quarta-feira, 21 de março de 2018

Miau Miau


É verdade. Mais um passo nesta minha vida de jornalista. Agora um convite para colaborar na nova revista Miau.

A mim, uma gateira assumida, fazer parte de uma revista dedicada aos gatos, é o paraíso!!

Como é óbvio, o meu percurso com o Diário do Distrito continua, afinal é a minha segunda casa e família, com um número crescente de seguidores no facebook, com um crescente reconhecimento pela informação que damos, a ponto de já sermos alcunhados como a ‘Lusa’ da margem sul, mercê do trabalho de uma equipa fantástica.

Mas a Miau vem preencher um cantinho de mim que ainda não estava completo: escrever sobre animais, e sobretudo, os gatos; quem deles cuida; sobre eles e tudo o que lhes diz respeito.

Já participei na edição número 2, com a entrevista ao Tim Vieira, um dos shark do programa Shark Tank, e com o grupo motard 2 Rodas Solidárias, que levou mesmo a um protocolo entre a Miau e o Grupo.

Tudo isto me enche de orgulho e me satisfaz plenamente a nível profissional. E venham ainda mais :-D

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ela tarda, mas não falha


Depois de um interregno que vem desde a Páscoa (o tempo realmente passa a correr), aqui estou de novo a escrevinhar.

Nos últimos dias tive a prova de algo que sempre me ensinaram: é que as voltas da vida podem parecer estranhas, podemos estar em baixo num momento, mas no outro vemos que a justiça, senão terrestre pelo menos a 'divina', tarda mas não falha.

Primeiro foi um certo tipo que tentou chatear-me porque não gostou de ter ver desmascarada uma mentira que escreveu para um jornal auto-intitulado "de referência" a nível nacional, e de ter levado para contar, porque ouviu aquilo que eu tinha para lhe dizer já há alguns anos.

Já dizia o meu pai: não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu, e este, que veio de uma casa onde para receber amigos nem tinha cadeiras que chegassem, julga-se hoje um grande senhor da comunicação social, com jornais mantidos através de reportagens, noticias e fotos roubadas descaradamente a outros; com falta de pagamento de ordenados e de descontos, o que levou até a que uma das suas colaboradoras tivesse a reforma penhorada; ou ainda a roubar ainda mais descaradamente anúncios, colocando-os nos seus jornais, sem que as pessoas soubessem sequer que os jornais existiam.

O esquema deste tipo passa por enviar depois as facturas às pessoas desprevenidas, que ou pagam, julgando tratar-se do anuncio colocado no jornal ao qual realmente contrataram a publicidade, ou reclamam.

Se o fazem por escrito, a resposta que levam é uma carta ameaçando com o contencioso caso não paguem. Se por acaso conseguem falar com o aldrabão, recebem como resposta um "isso foi um vendedor que já cá não trabalha, não se preocupe", porque a cobardia é o nome do meio deste tipo.

Digamos, como resumo da 'ópera', que deu para o lado errado ao tentar vir para o meu lado com uma abordagem à 'bandarilheiro', porque saiu-lhe um touro em pontas (perdoem-me, a mim uma anti-touradas declarada, esta metáfora).

Por outro lado, e curiosamente também ligado ao tal jornal auto-intitulado "de referência" a nível nacional, e desta feita ao nível nacional, um escrevinhador com quem me cruzei no passado, e do qual não guardei qualquer boa memória enquanto empregador, está agora exposto na praça pública por tudo aquilo que um suposto jornalista e ainda por cima director-adjunto do tal jornal auto-intitulado "de referência" a nível nacional não pode ser.

Outro dos ditos antigos e com cada vez mais sentido é aquele que afirma: podemos enganar alguns durante algum tempo, mas não se pode enganar toda a gente o tempo todo.

domingo, 16 de abril de 2017

Coelhinho de Páscoa

A todos os que têm visitado este meu cantinho, uma Páscoa Feliz.

quinta-feira, 2 de março de 2017

«O presidente dos afectos»


A minha profissão tem destas coisas, visitar certos locais e acompanhar ainda algumas pessoas.
Ontem estive na Casa dos Marcos - Raríssimas, na Moita, um espaço que recebe utentes com doenças raras ou raríssimas, fruto do sonho de uma grande Mulher, que assim cumpriu o último desejo do seu filho, também ele vítima de uma dessas doenças.

Acompanhei a visita de Marcelo Rebelo de Sousa, que recebeu das mãos destes jovens uma t-shirt com uma frase que confirma precisamente o que penso deste homem: 'Marcelo, um presidente raro'.

O carinho que vi ontem na sua visita, na interligação com os jovens, nas brincadeiras que encetou, nas conversas que manteve com um dos jovens que fez questão de o acompanhar durante toda a visita, na forma carinhosa como foi conversando com ele, aceitou as suas prendas e remoques, e até desenhou para uma das utentes, é algo que me tocou profundamente.

Não é uma imagem para as câmaras, que a determinada altura foram praticamente ignoradas, nem uma pose para 'mostrar'.

É uma forma de ser e estar genuína. Ninguém aguentava a fingir durante as quase duas horas que durou esta visita, lidando com miúdos muito, muito especiais.

Quase no final da visita, as funcionárias insistiram para que visitasse a capela, mas o staff insistia para que a visita terminasse, tendo em conta que o aguardava Ruy de Carvalho para uma merecida homenagem.

Perante a insistência das funcionárias, Marcelo Rebelo de Sousa tem uma resposta hilariante: Bem, se o Ruy de Carvalho já chegou aos 90 anos, pode esperar um bocadinho mais por mim, para ir ver a capelinha... e lá foi, fintando staff, jornalistas e motoristas...

Cá fora ainda deu autógrafos e acedeu satisfeito ao pedido de uma selfie de dois bombeiros da Moita.

E lá seguiu para Lisboa, depois para o Porto e ainda para Madrid, conforme explicou ao jovem João, para justificar o facto de não poder jantar na Casa dos Marcos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Lutar por mais e melhor

Esta semana o Diário do Distrito alcançou e já ultrapassou os 25.000 seguidores no facebook, mais precisamente estamos ao dia de hoje com 25.149 fãs.

Dizer que me sinto orgulhosa, é pouco. Estou Orgulhosa porque sei que este resultado é fruto do meu trabalho, mas também de uma equipa de profissionais, que procuram sempre fazer o verdadeiro jornalismo, algo que cada vez se vê menos por aí.

É um trabalho muito exaustivo, mas de grande prazer.

Ainda um destes dias me perguntavam se não me sentia cansada, ao que respondi que sim, mas feliz. Feliz e viva! Esta foi a profissão que escolhi e pela qual tenho lutado nos últimos vinte anos da minha vida.

Claro que não é um caminho sem escolhos, temos enfrentado um pouco de tudo, desde bloqueios de autarcas e políticos a quem não agrada que se exponha a verdade, algumas tentativas de sabotagem por falsos jornalistas, até ameaças e agressões por escumalha que não sabe o que é educação.

Mas tem sido fantástico enfrentar tudo isto com uma equipa que não tem apenas o espírito de 'colegas' mas sim de verdadeira Família. E assim todas as pedras do caminho são fáceis de desviar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diário do Distrito em primeiro!!!


 

Os dados não enganam.
Orgulho de ser membro desta equipa que me recebeu de braços abertos composta por verdadeiros profissionais.

«Os dados do ranking NetScope de tráfego web da Marktest para o mês de dezembro de 2016 indicam que o jornal online Diário do Distrito subiu cinco posições no mês de dezembro face ao mês anterior.

Diário do Distrito aumentou, mais uma vez, a sua audiência média mensal com cerca de 254 mil pessoas por dia.


O jornal online do distrito de Setúbal sobe assim a 46ª posição, ultrapassando as rádios nacionais Cidade e MegaHits.

A mesma fonte de audiometria informa também que o Diário do Distrito é escolha preferencial na região de Setúbal, Alto Alentejo e Lisboa.

No que toca aos jornais regionais, à frente do Diário do Distrito está apenas o Diário de Notícias Madeira que também é distribuído em papel nas regiões de atuação.

O Diário do Distrito passou, pela primeira vez, o Açoriano Ocidental e é o jornal que está em primeiro lugar nas preferências dos leitores a nível regional.»

Em nome de toda a redação, jornalistas, fotógrafos, operadores de câmara e demais colaboradores, agradecemos a sua preferência.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Boas Festas!


E mais um Natal se aproxima, e um ano termina.
Um ano muito especial este, em que deixei uma 'coisa' que me prendia todos os movimentos, para integrar a cem por cento uma equipa fantástica, que já conseguiu levar o Diário do Distrito a ser o quinto jornal regional mais lido do país, segundo os dados da Marktest.
Uma equipa, que ao contrário do que certas... pessoas tentam dizer por aí, é constituída por profissionais reais, por jovens e menos jovens jornalistas que vestiram a camisola por aquilo que acreditam.
E regressei, de novo, a um jornal que não está vendido aos poderes instalados.
Fazemos o trabalho que temos de fazer, sem medos, sem constrangimentos e sem amarras.
Não somos boletins municipais (como alguns que já se esqueceram que no passado muito criticaram quem também se vendeu).
Não nos vendemos. Não nos calamos.
A foto que partilho é a da equipa do Diário do Distrito (e faltam ainda elementos) na sua festa de Natal.
Uma festa em que finalmente me diverti, em que me senti em família, ao contrário de outras, onde estava apenas para fazer número, sempre com receio de certas atitudes em público de gente descompensada, e em que não tive de aturar queixas embriagadas durante horas após a refeição.
Venha agora 2017 com tudo aquilo a que tenho direito!!!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O fim ou o princípio de uma história


Já o disse inúmeras vezes que o trabalho de jornalista é a melhor e a pior das profissões.
De todas as histórias de que falamos, é necessário olhar tudo de alguma distância, de forma fria e lógica.
Sendo humanos, nem sempre isso é possível. Não conseguimos ficar indiferentes ao ouvir determinados discursos eivados de mentiras, nem impedir que o sangue ferva ao escrever sobre determinados temas.
No entanto, é nossa obrigação faze-lo. São os nossos olhos que vêm a história, é a nossa sensibilidade que escolhe as palavras, é a nossa razão que tece as ideias.
Mas e quando a história nos é próxima demais? Ou quando, ao contrário do que nos dizem todos os manuais e mestres professores, nos deixamos capturar pelos elementos dessa história?
Ao longo destes quase vinte anos de jornalismo, já me aconteceu isso.
Por várias vezes. E de todas elas me orgulho. Sim, há o profissionalismo, mas este nada é sem o lado humano com que também temos de olhar em nosso redor.
Como posso descrever um pôr-do-Sol, sem sentir o calor deste no rosto?
Por isso mesmo dizemos que todas as histórias que escrevemos, levam um pedacinho de nós.
E depois há aquelas histórias que realmente nos prendem, que não terminam quando desligamos o gravador ou guardamos a máquina fotográfica.
Ontem tive essa história.
Depois de ter conhecido um casal paquistanês, devido a uma avaria com o meu telemóvel, escrevi sobre o seu desespero por estarem há dois anos a aguardar vistos de residência e autorização para trazerem para Portugal os seus gémeos de 3 anos de idade.
O casal foi-me mantendo informada do processo e há uns dias, pediram-me que os acompanhasse ao SEF de Setúbal, para os ajudar como intérprete na reunião que lhes foi marcada (tendo em conta que o advogado a quem pagaram não quis ir).
Claro que acedi e confesso que ia muito nervosa, porque acreditava que podia ser o passo final que permitiria a reunião deste jovem casal com os filhos.
Durante uma manhã stressante, fomos conversando, brincando até para afastar o nervoso, com as horas a arrastarem-se.
A determinada altura, uma das funcionárias do SEF que se afadigava com o processo, vendo o nosso nervoso, disse-me: 'O processo dos meninos fica hoje concluído, e vão poder ir busca-los ao Paquistão'.
Virei-me para eles e naquele momento não encontrei palavras, eu que as uso todos os dias.
Como dizer a estes pais que o sofrimento de dois longos anos (em que aguardaram a conclusão do processo) iria terminar ali? Que daqui a dias podiam estar a abraçar os filhos e traze-los para Portugal?
Olhei para eles e creio que leram tudo isso na minha cara. Foi impossível não chorar. E rir de alívio.
À saída do SEF fizeram questão de abraçar as funcionárias, e o pai passou-me os papéis para as mãos. Quando lhe disse para os guardar, respondeu-me: 'Please, por favor, segura-os nas tuas mãos, porque foi a tua força que permitiu que isto estivesse agora a acontecer, e queremos que essa energia continue agora nestes papéis que vão para o Paquistão.'
Em Março estarei no aeroporto à espera dos dois pequenos gémeos, um menino e uma menina, que a mãe irá buscar.
Porque uma história nem sempre termina com a palavra 'FIM'.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O oportunismo dos jornaleiros e dos políticos

 

Hoje vou partilhar neste meu cantinho um texto de Carlos Pires, e um cartoon delicioso de Ricardo Campus, publicado esta semana no Diário do Distrito, na secção Portugal aos Cacos.

Assim vai a maior parte da comunicação social nacional e local, sobretudo quem, durante o meu tempo, fazia questão de alardear ser totalmente independente.

É que mudam-se os tempos, vergam-se as costas mas enchem-se (e muito) os bolsos.

 

«Ao molho e Fé em Deus...
O oportunismo dos jornaleiros e dos políticos
Ultimamente ando a ver algum oportunismo de alguns media que são autênticos órgãos de comunicação das autarquias locais e que servem só o interesse dos autarcas que não querem ou não podem gastar milhares em boletins da sua própria casa e vão aproveitando-se das “lambidelas” que alguns jornaleiros lhes vão dando nos pés
Podia começar este meu artigo de opinião como todos outros, mas como gosto de ser diferente, começo por...
 
ERA UMA VEZ
 
Numa terra longínqua havia um comendador que gostava de se mostrar ao mundo com o seu ar de pavão emproado, mas que certo dia pensou em “comprar” um pequeno caderno de propaganda, para mostrar a todos os seus mais belos e reais prazeres de governação...
 
Podia continuar esta história que muitas vezes é real e que alguns que andam por aí a pregoar que são jornalistas, não passam de jornaleiros de péssima categoria, metaforicamente falando. Ora vejamos, para se ser jornalista é preciso informar e de estar informado, para que depois nas suas peças jornalísticas possa sair um trabalho em que é reconhecido pela classe e o mais importante é, captar o interesse do público em geral.
 
Todos os dias pego em jornais locais, que se pensa serem jornais de mais proximidade das populações, diferentes dos nacionais, mas de diferente só tem o nome, pois alguns são autênticos boletins municipais. O leitor quando começa a ler um desses pequenos jornais, pois de grande só no tamanho, começa a perceber o jogo de interesses que aquele órgão de comunicação social, seja ele diário, trissemanário ou mesmo semanário tem para a política local.
 
Com as medidas de austeridade que o nosso País passou, todos sabemos que os dinheiros públicos em parte são controlados, e que as autarquias não se podem exceder nas tradicionais publicações que tinham, mas também existe outro fator, pois a autarquia não se substitui a um tradicional jornal que por vezes terá uma tiragem de 10 000 exemplares – alguns, nem todos – e que tem o seu leitor assíduo.
 
O jogo de oportunismos começa quando um autarca aposta em certo ponto num qualquer “cavalo de corrida” e depois a certo modo começa a ser ele o próprio a controlar todas as peças que vão sair nessa mesma semana. Quem está a ler neste momento o meu artigo poderá pensar – “como é possível o autarca controlar as peças que possam sair ou não na edição” – muito simples, aposta na publicidade a fim de controlar tudo que possa sair menos positivamente nesses órgãos de comunicação social, aqui está o oportunismo da “coisa”, onde o autarca controla e o jornaleiro vai dando noticias ao sabor de ventos favoráveis.
 
Mas nem todos os media são compráveis, e quando não o são, o problema instala-se em absoluto... Tenho um caso simples, há uma semana atrás quando falava com um amigo meu que é um dos responsáveis de uma publicação de informação, ele estava muito arreliado, pois o departamento comercial desse media tinha sido contactado por uma empresa que por sinal tem no seu conselho de administração, pessoas que são autarcas, e que lhes solicitaram preços para publicitar um evento que iria decorrer a poucos dias.
 
A história prolongou-se e por fim teve que ser o departamento comercial desse media a entrar em contacto para saber se haveria contrato ou não. Ora veio a saber que tinha perdido o contrato com outra empresa concorrente. Claro que o media dele não é vendável a certos “favores políticos” e tem noticiado assuntos que não tem agradado a alguns políticos que não gostam de ver plasmado certos assuntos em público, a resposta da empresa foi que esse órgão de comunicação social não teria sido escolhido pelos membros de administração.
 
Moral da história, para alguns políticos de trazer a “tiracol” mais vale ser engraçado do que cair em graça, porque o que importa não é o interesse da opinião pública para esses autarcas e políticos, mas sim os media acolherem as coisas boas e esconderem debaixo do tapete as menos positivas.
 
Assim vão as parcerias entre os media e os políticos...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Diário do Distrito na listagem Marktest

Os resultados da Marktest de Outubro para o Diário do Distrito que contabiliza o número de vezes que as nossas notícias foram visualizadas.
Apenas a onze lugares do jornal nacional Diário Digital. Têm dúvidas?
Verifiquem.

http://net.marktest.pt/netscope/rankings-netscope/ranking-netscope-de-outubro-de-2016/

Quando a notícia são os animais


No outro dia falava com um autarca do distrito de Setúbal, que também gosta de animais como eu, e dizia-lhe que as notícias que o Diário do Distrito publicava sobre animais, tinham tantas ou mais visualizações do que até noticias de crimes, sempre tão procuradas pelos leitores.
E hoje tive de novo essa certeza, quando publicámos uma notícia sobre uma acção da GNR de Setúbal na Moita.
Mais de 7700 visualizações e dezenas de partilhas em praticamente todos os grupos dedicados aos animais no facebook poucas horas depois de ser colocada online a informação.
Isto é sinónimo da mudança das mentalidades em Portugal, cada vez mais atenta ao bem estar animal, mas também uma mudança no paradigma da actuação das autoridades nestes casos que ainda se repetem em pleno século XXI.
E claro, significa que o Diário do Distrito está cada vez a chegar mais longe porque não é à toa que a Marktest nos coloca como o terceiro jornal regional na área do digital, apenas superados pelo Diário de Notícias da Madeira e pelo Diário das Beiras, e que temos hoje, 23 773 seguidores no facebook.

P.S. - E horas depois, ultrapassámos as 12.500 pessoas, com mais de 100 reacções e mais de 100 partilhas.

sábado, 22 de outubro de 2016

Orgulho!!


Uma das características que reconheço a mim mesma é a minha total entrega ao que faço.
E se conhecem a expressão 'vestir a camisola', já o fiz na verdade... uma amarelo-vivo da Rádio Baia, enquanto entrevistava pessoas nas festas populares.
É assim que sou, não consigo trabalhar por metades.
Essa entrega, que no meu ponto de vista é o que deve ser o profissionalismo, nem sempre tem sido compreendida pelas pessoas com quem trabalhei, causando invejas (cheguei a ouvir nos últimos anos que o meu trabalho até um macaco faria...) porque há quem apenas veja o dinheiro à frente, não se interessando minimamente por qualquer critério de qualidade.

Mas adiante.

O que queria partilhar com quem visita esta minha página são os resultados que periodicamente o Diário do Distrito recebe e também, como a imagem acima, o número total de Gostos que a nossa página tem.
Aqui o mérito é de uma verdadeira equipa de profissionais dedicados a fazer chegar mais longe a informação de um órgão de comunicação social que é já o terceiro regional mais visto online de todo o país (acima, apenas o DN da Madeira e o Jornal das Beiras).
Por isso, repito: tenho orgulho em fazer parte desta equipa!

 
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quando o nosso melhor parece não chegar

Quando escolhi a minha profissão de jornalista, sabia que certos dias seriam mais difíceis que outros, quer pela sobrecarga que alguns têm, quer ainda por certos assuntos e eventos nos tocam no mais fundo do nosso ser.
Há ainda aquelas situações em que a ‘notícia’ nos fica demasiado próxima, como também já me aconteceu. Um acidente em que conhecemos a vítima ou um chão que abate num prédio da nossa rua e em que os técnicos têm de esperar para prestar declarações enquanto despimos a farda de jornalista e ajudamos a acalmar uma das vizinhas que conhecemos desde sempre.
Mas esta é também uma profissão onde nunca deixamos de nos surpreender.
Em quase duas décadas de jornalismo (tantos que já posso renovar automaticamente a minha carteira profissional) estou neste momento com uma reportagem como nunca me surgiu na vida.
Embora o tema não seja novo, a imigração, desta feita sinto sobre os meus ombros um peso acrescido.
É que as pessoas a quem entrevistei colocam quase todas as suas esperanças de resolver a sua situação, naquilo que vou escrever e nas respostas que posso vir a obter. Além disso, esta foi uma situação que me tocou particularmente.
Não apenas por se tratar do caso de pais que estão separados dos seus filhos de tenra idade, como também pela situação que as duas crianças vivem no Paquistão e que me foi relatada pelos pais.
É tão diferente lermos ou ouvirmos que morreram 73 pessoas, 29 delas crianças, em Março deste ano, na distante Lahore, ou que em Quetta, morreram 3 pessoas e 27 ficaram feridas, 2 delas crianças.
É lá longe, num país que nem conheço, com uma cultura que não é a minha. Mas ouvir essas mesmas histórias na primeira pessoa, por quem está afastado dos filhos e sofre por saber que eles estão sujeitos a este tipo de violência, torna toda a nossa percepção da realidade completamente diferente.
E é impossível separar a jornalista da mulher que quer abraçar a outra mulher que chora à sua frente.
É impossível conseguir a frieza suficiente para não se dizer a um pai que esconde as lágrimas que não se irá fazer tudo o que é humanamente possível para ajudar.
E é impossível não nos sentirmos impotentes quando esbarramos nos silêncios institucionais, na barreira do «não há pessoal suficiente», no muro do «têm de esperar que o processo decorra».
Quando ouvimos um «por favor, ajude-nos a trazer os nossos meninos para a segurança», o que pudemos responder?
Apenas um ‘vou fazer o meu melhor’…

http://diariododistrito.pt/index.php/news/6130/126/Mama-baba-porque-nao-podemos-ir-ter-convosco-Mama-baba-why-can-t-we-come-to-you

terça-feira, 30 de agosto de 2016

«Os anos parece que não passam por si»


Quando iniciei a minha carreira como jornalista, já lá vão perto de vinte anos, havia algo que me causava uma certa inveja.
Era a forma como outros jornalistas, já conhecidos na ‘praça’, eram reconhecidos e tratados pelas entidades presentes nos eventos onde ia.
Recordo-me sobretudo de, durante uma campanha eleitoral, um político nacional bem conhecido chegar ao local da conferência e perguntar em tom de brincadeira a uma jornalista de uma televisão «Oh senhora, onde está o resto de si?», porque esta tinha perdido bastante peso.
Secretamente, sempre desejei que um dia chegasse e também me tratassem assim. E esse dia já chegou há algum tempo, felizmente.
Chegar a certos locais, sobretudo no último ano, e as pessoas recordarem-se de mim e do meu trabalho no Rostos e na Popular FM, é sempre um certo aconchego ao nosso ego profissional.
Foi muito engraçado o ano passado, também durante a campanha eleitoral, ter deputados como Nuno Melo a cumprimentar-me e a dizer no meio da comitiva: «Há muito tempo que não a via», ou Nuno Magalhães a fazer uma enorme festa quando soube que era eu quem o aguardava para falar em Cacilhas, recordando à frente de outros jornalistas os almoços que teve no Seixal comigo e com o então presidente da concelhia, João Noronha.
Ainda há dias, num evento no Seixal, um senhor me dizia: ‘ah, já não se deve lembrar, mas passamos uma situação caricata aquando da inauguração do Bairro da Cucena, estava a senhora na Rádio Baía’ e vá de me contar a peripécia, da qual confesso já não tinha a menor ideia, decorridos que estão perto de dezasseis anos.
Hoje em dia é raro ir a algum local sem que alguém me cumprimente e troque dois dedos de conversa. Confesso que sinto o meu ego bastante «inchado» com tais demonstrações.
Vem isto a propósito de, recentemente, numa das minhas reportagens ao serviço do Diário do Distrito, uma senhora com um cargo numa autarquia ter vindo ter comigo e de forma bem engraçada me dizer: «Tirando alguns quilinhos a mais, os anos parece que não passam por si!».
Este carinho por parte das pessoas, e até dos colegas, não tem preço.
Como também não tem preço, como já disse no meu anterior texto, a quantidade de votos de felicidades neste meu novo começo na minha vida profissional, alguns deles feitos de forma pública e registados em acta (LOL), e vindos até de pessoas de quem não esperava.
Por isso, da próxima vez que me olhar no espelho e achar assim a modos que ‘pró gorda’, já sei que a 'vastitude' não se fica a dever ao peso mas sim ao ego.

terça-feira, 19 de julho de 2016

«Pedras no caminho? Apanho-as todas»

Ao voltar a este meu blogue, vejo que já passou quase um ano desde que publiquei pela última vez.
Muita coisa aconteceu nestes meses.
No entanto, e porque sei que há várias pessoas que estão curiosas sobre o que se passou, porque deixei de ser directora (e de pertencer à equipa e SUPOSTA SOCIEDADE) no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra, achei por bem colocar aqui esta publicação.

E também porque o esclarecimento que deixei no perfil do facebook e na página do blogue do jornal foram APAGADOS (e fui bloqueada de ambos e apagados os comentários de pessoas que me defendiam) porque não interessa à 'senhora proprietária do título' que se conheçam as razões que levaram a esta ruptura.

Uma ruptura que se previa há muito, e que muitas das pessoas que comigo falaram nestes dias diziam já estar à espera, admirando-se até pelo tempo que aguentei (NOVE ANOS), mas por muitos anos que vivamos, nunca conheceremos completamente certas 'pessoas'.

Nove anos de sacrifícios, de trabalho de JORNALISTA e de PAGINADORA, para poupar alguns tostões à suposta SOCIEDADE, de gastar o que tinha e não tinha, de pedidos de empréstimos a familiares (até hoje nunca pagos) para aguentar o que nunca foi, sei-o agora, o meu projecto, isto apesar de o jornal ter chegado ao que é hoje fruto do MEU TRABALHO.

Que não existam dúvidas: NÃO ERA EMPREGADA do jornal.

Fui a Unipessoal que manteve o jornal durante dois anos depois do anterior proprietário ter descoberto "certas coisas" feitas pela 'senhora proprietária do título'/directora comercial e ter largado o projecto.

Fui depois, durante cerca de cinco anos, a sócia-gerente da empresa Palavrabsoluta que editou o jornal. Mas devido ao acumular de dívidas às Finanças e afins (pois o dinheiro da publicidade nunca chegava para pagar as contribuições), chegou a uma altura em que não era possível continuar a facturar aos clientes (passando eu a arcar com as dívidas a estas instituições).

Optou-se então por uma Unipessoal em nome da 'senhora proprietária do título' para não deixar morrer o projecto do jornal.
A partir daí, Novembro de 2014, nunca mais tive acesso a qualquer conta bancária da "empresa", NUNCA MAIS SOUBE QUE VALORES ENTRAVAM E PARA ONDE SAIAM.

As despesas, essas passaram então a ser inteiramente por minha conta, desde a gasolina para me deslocar nas reportagens, para fazer a distribuição do jornal, até para pagar a renovação da minha carteira profissional.

Para pagar um simples café, tinha de pedir dinheiro à minha mãe, que durante estes anos aguentou todas as despesas, emprestou dinheiro à suposta sociedade, fez distribuição do jornal, sem nunca receber sequer dez euros. 

Mas sempre que eu exigia ver as contas do jornal ou ter os dados de acesso à conta bancária. era acusada de não confiar na tal 'gestão', de ser uma pessoa a quem só interessava o dinheiro e não o projecto em si.
Estupidamente, fui deixando as coisas passarem.

Há um ano, fui convidada para colaborar com o Diário do Distrito, por pessoas amigas de longa data. Aceitei porque gosto dessas colaborações e por algum apoio que recebia. Claro que falei com a suposta «sócia» sobre isso, porque nunca fiz nada pelas costas de ninguém, ao contrário do que me foi feito durante estes anos. E assumi sempre que nunca poria essas colaborações à frente do jornal, chegando a recusar trabalhos (com prejuízo para mim!!).
Já o jornal beneficiou dos conhecimentos e da parceria que EU CRIEI, quer em termos de notícias, quer sobretudo em termos de inserção de publicidade.
Apenas em duas ocasiões pedi à 'senhora proprietária do título' que fosse tirar fotos para o jornal (para uma publireportagem e para uma entrevista), numa delas porque eu tinha sido convidada a estar num encontro na Feira do Livro como jornalista, o que deixou a 'senhora proprietária do título' absolutamente furiosa.

Mas embora a 'senhora proprietária do título' tivesse concordado com essa minha colaboração, sendo a própria que antes me dizia porque não tentava arranjar uns trabalhos como colaboradora para fazer algum dinheiro, a inveja de ver alguém sair do seu raio de acção, de me ver lidar com pessoas que não giravam em seu redor, de me ver feliz com algo que não estava na sua esfera de alcance, foi demasiado para esta pessoa, que chegou a dizer a várias pessoas que 'não sabia no que iam dar estas colaborações da Carmo!'.

Aumentaram as discussões por tudo e por nada, as 'bocas', as caras fechadas, as tentativas de humilhação em qualquer local, os actos descabidos.

Só um exemplo: em Abril foram feitos novos cartões de apresentação, por insistência minha, porque sempre que ia a qualquer evento, me apresentava como DIRECTORA do jornal (e só depois como colaboradora do DD) e achava que a entrega de cartões do jornal seria uma mais-valia.

E eis senão quando os cartões chegam e NESTES SÓ CONSTAVA O NOME DA SENHORA PROPRIETÁRIA DO TÍTULO e o seu número de telemóvel, a par com o número geral do jornal...

Confrontada com isto, a resposta foi: 'Porquê? Querias lá o teu número? E se querias cartões com o teu nome, pedisses...'
Como se em NOVE ANOS nunca tivessem sido feitos cartões, sempre com os nomes das DUAS (supostas) SÓCIAS. Mas o jornal onde saiu o anúncio da gráfica que pagou esses cartões, foi inteiramente feito, paginado e pago por mim.

Reuniões com presidentes de autarquia, com a nova senhoria, com um cliente para (eu) fazer um suplemento sem receber nada, só podiam ter a presença da senhora proprietária do título, sabendo eu dessas reuniões apenas depois de terem tido lugar.

Já para as 'representações do jornal' que aconteciam à noite, aos fins-de-semana ou feriados era eu que tinha de estar sempre disponível, ou vinha logo um 'não te ralas com o jornal, só queres fazer a tua vida e estar de perna esticada no sofá!'.

Mas claro, as despesas de deslocações tinham de sair do meu bolso porque o dinheiro que ia entrando no jornal SÓ NÃO CHEGAVA PARA ISSO... as despesas tinham de ser assumidas por mim, como 'SÓCIA' do projecto e DIRECTORA do jornal, e essa 'desculpa' servia também para não receber qualquer valor monetário.

Aliás, uma das últimas discussões aconteceu precisamente porque eu comentei que, ao chegarem as férias pelo Verão, não iria acontecer o mesmo que no Natal, em que nem dez euros tirei para mim. Claro que veio logo a conversa do 'não sabes que não há dinheiro!!?'...

Embora não tivesse acesso à conta bancária do jornal, não sou idiota de todo para não fazer um cálculo do que era recebido em publicidade e aquilo que via ser pago, sobretudo em restaurantes, com o cartão 'do jornal'...

Assim como me apercebia das trocas de serviços por publicação de anúncios, das quais usufruía a 'senhora proprietária do título do jornal' e respectiva família (tratamentos de rosto, unhas de gel, cabeleireiro, limpeza dos automóveis, noites em hotéis, refeições, óculos para toda a família, tratamentos dentários, etc. etc)...
Confrontada com isto, a resposta era sempre a mesma: «e depois? EU estou a meter aqui muito dinheiro!» (empréstimos contraídos em seu nome, mas pagos com a publicidade do jornal).
Claro que o que dinheiro que eu meti, as dívidas às minhas costas e o meu trabalho de duas pessoas não contava para nada...

Mas abordar estes assuntos era motivo para gritaria, que sinceramente, não tinha já paciência para aturar.

Tudo isto culminou no dia 7 de Julho de 2016, quando saí para fazer um trabalho para o Diário do Distrito, e me esqueci de informar a 'senhora proprietária do título do jornal' de que tinha chegado uma carta com bilhetes para o espectáculo do Filipe La Feria e da qual eu retirara os MEUS bilhetes, conforme já tínhamos combinado entre as duas até numa ida à praia.

E porque a carta vinha dirigida a Comércio do Seixal/ Att 'senhora proprietária do titulo do jornal', recebi um telefonema histérico (há pessoas que estavam comigo e ouviram os gritos) acusando-me de que tinha aberto uma carta que NÃO ERA PARA MIM, que tinha VIOLADO CORREIO, que era UMA LADRA porque lhe tinha ROUBADO os bilhetes, e que estava PROIBIDA de o tornar a fazer.

Em nove anos de 'sociedade' nunca abri uma carta que não me fosse dirigida, e cheguei mesmo a ouvir pela tal pessoa frases como 'porque não abriste? É PARA NÓS!'...

Ainda mais curioso: quando, há umas semanas, chegaram os primeiros bilhetes deste espectáculo, fui eu quem assinou o registo e abri a carta, e até avisei a 'senhora proprietária do título do jornal' de que os bilhetes não eram duplos... sem que a dita tivesse ficado 'ofendida'... Aliás, cheguei a ir levantar várias cartas REGISTADAS com bilhetes das produções La Féria em nome dela aos CTT, quando não lhe apetecia fazer essa caminhada.

Ao fim desse dia ainda fui à redacção do jornal e encontrando-se a 'senhora proprietária do título do jornal' na esplanada, aproximei-me dela e perguntei-lhe se podíamos falar.
Nova explosão de histeria, com acusações de 'ladra', 'nem o meu marido abre as minhas cartas', 'podes desaparecer da minha vista', E O HILARIANTE 'Também abres as cartas do Diário do Distrito!?'.
Perante isto nada havia a dizer senão gritar-lhe na cara que não era a empregada que ela julgava ter ao seu serviço, e virar-lhe costas.

NO DIA SEGUINTE AO CHEGAR À REDACÇÃO, ENCONTRO A FECHADURA MUDADA, e verifico que as passwords dos emails foram alteradas e ainda o bloqueamento do perfil do facebook.

Perante a minha ameaça de entrar com a PSP para recolher o que era meu e os dois gatos que ali estavam (a quem nem se dignava a dar comida, mas um deles foi para lá por insistência dela), a empregada do jornal abriu a porta, MAS A SENHORA DONA DO TÍTULO ESCONDEU-SE NUMA SALA, e nem coragem teve para sair e dizer-me o que quer que fosse nos olhos.

Esta era a pessoa que dizia ser 'não minha amiga, mas minha irmã'; que me convidou para madrinha do filho; que me ligava a qualquer hora do dia ou da noite para 'desabafar', confidenciar e dizer mal de tudo e de todos durante horas; que me pediu algumas centenas de euros emprestados numa das suas mudanças para pagar rendas em 2010, esquecendo-se comodamente de pagar; de quem fui fiadora de um carro comprado para a 'empresa' e só usado por ela, com a condição de pagar as prestações, o que deixou de fazer ao fim de uns meses sem me dizer nada (só fiquei a saber da situação quando a locadora ME exigiu a devolução do Renault); que acompanhei em momentos difíceis da sua vida, sem nunca receber a mesma atitude da parte dela, que me mentia ao dizer que estava a pagar tudo às Finanças e à Segurança Social, situação de que só fiquei a saber quando comecei a receber os avisos na minha casa.

Era esta pessoa com quem eu julgava tinha uma amizade verdadeira e uma sociedade para um projecto que só é aquilo que é hoje devido AO MEU TRABALHO, às horas que gastava para conseguir as melhores reportagens e as que passava frente ao computador para paginar todas as edições do jornal (embora na ficha técnica viesse o nome da filha da 'senhora proprietária do título') e para manter o blogue actualizado.

Felizmente tenho recebido uma imensidão de mensagens, de telefonemas, de apoio de pessoas que nem pensava que soubessem da minha saída, alguns dos quais fizeram questão de me congratularem,  DE FORMA PÚBLICA, por essa saída de 'um labirinto de inveja', como me disse um amigo.

Os 'conhecidos' que acharam por bem tomar um partido, sem sequer me procurarem para saber a minha verdade, com receio de deixarem de ver a sua cara ou nome no jornal, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos).

Quanto a mim, o meu futuro começa agora.
Aprendi muito nestes anos, e muito mais tenho a aprender.
Infelizmente nunca quis acreditar num ditado popular que sempre me diziam: «Meias, nem nas pernas!».
Quem quiser continuar a seguir-me, encontra-me no Diário do Distrito, na Alvo Magazine e na Nova Gazeta. E em breve, em mais uma publicação.
Porque o valor de uma pessoa não é medido pelo que ela acha que é, mas pelo que os outros sabem que é na realidade.

"Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão..."
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dura realidade

Muitas vezes, em tom de brincadeira, os jornalistas dizem entre si, sobretudo na silly season, «era tão bom que se desse para aí um crimezinho ou um incêndiozito para termos notícia». Funciona um pouco como ‘piada interna’, em alturas em que se repetem os temas possíveis para realizar reportagens, abrir noticiários ou fazer capas de jornais.
E eis senão quando a realidade nos bate de frente no rosto.
Uma informação, alguns telefonemas, e a notícia que ninguém queria dar: um triplo homicídio aqui mesmo na nossa área de abrangência noticiosa.
Depois de algumas informações dispersas, do primeiro impacto de uma notícia que nos horroriza, vem uma interrogação: ‘será alguém que conheço’?
E a ânsia de obter mais dados, de saber nomes, locais, com a noção de que, mesmo que não seja pessoa que conheçamos, será sempre o filho, o familiar, o amigo, o colega de alguém que vai sofrer com a notícia que nos apressamos a dar.
E ainda é pior quando o acontecimento se passa com alguém que conhecemos, mesmo que remotamente. Há que apelar a toda a frieza que sempre nos disseram ser absolutamente necessária para estar nesta profissão.
Após a notícia do acto, tresloucado e sem explicação, embora não nos caiba a nós fazer essas classificações, cabe obter mais informações, e se possível, como ensinam os manuais, dar uma versão diferente da notícia.
E no caso que refiro, houve um bom e um mau exemplo, do meu ponto de vista.
Um diário nacional, centenário, apresentou uma reportagem tocante, feita do ponto de vista dos jornalistas que chegaram ao posto territorial da GNR da Quinta do Conde, poucas horas depois do acontecimento.
O ponto de vista de quem, do lado de fora, assistia a uma dor profunda, às lágrimas contidas, à voz embargada dos que tentavam lidar com uma situação para a qual nenhum treino militar os prepara. A perda de um camarada em serviço.
Do outro lado do espectro, um outro diário nacional, que nos habitou já a uma visão «diferente» dos acontecimentos, a fazer ligando o homicida a um familiar que obteve alguns momentos de fama num reality show.
Pior do que o jornalismo do copy past, que se vê hoje muito por aí, é este debitar de dados, de uma grosseria a toda a prova.
Três pessoas assassinadas, quatro famílias destruídas, dor e revolta, e o que interessa para este jornal, é o parentesco do homicida com alguém remotamente famoso…

Não, isto não é, nem nunca será jornalismo.

domingo, 5 de julho de 2015

O gato e o galo


 
O título deste artigo não tem a ver com a fábula de Esopo. Antes tivesse.
Confesso que por vários motivos pessoais, esta semana estive pouco atenta às notícias nacionais e estrangeiras. No entanto, algo me tocou daquilo que foi sendo divulgado e, neste caso concreto, denunciado.
Tratou-se da ‘Queima do Gato’, no caso uma gata, que foi queimada em nome de uma «tradição» em Vila Flor.
Quem me conhece, sabe que sou acérrima defensora dos direitos dos animais e me oponho de forma ferrenha a touradas e outros “espectáculos” que causem dor ou desconforto a animais. E são muitos os argumentos que tenho lido contra e a favor desses.
Mas não consigo encontrar nenhum argumento que sustente o horror que é manter um gato dentro de um pote, para depois lhe deitar fogo e divertirem-se meia dúzia de energúmenos com o sofrimento causado desta forma ao animal.
Em Ruivós, freguesia de Sabugal, a população juntou-se também para enterrar um galo e tentar acertar-lhe na cabeça, com uma enxada. Argumentam também a existência de uma «tradição» para este acto.

Podem alegar alguns que animais para consumo são mortos também.
É uma verdade, e por isso devemos todos exigir que o transporte e a matança seja efectuada sem causar danos aos animais.
Nas matanças de porco a que tenho assistido ao longo da vida, e quem a elas já assistiu sabe também que sempre se primou por evitar ao máximo o sofrimento do animal, até afastando do local pessoas que pudessem «ter pena do bicho, para que ele tivesse uma morte rápida».
Sempre vi familiares matarem coelhos e galinhas, e não encaro a carne que consumo como algo simplesmente saído dos frigoríficos de um supermercado.

Mas estes dois casos não são tradição nem cultura. É sadismo e barbarismo.

Pode ter sido assim no passado, mas as pessoas evoluem.
Veja-se o caso de Monsanto, onde atiravam um animal em chamas pela encosta abaixo, numa antiquíssima tradição, que agora é substituída por um pote a arder, ou o do enterro do galo do Entrudo em muitos pontos de Portugal (noutros será o do chouriço ou do bacalhau), mas em que o animal vivo foi substituído por figuras de papel.
Tenho esperança que a nova legislação que pune crimes contra animais de estimação, puna severamente os autores do crime de Vila Flor (infelizmente o outro não o será, porque um galo não se enquadra na referida lei).
Sim, há outros crimes que podem ser mais graves, outros assuntos mais problemáticos, outros seres que sofrem.
Há, e por isso mesmo temos o dever de lutar por todos, por um mundo melhor para todos o que o partilham.
E embora tenha a certeza de que serão muito poucos os que podem criticar-me por esta defesa pública dos animais contra um acto que nada tem de tradição, peço a esses apenas um momento de reflexão sobre o assunto, e que se lembrem que quem pratica estes actos, também vota…

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Erros, enganos e idiotice

 
É bem velho o dito que afirma «só não erra quem não faz». Todos na vida já errámos, e se uns nem se preocuparam com isso, outros houve que pagaram pelos erros que cometeram, e falo aqui ao nível profissional.
No jornalismo, também ninguém está isento de erros.
Seja na precipitação de querer ser o primeiro a transmitir determinada notícia, seja porque a informação nos chegou deturpada, seja porque as fontes não souberam dar toda a informação ou seja ainda por preguiça mental de quem transcreve os factos, o que é certo é que se dão erros.
Como jornalista não estou isenta de os cometer, apesar dos meus anos nesta área.
No entanto, nem sempre o nosso sexto sentido nos alerta quando alguma coisa está mal, e daí por vezes cairmos no erro.
Há algum tempo, numa notícia que me chegou de forma oficial, sobre o número de médicos para a região do distrito de Setúbal, e transcrita por mim como sendo correcta e à prova de erro, fui simpaticamente corrigida por alguém que, conhecedor da realidade, contrapôs essa notícia oficial com os dados reais, atitude que só tive de agradecer.
Noutra ocasião mais recente, uma nota da PSP dava conta de um sequestro num stand na Quinta do Conde. Ora aí entrou o meu conhecimento pessoal, porque reconhecendo o nome do referido estabelecimento, soube de imediato que a informação não era a correcta. E nem, viemos depois a saber, o local concreto do sequestro.
Ainda mais um exemplo aconteceu com uma informação que me chegou, de uma fonte fidedigna, de que haveria feridos aquando da explosão que ocorreu na pedreira de Sesimbra.
Algo precipitadamente, tendo em conta a confiança na fonte, coloquei essa informação. Felizmente, tive depois de a desmentir, porque não houve feridos.
E foi uma notícia pela qual várias pessoas, como se diz na gíria, «me deram nas orelhas».
Como profissional só tenho a agradecer a atenção com que os meus leitores seguem tudo o que o «Comércio» publica e de certa forma se sentiram incomodados por uma notícia que não estava correcta, habituados que estão ao nível jornalístico deste jornal, ao contrário de outros, de renome e de tiragem nacional, onde lemos os maiores disparates, não por falta de informação, mas por puro laxismo de quem escreve.
Não devia custar muito verificar se uma acção policial decorreu na noite de quinta-feira ou na manhã de sexta-feira. Nem custaria muito averiguar se o Centro Comercial do Miratejo fica no concelho do Seixal ou no de Almada.
Mas adiante. Vamos então à terceira parte do título desta crónica, a «idiotice».
Esta entra quando alguém, aproveitando-se de um simples erro de um jornal que em oito anos nunca teve de repor a verdade de qualquer notícia, e raramente teve de fazer uma nota pedindo desculpa por alguma gralha, surge como paladino da verdade, tentando tirar dividendos dessa situação e fazer desse facto um grande acontecimento.
Felizmente, contam-se por metade dos dedos de uma mão o tipo de pessoas que têm essa mentalidade infantil.
Quanto a mim, tenciono ir aprendendo com todos os erros, evitando-os e tentando nunca os
repetir, porque é isso que nos faz crescer como pessoas e enquanto profissionais.
«Não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender.»
Alexandre Herculano
 
 

sábado, 25 de abril de 2015

De luto ou a forma como os ditos "democratas" querem calar a imprensa



Na semana em que por todo o país se agitam os esplendores do 25 de Abril e os partidos do Centrão ameaçam a imprensa com sanções e com censura no âmbito da cobertura das campanhas eleitorais, o jornal que dirijo viu um anúncio da Câmara Municipal do Seixal ser adjudicado e depois anulado.
Pelo meio, uma entrevista polémica, com acusações sérias à autarquia, que optou por não responder quando contactada para realizar o contraditório.
Não responder? Bem...

Na semana em que se celebra a passagem de 41 anos sobre a Revolução dos Cravos, alguns jornais estão de luto.
O Diário do Distrito e o Comércio do Seixal e Sesimbra apresentam as suas edições online e em papel com uma faixa negra e com uma edição a preto e branco, respectivamente.
Não é coincidência, embora o tenha sido a forma que ambos os jornais pensaram para mostrar a sua revolta.
E esta revolta dirige-se às autarquias do distrito que fazem questão de ignorar os órgãos de comunicação social locais e regionais (ou alguns), no que respeita à distribuição de publicidade.
Trabalhando de perto, é fácil sabermos o que se passa com a maior parte dos jornais.
E também o que as autarquias decidem fazer.
Esta não é uma questão de agora nem unicamente no distrito de Setúbal.
Mas não deixa de ser curioso que a maior parte das Câmaras Municipais do distrito, pertencentes a um partido político que historicamente sempre elevou a voz em prol dos trabalhadores e das micro e pequenas empresas, sejam as próprias a tentar assim cortar um dos meios de subsistência da comunicação social local e regional.
Todos sabemos que a economia está em crise, que as empresas locais evitam todo o tipo de despesas, logo, cortam com o supérfluo que no caso pode ser a publicidade em jornais ou rádios.
Por esse motivo, qualquer publicidade vinda de uma entidade estatal, é crucial para os órgãos de comunicação social.
Mesmo quando levam mais de cinco meses para efectuarem o pagamento.
Mas não é assim que acontece.
Nas alturas em que são contactados para inserirem um simples anúncio de saudação ao 25 de Abril, as respostas são: «não há dinheiro» (embora uma simples visita ao site BASE do Governo dê para vermos alguns investimentos em ajustes directos que bradam aos céus ou haja dinheiro para inserir esses anúncios em canais televisivos), «não queremos fazer» ou simplesmente nem se dignam a responder.
No entanto, todas essas Câmaras têm pessoas ou departamentos dedicados a enviar notícias e fotografias daquilo que querem que esses meios de comunicação divulguem.
E esperam sempre que os órgãos estejam presentes para fazer a cobertura das suas iniciativas, sejam elas reuniões com a população ou inaugurações em tempo de eleições.
Como é óbvio, a função principal de qualquer órgão de comunicação social é informar os seus leitores. E se for local ou regional, tem o dever de divulgar o que acontece no meio em que se insere.
Mas não tem qualquer obrigação de o fazer serviçalmente, como muitos desejariam.
Terá de apresentar essas inaugurações e os eventos desportivos e culturais, da mesma forma que relatará os erros de gestão autárquica, os problemas da população, os desejos e as promessas não cumpridas.
E é isto que muitos políticos detestam.
Que a população tenha acesso a informação que não controlam, que não mostra apenas o lado bonitinho que se esforçam por apresentar em boletins municipais.
E portanto, mostram o seu poder retirando por completo a publicidade a determinado meio, na maior parte das vezes passando-a para outro jornal, de forma descarada e obscena.
Poderá o leitor pensar que «mas afinal, se dizem mal da Câmara Municipal X ou Y, o que esperavam?»
O que o caro leitor pode não saber é que as Câmaras Municipais estão obrigadas pela Lei das Autarquias Locais (Lei n.º 169/99 revogada pela Lei 5-A/2002), no artigo 91.º, a publicar «as deliberações dos órgãos autárquicos bem como as decisões dos respectivos titulares (…) nos jornais regionais editados na área do respectivo município, nos 30 dias subsequentes à tomada de decisão».
Agora, procure nos jornais locais e veja se encontra nestes a publicação destes dados.
Deviam também as Câmaras Municipais publicar os dias em que decorrem as reuniões camarárias e as Assembleias Municipais. Mas não o fazem.
É que este é também um exercício de cidadania de que as autarquias, não cumprindo a lei, privam o caro leitor.

Crónica semanal no Diário do Distrito.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

«Ninguém vem levantá-lo do chão»

Já o disse neste espaço que a vida de jornalista nos leva a ter de lidar com todo o tipo de situações. E nenhuma, seja ela a mais simples ou a mais complexa, nos deixa indiferentes.
E o mais difícil é isso mesmo, criar uma separação entre o jornalista que relata e a pessoa que assiste ou escuta o que terá de relatar.
Como podemos ficar impávidos perante um acidente onde ouvimos gritos, aflição e até podemos assistir à morte? Essa será uma situação que nos perseguirá por anos, acordando-nos à noite entre pesadelos e suores frios.
Como ficar impassíveis se assistimos a uma cena em que a polícia carrega sobre manifestantes, quando sabemos que a luta dessas pessoas é justa?
Além dos factos, existe outro aspecto muito importante desta profissão: as entrevistas.
Fica-nos sempre algo de todas as pessoas com quem estamos, que perdem uns minutos ou umas horas da sua vida a falar connosco.
E quem afirmar o contrário não é um jornalista, é um jornaleiro.
Seja por uma frase, um gesto, ou até algo que nos desagradou profundamente em determinada pessoa, a marca fica lá, um pouco à semelhança dos autocolantes de hotéis que antigamente os viajantes faziam questão de exibir nas suas malas de viagem.
E se a maioria das pessoas só se abre quando fala directamente connosco, permitindo-nos conhecê-la aos poucos, outros há de quem já podemos ter uma ideia pré-concebida, o que por vezes nos dificulta o trabalho.
Como é óbvio, se entrevistar um confesso autor de um crime, sou humana, e não o poderei olhar compassivamente. Mas tentarei o meu melhor para que me diga o que o levou a fazer algo assim.
E depois há aquela entrevista para a qual vamos com determinada convicção, porque o entrevistado foi exposto e condenado em praça pública e porque durante anos ouvimos o mesmo refrão relativo a determinada pessoa, que durante esse tempo se recusou a falar publicamente.
De repente, ali a temos à nossa frente. Disposta a falar, a mostrar que aquilo em que durante anos nos quiseram fazer acreditar, afinal não é tão linear como isso.
Que há mais do que a simples história do «Era uma vez».
É verdade, estou a referir-me a uma entrevista que publiquei esta semana no meu jornal e que o Diário do Distrito irá também publicar.
Foi uma entrevista que aguardei durante seis anos.
E foi uma das entrevistas que mais me surpreendeu. Pela pessoa entrevistada, pelo que foi revelado e, sobretudo, pelas reações que provocou.
Isto porque se tratou de uma entrevista com uma pessoa que teve elevados cargos e, de um momento para o outro, a sua situação de poder deixou de existir.
Mas o que me levou a colocar este título tem a ver com os versos da minha canção favorita de José Afonso, «Vejam Bem», quando esta refere: ‘E se houver / uma praça de gente madura / ninguém vem levantá-lo do chão / ninguém vem levantá-lo do chão’.
Isto porque as tais reacções que li num grupo do facebook onde a entrevista foi partilhada foi precisamente a de quem vê alguém caído no chão e nada faz para o levantar, antes virando costas ou, pior ainda, atirando-lhe pedras.
Sei que como jornalista não posso, ou não devo pronunciar-me depois de ter publicado seja o que for. Mas «raios me partam» se um dia deixar passar por mim, como a água do chuveiro, aquilo que me revolta, sobretudo quando isso roça a cobardia.
A cobardia com que os fracos se revoltam contra o gigante que caiu, mas a de quem fugiam quando este estava de pé. A cobardia de quem usando impunemente um computador aproveita para insultar. Mas sobretudo a cobardia de manada, de quem prefere continuar a acreditar no «credo» que lhe foram incutindo, porque acha que pensar é um exercício demasiado difícil.

Mais um texto meu no Diário do Distrito.