sábado, 28 de junho de 2014

Quando o jornalismo é notícia


Uma das regras que aprendemos no jornalismo é que a notícia não é cão que mordeu o homem, mas o homem que mordeu o cão (se bem que, infelizmente, e nos últimos tempos, esta regra já não se aplica tanto).
Isto porque o vulgar não vende jornais. O insólito, o fora do comum e até o horror é que atraem público.
Mas insólito mesmo é quando os jornalistas ou jornais passam a ser eles a fonte da notícia.
Já temos visto isso, como aconteceu com o «News of the World», o jornal dominical mais vendido da Grã-Bretanha, que acabou por encerrar, devido ao escândalo das escutas telefónicas e fez as paragonas de jornais e telejornais em todo o mundo.
Por cá há também vão ocorrendo alguns «casos» em que os jornalistas passam a notícia. Relembro aqui aquela famosa história do deputado Ricardo Rodrigues, que durante uma entrevista, “subtraiu” os gravadores dos jornalistas, fazendo o caso a capa de vários jornais.
Temos também o ministro José Relvas e as suas ameaças telefónicas a uma jornalista de um diário alegadamente (e tomem notem do termo, um dos mais utilizados nestas lides, para evitar a quem escreve ou lê notícias, ter de ir responder a tribunal por determinadas afirmações) para evitar que certa notícia visse a luz do dia.
Tal acto foi classificado como «inaceitável» pela direcção do jornal «Público», deu azo a um comunicado do Conselho de Redacção do jornal, onde esta pressão foi tornada pública e, claro, fez mais capas de jornais.
A nível local, não são poucas as vezes que os jornais fazem notícia de outros ou até de si próprios, sobretudo quando alguns tentam fazer passar por notícias as mentiras que iam inventando, histórias que se calhar um dia trarei a esta crónica.
Também eu, e devido a algumas acusações feitas publicamente por quem devia preocupar-se mais com questões concelhias do que com quem pensavam ser proprietário do meu jornal, tive de não poucas vezes, passar de mera jornalista observadora a ter de intervir da forma que podia, ou seja, tornando em notícia essa situação.
Noutras até me diverti bastante, como por exemplo fazer a reportagem de quando uma simples gralha do meu jornal foi discutida numa Assembleia Municipal.
Também já me deparei com quem dedicasse o seu tempo a analisar o espaço que fulano ou sicrano, deste ou daquele partido, ocupava num jornal, a ponto de até indicar o número de linhas onde era referido.
Este facto passou-se durante as eleições autárquicas de 2009, por uma anónima personagem blogosférica, de quem Alfredo Monteiro, anterior presidente da Câmara Municipal do Seixal, muito acertadamente disse: «quem não dá a cara pelo que diz, só pode ser julgado como cobarde».
E eis que chegamos ao cerne deste meu texto, de como ainda hoje me espanto com algumas coisas a que assisto, a merecerem as «gordas» em qualquer jornal ou serviço noticioso.
É que ver quem tem responsabilidades políticas, mesmo como independente, usar do seu precioso tempo e o dos outros, para publicamente e em local onde devia sobretudo ser discutido o concelho, fazer referência ao espaço ocupado por este ou por aquele interveniente numa determinada reportagem publicada num diário regional, é no mínimo ridículo.
Pior do que isso, é a falta de educação com os termos utilizados, entre eles falta de isenção e tendenciosismo, se calhar só pela gracinha de que os mesmos fiquem em acta, mas sobejamente repugnantes por si mesmos e por serem dirigidos a quem até se encontrava em serviço no local e não podia intervir.
Não foi uma referência ao meu jornal, até porque este «interveniente» já no passado tentou fazer algo semelhante, questionando o edil camarário sobre o motivo pelo qual o meu jornal apresentava na capa um determinado vereador. Também na ocasião, Alfredo Monteiro respondeu que nada tinha que ver ele ou o executivo com um jornal independente, do qual a directora se encontrava na sala, e por isso podia ser interrogada directamente.
Foi uma «brincadeira» que lhe saiu muito cara, da qual se arrependeu amargamente.
E que deu também azo a uma notícia.
Existe algo que, apesar das guerras que possam existir ao nível das empresas editoras dos jornais, se chama lealdade entre colegas.
É algo que alguns fingem desconhecer, mas que me orgulho, bem como a maioria dos profissionais que conheço, de fazer questão em honrar.
Daí o meu repúdio por intervenções deste género, precisamente num ano em que se comemoram os quarenta anos do 25 de Abril, e sobretudo o direito à liberdade de imprensa.
Verdade é que nem sempre podemos agradar a gregos e a troianos, mas o respeito é muito bonito e é algo que cada profissional tem o direito de exigir a um munícipe, um vereador ou até a um presidente.

Nota de rodapé: Esta foi mais uma das minhas crónicas no Diário do Distrito. Lamento é que tenha sido sobre este tema, a intervenção de um vereador, Luís Cordeiro, eleito independente pelo Bloco Esquerda, na reunião camarária. E refiro o nome porque quem o disse, fê-lo publicamente, e sabe também que tais declarações ficam (ou deviam ficar) em acta.

domingo, 22 de junho de 2014

Um breve regresso ao passado


Dos meus lemas de vida, tenho um que se tem mantido durante estes quarenta anos. «Não esqueço, nem perdoo».
E gosto particularmente deste, porque todos os dias lido com muitas pessoas e algumas acham que o passar do tempo é semelhante a uma esponja que se pode passar sobre o passado e sobre coisas que foram ditas ou escritas.
Não no meu caso. Garanto que se por vezes mostro os dentes num sorriso, os que mais sobressaem são os caninos…
E vem isto a propósito de uma viagem que tenho andado a fazer ao passado, mais propriamente ao passado blogosférico cá do burgo.
E o que me tenho rido!!!!
Desde os ataques mais ou menos velados vindo de “ilustres anónimos” à minha pessoa e ao meu jornal, até verdadeiras guerras ideológicas onde, pasme-se, a minha pessoa e o meu jornal são chamados à liça.
Realmente, foram bons velhos tempos, aqueles em que tanta gente andava em brasas só de ouvir o nome «Comércio».
Não significa isto que hoje também não continuem a estremecer uns coraçõezinhos quando se aproxima a sexta-feira. Claro que não. Mas se calhar, também por uma questão de crescimento pessoal, as coisas já não são exactamente iguais.
Por outro lado, o nosso sucesso e a queda dos ‘protegidos’, teve também como consequência que muitos desses valentões (ao abrigo do anonimato e de um computador) não tivessem outro remédio senão meterem as respectivas violas no saco e desaparecerem no imenso mundo internáutico.
Confesso que por vezes fico nostálgica e com algumas saudades de responder à letra a crises histéricas ou a comentários tão, mas tão estúpidos, que até mereciam uma entrada directa no Guiness.
É verdade, sinto alguma nostalgia de cada vez que toca o telemóvel não ser alguém a dizer: «olhe que estão outra vez sob ataque em tal blogue» ou «Vê lá que agora já dizem que o teu jornal tem um novo dono, só porque viram o padre David sair da vossa redacção».
Tinham piada esses dias. As gargalhadas que soltávamos ao ler os tais comentariozinhos, na maior parte das vezes num português arrazoado, de uma escrita espumante de raiva, de quem não tem mais forma nenhuma de tentar calar o que não pode ser calado.
E os argumentos usados, a roçar o Pidesco, em que só ficávamos espantadas por não dizerem a cor das roupas que usávamos em determinada ocasião.
Aqui fica apenas um pequeno exemplo do prurido comichoso que causávamos:
http://a-sul.blogspot.pt/2009/03/sucedanios-2-gestacao-de-um-comentador.html



E havia ainda uma certa ave pernalta, que durante uns valentes meses, bem nutrida de dinheiros públicos e informações privadas, andou por aí, até ser assassinada por aqueles que alegava defender (risos) numa fatídica reunião camarária de 13 de Janeiro de 2011.
Essa coisita usava os recursos disponíveis para fazer montagens com os candidatos às autárquicas de 2009, bem como de todos os que os patrões lhe indicavam para tentar também calar, com calúnia reles e recorrendo à mentira quando não conseguia factos verdadeiros.
Também foi muito engraçado tempo que esta personagem durou, pela diversão que me proporcionou até em conversas particulares e mensagens para o meu blogue.
Claro que como tudo o que é falso, não durou muito tempo… e nunca, mas mesmo nunca, chegou a responder ao meu repto para se encontrar comigo, mesmo quando me exigia que lhe pedisses desculpas (AHAHHAHHAHAHAH) por algo que o tinha ofendido na sua honra.

Infelizmente, não posso aqui partilhar algumas dessas montagens flamingas porque, como cobardes que eram, ao chegarem as eleições autárquicas de 2013, apagaram o tal blogue que mantinham, tentando renascer quais virgens imaculadas.
Há cerca de um anito, tentaram voltar a pôr a cabecita de fora novamente, desta feita no Facebook, mas não sobreviveram durante muito tempo…
É que aqui é difícil manter o tal anonimato que tanto jeito faz aos cobardes.
Mas considerações à parte, é verdade que sinto um pouco falta destes divertimentos.
No entanto, e graças aos céus, verdadeiras lutas é algo que não me falta no dia-a-dia, com as quais alcançamos as verdadeiras conquistas.
E se também não me faltam motivos para rir, é verdade que sabe sempre bem uma volta pelos clássicos.

 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Jornalistas e jornaleiros

No outro dia encontrei uma pessoa que não via vai fazer dezasseis anos. Foi a primeira jornalista com quem trabalhei, logo que iniciei esta vida de cigana (em termos laborais) do jornalismo.
Isto fez-me reflectir sobre os quase dezasseis anos em que já ando nisto e de tudo o que tenho encontrado.
Infelizmente, o mundo do jornalismo está dominado por pessoas que não percebem o mínimo do que quer dizer isenção e ética jornalística.

Durante esta década e meia de trabalho, deparei-me com um pouco de tudo, mas um género prevaleceu: o do endinheirado (ou nem por isso) que quer fundar um jornal ou revista, mesmo que nunca na vida tenha escrito sequer uma carta comercial.
Em Portugal, nada mais fácil.
Arranja-se um ou dois jornalistas, a recibos verdes, contrata-se um ou dois comerciais com o isco de ganhar boas comissões, escolhe-se um tema para a revista ou uma zona específica para abrir um jornal e, zás, eis uma empresa jornalística.
O problema é que esta vive da publicidade, e nem sempre a mesma existe ou aceita realizar inserções em revistas/jornais que ninguém conhece.
Aí, nada mais simples: despedem-se os jornalistas, independentemente dos anos que ali estejam, arranjam-se mais uns estagiários em urgente necessidade de iniciarem o seu percurso profissional, e contratam-se mais uns quantos comerciais com o mesmo engodo.
A veracidade e qualidade do conteúdo publicado não vem ao caso, interessa é que o suposto administrador possa dizer aos amigos que até dirige uma empresa jornalística.

Mas este é apenas um lado da questão.
Depois há os pseudo-jornalistas, muitos deles até com carteira profissional.
Isto acontece muito ao nível regional. Mas de certo modo até o considero meritório em certos locais onde a população tem apenas nestes órgãos locais o meio de conhecer o que acontece nas suas terras. Muitos desses jornalistas são pessoas sem formação específica na área, mas que o gosto pela escrita leva a fundarem os seus pequenos jornais. E na maior parte das vezes arrumam a um canto muitos licenciados em comunicação social.
O problema é quando de jornalistas passam também a políticos e regem estes órgãos como um meio para ganhar visibilidade política ou conseguirem favores especiais.

E como esse tipo de atitude agrada sobremaneira aos partidos políticos, quer estejam no poder ou na oposição, sempre vão caindo umas migalhitas de subsídios, publicidade institucional ou até, pasme-se, em ajustes directos autárquicos, desde que se vá escrevendo sempre aquilo para o quê se recebe.
E como a vergonha na cara de certos senhores é nenhuma, ei-los que, mesmo depois de perderem a tal carteira profissional (mercê das sucessivas queixas de que foram alvo) e verem o título jornalístico que dirigiam anulado por não cumprirem com as mais básicas regras legislativas da comunicação social, não deixam mesmo assim de assomar as feias cabeças.
Para tanto, basta fingirem que o tal jornal ainda é editado, criar uma falsa capa com supostas reportagens e voilá, usar as redes sociais ao seu dispor para fazer um brilharete com nada, até chegando a enganar quem ainda nele acredita.
Quem lê estas minhas linhas pode achar que estou a falar de forma despeitada, mas não. Garanto que até admiro pessoas assim, que tendo sempre vivido à margem da lei, conseguem continuar a fazer de conta que são muito honestos, continuam a viver calma e regaladamente as suas vidas, e ainda gozam com quem não dorme à noite porque tem uma conta para pagar e luta todos os dias para apresentar-se aos outros de cara limpa.
É que em terra de cegos, quem tem um olho é rei.

 P.S. - Crónica desta semana no Diário do Distrito

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Hoje faço anos




É verdade, é uma realidade que calha a todos e todos os anos.
O que vai mudando é a nossa vontade e capacidade de festejar.
Quando tinha menos de dez anos este dia era sempre especialíssimo, com os lacinhos folhados comprados na pastelaria Signos, onde mais tarde viria a trabalhar também, com o jantar de frango assado no forno, que enchia a casa de um cheiro saborosíssimo e o inevitável bolo de aniversário, sempre de doce de ovos porque nunca gostei de chocolate, e com a família em redor da mesa e a tarde passada com os amiguinhos da escola.
Foi também na escola primária, mais propriamente no primeiro dia de aulas com a Professora Amélia Lopes, a quem estimo imenso e que nas voltas da vida voltei a encontrar há uns tempos atrás, que fiquei a saber que este dia «era muito feio».
Criança ainda, não fazia ideia das implicações políticas que o «meu» dia de anos tinha para o país. Mais tarde, e porque sempre gostei de saber um pouco de tudo, investiguei e fiquei a saber o significado do 28 de Maio para Portugal.
Os anos foram passando e as celebrações sucederam-se. Umas mais alegres que outras, a maior parte sempre com colegas de trabalho, porque nunca tirei dia de férias pelo aniversário.
O primeiro que recordo a trabalhar foi precisamente na pastelaria Signos de que já falei, ao completar 17 anos. A timidez natural aliada à da idade, quase nem conseguia encarar as minhas colegas quando me ofereceram um conjunto de chávenas de café, que ainda hoje guardo religiosamente na minha casa.
Depois outros, que se apagaram na memória, outros que ficaram, como quando trabalhava numa revista de ambiente e detestava de tal forma as minhas colegas que nem disse nada. O pior foi à hora de almoço, quando o telefone não parava de tocar e eu tentava disfarçar o assunto.
Outro que me recordo foi quando comprei a minha casa, e os colegas e patrões da Comunicar me ofereceram um serviço completo de jantar.
Mais um do baú das recordações: um ano em que tinham-me roubado o carro, que era da minha colega Lena, mas que eu levava para casa. Os nervos que passei durante dez dias em que andei em busca do carro, até que o encontrei na Quinta da Princesa. Durante esse tempo, o meu aniversário, celebrado com festa mas com muita amargura. Ainda hoje, quando chega esta altura do ano, não deixo de sentir um frio do estomago ao lembrar o que passei.
Nunca gostei de festejar em discotecas ou afins. Jantares sim, em casa ou com amigos quando havia dinheiro para isso ou nos tempos mais apertados, uma ida até à praia à noite para «partir» o bolo.
Agora sinceramente quase que deixo passar em branco a data. Não fossem os votos de felicitações dos meus amigos no Facebook e o Google e, à semelhança do que já me aconteceu algumas vezes, esquecia-me por completo que era dia de aniversário.
O que importa mesmo é como nos sentimos por dentro e não a idade que o BI, neste caso o cartão de cidadão, diz que temos. E essa, tenho a certeza, ainda não passou dos vinte anos.

sábado, 24 de maio de 2014

A cavalo dado, olhar sempre o dente

Durante a minha carreira como jornalista, já passei por várias empresas em áreas tão diferentes como a medicina tradicional até ao sector automóvel, com várias variantes pelo meio.
A determinada altura deste meu percurso, dirigi duas revistas especializadas na área da informática, de que sinceramente ainda percebia menos do que de motores, mas a vida é assim e só temos de nos adaptar ao tipo de trabalho que nos dão. E aprender.
Foi o que fiz, sobretudo aprendendo espanhol para decifrar as novidades que chegam sempre primeiro àquele país. Nunca me esquecerei da luta que foi perceber o que era «un raton enchufado» num artigo do país vizinho…
Nessa área, e na altura, contávamos com várias agências de comunicação, que nos passavam tudo, como eu costumava dizer, «mastigadinho».Era a função destes meios para divulgarem os produtos dos seus clientes.
A tal ponto isso chegou que quando voltei a uma área diferente, como o é o jornalismo regional, praticamente tive de aprender a escrever novamente a notícia como ela deve ser feita.
Não estou, de modo nenhum, a criticar estes meios, porque cumprem com a sua função, a de divulgar para todos os meios possíveis as notícias dos seus clientes.
Essas mesmas agências convidavam os jornalistas para diversas iniciativas, fossem pequenos-almoços de trabalho, conferências de apresentação, briefings, enfim, o que lhe queiram chamar.
E no final, raramente eram os que não nos entregavam uma pequena lembrança, que nos tempos das «vacas gordas» chegavam mesmo a ser um modelo do telemóvel apresentado ou até um prato assinado por Paula Rêgo (acreditem, tive um mas como não é artista que aprecie, ofereci-o a um colega).
As «ofertas» eram de tal ordem, que alguns jornais nacionais obrigaram os seus jornalistas a assinarem um termo em que se recusavam a receber fosse que prenda fosse. (Um pouco à semelhança do que o ministério da Saúde quer obrigar os médicos a fazer, se bem que também já tendo trabalhado nessa área, não percebo se isso se limita aos possíveis ovos e galinhas com que os doentes passem a pagar a consulta ou também às prendas que são dadas aos participantes de congressos, mas este não é o tema do meu texto).
Como é óbvio, se um jornalista vai numa semana a três apresentações de três telemóveis de três empresas, e duas destas lhe dão um exemplar desses telemóveis, não acham evidente que mesmo, mesmo subliminarmente, os artigos vão sair um bocadinho diferentes?
Claro que o leitor não perceberia isso à primeira vista mas a marca (e as concorrentes) iriam de imediato perceber que algo se passava.
Código Deontológico e de ética? Sim, para aqueles que sabem o que isso é.
E isto pode aplicar-se a muitos aspectos da área do jornalismo.
Mas claro que, como diz o ditado português, «há muitas maneiras de matar moscas» e nem todas são tão directas como o spray insecticida. E essa mesma “pressão” pode ser exercida de muitos modos: palmadinhas nas costas, promessas de futuros apoios, homenagens, enfim, um manancial para quem saiba jogar as suas cartas.
Mas por vezes é preciso não esquecer uma das regras da vida muito importante: não há almoços grátis.

Ps: artigo de opinião publicado no Diário do Distrito.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os “amigos” não são só para ocasiões

 
As eleições europeias aproximam-se a passos largos. Neste momento todos os partidos que concorrem andam num lufa-lufa de campanha, apresentando os seus programas, as suas linhas orientadoras, as suas promessas.
Caravanas, panfletos, cartazes, fotografias, brindes, jantares e convívios são alguns os meios escolhidos para essa campanha.
E claro, os sempre presentes emails para os meios de comunicação social, no intuito que todas as suas iniciativas sejam divulgadas e cobertas jornalisticamente, tal como define a Comissão Nacional de Eleições.
Da parte do meu jornal, já há alguns anos que optámos por não divulgar qualquer campanha eleitoral.
Entendemos que um órgão de comunicação não pode servir aos partidos políticos apenas quando há interesses de campanha.
Existem diversos problemas que os órgãos de comunicação social enfrentam, não sendo deles o menor a questão económica, mas são poucos ou nenhuns, os partidos políticos que se debruçam sobre o assunto.
E muitos deles até parecem querer entender que os órgãos de comunicação social existem unicamente para lhes servir como meio de campanha em qualquer altura, tendo de disponibilizar o seu espaço e jornalistas para seguirem iniciativas que realizam ou para textos que entendem que devem ser publicados.
Sim, há legislação sobre a divulgação da campanha, mas há também legislação para que os partidos políticos possam ajudar sob a forma de publicidade os jornais.
Refere a Comissão Nacional de Eleições que o Decreto-Lei n.º 85-D/75, de 26 de Fevereiro, que regula o tratamento jornalístico que deve ser dado às candidaturas, indica que durante o período da campanha «apenas serão permitidos, como publicidade, os anúncios, que perfeitamente se identifiquem como tal, de quaisquer realizações, não podendo cada um desses anúncios ultrapassar, nas publicações diárias de grande formato e nas não diárias que se editem em Lisboa e no Porto, de expansão nacional, e também de grande formato, um oitavo de página, e nas restantes publicações, um quarto de página».
Além disto, temos a discrepância entre o apoio estatal que é dado à comunicação social.
Refere o Correio da Manhã: «Os tempos de antena no âmbito da campanha para as eleições europeias do próximo dia 25 de Maio vão custar aos cofres do Estado 2,1 milhões de euros, segundo dados do Ministério da Administração Interna, onde se adianta que as televisões generalistas recebem 73% do montante atribuído com RTP, SIC e TVI a receberem um valor acumulado de 1,6 milhões, que serão depois divididos de acordo com as audiências registadas no período da campanha. As rádios nacionais irão receber 500 mil euros e as regionais 73 mil euros.»
Nisto tudo, onde ficam os jornais, sobretudo os regionais? Os que têm de pagar as deslocações dos seus jornalistas? Os que têm de pagar o papel, a impressão, a distribuição?
Pois. Por tudo isso, da parte do meu jornal, decidimos não fazer campanha.
Se calhar, se esta atitude fosse tomada por todos, os partidos políticos e o próprio Governo teriam de reformular a forma como encaram a imprensa na comunicação social. É que os «amigos» não servem apenas para as ocasiões, mas parece que poucos são os partidos políticos que em campanha eleitoral se lembram deste pressuposto.
Ou não se querem lembrar.
 
Ps: artigo de opinião desta semana no jornal Diário do Distrito

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A mentira e a «perna curta»


Diz o nosso povo e muito bem, que «mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo».
Já aqui por várias vezes denunciei um mentiroso e agora vou fazê-lo novamente porque infelizmente,
a cada dia que passa, assistimos ao aumento dos mentirosos. E estes já não têm vergonha nenhuma em se apresentar, até orgulhosamente, como os mentirosos que são.
Seja publicamente, dando o dito por não dito, ou tentando descaradamente passar atestados de estupidez a quem neles confiou o destino de um país, quer seja mais sub-repticiamente, fazendo-se passar por aquilo que não são, ou criando a ilusão de que têm algo que nunca existiu.
Dos primeiros não é preciso falar muito mais. Independentemente da cor política de cada um daqueles que estão a ler estas linhas, poucos serão os que podem dizer que este ou aquele partido cumpriu, em todos os efeitos para os quais foi eleito, a totalidade das promessas feitas.
Todos os dias ouvimos alguém dizer que não se aumentam impostos, e eles a subir. Que não se vão deixar pessoas sem rendimento mínimo, e corta-se nas pensões, nos subsídios e nos ordenados. Que não se diminuirá o direito à educação e à saúde, e encerram-se escolas e Centro de Saúde. Creio não ser necessário continuar.
O que quero realmente falar é dos mestres de ilusionismo, daqueles que acham que podem enganar toda a gente, durante todo o tempo.
Tomemos como exemplo alguém de uma empresa que se faz passar por outra empresa similar, e assim vende um serviço. Oue então que preste o dito serviço sem autorização do cliente.
Parece impossível que se consiga vender «gato por lebre», mas garanto que é possível.
São os tais «ilusionistas» de que falo, com os quais me tenho deparado neste mundo da comunicação social local e regional.
Claro que arriscam a que o cliente, logo que se depare com a marosca, diga que afinal não paga o serviço que não solicitou.
E aí a resposta passa por duas formas de «atacar»: ou pedem desculpa, dizendo que afinal foi uma “manobra” de alguém que até já lá não está, ou avançam com o envio de facturas e ameaças para exigir o pagamento de algo que nunca foi acordado.
Mas no fundo o que estes ilusionistas pretendem é tão somente iludir potenciais clientes com a mentira de que «até temos mais clientes que os restantes» ou «eles eram clientes dos outros, mas agora são nossos», mesmo que as empresas que assim apresentam nem sequer façam a mínima ideia de que são “clientes” de tais ilusionistas. 

E há depois outro tipo de ilusionistas, os que sem nada ter, de tudo aparentam ser senhores.
É o caso de alguém que não tem um jornal mas finge que tem, iludindo alguns com uma mera imagem que para os incautos passa por ser uma capa de um jornal verdadeiro, isto porque usa a imagem de pessoas bem conhecidas da sociedade, na certa sem o seu conhecimento, para garantir que consegue passar por verdade.
Parece também impossível? Garanto que não o é, basta pesquisar um pouco muito perto da zona de onde vos escrevo.
Mas já nos vamos apercebendo que neste mundo, seja ele da comunicação social ou não, os espertos e ilusionistas vão sempre conseguindo safar-se.
Seja porque a mentira até é bem burilada ou seja porque há mais gente que embora se considere inteligente ainda consegue (ou quer) ser enganada, o certo é que os ilusionistas andam por aí.
Mas até o Houdini falhou um truque…
 
PS - Este foi o meu texto desta semana para o Diário do Distrito, que em poucas horas recebeu mais de 50.000 visitas.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Revolucionar a Revolução?


Se há tema incontornável esta semana, é a passagem de quarenta anos sobre a Revolução dos Cravos, à semelhança de outras datas como o Natal, a Páscoa ou a Passagem de Ano. Podemos até nem gostar, mas sentimo-nos obrigados a dizer algo.
E infelizmente, no caso da Revolução de Abril, cada vez mais essas celebrações parecem fazer-se apenas para marcar a data no calendário, num cenário consumista, em que o verdadeiro valor da revolução se perde nas decorações também em vermelho, mas desta feita sob a forma de cravos.
Antes de celebrar, devemos olhar em redor e interrogar-nos afinal o que temos hoje para festejar?
E atenção, não estou a criticar (e como «filha da Revolução» nunca o poderia fazer), esse grande momento que mudou para sempre a vida de Portugal, um país de que me orgulho acima de tudo (o que desprezo é quem ao longo dos anos o transformou num colonato de grandes senhores).
Critico sim os cínicos festejos de uma data que para muitos deixou de fazer sentido, ou melhor, tentam a todo o custo que deixe de fazer sentido.
Critico os festejos à base de música de dança, courato e cerveja, foguetório e discursos, com ramos e ramos de cravos pelo meio e politiquices baratas.
Já o dizia José Barata-Moura, que «cravo vermelho ao peito, a muitos fica bem».
Por um lado, é fácil discursar-se com barriga cheia, fazer as festas para o povinho, chegar ao palanque e falar que estão ou estiveram no Governo e deixaram o país chegar a este ponto.
É fácil fazer grandes festas e lançar foguetes, gastando-se o que não se tem, e depois fechando os olhos e os ouvidos aos credores que ficam à porta. Encher a boca com a crise e a falta de apoio do Governo, e depois ignorar ostensivamente quem realmente precisa de ajuda.
Por outro lado, ninguém é cego que não veja que todos os direitos que foram conquistados com a Revolução dos Cravos estão, ao fim destes quarenta anos, completa e absolutamente, em perigo.
O direito ao trabalho e à segurança no emprego, a liberdade de organização, de reunião e de manifestação, o direito à greve e à negociação colectiva, o direito à saúde, à segurança social e à educação, são conquistas consagradas na Constituição da República Portuguesa. 
Todos eles foram, nos últimos anos, alvo de um qualquer tipo de ataque, sob uma fórmula de resgate e de austeridade que ninguém ainda teve o cuidado de explicar por miúdos.
Antes nos atiram com medidas adicionais de redução de rendimentos, mais impostos, menos direitos, o encerramento de serviços essenciais à população, uma justiça que serve apenas os interesses económicos, o controle apertado sobre a comunicação social, a degradação do Serviço Nacional de Saúde e uma educação que sobrecarrega professores, e exclui o ensino de qualidade em nome de estatísticas.  
Podemos até questionarmo-nos para que serve afinal esse documento chamado Constituição Portuguesa, se todos os pontos que ali estão definidos podem, a qualquer altura e por uma qualquer entidade, ser cilindrados por uma qualquer alínea de um obscuro decreto-lei.
Os direitos e os valores de Abril são conquistas em que acreditaram os que tudo fizeram para criar um Portugal livre.
Um Portugal que agora, em 2014, está ameaçado por poderes ainda mais obscuros e terríveis, quiçá até do que os que governavam há quarenta anos atrás. Porque pior do que um escravo viver na sua escravatura, é um escravo que não deixa de o ser, embora sob a ilusão de que vive em liberdade.


 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Celebrar o quê?




Confesso que tenho andado um bocado cansada de tudo o que me rodeia. 
Da hipocrisia dos políticos, que fazem tudo o que lhes apetece; das medidas que são tomadas; de um povo que grita por Liberdade mas perde mais tempo a discutir futebol do que a pensar, e ainda de uma vida de luta por tudo o que acreditamos mas que não nos leva a nada.
Em breve se vão celebrar, com pompa e muita circunstância, os quarenta anos do 25 de Abril. E ouvimos uma perua enxuflada a dizer que se os capitães de Abril não querem estar presentes nas comemorações, o problema é deles.
Mas aposto que, há semelhança do ano passado, na manhã de 25 de Abril, serão apenas uma meia dúzia de pessoas que se irá levantar e apresentar algum protesto à porta da Assembleia da República, porque se o ano passado estava quente o suficiente para ir para a praia, este ano será o frio a ditar que se fique no aconchego da cama.
E ouvimos também outra perua a dizer que os desempregados deviam era passar mais tempo a fazer voluntariado em vez de andarem a brincar na Internet. A mesma perua que há uns meses dizia que os portugueses não podiam comer bifes todos os dias.
A mesma perua que recebe em casa o melhor que o povinho lhe dá, devidamente ensacado em sacos do Banco Alimentar, e levado até à sua casinha, alimentando os seus filhinhos, por esses mesmos voluntários que a perua queria que fossem mais.
E depois ouvimos ou lemos algures que o RSI foi tirado a milhares de pessoas porque elas, pasme-se, tinham contas com milhares de euros. E claro que as assistentes da Acção Social local ou da Segurança Social, nem se deram ao trabalho de investigar alguma coisinha sobre as pessoas que ali se dirigem a pedir os RSI. Ah, não, os pedidos de papelada e as burocracias estão unicamente reservados para os desempregados portugueses, os que descontaram durante anos, os que pagaram os seus impostos, os que ao fim de uma vida de trabalho, se vêm obrigados a recorrer ao Estado, a quem pagam as mordomias, para poderem sobreviver. Sim, porque esses é que são os bandidos, não os que vivem em casas pagas pelas autarquias, recebem abonos e rendimentos, não pagam impostos sobre vendas e conduzem Mercedes.
E ouvimos ou lemos que as crianças deficientes viram-lhes ser retirados apoios, aulas especiais e até abonos, porque é preciso que os senhores deputados e quadrilha afilhada não percam os seus benefícios de deslocação nem deixe de receber os subsídios de representação
E ouvimos ou lemos que cada vez mais idosos deixam de comprar medicamentos, ou bens de primeira necessidade, para que os ex-deputados e os ex-administradores da RTP ou outras empresas estatais não deixem de receber as suas reformas.
E ouvimos ou lemos que cada vez mais crianças vão com fome para as escolas, para que os partidos políticos não deixem de ter os seus financiamentos durante as campanhas eleitorais, e que tudo isso não passa de má gestão do tempo dos pais, como disse a perua de que já falei antes.
Ando cansada de ouvir e de ler tudo isto. Ando cansada de ver um país de gente que agora se vai engalanar de cravos vermelhos, mas que prefere discutir com a vizinha de cima sobre o cheiro a sardinha assada nas escadas ou sobre o árbitro no jogo de domingo, no café, do que tomar alguma acção concreta.
Ando cansada.

sábado, 29 de março de 2014

Sonho de bufo

Duas situações me levam a escrever este texto.
Um documentário sobre uma família da Roménia de Ceausescu e o livro «O Pavilhão dos Cancerosos», de um autor russo.
O que é que estas duas coisas têm em comum?
Ambos se passam em países de regimes comunistas.

«Somos todos vítimas de um regime que nos obrigou a virar-nos uns contra os outros» diz a filha do “dissidente político” de que fala este documentário, que vivia na pequena aldeia de Draganet.
O documentário passou hoje na BBC World News sobre uma família perseguida pelo regime comunista na Roménia.
O marido, reparador de televisões e rádios, iniciou um percurso semelhante aos resistentes comunistas em Portugal, durante a ditadura, espalhando panfletos sobre a situação em que viviam, que obrigava a filas de horas para  comprar um pão, enquanto Cheuseuco vendia a produção de cereais do país ao estrangeiro.
Foram perseguidos, presos e torturados. A família foi perseguida, telefones sob escuta, relatórios infindáveis sobre o que faziam no dia-a-dia, amigos e familiares sob pressão para não falarem com eles ou ajudarem de que forma fosse, incluindo com comida, cartas abertas e copiadas para os relatórios, perda de emprego e de oportunidades.

Em relação ao livro que estou a ler, passando o choque inicial do título, vão surgindo histórias de vários homens com cancro, mas também de homens que viveram a revolução socialista na Rússia, e os anos sucessivos de formas diferentes.
E vai surgindo um quadro do que foram esses anos. Dos que obtiveram emprego, carro e casa denunciando vizinhos e camaradas e dos que foram denunciados e perderam a juventude e a vida num campo de trabalho, dos que acreditavam com todas as suas forças no regime em que viviam, nos que queriam pensar e não podiam, quase todos no final com o mesmo destino forçado pela doença.

 Vem isto a propósito de alguns comentários que tenho lido em redes sociais de quem defende com unhas e dentes determinados tipos de regime, querendo a toda a força eliminar a verdade deste passado, cuja realidade, pela sua idade ou por nunca terem saído de Portugal, desconhecem totalmente.
Mas por uma questão de ideologia, mantêm a sua visão de factos que nunca viram nem vivenciaram.

No entanto, se não viveram o passado, podem agora seguir o que acontece em certos regimes ditatoriais através do que é divulgado para o mundo.
Mas não, essas mesmas vozes entoam bem alto que aquilo que, e cá vamos nós, a comunicação social passa para o mundo não é a verdade.
Que os que lutam contra certos e determinados regimes são terroristas, pagos por outros países ou afins. Que toda a gente vive e sempre viveu feliz nestes regimes.
Que afinal, só a democracia (porque elege sempre os mesmos) é que é uma verdadeira chatice.

Acredito que essas pessoas adorariam viver num país onde, pela sua cobardia e falta de escrúpulos, pudessem submeter os restantes à pressão de ditadorzinhos que não deixariam de ser, sobretudo se com isso ganhassem estatuto, dinheiro ou bens e privilégios que nunca escasseavam para a elite ou para membros mais “protegidos” dos regimes.
Fica bem a alguma gentalha a farda de bufo.

sábado, 22 de março de 2014

Louvor à mediocridade

«Gaba-te, cesta, que vais à vindima», já o dizia a sabedoria dos nossos avós…
Todos temos o direito em nos gabarmos, quando realmente atingimos algo excepcional, e essa auto-promoção até resulta quando é feita com classe, com uma certa ironia e até humor.
Mas quando o que se gaba é nada menos que o vulgar ou ainda, a mediocridade, isso não passa de simples gabarolice, roçando a arrogância e a mania de superioridade.
À falta de terem quem diga como são maravilhosos, excelentes profissionais ou os «melhores» da praça, os gabarolas têm de o fazer por si próprios, tentando convencer-se a si mesmos e aos outros que valem alguma coisa.
E isto acontece sobretudo no dia-a-dia profissional e em todas as profissões.
No caso do jornalismo, qualquer jornalista que se preze procura ser o primeiro a informar, a obter o chamado «furo», a ser o primeiro a chegar a qualquer local e conseguir a mais completa informação para os seus leitores/ouvintes/telespectadores.
É essa a razão principal do jornalismo. Cabe-nos a nós, jornalistas no verdadeiro sentido da palavra, obter as informações e proporcioná-las através do meio para o qual trabalhamos. E trabalhar afincadamente para que isso aconteça.
 A esta, acrescente-se o orgulho profissional de fazer com que o meio de comunicação para o qual trabalha seja reconhecido pelos seus leitores, como o mais actual e o que melhor informa.
E são os leitores que realmente dizem se tal órgão é ou não um verdadeiro meio de comunicação social.
Não a gabarolice.
Claro que fica sempre bem dizer que se tem um exclusivo, quando tal é verdade.
Agora de uma qualquer noticiazinha fazer um estrondoso festival porque se obteve este ou aquele dado mais cedo que os restantes?
Mas por outro lado, não se preocupam com a falta de honestidade precisamente no que toca concorrência desleal que praticam para com os outros órgãos de comunicação, destruindo todo o mercado publicitário onde laboram, fazendo-se até passar por quem não são. 
Isso significa apenas que durante todo o resto do tempo de trabalho ou de existência de tal meio de comunicação, nunca tal feito foi alcançado, limitando-se talvez ao «copy - past» de informações veiculados por outros órgãos.
Ou que se têm tão pouca fé no trabalho realizado, que só alardeando o que poderá até ter sido um feliz acaso, se convence e tenta convencer os outros de que são os melhores.
São os chamados «pavões». Infelizmente, ao contrário destes lindos animais, pouco ou nada têm para apresentar senão os seus esforços patéticos.
Muitas vezes, esses esforços até podem ser divertidos para quem os vê, e fazerem surgir um sorriso de esguelha, como fazemos quando vemos certas traquinices dos nossos gatos ou cães.
Mas com o passar do tempo, a sua repetição e lendo nas entrelinhas do verdadeiro motivo para tal, a falta de lealdade e de respeito, tornam-se abjectos.
Melhor seria que por vezes se relesse o Código Deontológico do Jornalista e se revessem as formas de conduta. É que ser grande não significa que se tem mais qualidade. E quem muito alto sobe, de muito alto cai.
 
PS - Mais uma das minhas contribuições para o Diário do Distrito.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Silêncios


Estamos a poucos dias de celebrar quarenta anos sobre a revolução que, supostamente, mudaria Portugal para melhor. Que traria paz, pão e habitação para um país que vivera, precisamente durante cerca de quarenta décadas, sob uma ditadura.
E um dos temas que mais marcou a época ditatorial foi a falta de liberdade de imprensa.
Como jornalista, esse sempre foi um tema caro para mim. Um tema que me fez comprar livros sobre o famoso lápis azul e, sobretudo durante os meus tempos de estudante, me fazia pensar: “felizmente vivemos numa democracia, onde os jornalistas não são perseguidos”.
Quão inocentes podem ser esses nossos “sonhos” de juventude.
Chegada ao mercado de trabalho, deparo-me com políticas de silêncio impostas pela entidade patronal. «Se fulano não faz publicidade, não é referido nesta revista» ou uma frase que ainda conto em jeito de anedota: «Tem de fazer um texto sobre o sexo, mas sem focar o tema directamente»… se uns até percebo hoje, enquanto empresária, outros ainda me deixam boquiaberta por tudo o que um jornalista tem de vivenciar.
No entanto, anos passados sobre isto, deparo-me agora com um novo muro de silêncio.
Daqueles praticamente inexpugnáveis.
Durante os meus anos de jornalista, sempre que visitava um site de determinado ministério, habituei-me a ir a uma página específica e ali encontrar os dados necessários para contactar o departamento de imprensa, de comunicação, até de marketing. Conhecia os assessores pelos nomes, tínhamos os números de telemóvel, despedíamo-nos com saudade quando mudavam de emprego ou mudava o executivo do ministério, e sabia sempre a quem me dirigir.
Agora, quase quarenta anos depois do fim da tal ditadura, os jornalistas voltaram a encontrar um muro de silêncio em relação ao Governo e seus ministérios.
Se quero obter informação de um qualquer ministério, ou tenho a sorte de conhecer alguém que conhece alguém que até sabe quem é o assessor (e note-se que isto não é garantia de que obterei a informação ou o depoimento), ou então tenho de «submeter o questionário», sem saber a quem, se foi recebido e lido.
De uma coisa tenho a certeza, esta não é nem nunca será a forma correcta de um governo lidar com a comunicação social.
Se querem silêncio, assumam isso. Digam preto no branco que não falam, que não comentam, que não querem que os chatos dos jornalistas se metam nesses assuntos. Mas não gozem com o trabalho dos outros. Até porque não será muito difícil descobrir o número de assessores de imprensa e de membros dos respectivos gabinetes e quanto recebem. Por quase nada.

Gostaria de terminar o meu texto por aqui, mas infelizmente este muro de silêncio não se limita ao Governo.
Sentimos também isso, e falo no plural porque este é um tema recorrente que nós jornalistas, costumamos falar, com as Câmaras Municipais. Ou melhor, com alguns assuntos nas Câmaras Municipais.
Eventos e declarações políticas? «Com certeza, caros senhores, terão as declarações que desejarem.»

Explicações ou esclarecimentos sobre outros aspectos menos positivos? Silêncio.
Apenas uma última nota: neste ponto final, não incluo os departamentos de comunicação das autarquias, que sempre compreendem as nossas necessidades e tudo fazem para «romper» esse muro de silêncio.

P.S. - Esta foi mais uma das minhas crónicas no Diário do Distrito.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Crónica de opinião no Diário do Distrito



Um convite que não podia recusar, publicar estas minhas (e outras) crónicas no mais importante diário da região de Setúbal, o Diário do Distrito, com quem o meu jornal já tem uma parceria jornalística há algum tempo.


http://diariododistrito.pt/index.php?mact=News%2Ccntnt01%2Cdetail%2C0&cntnt01articleid=1576&cntnt01origid=84&cntnt01returnid=79

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Descubra as diferenças


Descubra as diferenças:
No dia 21 deste mês, enviei um email para a Câmara Municipal do Barreiro, sobre a situação da Rua da Paz, que se encontra bastante degradada.
Hoje, dia 25 de Fevereiro, recebi um email de Cláudia Bernardo, do Gabinete da Vereadora Sofia Martins, a agradecer o contacto, a agendar uma intervenção e a pedir desculpa, explicando que nem sempre é possível à autarquia reparar de imediato, devido a diversas contingências.

No dia 5 de Novembro de 2013, enviei um email à Câmara Municipal do Seixal sobre a colocação de pilaretes na passadeira na Avenida General Humberto Delgado, a única passadeira do concelho onde tal "intervenção" é completamente despropositada, e que serviu apenas para retirar aos moradores seis lugares de estacionamento.
Hoje, dia 25 de Fevereiro de 2014, ainda aguardo a resposta.

PS: e para não acharem que só digo mal... no dia 25 de Outubro de 2013, enviei um email à Câmara Municipal do Seixal sobre os cortes no abastecimento de água. Recebi uma resposta no dia 17 de Fevereiro de 2014, onde me foi explicado o processo.
Como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.