quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O fim ou o princípio de uma história


Já o disse inúmeras vezes que o trabalho de jornalista é a melhor e a pior das profissões.
De todas as histórias de que falamos, é necessário olhar tudo de alguma distância, de forma fria e lógica.
Sendo humanos, nem sempre isso é possível. Não conseguimos ficar indiferentes ao ouvir determinados discursos eivados de mentiras, nem impedir que o sangue ferva ao escrever sobre determinados temas.
No entanto, é nossa obrigação faze-lo. São os nossos olhos que vêm a história, é a nossa sensibilidade que escolhe as palavras, é a nossa razão que tece as ideias.
Mas e quando a história nos é próxima demais? Ou quando, ao contrário do que nos dizem todos os manuais e mestres professores, nos deixamos capturar pelos elementos dessa história?
Ao longo destes quase vinte anos de jornalismo, já me aconteceu isso.
Por várias vezes. E de todas elas me orgulho. Sim, há o profissionalismo, mas este nada é sem o lado humano com que também temos de olhar em nosso redor.
Como posso descrever um pôr-do-Sol, sem sentir o calor deste no rosto?
Por isso mesmo dizemos que todas as histórias que escrevemos, levam um pedacinho de nós.
E depois há aquelas histórias que realmente nos prendem, que não terminam quando desligamos o gravador ou guardamos a máquina fotográfica.
Ontem tive essa história.
Depois de ter conhecido um casal paquistanês, devido a uma avaria com o meu telemóvel, escrevi sobre o seu desespero por estarem há dois anos a aguardar vistos de residência e autorização para trazerem para Portugal os seus gémeos de 3 anos de idade.
O casal foi-me mantendo informada do processo e há uns dias, pediram-me que os acompanhasse ao SEF de Setúbal, para os ajudar como intérprete na reunião que lhes foi marcada (tendo em conta que o advogado a quem pagaram não quis ir).
Claro que acedi e confesso que ia muito nervosa, porque acreditava que podia ser o passo final que permitiria a reunião deste jovem casal com os filhos.
Durante uma manhã stressante, fomos conversando, brincando até para afastar o nervoso, com as horas a arrastarem-se.
A determinada altura, uma das funcionárias do SEF que se afadigava com o processo, vendo o nosso nervoso, disse-me: 'O processo dos meninos fica hoje concluído, e vão poder ir busca-los ao Paquistão'.
Virei-me para eles e naquele momento não encontrei palavras, eu que as uso todos os dias.
Como dizer a estes pais que o sofrimento de dois longos anos (em que aguardaram a conclusão do processo) iria terminar ali? Que daqui a dias podiam estar a abraçar os filhos e traze-los para Portugal?
Olhei para eles e creio que leram tudo isso na minha cara. Foi impossível não chorar. E rir de alívio.
À saída do SEF fizeram questão de abraçar as funcionárias, e o pai passou-me os papéis para as mãos. Quando lhe disse para os guardar, respondeu-me: 'Please, por favor, segura-os nas tuas mãos, porque foi a tua força que permitiu que isto estivesse agora a acontecer, e queremos que essa energia continue agora nestes papéis que vão para o Paquistão.'
Em Março estarei no aeroporto à espera dos dois pequenos gémeos, um menino e uma menina, que a mãe irá buscar.
Porque uma história nem sempre termina com a palavra 'FIM'.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O oportunismo dos jornaleiros e dos políticos

 

Hoje vou partilhar neste meu cantinho um texto de Carlos Pires, e um cartoon delicioso de Ricardo Campus, publicado esta semana no Diário do Distrito, na secção Portugal aos Cacos.

Assim vai a maior parte da comunicação social nacional e local, sobretudo quem, durante o meu tempo, fazia questão de alardear ser totalmente independente.

É que mudam-se os tempos, vergam-se as costas mas enchem-se (e muito) os bolsos.

 

«Ao molho e Fé em Deus...
O oportunismo dos jornaleiros e dos políticos
Ultimamente ando a ver algum oportunismo de alguns media que são autênticos órgãos de comunicação das autarquias locais e que servem só o interesse dos autarcas que não querem ou não podem gastar milhares em boletins da sua própria casa e vão aproveitando-se das “lambidelas” que alguns jornaleiros lhes vão dando nos pés
Podia começar este meu artigo de opinião como todos outros, mas como gosto de ser diferente, começo por...
 
ERA UMA VEZ
 
Numa terra longínqua havia um comendador que gostava de se mostrar ao mundo com o seu ar de pavão emproado, mas que certo dia pensou em “comprar” um pequeno caderno de propaganda, para mostrar a todos os seus mais belos e reais prazeres de governação...
 
Podia continuar esta história que muitas vezes é real e que alguns que andam por aí a pregoar que são jornalistas, não passam de jornaleiros de péssima categoria, metaforicamente falando. Ora vejamos, para se ser jornalista é preciso informar e de estar informado, para que depois nas suas peças jornalísticas possa sair um trabalho em que é reconhecido pela classe e o mais importante é, captar o interesse do público em geral.
 
Todos os dias pego em jornais locais, que se pensa serem jornais de mais proximidade das populações, diferentes dos nacionais, mas de diferente só tem o nome, pois alguns são autênticos boletins municipais. O leitor quando começa a ler um desses pequenos jornais, pois de grande só no tamanho, começa a perceber o jogo de interesses que aquele órgão de comunicação social, seja ele diário, trissemanário ou mesmo semanário tem para a política local.
 
Com as medidas de austeridade que o nosso País passou, todos sabemos que os dinheiros públicos em parte são controlados, e que as autarquias não se podem exceder nas tradicionais publicações que tinham, mas também existe outro fator, pois a autarquia não se substitui a um tradicional jornal que por vezes terá uma tiragem de 10 000 exemplares – alguns, nem todos – e que tem o seu leitor assíduo.
 
O jogo de oportunismos começa quando um autarca aposta em certo ponto num qualquer “cavalo de corrida” e depois a certo modo começa a ser ele o próprio a controlar todas as peças que vão sair nessa mesma semana. Quem está a ler neste momento o meu artigo poderá pensar – “como é possível o autarca controlar as peças que possam sair ou não na edição” – muito simples, aposta na publicidade a fim de controlar tudo que possa sair menos positivamente nesses órgãos de comunicação social, aqui está o oportunismo da “coisa”, onde o autarca controla e o jornaleiro vai dando noticias ao sabor de ventos favoráveis.
 
Mas nem todos os media são compráveis, e quando não o são, o problema instala-se em absoluto... Tenho um caso simples, há uma semana atrás quando falava com um amigo meu que é um dos responsáveis de uma publicação de informação, ele estava muito arreliado, pois o departamento comercial desse media tinha sido contactado por uma empresa que por sinal tem no seu conselho de administração, pessoas que são autarcas, e que lhes solicitaram preços para publicitar um evento que iria decorrer a poucos dias.
 
A história prolongou-se e por fim teve que ser o departamento comercial desse media a entrar em contacto para saber se haveria contrato ou não. Ora veio a saber que tinha perdido o contrato com outra empresa concorrente. Claro que o media dele não é vendável a certos “favores políticos” e tem noticiado assuntos que não tem agradado a alguns políticos que não gostam de ver plasmado certos assuntos em público, a resposta da empresa foi que esse órgão de comunicação social não teria sido escolhido pelos membros de administração.
 
Moral da história, para alguns políticos de trazer a “tiracol” mais vale ser engraçado do que cair em graça, porque o que importa não é o interesse da opinião pública para esses autarcas e políticos, mas sim os media acolherem as coisas boas e esconderem debaixo do tapete as menos positivas.
 
Assim vão as parcerias entre os media e os políticos...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Diário do Distrito na listagem Marktest

Os resultados da Marktest de Outubro para o Diário do Distrito que contabiliza o número de vezes que as nossas notícias foram visualizadas.
Apenas a onze lugares do jornal nacional Diário Digital. Têm dúvidas?
Verifiquem.

http://net.marktest.pt/netscope/rankings-netscope/ranking-netscope-de-outubro-de-2016/

Quando a notícia são os animais


No outro dia falava com um autarca do distrito de Setúbal, que também gosta de animais como eu, e dizia-lhe que as notícias que o Diário do Distrito publicava sobre animais, tinham tantas ou mais visualizações do que até noticias de crimes, sempre tão procuradas pelos leitores.
E hoje tive de novo essa certeza, quando publicámos uma notícia sobre uma acção da GNR de Setúbal na Moita.
Mais de 7700 visualizações e dezenas de partilhas em praticamente todos os grupos dedicados aos animais no facebook poucas horas depois de ser colocada online a informação.
Isto é sinónimo da mudança das mentalidades em Portugal, cada vez mais atenta ao bem estar animal, mas também uma mudança no paradigma da actuação das autoridades nestes casos que ainda se repetem em pleno século XXI.
E claro, significa que o Diário do Distrito está cada vez a chegar mais longe porque não é à toa que a Marktest nos coloca como o terceiro jornal regional na área do digital, apenas superados pelo Diário de Notícias da Madeira e pelo Diário das Beiras, e que temos hoje, 23 773 seguidores no facebook.

P.S. - E horas depois, ultrapassámos as 12.500 pessoas, com mais de 100 reacções e mais de 100 partilhas.

sábado, 22 de outubro de 2016

Orgulho!!


Uma das características que reconheço a mim mesma é a minha total entrega ao que faço.
E se conhecem a expressão 'vestir a camisola', já o fiz na verdade... uma amarelo-vivo da Rádio Baia, enquanto entrevistava pessoas nas festas populares.
É assim que sou, não consigo trabalhar por metades.
Essa entrega, que no meu ponto de vista é o que deve ser o profissionalismo, nem sempre tem sido compreendida pelas pessoas com quem trabalhei, causando invejas (cheguei a ouvir nos últimos anos que o meu trabalho até um macaco faria...) porque há quem apenas veja o dinheiro à frente, não se interessando minimamente por qualquer critério de qualidade.

Mas adiante.

O que queria partilhar com quem visita esta minha página são os resultados que periodicamente o Diário do Distrito recebe e também, como a imagem acima, o número total de Gostos que a nossa página tem.
Aqui o mérito é de uma verdadeira equipa de profissionais dedicados a fazer chegar mais longe a informação de um órgão de comunicação social que é já o terceiro regional mais visto online de todo o país (acima, apenas o DN da Madeira e o Jornal das Beiras).
Por isso, repito: tenho orgulho em fazer parte desta equipa!

 
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quando o nosso melhor parece não chegar

Quando escolhi a minha profissão de jornalista, sabia que certos dias seriam mais difíceis que outros, quer pela sobrecarga que alguns têm, quer ainda por certos assuntos e eventos nos tocam no mais fundo do nosso ser.
Há ainda aquelas situações em que a ‘notícia’ nos fica demasiado próxima, como também já me aconteceu. Um acidente em que conhecemos a vítima ou um chão que abate num prédio da nossa rua e em que os técnicos têm de esperar para prestar declarações enquanto despimos a farda de jornalista e ajudamos a acalmar uma das vizinhas que conhecemos desde sempre.
Mas esta é também uma profissão onde nunca deixamos de nos surpreender.
Em quase duas décadas de jornalismo (tantos que já posso renovar automaticamente a minha carteira profissional) estou neste momento com uma reportagem como nunca me surgiu na vida.
Embora o tema não seja novo, a imigração, desta feita sinto sobre os meus ombros um peso acrescido.
É que as pessoas a quem entrevistei colocam quase todas as suas esperanças de resolver a sua situação, naquilo que vou escrever e nas respostas que posso vir a obter. Além disso, esta foi uma situação que me tocou particularmente.
Não apenas por se tratar do caso de pais que estão separados dos seus filhos de tenra idade, como também pela situação que as duas crianças vivem no Paquistão e que me foi relatada pelos pais.
É tão diferente lermos ou ouvirmos que morreram 73 pessoas, 29 delas crianças, em Março deste ano, na distante Lahore, ou que em Quetta, morreram 3 pessoas e 27 ficaram feridas, 2 delas crianças.
É lá longe, num país que nem conheço, com uma cultura que não é a minha. Mas ouvir essas mesmas histórias na primeira pessoa, por quem está afastado dos filhos e sofre por saber que eles estão sujeitos a este tipo de violência, torna toda a nossa percepção da realidade completamente diferente.
E é impossível separar a jornalista da mulher que quer abraçar a outra mulher que chora à sua frente.
É impossível conseguir a frieza suficiente para não se dizer a um pai que esconde as lágrimas que não se irá fazer tudo o que é humanamente possível para ajudar.
E é impossível não nos sentirmos impotentes quando esbarramos nos silêncios institucionais, na barreira do «não há pessoal suficiente», no muro do «têm de esperar que o processo decorra».
Quando ouvimos um «por favor, ajude-nos a trazer os nossos meninos para a segurança», o que pudemos responder?
Apenas um ‘vou fazer o meu melhor’…

http://diariododistrito.pt/index.php/news/6130/126/Mama-baba-porque-nao-podemos-ir-ter-convosco-Mama-baba-why-can-t-we-come-to-you

terça-feira, 30 de agosto de 2016

«Os anos parece que não passam por si»


Quando iniciei a minha carreira como jornalista, já lá vão perto de vinte anos, havia algo que me causava uma certa inveja.
Era a forma como outros jornalistas, já conhecidos na ‘praça’, eram reconhecidos e tratados pelas entidades presentes nos eventos onde ia.
Recordo-me sobretudo de, durante uma campanha eleitoral, um político nacional bem conhecido chegar ao local da conferência e perguntar em tom de brincadeira a uma jornalista de uma televisão «Oh senhora, onde está o resto de si?», porque esta tinha perdido bastante peso.
Secretamente, sempre desejei que um dia chegasse e também me tratassem assim. E esse dia já chegou há algum tempo, felizmente.
Chegar a certos locais, sobretudo no último ano, e as pessoas recordarem-se de mim e do meu trabalho no Rostos e na Popular FM, é sempre um certo aconchego ao nosso ego profissional.
Foi muito engraçado o ano passado, também durante a campanha eleitoral, ter deputados como Nuno Melo a cumprimentar-me e a dizer no meio da comitiva: «Há muito tempo que não a via», ou Nuno Magalhães a fazer uma enorme festa quando soube que era eu quem o aguardava para falar em Cacilhas, recordando à frente de outros jornalistas os almoços que teve no Seixal comigo e com o então presidente da concelhia, João Noronha.
Ainda há dias, num evento no Seixal, um senhor me dizia: ‘ah, já não se deve lembrar, mas passamos uma situação caricata aquando da inauguração do Bairro da Cucena, estava a senhora na Rádio Baía’ e vá de me contar a peripécia, da qual confesso já não tinha a menor ideia, decorridos que estão perto de dezasseis anos.
Hoje em dia é raro ir a algum local sem que alguém me cumprimente e troque dois dedos de conversa. Confesso que sinto o meu ego bastante «inchado» com tais demonstrações.
Vem isto a propósito de, recentemente, numa das minhas reportagens ao serviço do Diário do Distrito, uma senhora com um cargo numa autarquia ter vindo ter comigo e de forma bem engraçada me dizer: «Tirando alguns quilinhos a mais, os anos parece que não passam por si!».
Este carinho por parte das pessoas, e até dos colegas, não tem preço.
Como também não tem preço, como já disse no meu anterior texto, a quantidade de votos de felicidades neste meu novo começo na minha vida profissional, alguns deles feitos de forma pública e registados em acta (LOL), e vindos até de pessoas de quem não esperava.
Por isso, da próxima vez que me olhar no espelho e achar assim a modos que ‘pró gorda’, já sei que a 'vastitude' não se fica a dever ao peso mas sim ao ego.

terça-feira, 19 de julho de 2016

«Pedras no caminho? Apanho-as todas»

Ao voltar a este meu blogue, vejo que já passou quase um ano desde que publiquei pela última vez.
Muita coisa aconteceu nestes meses.
No entanto, e porque sei que há várias pessoas que estão curiosas sobre o que se passou, porque deixei de ser directora (e de pertencer à equipa e SUPOSTA SOCIEDADE) no jornal Comércio do Seixal e Sesimbra, achei por bem colocar aqui esta publicação.

E também porque o esclarecimento que deixei no perfil do facebook e na página do blogue do jornal foram APAGADOS (e fui bloqueada de ambos e apagados os comentários de pessoas que me defendiam) porque não interessa à 'senhora proprietária do título' que se conheçam as razões que levaram a esta ruptura.

Uma ruptura que se previa há muito, e que muitas das pessoas que comigo falaram nestes dias diziam já estar à espera, admirando-se até pelo tempo que aguentei (NOVE ANOS), mas por muitos anos que vivamos, nunca conheceremos completamente certas 'pessoas'.

Nove anos de sacrifícios, de trabalho de JORNALISTA e de PAGINADORA, para poupar alguns tostões à suposta SOCIEDADE, de gastar o que tinha e não tinha, de pedidos de empréstimos a familiares (até hoje nunca pagos) para aguentar o que nunca foi, sei-o agora, o meu projecto, isto apesar de o jornal ter chegado ao que é hoje fruto do MEU TRABALHO.

Que não existam dúvidas: NÃO ERA EMPREGADA do jornal.

Fui a Unipessoal que manteve o jornal durante dois anos depois do anterior proprietário ter descoberto "certas coisas" feitas pela 'senhora proprietária do título'/directora comercial e ter largado o projecto.

Fui depois, durante cerca de cinco anos, a sócia-gerente da empresa Palavrabsoluta que editou o jornal. Mas devido ao acumular de dívidas às Finanças e afins (pois o dinheiro da publicidade nunca chegava para pagar as contribuições), chegou a uma altura em que não era possível continuar a facturar aos clientes (passando eu a arcar com as dívidas a estas instituições).

Optou-se então por uma Unipessoal em nome da 'senhora proprietária do título' para não deixar morrer o projecto do jornal.
A partir daí, Novembro de 2014, nunca mais tive acesso a qualquer conta bancária da "empresa", NUNCA MAIS SOUBE QUE VALORES ENTRAVAM E PARA ONDE SAIAM.

As despesas, essas passaram então a ser inteiramente por minha conta, desde a gasolina para me deslocar nas reportagens, para fazer a distribuição do jornal, até para pagar a renovação da minha carteira profissional.

Para pagar um simples café, tinha de pedir dinheiro à minha mãe, que durante estes anos aguentou todas as despesas, emprestou dinheiro à suposta sociedade, fez distribuição do jornal, sem nunca receber sequer dez euros. 

Mas sempre que eu exigia ver as contas do jornal ou ter os dados de acesso à conta bancária. era acusada de não confiar na tal 'gestão', de ser uma pessoa a quem só interessava o dinheiro e não o projecto em si.
Estupidamente, fui deixando as coisas passarem.

Há um ano, fui convidada para colaborar com o Diário do Distrito, por pessoas amigas de longa data. Aceitei porque gosto dessas colaborações e por algum apoio que recebia. Claro que falei com a suposta «sócia» sobre isso, porque nunca fiz nada pelas costas de ninguém, ao contrário do que me foi feito durante estes anos. E assumi sempre que nunca poria essas colaborações à frente do jornal, chegando a recusar trabalhos (com prejuízo para mim!!).
Já o jornal beneficiou dos conhecimentos e da parceria que EU CRIEI, quer em termos de notícias, quer sobretudo em termos de inserção de publicidade.
Apenas em duas ocasiões pedi à 'senhora proprietária do título' que fosse tirar fotos para o jornal (para uma publireportagem e para uma entrevista), numa delas porque eu tinha sido convidada a estar num encontro na Feira do Livro como jornalista, o que deixou a 'senhora proprietária do título' absolutamente furiosa.

Mas embora a 'senhora proprietária do título' tivesse concordado com essa minha colaboração, sendo a própria que antes me dizia porque não tentava arranjar uns trabalhos como colaboradora para fazer algum dinheiro, a inveja de ver alguém sair do seu raio de acção, de me ver lidar com pessoas que não giravam em seu redor, de me ver feliz com algo que não estava na sua esfera de alcance, foi demasiado para esta pessoa, que chegou a dizer a várias pessoas que 'não sabia no que iam dar estas colaborações da Carmo!'.

Aumentaram as discussões por tudo e por nada, as 'bocas', as caras fechadas, as tentativas de humilhação em qualquer local, os actos descabidos.

Só um exemplo: em Abril foram feitos novos cartões de apresentação, por insistência minha, porque sempre que ia a qualquer evento, me apresentava como DIRECTORA do jornal (e só depois como colaboradora do DD) e achava que a entrega de cartões do jornal seria uma mais-valia.

E eis senão quando os cartões chegam e NESTES SÓ CONSTAVA O NOME DA SENHORA PROPRIETÁRIA DO TÍTULO e o seu número de telemóvel, a par com o número geral do jornal...

Confrontada com isto, a resposta foi: 'Porquê? Querias lá o teu número? E se querias cartões com o teu nome, pedisses...'
Como se em NOVE ANOS nunca tivessem sido feitos cartões, sempre com os nomes das DUAS (supostas) SÓCIAS. Mas o jornal onde saiu o anúncio da gráfica que pagou esses cartões, foi inteiramente feito, paginado e pago por mim.

Reuniões com presidentes de autarquia, com a nova senhoria, com um cliente para (eu) fazer um suplemento sem receber nada, só podiam ter a presença da senhora proprietária do título, sabendo eu dessas reuniões apenas depois de terem tido lugar.

Já para as 'representações do jornal' que aconteciam à noite, aos fins-de-semana ou feriados era eu que tinha de estar sempre disponível, ou vinha logo um 'não te ralas com o jornal, só queres fazer a tua vida e estar de perna esticada no sofá!'.

Mas claro, as despesas de deslocações tinham de sair do meu bolso porque o dinheiro que ia entrando no jornal SÓ NÃO CHEGAVA PARA ISSO... as despesas tinham de ser assumidas por mim, como 'SÓCIA' do projecto e DIRECTORA do jornal, e essa 'desculpa' servia também para não receber qualquer valor monetário.

Aliás, uma das últimas discussões aconteceu precisamente porque eu comentei que, ao chegarem as férias pelo Verão, não iria acontecer o mesmo que no Natal, em que nem dez euros tirei para mim. Claro que veio logo a conversa do 'não sabes que não há dinheiro!!?'...

Embora não tivesse acesso à conta bancária do jornal, não sou idiota de todo para não fazer um cálculo do que era recebido em publicidade e aquilo que via ser pago, sobretudo em restaurantes, com o cartão 'do jornal'...

Assim como me apercebia das trocas de serviços por publicação de anúncios, das quais usufruía a 'senhora proprietária do título do jornal' e respectiva família (tratamentos de rosto, unhas de gel, cabeleireiro, limpeza dos automóveis, noites em hotéis, refeições, óculos para toda a família, tratamentos dentários, etc. etc)...
Confrontada com isto, a resposta era sempre a mesma: «e depois? EU estou a meter aqui muito dinheiro!» (empréstimos contraídos em seu nome, mas pagos com a publicidade do jornal).
Claro que o que dinheiro que eu meti, as dívidas às minhas costas e o meu trabalho de duas pessoas não contava para nada...

Mas abordar estes assuntos era motivo para gritaria, que sinceramente, não tinha já paciência para aturar.

Tudo isto culminou no dia 7 de Julho de 2016, quando saí para fazer um trabalho para o Diário do Distrito, e me esqueci de informar a 'senhora proprietária do título do jornal' de que tinha chegado uma carta com bilhetes para o espectáculo do Filipe La Feria e da qual eu retirara os MEUS bilhetes, conforme já tínhamos combinado entre as duas até numa ida à praia.

E porque a carta vinha dirigida a Comércio do Seixal/ Att 'senhora proprietária do titulo do jornal', recebi um telefonema histérico (há pessoas que estavam comigo e ouviram os gritos) acusando-me de que tinha aberto uma carta que NÃO ERA PARA MIM, que tinha VIOLADO CORREIO, que era UMA LADRA porque lhe tinha ROUBADO os bilhetes, e que estava PROIBIDA de o tornar a fazer.

Em nove anos de 'sociedade' nunca abri uma carta que não me fosse dirigida, e cheguei mesmo a ouvir pela tal pessoa frases como 'porque não abriste? É PARA NÓS!'...

Ainda mais curioso: quando, há umas semanas, chegaram os primeiros bilhetes deste espectáculo, fui eu quem assinou o registo e abri a carta, e até avisei a 'senhora proprietária do título do jornal' de que os bilhetes não eram duplos... sem que a dita tivesse ficado 'ofendida'... Aliás, cheguei a ir levantar várias cartas REGISTADAS com bilhetes das produções La Féria em nome dela aos CTT, quando não lhe apetecia fazer essa caminhada.

Ao fim desse dia ainda fui à redacção do jornal e encontrando-se a 'senhora proprietária do título do jornal' na esplanada, aproximei-me dela e perguntei-lhe se podíamos falar.
Nova explosão de histeria, com acusações de 'ladra', 'nem o meu marido abre as minhas cartas', 'podes desaparecer da minha vista', E O HILARIANTE 'Também abres as cartas do Diário do Distrito!?'.
Perante isto nada havia a dizer senão gritar-lhe na cara que não era a empregada que ela julgava ter ao seu serviço, e virar-lhe costas.

NO DIA SEGUINTE AO CHEGAR À REDACÇÃO, ENCONTRO A FECHADURA MUDADA, e verifico que as passwords dos emails foram alteradas e ainda o bloqueamento do perfil do facebook.

Perante a minha ameaça de entrar com a PSP para recolher o que era meu e os dois gatos que ali estavam (a quem nem se dignava a dar comida, mas um deles foi para lá por insistência dela), a empregada do jornal abriu a porta, MAS A SENHORA DONA DO TÍTULO ESCONDEU-SE NUMA SALA, e nem coragem teve para sair e dizer-me o que quer que fosse nos olhos.

Esta era a pessoa que dizia ser 'não minha amiga, mas minha irmã'; que me convidou para madrinha do filho; que me ligava a qualquer hora do dia ou da noite para 'desabafar', confidenciar e dizer mal de tudo e de todos durante horas; que me pediu algumas centenas de euros emprestados numa das suas mudanças para pagar rendas em 2010, esquecendo-se comodamente de pagar; de quem fui fiadora de um carro comprado para a 'empresa' e só usado por ela, com a condição de pagar as prestações, o que deixou de fazer ao fim de uns meses sem me dizer nada (só fiquei a saber da situação quando a locadora ME exigiu a devolução do Renault); que acompanhei em momentos difíceis da sua vida, sem nunca receber a mesma atitude da parte dela, que me mentia ao dizer que estava a pagar tudo às Finanças e à Segurança Social, situação de que só fiquei a saber quando comecei a receber os avisos na minha casa.

Era esta pessoa com quem eu julgava tinha uma amizade verdadeira e uma sociedade para um projecto que só é aquilo que é hoje devido AO MEU TRABALHO, às horas que gastava para conseguir as melhores reportagens e as que passava frente ao computador para paginar todas as edições do jornal (embora na ficha técnica viesse o nome da filha da 'senhora proprietária do título') e para manter o blogue actualizado.

Felizmente tenho recebido uma imensidão de mensagens, de telefonemas, de apoio de pessoas que nem pensava que soubessem da minha saída, alguns dos quais fizeram questão de me congratularem,  DE FORMA PÚBLICA, por essa saída de 'um labirinto de inveja', como me disse um amigo.

Os 'conhecidos' que acharam por bem tomar um partido, sem sequer me procuraram para saber a minha verdade, com receio de deixarem de ver a sua cara ou nome no jornal, contam-se pelos dedos de uma mão (e sobram dedos).

Quanto a mim, o meu futuro começa agora.
Aprendi muito nestes anos, e muito mais tenho a aprender.
Infelizmente nunca quis acreditar num ditado popular que sempre me diziam: «Meias, nem nas pernas!».
Quem quiser continuar a seguir-me, encontra-me no Diário do Distrito, na Alvo Magazine e na Nova Gazeta. E em breve, em mais uma publicação.
Porque o valor de uma pessoa não é medido pelo que ela acha que é, mas pelo que os outros sabem que é na realidade.

"Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão..."
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Dura realidade

Muitas vezes, em tom de brincadeira, os jornalistas dizem entre si, sobretudo na silly season, «era tão bom que se desse para aí um crimezinho ou um incêndiozito para termos notícia». Funciona um pouco como ‘piada interna’, em alturas em que se repetem os temas possíveis para realizar reportagens, abrir noticiários ou fazer capas de jornais.
E eis senão quando a realidade nos bate de frente no rosto.
Uma informação, alguns telefonemas, e a notícia que ninguém queria dar: um triplo homicídio aqui mesmo na nossa área de abrangência noticiosa.
Depois de algumas informações dispersas, do primeiro impacto de uma notícia que nos horroriza, vem uma interrogação: ‘será alguém que conheço’?
E a ânsia de obter mais dados, de saber nomes, locais, com a noção de que, mesmo que não seja pessoa que conheçamos, será sempre o filho, o familiar, o amigo, o colega de alguém que vai sofrer com a notícia que nos apressamos a dar.
E ainda é pior quando o acontecimento se passa com alguém que conhecemos, mesmo que remotamente. Há que apelar a toda a frieza que sempre nos disseram ser absolutamente necessária para estar nesta profissão.
Após a notícia do acto, tresloucado e sem explicação, embora não nos caiba a nós fazer essas classificações, cabe obter mais informações, e se possível, como ensinam os manuais, dar uma versão diferente da notícia.
E no caso que refiro, houve um bom e um mau exemplo, do meu ponto de vista.
Um diário nacional, centenário, apresentou uma reportagem tocante, feita do ponto de vista dos jornalistas que chegaram ao posto territorial da GNR da Quinta do Conde, poucas horas depois do acontecimento.
O ponto de vista de quem, do lado de fora, assistia a uma dor profunda, às lágrimas contidas, à voz embargada dos que tentavam lidar com uma situação para a qual nenhum treino militar os prepara. A perda de um camarada em serviço.
Do outro lado do espectro, um outro diário nacional, que nos habitou já a uma visão «diferente» dos acontecimentos, a fazer ligando o homicida a um familiar que obteve alguns momentos de fama num reality show.
Pior do que o jornalismo do copy past, que se vê hoje muito por aí, é este debitar de dados, de uma grosseria a toda a prova.
Três pessoas assassinadas, quatro famílias destruídas, dor e revolta, e o que interessa para este jornal, é o parentesco do homicida com alguém remotamente famoso…

Não, isto não é, nem nunca será jornalismo.

domingo, 5 de julho de 2015

O gato e o galo


 
O título deste artigo não tem a ver com a fábula de Esopo. Antes tivesse.
Confesso que por vários motivos pessoais, esta semana estive pouco atenta às notícias nacionais e estrangeiras. No entanto, algo me tocou daquilo que foi sendo divulgado e, neste caso concreto, denunciado.
Tratou-se da ‘Queima do Gato’, no caso uma gata, que foi queimada em nome de uma «tradição» em Vila Flor.
Quem me conhece, sabe que sou acérrima defensora dos direitos dos animais e me oponho de forma ferrenha a touradas e outros “espectáculos” que causem dor ou desconforto a animais. E são muitos os argumentos que tenho lido contra e a favor desses.
Mas não consigo encontrar nenhum argumento que sustente o horror que é manter um gato dentro de um pote, para depois lhe deitar fogo e divertirem-se meia dúzia de energúmenos com o sofrimento causado desta forma ao animal.
Em Ruivós, freguesia de Sabugal, a população juntou-se também para enterrar um galo e tentar acertar-lhe na cabeça, com uma enxada. Argumentam também a existência de uma «tradição» para este acto.

Podem alegar alguns que animais para consumo são mortos também.
É uma verdade, e por isso devemos todos exigir que o transporte e a matança seja efectuada sem causar danos aos animais.
Nas matanças de porco a que tenho assistido ao longo da vida, e quem a elas já assistiu sabe também que sempre se primou por evitar ao máximo o sofrimento do animal, até afastando do local pessoas que pudessem «ter pena do bicho, para que ele tivesse uma morte rápida».
Sempre vi familiares matarem coelhos e galinhas, e não encaro a carne que consumo como algo simplesmente saído dos frigoríficos de um supermercado.

Mas estes dois casos não são tradição nem cultura. É sadismo e barbarismo.

Pode ter sido assim no passado, mas as pessoas evoluem.
Veja-se o caso de Monsanto, onde atiravam um animal em chamas pela encosta abaixo, numa antiquíssima tradição, que agora é substituída por um pote a arder, ou o do enterro do galo do Entrudo em muitos pontos de Portugal (noutros será o do chouriço ou do bacalhau), mas em que o animal vivo foi substituído por figuras de papel.
Tenho esperança que a nova legislação que pune crimes contra animais de estimação, puna severamente os autores do crime de Vila Flor (infelizmente o outro não o será, porque um galo não se enquadra na referida lei).
Sim, há outros crimes que podem ser mais graves, outros assuntos mais problemáticos, outros seres que sofrem.
Há, e por isso mesmo temos o dever de lutar por todos, por um mundo melhor para todos o que o partilham.
E embora tenha a certeza de que serão muito poucos os que podem criticar-me por esta defesa pública dos animais contra um acto que nada tem de tradição, peço a esses apenas um momento de reflexão sobre o assunto, e que se lembrem que quem pratica estes actos, também vota…