segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Os Bifes da Jonet


A história das declarações de Isabel Jonet teve contornos de histeria, o que não admira na altura em que vivemos, onde é fácil e funciona como uma catarse, esta caça às bruxas.
Embora compreendendo o que ela quis dizer, acho que o fez da forma mais infeliz possível.
É verdade que muito do crédito que agora sufoca as familias portuguesas foi feito na base da vaidade, para comprar o LCD da moda, o último Ipod, a X-Box para o menino, etc e tal.
Por isso, concordaria totalmente com ela se a metáfora fosse nesse sentido.
Infelizmente, talvez por ser a sua área de trabalho, optou por falar em comida. E com isso colocou tudo em pé de guerra. É que numa altura em que milhares de crianças vão para a escola com fome, em que optamos por levar arroz com atum para aquecer no trabalho e iogurtes XPTO nem vê-los, vir falar em comer bifes, é no mínimo, deselegante.
E também vindo de quem tem telhados de vidro. Gostaria de saber quando foi a última vez que a senhora Jonet se dirigiu a um supermercado para fazer as compras mensais de comida. E repito, de comida.
Infelizmente, e poderei ser criticada pelo que vou dizer, mas há vários anos que me recuso a dar para o Banco Alimentar.
E explico: é que eu cá em casa já comi de lá.
Não porque precisasse, felizmente, mas simplesmente porque tinha uma vizinha, que embora casada e sem necessidades económicas, conhecia alguém que lhe dava quantidades industriais de comida: arroz, farinha, manteiga, ovos, açucar, etc e tal, e as quantidades eram tamanhas que ela tinha de distribuir pelos vizinhos.

Por outro lado, conheci há algum tempo um casal que fez voluntariado no Banco Alimentar, e que ao fim de alguns meses deixou porque viam as carrinhas arrancar com os melhores alimentos e com prazos de validade mais longos para certas «moradas certas», deixando para trás os iogurtes e outros bens já perto da fim da data de validade.
Mas isto não se passa apenas aqui, passa-se com toda a distribuição de alimentos que são atribuidos pela Segurança Social (os tais que até trazem carimbo de venda proibida) e que vão parar, mercê de certos atributos de quem os distribui a pessoas que de nada precisam, racionando-se para quem realmente precisa.
E isto ninguém me disse, estive com pessoas que me mostraram listas e dados que provam isso, mas que não quiseram dar a cara para a reportagem que planeava, com medo de perderem o pouco que já recebiam.
Perante tudo isto, recuso-me terminantemente a contribuir para tais peditórios. Já estive com associações que de pouco fazem muito, que distribuem refeições para os mais carenciados, e que não fazem peditórios nacionais, ajudando talvez muito mais gente do que com campanhas mediáticas.
Por isso também sei que não é preciso vir para a televisão apelar com saquinhos ou para arrendondar contas. E esses sim, terão sempre o meu total apoio para o que precisem.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O triunfo...

Ao ouvir hoje um pouco da discussão sobre o OE2012, só me consigo lembrar de George Orwell.


«Doze vozes gritavam em fúria e eram todas idênticas. Não havia agora dúvidas sobre o que estava a acontecer à cara dos porcos. Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem.»

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Subir e descer


Muitos só quando estão a cair é que se lembram dos outros.
Se quisesse ser hipócrita e fingir-me de simpática, diria que é nessa altura que devemos mostrar que somos humanos e estender a mão.
Mas como não sou nem simpática nem hipócrita, garanto que nesse momento, serei a primeira a mandar um empurrãozinho.

domingo, 14 de outubro de 2012

Liberdade?


O Cardeal Patriarca de Lisboa diz que as manifestações vão contra a democracia e que não resolvem nada. Esquece-se que só o ouro que está em Fátima resolveria a dívida externa e interna de Portugal.

Augusto Cid, cartoonista, diz em entrevista à revista do CM que se Sócrates voltasse amanhã, seria recebido em braços. Veja-se o resultado do PS nos Açores.

Sobre os portugueses pairam as ameaças do desemprego, a subida dos impostos, a fome...
E ainda acreditam em partidos políticos?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia do Animal

Sim, temos uns quantos energúmenos a roubarem tudo o que conseguimos ganhar com o nosso suor. Sim, temos o povo português a protestar nas ruas. Sim, temos o Sporting a jogar hoje.
Mas não podemos esquecer-nos deles, dos patudinhos, que estão sempre connosco nos bons e maus momentos, mas que muitas pessoas, com a desculpa da crise, se descartam sem dó nem piedade.
Da mesma forma que o farão a determinada altura com os pais ou avós idosos e adoentados, e que farão um dia com os próprios filhos.
Lembremo-nos deles neste dia, e em todos os dias.

sábado, 22 de setembro de 2012

"O mal da morte"

Estes dois dias rumei de novo até Pedrogão de S. Pedro, para mais dois dias de bricolagem e ares puros.
Como sempre, paragem obrigatória em Castelo Branco, ou melhor, no seu mercado, para comprar bicas de azeite, borrachões e os queijos babados que só ali se encontram ao melhor preço.
E como desta vez, até lá encontrei um vizinho do meu prédio aqui do Cavadas em compras para levar para o Ladoeiro.
As bancas para todos estes produtos são sempre as mesmas, e com isso acabamos por criar alguns laços com as pessoas, como a padeira que pergunta sempre como está Lisboa e recorda a vez que veio a um casamento à Igreja de Arrentela, ou a senhora dos queijos, de quem acompanhamos o casamento da filha e alguns momentos menos bons de saúde.
Sem sabermos sequer nomes próprios, os laços vão-se firmando.
E lá fomos em nova romaria.
Só que desta vez um choque nos esperava.
Ao perguntar à senhora da banca dos queijos como ia, a resposta veio rápida: "tenho o mal da morte".
Não queria acreditar nos meus ouvidos e perguntei de novo.
"Tenho o mal da morte…"
E passou a explicar que os médicos só agora, aos 69 anos é que viram que tinha um tumor maligno no peito, que iria ser removido, mas que já se alastrara para o braço… que iria começar a quimioterapia, mas que não estava sem grandes esperanças e por isso estava a passar o negócio para outra pessoa que a acompanhava nestes dias.
O choque deixou-me sem fala, embargada pelas lágrimas.
Pensar que nos preocupamos com tanta coisa, gritamos, ofendemos, sofremos e de repente podemos ser apanhados pelo «mal da morte».
Confesso que o queijo que comprei desta vez trás um travo amargo… muito amargo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

E o burro sou eu?????



Depois do post de ontem, hoje recebi estes dados por email.
E com isto ainda nos falam em necessidade de austeridade? E com estes tachos, acham mesmo que é com manifestações, por muitos milhares de pessoas que levem, que vão resolver as coisas? Pois, vão esperando sentados.

1º Exemplo

O Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,00Euros);
O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;

2º Exemplo
O Vice-Presidente dos EUA recebe, por ano, $ 208.000,00 (151.471,00 Euros);
Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
O Presidente da TAP: - ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo
A Chanceler da Alemanha recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médiode cada português.

4º Exemplo
O Primeiro-Ministro de Portugal recebe cerca de 100.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS: ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.

5º Exemplo
O Presidente da República Potuguesa recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 8,4 anos de salário médio de cada português;

6º Exemplo
O Presidente da República Francesa recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
O Presidente de Administração dos CTT Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

7º Exemplo
O Primeiro-Ministro da Inglaterra recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Por tudo e mais alguma coisa

Esta tinha mesmo de partilhar... por tudo o que se passa neste país e pelo que ainda virá.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Sol e água morna...


Depois das férias, do sol e praia, eis que recebemos quase à mesma hora do início da Festa do Avante e do jogo da selecção, mais um dos baldes de água morna a que já nos habituaram.
E digo morna porque não me venham agora dizer que não era expectável, depois de tudo o que já suava cá para fora, que o governo não iria fazer alguma destas.
Mas claro, lá se seguiu a gritar viva a Portugal e a dançar a Carvalhesa e segunda-feira chega e de volta ao facebook toda a gente é revolucionária, toda a gente vai à manifestação, toda a gente está contra o governo.
Mas fizessem no próximo domingo eleições legislativas, e veriam o resultado...
Toda a gente está contra, mas falem-lhes em boicote fiscal, em não pagar portagens, em não pedir factura ou entregar a declaração de IRS, e «epá, isso não, vê lá, depois o que ia acontecer e tal...».
Da minha parte, à partida o assunto fica por aqui. Falem comigo quando decidirem reais formas de luta que não passem por desfiles na avenida mas que também não envolvam partir montras ou danificar carros de inocentes.
Falem comigo quando tiverem real coragem para uma resistência que passará por sacrificios, sim, mas que será a única resposta. Enquanto continuarem na ilusão que clicar em «Gosto» em fotos com cães a mijar para a foto do PPC ou a dizerem que vão a manifes mas já têm a toalha de praia no carro, não contem comigo.
Por mim vou continuar a partilhar as fotos dos animais, esses sim, as verdadeiras vítimas desta situação e a lutar contra as touradas, posição que curiosamente parece ofender algumas pessoas que, publicamente de cravo vermelho ao peito defendem a liberdade e o direito à indignação e à expressão, mas só até ao ponto em que esta não colida com os seus prazeres mesquinhos...