deitando farinha até a massa descolar, e amassa-se bem, batendo a massa. No final, aqueça cerca de quatro colheres de azeite, e vá deitando abrindo buracos na massa e fechando-os em seguida, amassando de novo.
Enfarinhe um pouco o alguidar onde amassou, e deite a massa (com a mão fazia-se o sinal da cruz sobre esta com os dizeres: «Deus te acrescente e te livre da má-gente»).
Vai a levedar em local quente, coberta com mantas, até dobrar de volume.
Frita-se em óleo quente.
As redondas são tendidas de pequenas bolas e depois a massa é esticada com os dedos, as que têm açucar e canela, são estendidas com o rolo e cortadas com uma faca.
Bom proveito!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

É de mim ou anda tudo parvo?

Esta história seria para rir se não fosse tão triste, quase o retrato de muito do funcionarismo público à portuguesa.
A semana passada tive uma conversa telefónica com uma senhora da Segurança Social que tive pena de não poder gravar.
Uma conversa que só posso considerar como surreal, a lembrar o melhor de Kafka.
Devido a uma situação que não interessa para aqui a minha empresa tem apresentado várias queixas à Direcção da Segurança Social de Setúbal.
Ora na quinta-feira passada ligou-me uma senhora muito abespinhada comigo porque eu «estava a fazê-la perder tempo» com as minhas queixas.
Disse ainda que eu «devia ter lido com atenção a legislação porque estava lá tudo».
Quando lhe perguntei em concreto qual era legislação e o artigo referente ao que discutíamos, disse muito ufana que «a lei não é bem clara sobre isso, mas está lá, um bocadinho camuflada»!
Perguntei-lhe ainda porque é que essa resposta não me tinha sido dada quando telefonei por várias vezes para os serviços.
Resposta: «As pessoas que atendem esses telefonemas não têm formação para dar a resposta correcta»!
Caramba!! Mas é de mim ou anda tudo parvo???!!!
Então agora a lei «está um bocado camuflada»???
E as pessoas que estão ao serviço da Segurança Social «não têm formação para responder ao telefone» e não passam a chamada para quem pode responder?
Andamos a brincar com as pessoas?? Já agora, a discussão só acabou porque lhe lembrei que tinha sido ela, o ano passado a atender uma das minhas chamadas (registo tudo, desde o nome da pessoa com quem falo, à hora a que o fiz, ossos do ofício) e a dar-me a tal «resposta sem formação para tal».Aí depois já me sabia indicar o que eu devia fazer para tentar resolver a questão, que pelos vistos já não é com a Segurança Social mas com outro organismo do Estado.
Mais uma saga, sem dúvida. Esta que aqui falo dura desde 2009...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Lobo mau


Hoje dei com esta imagem na net, esse infindável mundo de informação (perdoem-me estar sempre a falar disto, mas como dizia o outro eu ainda sou do tempo de estar à espera do fax para ter notícias).
É uma frase que já conhecia, mas mesmo assim faz pensar sobre as nossas decisões, as nossas atitudes, e sobretudo, os nossos ódios e amores.
Sou uma mulher de paixões, amo profundamente e odeio ainda mais profundamente, por isso nem sempre sei qual o lobo que alimento.
O que sei é que há um lobo em mim, e esse está sempre alerta para as coisas boas e más da vida, simbolizando o meu lado que por vezes só tem vontade de uivar à lua.

terça-feira, 27 de março de 2012

Quando a notícia é demasiado próxima

Ao preparar-me esta noite de segunda-feira para o meu serão facebookiano, não estava à espera que às 01h30 ainda por aqui andasse. Mas mais uma vez a reportagem me bateu à porta, e eis senão quando fico a saber da derrocada de uma placa de betão de um prédio, na Arrentela.
Uma busca e alguns contactos mais tarde, fico a saber que é mesmo aqui perto da minha casa, a alguns metros. Claro que arranco de imediato para o local. Lá chegada, de novo a informação do prédio onde tudo indica aconteceu um desastre.
O susto começa a tomar conta de mim, trata-se do prédio onde vive a mãe de uma amiga de infância, cujo percurso escolar foi igual ao meu até à entrada para a universidade. Graças a um amigo, consigo passar a barreira policial e vou encontrar a senhora rodeada de bombeiros, numa cadeira na rua.
Mal me viu, agarrou-se a mim em aflição, e eu também. Depois de uns minutos de conversa, acalmámos, e lá fui sabendo um pouco da história, e sobretudo, que nada de mal lhe tinha acontecido nem ao marido ou à casa.
Durante vários minutos, esqueci completamente o jornalismo, porque estava ali uma pessoa que precisava de alguém que a apoiasse um pouco.
Depois, logo que vi que a situação estava encaminhada, e também graças às pessoas que ali estavam da Câmara e da Protecção Civil, voltei à minha pele de jornalista, a tirar as fotos e a obter as declarações de que necessitava.
Mas tudo isto me faz pensar, não estarei a trabalhar demasiado perto daquilo tudo que me é querido?
Se por um lado, tenho mais conhecimentos sobre as coisas, por outro, o coração está demasiado ligado a tudo. É que a cada toque de telefone, a cada mensagem, tenho redobrado o receio que todos os jornalistas têm, o segundo pensamento quando recebemos informação sobre um acidente ou uma catástrofe, depois do «será que chego a tempo de um furo?», que é «será que é alguém conhecido?».

segunda-feira, 26 de março de 2012

Se bu i kong, kong bu i se


Se bu i kong
kong bu i se
«A vida não é diferente do nada, o nada não é diferente da vida».
Oração fúnebre budista.

Depois de um fim-de-semana de trabalho, pouco descanso e algum mau humor, de uma sexta-feira com emoções à flor da pele por causa da Juju (os lenços de papel cá de casa levaram um rombo enorme), mas também de uma sobremesa chamada bomba de chocolate, feita pelas mãos de um amigo para ajudar a afastar as nuvens, deixo-vos no início desta semana com algo para reflectirmos.

sexta-feira, 23 de março de 2012

JUJU


Já aqui falei mais do que uma vez da Internet e do seu poder, indiscutível. Tanto serve para os cobardes se sentirem homens, como para ajudar quem mais precisa.
Um exemplo disso são as ondas de solidariedade que todos os dias se vêm quer seja com pessoas quer seja com animais, e eu estou em especial ligada a estes.
Digam o que disserem, é aos patudinhos que devo quase todo o meu amor.
E hoje é o exemplo máximo disso.
No facebook faço parte de um grupo, os Donos dos Peludinhos no Petnet, o que começou por ser um site de donos de peludinhos e hoje é uma enorme comunidade. E como comunidade que somos, vivemos as alegrias e as tristezas de uns e de outros.
Nestes últimos dias temos todos acompanhado o caso da Juju, uma gatinha cuja dona faleceu à algum tempo atrás e que foi recolhida com uma irmã por outra senhora, que já tinha vários gatos, mas que arranjou espaço para mais estas duas meninas.
E o que temos acompanhado é o facto de a Juju estar doente.
Começou por vomitar, miar com dores, até que o veterinário chegou à conclusão mais benévola para a Juju, e marcou para hoje às 16h00 a sua partida.
O movimento de pessoas que esteve nesse momento online, e as outras que aos poucos vão chegando e deixando as suas mensagens aos donos, é algo absolutamente incrível.
E isto quererá dizer alguma coisa.
Por mim, posso dizer que já chorei hoje bastante, tudo por uma gata que nunca vi senão em foto, por uns donos que não conheço, mas com os quais me identifico pela dor da perda e da decisão que, felizmente até hoje, nunca tive de tomar.
Podem chamar-me o que quiserem, mas eu vou continuar a questionar: qual de vós que lê este post com um esgar de escárnio tem alguém que vos ame incondicionalmente em casa, que vos espere todos os dias com ansiedade, que vos recebe com manifestações de alegria, que se aconchega a vós quando estão tristes, tentando consolar-vos com um simples olhar?
Eu tenho. Chamam-se Belchior, Rita, Bruno e Sofia.