sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os “amigos” não são só para ocasiões

 
As eleições europeias aproximam-se a passos largos. Neste momento todos os partidos que concorrem andam num lufa-lufa de campanha, apresentando os seus programas, as suas linhas orientadoras, as suas promessas.
Caravanas, panfletos, cartazes, fotografias, brindes, jantares e convívios são alguns os meios escolhidos para essa campanha.
E claro, os sempre presentes emails para os meios de comunicação social, no intuito que todas as suas iniciativas sejam divulgadas e cobertas jornalisticamente, tal como define a Comissão Nacional de Eleições.
Da parte do meu jornal, já há alguns anos que optámos por não divulgar qualquer campanha eleitoral.
Entendemos que um órgão de comunicação não pode servir aos partidos políticos apenas quando há interesses de campanha.
Existem diversos problemas que os órgãos de comunicação social enfrentam, não sendo deles o menor a questão económica, mas são poucos ou nenhuns, os partidos políticos que se debruçam sobre o assunto.
E muitos deles até parecem querer entender que os órgãos de comunicação social existem unicamente para lhes servir como meio de campanha em qualquer altura, tendo de disponibilizar o seu espaço e jornalistas para seguirem iniciativas que realizam ou para textos que entendem que devem ser publicados.
Sim, há legislação sobre a divulgação da campanha, mas há também legislação para que os partidos políticos possam ajudar sob a forma de publicidade os jornais.
Refere a Comissão Nacional de Eleições que o Decreto-Lei n.º 85-D/75, de 26 de Fevereiro, que regula o tratamento jornalístico que deve ser dado às candidaturas, indica que durante o período da campanha «apenas serão permitidos, como publicidade, os anúncios, que perfeitamente se identifiquem como tal, de quaisquer realizações, não podendo cada um desses anúncios ultrapassar, nas publicações diárias de grande formato e nas não diárias que se editem em Lisboa e no Porto, de expansão nacional, e também de grande formato, um oitavo de página, e nas restantes publicações, um quarto de página».
Além disto, temos a discrepância entre o apoio estatal que é dado à comunicação social.
Refere o Correio da Manhã: «Os tempos de antena no âmbito da campanha para as eleições europeias do próximo dia 25 de Maio vão custar aos cofres do Estado 2,1 milhões de euros, segundo dados do Ministério da Administração Interna, onde se adianta que as televisões generalistas recebem 73% do montante atribuído com RTP, SIC e TVI a receberem um valor acumulado de 1,6 milhões, que serão depois divididos de acordo com as audiências registadas no período da campanha. As rádios nacionais irão receber 500 mil euros e as regionais 73 mil euros.»
Nisto tudo, onde ficam os jornais, sobretudo os regionais? Os que têm de pagar as deslocações dos seus jornalistas? Os que têm de pagar o papel, a impressão, a distribuição?
Pois. Por tudo isso, da parte do meu jornal, decidimos não fazer campanha.
Se calhar, se esta atitude fosse tomada por todos, os partidos políticos e o próprio Governo teriam de reformular a forma como encaram a imprensa na comunicação social. É que os «amigos» não servem apenas para as ocasiões, mas parece que poucos são os partidos políticos que em campanha eleitoral se lembram deste pressuposto.
Ou não se querem lembrar.
 
Ps: artigo de opinião desta semana no jornal Diário do Distrito

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