Quem me segue no facebook sabe que a maior parte dos meus posts partilhados são sobre animais abandonados, porque a cada dia que passa, quanto mais conheço as pessoas mais gosto dos patudos.
E por isso não foi sem espanto que há algum tempo atrás, mais propriamente, a 9 de Junho, ouvi com estes que a terra há-de comer (sou dadora de órgãos, mas com os problemas que tenho tido nas orelhas, acho que ninguém as vai aproveitar...) que o canil municipal do Seixal pode deixar de ser um canil de não abate, para começar a matar os animais.
Também no facebook e onde quer que a conversa surja, tenho sempre gabado o facto do canil do Seixal ter sido o primeiro do país a proibir o abate. Principalmente porque até tive oportunidade de entrevistar o Dr. Bruto da Costa, há umas décadas atrás, que era o responsável pelo espaço e o ouvir dizer que fazia “uns malabarismos” para evitar que na altura os animais fossem abatidos. Claro que quando tive conhecimento que deixara de ser assim, fiquei, tal como toda a gente com um grama de coração para com os animais, muito satisfeita.
E agora, zás.
Em declarações sobre as queixas de um munícipe acerca de uma matilha de cães abandonados em Casal do Marco, o vereador Joaquim Tavares, do pelouro do Ambiente e Serviços Urbanos, diz, preto no branco que: “devido à crise são o abandono dos animais é cada vez maior. Pode haver várias soluções, mas o não abate dos animais também tem o seu tempo. Primeiro há que preservar o ser humano, e tomar opções a cada momento. Perante a quantidade de animais abandonados, temos de resolver o problema e repensar a política de não abate.”
E prontos.
Em resumo, retrocede-se neste concelho anos em termos de civilização. Ou seja, há muitos animais, que aqui no Seixal até são acompanhados por um grupo muito activo de voluntários, que até já foram alvo de reportagens nacionais, mas como o executivo que mantém o canil se depara agora com problemas, a solução mais fácil é o abate dos animais.
Ainda fiquei com uma pequena esperança de que afinal tivesse sido eu que não tinha ouvido ou compreendido bem (apesar de ter confirmado com colegas presentes, claro, os que não estão limitados por ajustes a escrever à linha paga, mas dos que reproduzem o que realmente ouvem, e que me confirmaram o que tinha sido dito).
E por isso tentei ter acesso à acta da sessão, para confirmar, uma vez que este é o documento onde fica registado praticamente tudo o que é dito durante as sessões de Câmara.
E nesta lê-se então o seguinte: «Concretizando referiu-se (Joaquim Tavares) à situação das famílias, quando as pessoas cada vez mais não conseguiam resolver os problemas dos seres humanos quanto mais dos animais, pelo que o abandono dos animais era cada vez maior, sendo esse um problema efectivo. Acrescentou que podia existir várias soluções, sendo que agora a solução adoptada era a de não abate de animais, mas que sem a adopção não era possível, ainda que não existisse soluções milagrosas. Referiu ainda que hoje se estava a analisar esta situação em concreto, mas que era necessário pensar-se em termos do concelho.»
Perceberam? Eu não.






