Ao voltar a este meu blogue, vejo que já passou quase um ano desde que publiquei pela última vez.
Muita coisa aconteceu nestes meses.
No entanto, e porque sei que há várias pessoas que estão curiosas sobre o que se passou, porque deixei de ser directora (e de pertencer à equipa e SUPOSTA SOCIEDADE) no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra, achei por bem colocar aqui esta publicação.
E também porque o esclarecimento que deixei no perfil do facebook e na página do blogue do jornal foram APAGADOS (e fui bloqueada de ambos e apagados os comentários de pessoas que me defendiam) porque não interessa à 'senhora proprietária do título' que se conheçam as razões que levaram a esta ruptura.
Uma ruptura que se previa há muito, e que muitas das pessoas que comigo falaram nestes dias diziam já estar à espera, admirando-se até pelo tempo que aguentei (NOVE ANOS), mas por muitos anos que vivamos, nunca conheceremos completamente certas 'pessoas'.
Nove anos de sacrifícios, de trabalho de JORNALISTA e de PAGINADORA, para poupar alguns tostões à suposta SOCIEDADE, de gastar o que tinha e não tinha, de pedidos de empréstimos a familiares (até hoje nunca pagos) para aguentar o que nunca foi, sei-o agora, o meu projecto, isto apesar de o jornal ter chegado ao que é hoje fruto do MEU TRABALHO.
Que não existam dúvidas: NÃO ERA EMPREGADA do jornal.
Fui a Unipessoal que manteve o jornal durante dois anos depois do anterior proprietário ter descoberto "certas coisas" feitas pela 'senhora proprietária do título'/directora comercial e ter largado o projecto.
Fui depois, durante cerca de cinco anos, a sócia-gerente da empresa Palavrabsoluta que editou o jornal. Mas devido ao acumular de dívidas às Finanças e afins (pois o dinheiro da publicidade nunca chegava para pagar as contribuições), chegou a uma altura em que não era possível continuar a facturar aos clientes (passando eu a arcar com as dívidas a estas instituições).
Optou-se então por uma Unipessoal em nome da 'senhora proprietária do título' para não deixar morrer o projecto do jornal.
A partir daí, Novembro de 2014, nunca mais tive acesso a qualquer conta bancária da "empresa", NUNCA MAIS SOUBE QUE VALORES ENTRAVAM E PARA ONDE SAIAM.
As despesas, essas passaram então a ser inteiramente por minha conta, desde a gasolina para me deslocar nas reportagens, para fazer a distribuição do jornal, até para pagar a renovação da minha carteira profissional.
Para pagar um simples café, tinha de pedir dinheiro à minha mãe, que durante estes anos aguentou todas as despesas, emprestou dinheiro à suposta sociedade, fez distribuição do jornal, sem nunca receber sequer dez euros.
Mas sempre que eu exigia ver as contas do jornal ou ter os dados de acesso à conta bancária. era acusada de não confiar na tal 'gestão', de ser uma pessoa a quem só interessava o dinheiro e não o projecto em si.
Estupidamente, fui deixando as coisas passarem.
Há um ano, fui convidada para colaborar com o Diário do Distrito, por pessoas amigas de longa data. Aceitei porque gosto dessas colaborações e por algum apoio que recebia. Claro que falei com a suposta «sócia» sobre isso, porque nunca fiz nada pelas costas de ninguém, ao contrário do que me foi feito durante estes anos. E assumi sempre que nunca poria essas colaborações à frente do jornal, chegando a recusar trabalhos (com prejuízo para mim!!).
Já o jornal beneficiou dos conhecimentos e da parceria que EU CRIEI, quer em termos de notícias, quer sobretudo em termos de inserção de publicidade.
Apenas em duas ocasiões pedi à 'senhora proprietária do título' que fosse tirar fotos para o jornal (para uma publireportagem e para uma entrevista), numa delas porque eu tinha sido convidada a estar num encontro na Feira do Livro como jornalista, o que deixou a 'senhora proprietária do título' absolutamente furiosa.
Mas embora a 'senhora proprietária do título' tivesse concordado com essa minha colaboração, sendo a própria que antes me dizia porque não tentava arranjar uns trabalhos como colaboradora para fazer algum dinheiro, a inveja de ver alguém sair do seu raio de acção, de me ver lidar com pessoas que não giravam em seu redor, de me ver feliz com algo que não estava na sua esfera de alcance, foi demasiado para esta pessoa, que chegou a dizer a várias pessoas que 'não sabia no que iam dar estas colaborações da Carmo!'.
Aumentaram as discussões por tudo e por nada, as 'bocas', as caras fechadas, as tentativas de humilhação em qualquer local, os actos descabidos.
Só um exemplo: em Abril foram feitos novos cartões de apresentação, por insistência minha, porque sempre que ia a qualquer evento, me apresentava como DIRECTORA do jornal (e só depois como colaboradora do DD) e achava que a entrega de cartões do jornal seria uma mais-valia.
E eis senão quando os cartões chegam e NESTES SÓ CONSTAVA O NOME DA SENHORA PROPRIETÁRIA DO TÍTULO e o seu número de telemóvel, a par com o número geral do jornal...
Confrontada com isto, a resposta foi: 'Porquê? Querias lá o teu número? E se querias cartões com o teu nome, pedisses...'
Como se em NOVE ANOS nunca tivessem sido feitos cartões, sempre com os nomes das DUAS (supostas) SÓCIAS. Mas o jornal onde saiu o anúncio da gráfica que pagou esses cartões, foi inteiramente feito, paginado e pago por mim.
Reuniões com presidentes de autarquia, com a nova senhoria, com um cliente para (eu) fazer um suplemento sem receber nada, só podiam ter a presença da senhora proprietária do título, sabendo eu dessas reuniões apenas depois de terem tido lugar.
Já para as 'representações do jornal' que aconteciam à noite, aos fins-de-semana ou feriados era eu que tinha de estar sempre disponível, ou vinha logo um 'não te ralas com o jornal, só queres fazer a tua vida e estar de perna esticada no sofá!'.
Mas claro, as despesas de deslocações tinham de sair do meu bolso porque o dinheiro que ia entrando no jornal SÓ NÃO CHEGAVA PARA ISSO... as despesas tinham de ser assumidas por mim, como 'SÓCIA' do projecto e DIRECTORA do jornal, e essa 'desculpa' servia também para não receber qualquer valor monetário.
Aliás, uma das últimas discussões aconteceu precisamente porque eu comentei que, ao chegarem as férias pelo Verão, não iria acontecer o mesmo que no Natal, em que nem dez euros tirei para mim. Claro que veio logo a conversa do 'não sabes que não há dinheiro!!?'...
Embora não tivesse acesso à conta bancária do jornal, não sou idiota de todo para não fazer um cálculo do que era recebido em publicidade e aquilo que via ser pago, sobretudo em restaurantes, com o cartão 'do jornal'...
Assim como me apercebia das trocas de serviços por publicação de anúncios, das quais usufruía a 'senhora proprietária do título do jornal' e respectiva família (tratamentos de rosto, unhas de gel, cabeleireiro, limpeza dos automóveis, noites em hotéis, refeições, óculos para toda a família, tratamentos dentários, etc. etc)...
Confrontada com isto, a resposta era sempre a mesma: «e depois? EU estou a meter aqui muito dinheiro!» (empréstimos contraídos em seu nome, mas pagos com a publicidade do jornal).
Claro que o que dinheiro que eu meti, as dívidas às minhas costas e o meu trabalho de duas pessoas não contava para nada...
Mas abordar estes assuntos era motivo para gritaria, que sinceramente, não tinha já paciência para aturar.
Tudo isto culminou no dia 7 de Julho de 2016, quando saí para fazer um trabalho para o Diário do Distrito, e me esqueci de informar a 'senhora proprietária do título do jornal' de que tinha chegado uma carta com bilhetes para o espectáculo do Filipe La Feria e da qual eu retirara os MEUS bilhetes, conforme já tínhamos combinado entre as duas até numa ida à praia.
E porque a carta vinha dirigida a Comércio do Seixal/ Att 'senhora proprietária do titulo do jornal', recebi um telefonema histérico (há pessoas que estavam comigo e ouviram os gritos) acusando-me de que tinha aberto uma carta que NÃO ERA PARA MIM, que tinha VIOLADO CORREIO, que era UMA LADRA porque lhe tinha ROUBADO os bilhetes, e que estava PROIBIDA de o tornar a fazer.
Em nove anos de 'sociedade' nunca abri uma carta que não me fosse dirigida, e cheguei mesmo a ouvir pela tal pessoa frases como 'porque não abriste? É PARA NÓS!'...
Ainda mais curioso: quando, há umas semanas, chegaram os primeiros bilhetes deste espectáculo, fui eu quem assinou o registo e abri a carta, e até avisei a 'senhora proprietária do título do jornal' de que os bilhetes não eram duplos... sem que a dita tivesse ficado 'ofendida'... Aliás, cheguei a ir levantar várias cartas REGISTADAS com bilhetes das produções La Féria em nome dela aos CTT, quando não lhe apetecia fazer essa caminhada.
Ao fim desse dia ainda fui à redacção do jornal e encontrando-se a 'senhora proprietária do título do jornal' na esplanada, aproximei-me dela e perguntei-lhe se podíamos falar.
Nova explosão de histeria, com acusações de 'ladra', 'nem o meu marido abre as minhas cartas', 'podes desaparecer da minha vista', E O HILARIANTE 'Também abres as cartas do Diário do Distrito!?'.
Perante isto nada havia a dizer senão gritar-lhe na cara que não era a empregada que ela julgava ter ao seu serviço, e virar-lhe costas.
NO DIA SEGUINTE AO CHEGAR À REDACÇÃO, ENCONTRO A FECHADURA MUDADA, e verifico que as passwords dos emails foram alteradas e ainda o bloqueamento do perfil do facebook.
Perante a minha ameaça de entrar com a PSP para recolher o que era meu e os dois gatos que ali estavam (a quem nem se dignava a dar comida, mas um deles foi para lá por insistência dela), a empregada do jornal abriu a porta, MAS A SENHORA DONA DO TÍTULO ESCONDEU-SE NUMA SALA, e nem coragem teve para sair e dizer-me o que quer que fosse nos olhos.
Esta era a pessoa que dizia ser 'não minha amiga, mas minha irmã'; que me convidou para madrinha do filho; que me ligava a qualquer hora do dia ou da noite para 'desabafar', confidenciar e dizer mal de tudo e de todos durante horas; que me pediu algumas centenas de euros emprestados numa das suas mudanças para pagar rendas em 2010, esquecendo-se comodamente de pagar; de quem fui fiadora de um carro comprado para a 'empresa' e só usado por ela, com a condição de pagar as prestações, o que deixou de fazer ao fim de uns meses sem me dizer nada (só fiquei a saber da situação quando a locadora ME exigiu a devolução do Renault); que acompanhei em momentos difíceis da sua vida, sem nunca receber a mesma atitude da parte dela, que me mentia ao dizer que estava a pagar tudo às Finanças e à Segurança Social, situação de que só fiquei a saber quando comecei a receber os avisos na minha casa.
Era esta pessoa com quem eu julgava tinha uma amizade verdadeira e uma sociedade para um projecto que só é aquilo que é hoje devido AO MEU TRABALHO, às horas que gastava para conseguir as melhores reportagens e as que passava frente ao computador para paginar todas as edições do jornal (embora na ficha técnica viesse o nome da filha da 'senhora proprietária do título') e para manter o blogue actualizado.
Felizmente tenho recebido uma imensidão de mensagens, de telefonemas, de apoio de pessoas que nem pensava que soubessem da minha saída, alguns dos quais fizeram questão de me congratularem, DE FORMA PÚBLICA, por essa saída de 'um labirinto de inveja', como me disse um amigo.
Os 'conhecidos' que acharam por bem tomar um partido, sem sequer me procurarem para saber a minha verdade, com receio de deixarem de ver a sua cara ou nome no jornal, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos).
Quanto a mim, o meu futuro começa agora.
Aprendi muito nestes anos, e muito mais tenho a aprender.
Infelizmente nunca quis acreditar num ditado popular que sempre me diziam: «Meias, nem nas pernas!».
Quem quiser continuar a seguir-me, encontra-me no Diário do Distrito, na Alvo Magazine e na Nova Gazeta. E em breve, em mais uma publicação.
Porque o valor de uma pessoa não é medido pelo que ela acha que é, mas pelo que os outros sabem que é na realidade.
"Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão..."
(Fernando Pessoa)
Um blogue de uma jornalista que já viu um pouco de tudo, usado para falar de qualquer coisa.
terça-feira, 19 de julho de 2016
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Dura realidade
Muitas vezes, em tom de brincadeira, os jornalistas dizem
entre si, sobretudo na silly season, «era tão bom que se desse para aí um
crimezinho ou um incêndiozito para termos notícia». Funciona um pouco como
‘piada interna’, em alturas em que se repetem os temas possíveis para realizar
reportagens, abrir noticiários ou fazer capas de jornais.
E eis senão quando a realidade nos bate de frente no rosto.
Uma informação, alguns telefonemas, e a notícia que ninguém queria dar: um triplo homicídio aqui mesmo na nossa área de abrangência noticiosa.
Depois de algumas informações dispersas, do primeiro impacto de uma notícia que nos horroriza, vem uma interrogação: ‘será alguém que conheço’?
E a ânsia de obter mais dados, de saber nomes, locais, com a noção de que, mesmo que não seja pessoa que conheçamos, será sempre o filho, o familiar, o amigo, o colega de alguém que vai sofrer com a notícia que nos apressamos a dar.
E ainda é pior quando o acontecimento se passa com alguém que conhecemos, mesmo que remotamente. Há que apelar a toda a frieza que sempre nos disseram ser absolutamente necessária para estar nesta profissão.
Após a notícia do acto, tresloucado e sem explicação, embora não nos caiba a nós fazer essas classificações, cabe obter mais informações, e se possível, como ensinam os manuais, dar uma versão diferente da notícia.
E no caso que refiro, houve um bom e um mau exemplo, do meu ponto de vista.
Um diário nacional, centenário, apresentou uma reportagem tocante, feita do ponto de vista dos jornalistas que chegaram ao posto territorial da GNR da Quinta do Conde, poucas horas depois do acontecimento.
O ponto de vista de quem, do lado de fora, assistia a uma dor profunda, às lágrimas contidas, à voz embargada dos que tentavam lidar com uma situação para a qual nenhum treino militar os prepara. A perda de um camarada em serviço.
Do outro lado do espectro, um outro diário nacional, que nos habitou já a uma visão «diferente» dos acontecimentos, a fazer ligando o homicida a um familiar que obteve alguns momentos de fama num reality show.
Pior do que o jornalismo do copy past, que se vê hoje muito por aí, é este debitar de dados, de uma grosseria a toda a prova.
Três pessoas assassinadas, quatro famílias destruídas, dor e revolta, e o que interessa para este jornal, é o parentesco do homicida com alguém remotamente famoso…
Não, isto não é, nem nunca será jornalismo.
E eis senão quando a realidade nos bate de frente no rosto.
Uma informação, alguns telefonemas, e a notícia que ninguém queria dar: um triplo homicídio aqui mesmo na nossa área de abrangência noticiosa.
Depois de algumas informações dispersas, do primeiro impacto de uma notícia que nos horroriza, vem uma interrogação: ‘será alguém que conheço’?
E a ânsia de obter mais dados, de saber nomes, locais, com a noção de que, mesmo que não seja pessoa que conheçamos, será sempre o filho, o familiar, o amigo, o colega de alguém que vai sofrer com a notícia que nos apressamos a dar.
E ainda é pior quando o acontecimento se passa com alguém que conhecemos, mesmo que remotamente. Há que apelar a toda a frieza que sempre nos disseram ser absolutamente necessária para estar nesta profissão.
Após a notícia do acto, tresloucado e sem explicação, embora não nos caiba a nós fazer essas classificações, cabe obter mais informações, e se possível, como ensinam os manuais, dar uma versão diferente da notícia.
E no caso que refiro, houve um bom e um mau exemplo, do meu ponto de vista.
Um diário nacional, centenário, apresentou uma reportagem tocante, feita do ponto de vista dos jornalistas que chegaram ao posto territorial da GNR da Quinta do Conde, poucas horas depois do acontecimento.
O ponto de vista de quem, do lado de fora, assistia a uma dor profunda, às lágrimas contidas, à voz embargada dos que tentavam lidar com uma situação para a qual nenhum treino militar os prepara. A perda de um camarada em serviço.
Do outro lado do espectro, um outro diário nacional, que nos habitou já a uma visão «diferente» dos acontecimentos, a fazer ligando o homicida a um familiar que obteve alguns momentos de fama num reality show.
Pior do que o jornalismo do copy past, que se vê hoje muito por aí, é este debitar de dados, de uma grosseria a toda a prova.
Três pessoas assassinadas, quatro famílias destruídas, dor e revolta, e o que interessa para este jornal, é o parentesco do homicida com alguém remotamente famoso…
Não, isto não é, nem nunca será jornalismo.
domingo, 5 de julho de 2015
O gato e o galo
O título deste artigo não tem a ver com a fábula de
Esopo. Antes tivesse.
Confesso que por vários motivos pessoais, esta semana
estive pouco atenta às notícias nacionais e estrangeiras. No entanto, algo me
tocou daquilo que foi sendo divulgado e, neste caso concreto, denunciado. Tratou-se da ‘Queima do Gato’, no caso uma gata, que foi queimada em nome de uma «tradição» em Vila Flor.
Quem me conhece, sabe que sou acérrima defensora dos direitos dos animais e me oponho de forma ferrenha a touradas e outros “espectáculos” que causem dor ou desconforto a animais. E são muitos os argumentos que tenho lido contra e a favor desses.
Mas não consigo encontrar nenhum argumento que sustente o horror que é manter um gato dentro de um pote, para depois lhe deitar fogo e divertirem-se meia dúzia de energúmenos com o sofrimento causado desta forma ao animal.
Em Ruivós, freguesia de Sabugal, a população juntou-se também para enterrar um galo e tentar acertar-lhe na cabeça, com uma enxada. Argumentam também a existência de uma «tradição» para este acto.
Podem alegar alguns que animais para consumo são mortos também.
É uma verdade, e por isso devemos todos exigir que o transporte e a matança seja efectuada sem causar danos aos animais.
Nas matanças de porco a que tenho assistido ao longo da vida, e quem a elas já assistiu sabe também que sempre se primou por evitar ao máximo o sofrimento do animal, até afastando do local pessoas que pudessem «ter pena do bicho, para que ele tivesse uma morte rápida».
Sempre vi familiares matarem coelhos e galinhas, e não encaro a carne que consumo como algo simplesmente saído dos frigoríficos de um supermercado.
Mas estes dois casos não são tradição nem cultura. É sadismo e barbarismo.
Pode ter sido assim no passado, mas as pessoas evoluem.
Veja-se o caso de Monsanto, onde atiravam um animal em
chamas pela encosta abaixo, numa antiquíssima tradição, que agora é substituída
por um pote a arder, ou o do enterro do galo do Entrudo em muitos pontos de
Portugal (noutros será o do chouriço ou do bacalhau), mas em que o animal vivo
foi substituído por figuras de papel. Tenho esperança que a nova legislação que pune crimes contra animais de estimação, puna severamente os autores do crime de Vila Flor (infelizmente o outro não o será, porque um galo não se enquadra na referida lei).
Sim, há outros crimes que podem ser mais graves, outros assuntos mais problemáticos, outros seres que sofrem.
Há, e por isso mesmo temos o dever de lutar por todos, por um mundo melhor para todos o que o partilham.
E embora tenha a certeza de que serão muito poucos os que podem criticar-me por esta defesa pública dos animais contra um acto que nada tem de tradição, peço a esses apenas um momento de reflexão sobre o assunto, e que se lembrem que quem pratica estes actos, também vota…
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Erros, enganos e idiotice
É bem velho o dito que afirma «só não erra quem não faz».
Todos na vida já errámos, e se uns nem se preocuparam com isso, outros houve
que pagaram pelos erros que cometeram, e falo aqui ao nível profissional.
No jornalismo, também ninguém está isento de erros.
Seja na precipitação de querer ser o primeiro a
transmitir determinada notícia, seja porque a informação nos chegou deturpada,
seja porque as fontes não souberam dar toda a informação ou seja ainda por preguiça
mental de quem transcreve os factos, o que é certo é que se dão erros.
Como jornalista não estou isenta de os cometer, apesar
dos meus anos nesta área.
No entanto, nem sempre o nosso sexto sentido nos alerta quando alguma coisa está mal, e daí por vezes cairmos no erro.
No entanto, nem sempre o nosso sexto sentido nos alerta quando alguma coisa está mal, e daí por vezes cairmos no erro.
Há algum tempo, numa notícia que me chegou de forma
oficial, sobre o número de médicos para a região do distrito de Setúbal, e
transcrita por mim como sendo correcta e à prova de erro, fui simpaticamente
corrigida por alguém que, conhecedor da realidade, contrapôs essa notícia
oficial com os dados reais, atitude que só tive de agradecer.
Noutra ocasião mais recente, uma nota da PSP dava conta
de um sequestro num stand na Quinta do Conde. Ora aí entrou o meu conhecimento
pessoal, porque reconhecendo o nome do referido estabelecimento, soube de
imediato que a informação não era a correcta. E nem, viemos depois a saber, o
local concreto do sequestro.
Ainda mais um exemplo aconteceu com uma informação que me
chegou, de uma fonte fidedigna, de que haveria feridos aquando da explosão que
ocorreu na pedreira de Sesimbra.
Algo precipitadamente, tendo em conta a confiança na
fonte, coloquei essa informação. Felizmente, tive depois de a desmentir, porque
não houve feridos.
E foi uma notícia pela qual várias pessoas, como se diz
na gíria, «me deram nas orelhas».
Como profissional só tenho a agradecer a atenção com que
os meus leitores seguem tudo o que o «Comércio» publica e de certa forma se
sentiram incomodados por uma notícia que não estava correcta, habituados que
estão ao nível jornalístico deste jornal, ao contrário de outros, de renome e
de tiragem nacional, onde lemos os maiores disparates, não por falta de
informação, mas por puro laxismo de quem escreve.
Não devia custar muito verificar se uma acção policial decorreu na noite de quinta-feira ou na manhã de sexta-feira. Nem custaria muito averiguar se o Centro Comercial do Miratejo fica no concelho do Seixal ou no de Almada.
Não devia custar muito verificar se uma acção policial decorreu na noite de quinta-feira ou na manhã de sexta-feira. Nem custaria muito averiguar se o Centro Comercial do Miratejo fica no concelho do Seixal ou no de Almada.
Mas adiante. Vamos então à terceira parte do título desta
crónica, a «idiotice».
Esta entra quando alguém, aproveitando-se de um simples
erro de um jornal que em oito anos nunca teve de repor a verdade de qualquer
notícia, e raramente teve de fazer uma nota pedindo desculpa por alguma gralha,
surge como paladino da verdade, tentando tirar dividendos dessa situação e
fazer desse facto um grande acontecimento.
Felizmente, contam-se por metade dos dedos de uma mão o
tipo de pessoas que têm essa mentalidade infantil.
Quanto a mim, tenciono ir aprendendo com todos os erros, evitando-os e tentando nunca os repetir, porque é isso que nos faz crescer como pessoas e enquanto profissionais.
Quanto a mim, tenciono ir aprendendo com todos os erros, evitando-os e tentando nunca os repetir, porque é isso que nos faz crescer como pessoas e enquanto profissionais.
«Não me
envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me
envergonho de raciocinar e aprender.»
Alexandre Herculano
Alexandre Herculano
sábado, 25 de abril de 2015
De luto ou a forma como os ditos "democratas" querem calar a imprensa
Na semana em que por todo o país se agitam os esplendores do 25 de Abril e os partidos do Centrão ameaçam a imprensa com sanções e com censura no âmbito da cobertura das campanhas eleitorais, o jornal que dirijo viu um anúncio da Câmara Municipal do Seixal ser adjudicado e depois anulado.
Na semana em que se celebra a passagem de 41 anos sobre a
Revolução dos Cravos, alguns jornais estão de luto.
O Diário do Distrito e o Comércio do Seixal e Sesimbra
apresentam as suas edições online e em papel com uma faixa negra e com uma
edição a preto e branco, respectivamente. Não é coincidência, embora o tenha sido a forma que ambos os jornais pensaram para mostrar a sua revolta.
E esta revolta dirige-se às autarquias do distrito que fazem questão de ignorar os órgãos de comunicação social locais e regionais (ou alguns), no que respeita à distribuição de publicidade.
Trabalhando de perto, é fácil sabermos o que se passa com a maior parte dos jornais.
E também o que as autarquias decidem fazer.
Esta não é uma questão de agora nem unicamente no distrito de Setúbal.
Mas não deixa de ser curioso que a maior parte das Câmaras Municipais do distrito, pertencentes a um partido político que historicamente sempre elevou a voz em prol dos trabalhadores e das micro e pequenas empresas, sejam as próprias a tentar assim cortar um dos meios de subsistência da comunicação social local e regional.
Todos sabemos que a economia está em crise, que as empresas locais evitam todo o tipo de despesas, logo, cortam com o supérfluo que no caso pode ser a publicidade em jornais ou rádios.
Por esse motivo, qualquer publicidade vinda de uma entidade estatal, é crucial para os órgãos de comunicação social.
Mesmo quando levam mais de cinco meses para efectuarem o pagamento.
Mas não é assim que acontece.
Nas alturas em que são contactados para inserirem um simples anúncio de saudação ao 25 de Abril, as respostas são: «não há dinheiro» (embora uma simples visita ao site BASE do Governo dê para vermos alguns investimentos em ajustes directos que bradam aos céus ou haja dinheiro para inserir esses anúncios em canais televisivos), «não queremos fazer» ou simplesmente nem se dignam a responder.
No entanto, todas essas Câmaras têm pessoas ou departamentos dedicados a enviar notícias e fotografias daquilo que querem que esses meios de comunicação divulguem.
E esperam sempre que os órgãos estejam presentes para fazer a cobertura das suas iniciativas, sejam elas reuniões com a população ou inaugurações em tempo de eleições.
Como é óbvio, a função principal de qualquer órgão de comunicação social é informar os seus leitores. E se for local ou regional, tem o dever de divulgar o que acontece no meio em que se insere.
Mas não tem qualquer obrigação de o fazer serviçalmente, como muitos desejariam.
Terá de apresentar essas inaugurações e os eventos desportivos e culturais, da mesma forma que relatará os erros de gestão autárquica, os problemas da população, os desejos e as promessas não cumpridas.
E é isto que muitos políticos detestam.
Que a população tenha acesso a informação que não controlam, que não mostra apenas o lado bonitinho que se esforçam por apresentar em boletins municipais.
E portanto, mostram o seu poder retirando por completo a publicidade a determinado meio, na maior parte das vezes passando-a para outro jornal, de forma descarada e obscena.
Poderá o leitor pensar que «mas afinal, se dizem mal da Câmara Municipal X ou Y, o que esperavam?»
O que o caro leitor pode não saber é que as Câmaras Municipais estão obrigadas pela Lei das Autarquias Locais (Lei n.º 169/99 revogada pela Lei 5-A/2002), no artigo 91.º, a publicar «as deliberações dos órgãos autárquicos bem como as decisões dos respectivos titulares (…) nos jornais regionais editados na área do respectivo município, nos 30 dias subsequentes à tomada de decisão».
Agora, procure nos jornais locais e veja se encontra nestes a publicação destes dados.
Deviam também as Câmaras Municipais publicar os dias em que decorrem as reuniões camarárias e as Assembleias Municipais. Mas não o fazem.
É que este é também um exercício de cidadania de que as autarquias, não cumprindo a lei, privam o caro leitor.
Crónica semanal no Diário do Distrito.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
«Ninguém vem levantá-lo do chão»
Já o disse neste espaço que a vida de jornalista nos leva
a ter de lidar com todo o tipo de situações. E nenhuma, seja ela a mais simples
ou a mais complexa, nos deixa indiferentes.
E o mais difícil é isso mesmo, criar uma separação entre o jornalista que relata e a pessoa que assiste ou escuta o que terá de relatar.
Como podemos ficar impávidos perante um acidente onde ouvimos gritos, aflição e até podemos assistir à morte? Essa será uma situação que nos perseguirá por anos, acordando-nos à noite entre pesadelos e suores frios.
Como ficar impassíveis se assistimos a uma cena em que a polícia carrega sobre manifestantes, quando sabemos que a luta dessas pessoas é justa?
Além dos factos, existe outro aspecto muito importante desta profissão: as entrevistas.
Fica-nos sempre algo de todas as pessoas com quem estamos, que perdem uns minutos ou umas horas da sua vida a falar connosco.
E quem afirmar o contrário não é um jornalista, é um jornaleiro.
Seja por uma frase, um gesto, ou até algo que nos desagradou profundamente em determinada pessoa, a marca fica lá, um pouco à semelhança dos autocolantes de hotéis que antigamente os viajantes faziam questão de exibir nas suas malas de viagem.
E se a maioria das pessoas só se abre quando fala directamente connosco, permitindo-nos conhecê-la aos poucos, outros há de quem já podemos ter uma ideia pré-concebida, o que por vezes nos dificulta o trabalho.
Como é óbvio, se entrevistar um confesso autor de um crime, sou humana, e não o poderei olhar compassivamente. Mas tentarei o meu melhor para que me diga o que o levou a fazer algo assim.
E depois há aquela entrevista para a qual vamos com determinada convicção, porque o entrevistado foi exposto e condenado em praça pública e porque durante anos ouvimos o mesmo refrão relativo a determinada pessoa, que durante esse tempo se recusou a falar publicamente.
De repente, ali a temos à nossa frente. Disposta a falar, a mostrar que aquilo em que durante anos nos quiseram fazer acreditar, afinal não é tão linear como isso.
Que há mais do que a simples história do «Era uma vez».
É verdade, estou a referir-me a uma entrevista que publiquei esta semana no meu jornal e que o Diário do Distrito irá também publicar.
Foi uma entrevista que aguardei durante seis anos.
E o mais difícil é isso mesmo, criar uma separação entre o jornalista que relata e a pessoa que assiste ou escuta o que terá de relatar.
Como podemos ficar impávidos perante um acidente onde ouvimos gritos, aflição e até podemos assistir à morte? Essa será uma situação que nos perseguirá por anos, acordando-nos à noite entre pesadelos e suores frios.
Como ficar impassíveis se assistimos a uma cena em que a polícia carrega sobre manifestantes, quando sabemos que a luta dessas pessoas é justa?
Além dos factos, existe outro aspecto muito importante desta profissão: as entrevistas.
Fica-nos sempre algo de todas as pessoas com quem estamos, que perdem uns minutos ou umas horas da sua vida a falar connosco.
E quem afirmar o contrário não é um jornalista, é um jornaleiro.
Seja por uma frase, um gesto, ou até algo que nos desagradou profundamente em determinada pessoa, a marca fica lá, um pouco à semelhança dos autocolantes de hotéis que antigamente os viajantes faziam questão de exibir nas suas malas de viagem.
E se a maioria das pessoas só se abre quando fala directamente connosco, permitindo-nos conhecê-la aos poucos, outros há de quem já podemos ter uma ideia pré-concebida, o que por vezes nos dificulta o trabalho.
Como é óbvio, se entrevistar um confesso autor de um crime, sou humana, e não o poderei olhar compassivamente. Mas tentarei o meu melhor para que me diga o que o levou a fazer algo assim.
E depois há aquela entrevista para a qual vamos com determinada convicção, porque o entrevistado foi exposto e condenado em praça pública e porque durante anos ouvimos o mesmo refrão relativo a determinada pessoa, que durante esse tempo se recusou a falar publicamente.
De repente, ali a temos à nossa frente. Disposta a falar, a mostrar que aquilo em que durante anos nos quiseram fazer acreditar, afinal não é tão linear como isso.
Que há mais do que a simples história do «Era uma vez».
É verdade, estou a referir-me a uma entrevista que publiquei esta semana no meu jornal e que o Diário do Distrito irá também publicar.
Foi uma entrevista que aguardei durante seis anos.
E foi uma das entrevistas que mais me surpreendeu. Pela
pessoa entrevistada, pelo que foi revelado e, sobretudo, pelas reações que
provocou.
Isto porque se tratou de uma entrevista com uma pessoa que
teve elevados cargos e, de um momento para o outro, a sua situação de poder
deixou de existir.
Mas o que me levou a colocar este título tem a ver com os
versos da minha canção favorita de José Afonso, «Vejam Bem», quando esta
refere: ‘E se
houver / uma praça de gente madura / ninguém vem levantá-lo do chão / ninguém
vem levantá-lo do chão’.
Isto porque as tais reacções que li num grupo do facebook onde a
entrevista foi partilhada foi precisamente a de quem vê alguém caído no chão e
nada faz para o levantar, antes virando costas ou, pior ainda, atirando-lhe
pedras.
Sei que como jornalista não posso, ou não devo pronunciar-me depois de
ter publicado seja o que for. Mas «raios me partam» se um dia deixar passar por
mim, como a água do chuveiro, aquilo que me revolta, sobretudo quando isso roça
a cobardia.
A cobardia com que os fracos se revoltam contra o gigante que caiu, mas
a de quem fugiam quando este estava de pé. A cobardia de quem usando
impunemente um computador aproveita para insultar. Mas sobretudo a cobardia de
manada, de quem prefere continuar a acreditar no «credo» que lhe foram
incutindo, porque acha que pensar é um exercício demasiado difícil.
Mais um texto meu no Diário do Distrito.
Mais um texto meu no Diário do Distrito.
domingo, 5 de abril de 2015
«Comentadores de sanita»
À primeira vista pode parecer ao meu leitor que este é um
termo chocante e pouco educado.
No entanto, é o único termo que me ocorre quando ouço ou
leio determinados senhores ou senhoras que, «do alto das suas tamanquinhas» se põem
a debitar os mais diversos disparates nos órgãos de comunicação social.
É vê-los na televisão, nos jornais ou nas rádios a
falarem, falarem e falarem, com tal vazio de ideias que nos leva a indagar se o
farão apenas para ouvirem o som das suas próprias vozes ou verem a sua imagem
no ecrã televisivo ou nas páginas dos jornais.
Claro que nestes não incluo os que realmente sabem aquilo
sobre o que estão a falar, os verdadeiros comentadores, aqueles que com poucas
palavras nos dão verdadeiras lições de vida, levando-nos a reflectir sobre o
mundo que nos rodeia.
O tal «comentador de sanita» que refiro é aquele que,
jactante da sua importância, não tem nada a dizer, mas nem se importa com isso,
até porque, muitas das vezes, limita-se a colocar o nome por baixo do texto ou
a dar a voz para ler alguma coisa que um assessor ou secretário lhe escreveu.
O que lhe importa é que a sua fotografia seja impressa ou
a sua voz seja emitida numas quaisquer ondas de rádio ou televisão. O que
importa é o «boneco».
E são tão vazios de ideias e tão cheios de vaidade que,
quando os leitores do órgão de comunicação social para o qual “colaboram” se
cansam de ler sempre o mesmo, acham sempre que a culpa não é sua, que os outros
é que são ‘incultos’, que os outros é que não os mereciam.
Alguns deles, em desespero de causa, agarram-se então
para um tema que sabem irá tocar uma larga camada da população. Os direitos dos
animais.
Isto parece ter sido uma moda iniciada por um certo
comentador com a situação do cão Zico. A partir daí, muitos mais aproveitaram
acontecimentos ligados com animais para lançar considerações estapafúrdias que tocam
de perto quem defende os animais, sabendo que as suas declarações serão
partilhadas e comentadas, alcançando assim os quinze minutos de fama que tanto
almeja.
Infelizmente, há meios de comunicação social nacionais
que ainda dão espaço a certos destes «comentadores de sanita», sabendo também
que este tipo de conflitos que são gerados são a única forma de retomarem
alguma da popularidade que tiveram no passado.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Ilusões e verdades
Numa das últimas reuniões camarárias da Câmara Municipal do Seixal,
veio à baila pelos vereadores da oposição do BE e do PSD, a situação actual da
comunicação social local.
Não é um assunto que normalmente seja abordado por estes eleitos. Normalmente quando se fala de jornais em reuniões camarárias ou eventos oficiais, das duas uma: ou é para pedir/exigir que se faça maior cobertura de determinadas iniciativas, ou então para «dar nas orelhas» ao jornalista/jornal que se atreveu a dizer algo que os poderes instituídos prefeririam manter em segredo.
No entanto, é preciso dizê-lo que no caso do Seixal, os vereadores e eleitos dos partidos da oposição, normalmente, têm tido uma posição de defesa dos órgãos de comunicação social locais. O mesmo não posso dizer do executivo.
Foram também os eleitos da oposição que têm discutido o custo de um boletim quinzenal da autarquia, que custa vários milhares de euros entre produção, impressão e distribuição e de que forma esse custo não poderia ser aplicado na comunicação social local.
Há uns anos atrás, foi por iniciativa de um vereador do PS que se ficou a saber que em ano de eleições autárquicas houve jornais aqui do concelho a receber da autarquia chorudas maquias em publicidade, enquanto que “outro” recebia uma mera migalhita…
Aliás, o corte da inserção publicitária por parte das autarquias é a forma mais directa de mostrarem que aquele jornal ou jornalista, está a ser incómodo e por isso, feche-se a porta.
Mas não pense o leitor que esta situação é exclusiva do Seixal. Nem por sonhos.
São raras as autarquias que estão «como Deus e os anjos» com a comunicação social local ou regional.
Para muitos, quarenta anos depois da Revolução de Abril, é ainda difícil digerir que um determinado jornal publique notícias que demonstram o outro lado de uma fachada que se quer imaculada e virginal.
É para eles praticamente impensável que um jornalista se atreva a referir que um determinado serviço, seja um canil ou as obras públicas, não cumprem com as regras que os munícipes esperam delas e para as quais pagam, com os seus impostos.
Os munícipes, esses agradecem saber a verdade por detrás dos bonitos postais ilustrados.
Não é um assunto que normalmente seja abordado por estes eleitos. Normalmente quando se fala de jornais em reuniões camarárias ou eventos oficiais, das duas uma: ou é para pedir/exigir que se faça maior cobertura de determinadas iniciativas, ou então para «dar nas orelhas» ao jornalista/jornal que se atreveu a dizer algo que os poderes instituídos prefeririam manter em segredo.
No entanto, é preciso dizê-lo que no caso do Seixal, os vereadores e eleitos dos partidos da oposição, normalmente, têm tido uma posição de defesa dos órgãos de comunicação social locais. O mesmo não posso dizer do executivo.
Foram também os eleitos da oposição que têm discutido o custo de um boletim quinzenal da autarquia, que custa vários milhares de euros entre produção, impressão e distribuição e de que forma esse custo não poderia ser aplicado na comunicação social local.
Há uns anos atrás, foi por iniciativa de um vereador do PS que se ficou a saber que em ano de eleições autárquicas houve jornais aqui do concelho a receber da autarquia chorudas maquias em publicidade, enquanto que “outro” recebia uma mera migalhita…
Aliás, o corte da inserção publicitária por parte das autarquias é a forma mais directa de mostrarem que aquele jornal ou jornalista, está a ser incómodo e por isso, feche-se a porta.
Mas não pense o leitor que esta situação é exclusiva do Seixal. Nem por sonhos.
São raras as autarquias que estão «como Deus e os anjos» com a comunicação social local ou regional.
Para muitos, quarenta anos depois da Revolução de Abril, é ainda difícil digerir que um determinado jornal publique notícias que demonstram o outro lado de uma fachada que se quer imaculada e virginal.
É para eles praticamente impensável que um jornalista se atreva a referir que um determinado serviço, seja um canil ou as obras públicas, não cumprem com as regras que os munícipes esperam delas e para as quais pagam, com os seus impostos.
Os munícipes, esses agradecem saber a verdade por detrás dos bonitos postais ilustrados.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
«Aos ricos, o favor da lei, aos pobres, o rigor da lei»
Num país onde os jornais se vêm confrontados com todo o
tipo de obstáculos, a quem são sucessivamente retirados apoios e constantemente
criadas novas taxas e impostos, a luta é quase desumana, sobretudo no que
respeita aos jornais e rádios regionais.
Como se já não bastasse a «guerra» que por vezes estes têm necessidade de travar entre si, quando se implementam numa mesma área geográfica, quando se trata da conquista de mercado publicitário, na maior parte das vezes o seu único sustentáculo, como se vêm ainda na eminência de lutar contra “jornais” suportados por partidos políticos ou grupos económicos.
Como se também já não bastasse a falta de respeito e de reconhecimento das autarquias locais que entendem que o jornalismo regional deve ser aquele que apenas retrata as cerimónias de «corta-fitas», à boa moda dos velhos tempos, enfrenta agora a comunicação social regional um outro estorvo.
Vem isto a propósito de um jornal editado por uma cadeia de supermercados, que se iniciou como um meio de divulgar as promoções nas respectivas lojas e agora se apresenta praticamente como um jornal regional em vários distritos do país.
Não haveria problema se o mesmíssimo jornal, além dos seus produtos, e das tais notícias regionais, não estivesse também, literalmente, a roubar mercado publicitário aos jornais já ali implementados.
Perante um grande grupo económico, com fundos estrangeiros, que vende espaço publicitário ao «preço da chuva», que hipóteses podem ter os restantes jornais?
Mas a culpa é também dos investidores, que na sua maior parte procuram os jornais regionais para divulgarem as suas iniciativas, mas depois adjudicam a sua publicidade a este tipo de “jornais”, que lhes oferecem um preço baixo e têm meios para realizarem uma tiragem mais elevada e uma distribuição mais alargada.
Sabemos que várias queixas foram apresentadas à Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre este tipo de «tubarões» que desta forma parecem pretender acabar com a imprensa local e regional.
No entanto, mais uma vez, parece que os «Grandes», os que dominam tudo e todos, não estão abrangidos por este «braço» da autoridade no campo da comunicação social. Afinal, a ERC parece mais interessada em receber as taxas anuais dos jornais e em exigir que sejam publicados direitos de resposta em casos que, levados a tribunal, este órgão superior considera completamente descabidos de publicação.
Mas é muitíssimo mais fácil punir os pequenos.
Face ao conhecimento que tenho das queixas que aquela entidade recebeu relativamente ao tal pseudo-jornal, espero ainda que a mesma tenha a hombridade de actuar ou de delegar a actuação em quem de direito, não atrasando a sua actuação até que seja já tarde demais para salvar ou proteger os órgãos de comunicação social locais e regionais.
No entanto, perante certos “silêncios” ficamos a pensar se não haverá mesmo segundas intenções.
P.S: Mais uma das minhas crónicas no Diário do Distrito.
Como se já não bastasse a «guerra» que por vezes estes têm necessidade de travar entre si, quando se implementam numa mesma área geográfica, quando se trata da conquista de mercado publicitário, na maior parte das vezes o seu único sustentáculo, como se vêm ainda na eminência de lutar contra “jornais” suportados por partidos políticos ou grupos económicos.
Como se também já não bastasse a falta de respeito e de reconhecimento das autarquias locais que entendem que o jornalismo regional deve ser aquele que apenas retrata as cerimónias de «corta-fitas», à boa moda dos velhos tempos, enfrenta agora a comunicação social regional um outro estorvo.
Vem isto a propósito de um jornal editado por uma cadeia de supermercados, que se iniciou como um meio de divulgar as promoções nas respectivas lojas e agora se apresenta praticamente como um jornal regional em vários distritos do país.
Não haveria problema se o mesmíssimo jornal, além dos seus produtos, e das tais notícias regionais, não estivesse também, literalmente, a roubar mercado publicitário aos jornais já ali implementados.
Perante um grande grupo económico, com fundos estrangeiros, que vende espaço publicitário ao «preço da chuva», que hipóteses podem ter os restantes jornais?
Mas a culpa é também dos investidores, que na sua maior parte procuram os jornais regionais para divulgarem as suas iniciativas, mas depois adjudicam a sua publicidade a este tipo de “jornais”, que lhes oferecem um preço baixo e têm meios para realizarem uma tiragem mais elevada e uma distribuição mais alargada.
Sabemos que várias queixas foram apresentadas à Entidade Reguladora da Comunicação Social sobre este tipo de «tubarões» que desta forma parecem pretender acabar com a imprensa local e regional.
No entanto, mais uma vez, parece que os «Grandes», os que dominam tudo e todos, não estão abrangidos por este «braço» da autoridade no campo da comunicação social. Afinal, a ERC parece mais interessada em receber as taxas anuais dos jornais e em exigir que sejam publicados direitos de resposta em casos que, levados a tribunal, este órgão superior considera completamente descabidos de publicação.
Mas é muitíssimo mais fácil punir os pequenos.
Face ao conhecimento que tenho das queixas que aquela entidade recebeu relativamente ao tal pseudo-jornal, espero ainda que a mesma tenha a hombridade de actuar ou de delegar a actuação em quem de direito, não atrasando a sua actuação até que seja já tarde demais para salvar ou proteger os órgãos de comunicação social locais e regionais.
No entanto, perante certos “silêncios” ficamos a pensar se não haverá mesmo segundas intenções.
P.S: Mais uma das minhas crónicas no Diário do Distrito.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
A força das palavras
Esta semana a notícia em Portugal e no mundo fez-se de
morte. Da morte de uma doente a quem foi negado tratamento para a hepatite C e
de um piloto jordano queimado vivo.
Como cidadã, apetecia-me aplicar a ambas as mortes um único termo: ‘execução’.
Como jornalista, não o posso fazer.
Se no caso do piloto jordano Muath al-Kasaesbeh o termo foi utilizado pela maior parte dos órgãos de comunicação social, no caso de Maria Manuela Ferreira, nenhum jornalista se atreveria a tal.
Infelizmente, esta é a força das palavras.
Se no nosso íntimo todos sentimos que Maria Manuela Ferreira foi vítima de uma execução perpetrada por vários, usar um tal termo iria, no mínimo, levar a responder numa acção em tribunal, e disso ninguém duvide.
Mas se não se pode utilizar a palavra que pretendemos (e sim, pode falar-se o que se quiser de liberdade de expressão, mas existem regras e limites que não podem ser ultrapassados, pelo menos por alguns), podemos usar a força das outras palavras para denunciar.
Infelizmente nem sempre os que deviam sabem, ou querem, utilizar esse poder.
Dou apenas um exemplo: quantas pessoas já passaram horas infinitas num hospital na urgência? Quantas não terão apresentando queixas no local ou até enviado um simples email para um canal televisivo ou um jornal nacional?
No entanto, os canais televisivos e jornais apenas começaram a realmente abrir os seus noticiários e fazerem capas depois de ocorrer mais do que uma morte seguida em alguns desses hospitais.
Mais uma vez, é a morte que vende.
Há quem se pronuncie contra este tipo de jornalismo, mas o que é certo é este atrai os espectadores e os leitores. É o que sai do normal quotidiano que faz a notícia. Daí que as mortes nas urgências dos hospitais só foram notícia e quase viraram histeria em termos mediáticos, depois de morrerem várias pessoas. Incluindo no Hospital Garcia de Orta, sobre o qual há vários anos que autarquias e comissões de utentes têm vindo a alertar para a situação caótica. Quando ocorreram duas mortes seguidas, então alguém a nível nacional tomou nota e fez a “notícia”.
E a “notícia” fez o caso, correndo tinta e quase rolando cabeças. Se algo mudou?
A TVI fez uma reportagem sobre o assunto e detectou que nada ou praticamente nada mudou nas urgências hospitalares portuguesas. Nem sempre o poder das palavras tem a força suficiente para mudar mentalidades e valores monetários dos que nos governam.
Como cidadã, apetecia-me aplicar a ambas as mortes um único termo: ‘execução’.
Como jornalista, não o posso fazer.
Se no caso do piloto jordano Muath al-Kasaesbeh o termo foi utilizado pela maior parte dos órgãos de comunicação social, no caso de Maria Manuela Ferreira, nenhum jornalista se atreveria a tal.
Infelizmente, esta é a força das palavras.
Se no nosso íntimo todos sentimos que Maria Manuela Ferreira foi vítima de uma execução perpetrada por vários, usar um tal termo iria, no mínimo, levar a responder numa acção em tribunal, e disso ninguém duvide.
Mas se não se pode utilizar a palavra que pretendemos (e sim, pode falar-se o que se quiser de liberdade de expressão, mas existem regras e limites que não podem ser ultrapassados, pelo menos por alguns), podemos usar a força das outras palavras para denunciar.
Infelizmente nem sempre os que deviam sabem, ou querem, utilizar esse poder.
Dou apenas um exemplo: quantas pessoas já passaram horas infinitas num hospital na urgência? Quantas não terão apresentando queixas no local ou até enviado um simples email para um canal televisivo ou um jornal nacional?
No entanto, os canais televisivos e jornais apenas começaram a realmente abrir os seus noticiários e fazerem capas depois de ocorrer mais do que uma morte seguida em alguns desses hospitais.
Mais uma vez, é a morte que vende.
Há quem se pronuncie contra este tipo de jornalismo, mas o que é certo é este atrai os espectadores e os leitores. É o que sai do normal quotidiano que faz a notícia. Daí que as mortes nas urgências dos hospitais só foram notícia e quase viraram histeria em termos mediáticos, depois de morrerem várias pessoas. Incluindo no Hospital Garcia de Orta, sobre o qual há vários anos que autarquias e comissões de utentes têm vindo a alertar para a situação caótica. Quando ocorreram duas mortes seguidas, então alguém a nível nacional tomou nota e fez a “notícia”.
E a “notícia” fez o caso, correndo tinta e quase rolando cabeças. Se algo mudou?
A TVI fez uma reportagem sobre o assunto e detectou que nada ou praticamente nada mudou nas urgências hospitalares portuguesas. Nem sempre o poder das palavras tem a força suficiente para mudar mentalidades e valores monetários dos que nos governam.
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