Um blogue de uma jornalista que já viu um pouco de tudo, usado para falar de qualquer coisa.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Comentários
Uma pessoa amiga alertou-me para o facto de ter colocado um comentário num texto meu e eu não o ter publicado. Devo dizer que não vejo o dito comentário em lado nenhum nesta coisa do Blogger.
Se por acaso alguém colocou comentários e não os viu publicados, as minhas desculpas. Enviem para mariadocarmo.torres@gmail.com.
Estas coisas das novas tecnologias...
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Eleições e abstenções
Passou-se mais uma eleição e outra vez, seja pela chuva,
seja porque as pessoas estão completamente fartas da política e dos que
supostamente a representam, o grande vencedor foi a abstenção.
Como aliás o tem sido nos últimos anos.
Temos alternativas? Sim, e isso foi também demonstrado
pelos resultados obtidos pelos movimentos de cidadãos independentes. É costume
dizer-se que o voto deve ser para a pessoa e não para o partido.
Mas isso é apenas conversa porque ninguém vota apenas na
pessoa. Vota num ideal que essa pessoa, na maior parte dos casos, encabeça. Se
calhar, a única votação onde realmente a escolha é feita pela pessoa, será nas
Juntas de Freguesia, mercê da proximidade que o político aí tem com a
população.
Ou seja, se eu for amiga de um candidato, mas a sua
ideologia política for contra a minha, é óbvio que não voto nele (pese embora
que se não me quiser chatear, ou procurar um tacho, se calhar até lhe digo que
votei).
Se calhar, estou a precipitar-me com estas declarações, porque afinal, as pessoas votam nas pessoas. Até nas que não podem concorrer porque estão presas, mas que apresentam quem as represente legalmente. Creio que será caso único no mundo, mas nestas coisas do desenrasca, o português ainda bate aos pontos.
Se calhar, estou a precipitar-me com estas declarações, porque afinal, as pessoas votam nas pessoas. Até nas que não podem concorrer porque estão presas, mas que apresentam quem as represente legalmente. Creio que será caso único no mundo, mas nestas coisas do desenrasca, o português ainda bate aos pontos.
Mas há mais partidos do que os já muito batidos, e isso
também se reflectiu nestas eleições, porque partidos como o PAN, que sem os
meios que os outros têm e a máquina eleitoralista bem paga, conseguiu obter
relativos bons resultados.
Prova que é possível votar numa ideologia diferente.
E depois há os que acham que, de quatro em quatro
anos, bastam umas festinhas nas costas e uns apertos de mão e conquistaram o
eleitorado.
Ou os que acham que com meia dúzia de truques de magia, ostentando duas caras tipo feijão-frade, conseguem sair bem de uma fotografia muito borrada.
Ou os que acham que com meia dúzia de truques de magia, ostentando duas caras tipo feijão-frade, conseguem sair bem de uma fotografia muito borrada.
E depois chegam os resultados. E as desculpas ou as
canções de vitória, que curiosamente são feitas quer percam ou ganhem, porque
para os políticos, o copo está sempre meio cheio, e décimas ganhas são
conquistas alexandrinas.
Mas mesmo assim há os calimeros, os que culpam os partidos, as escolhas, a chuva e este ano até a comunicação social.
Mas mesmo assim há os calimeros, os que culpam os partidos, as escolhas, a chuva e este ano até a comunicação social.
O problema é que muita gente lambe malaguetas pensando que
são rebuçados e depois queima a língua.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Quem vê caras não vê corações
Hoje foi um dia um bocado estranho, em que vi o melhor e o pior das pessoas.
Ao fazer a entrega do jornal, fui abordada por um senhor cigano, fiquei logo desconfiada, mas ele muito atrapalhado lá me foi dizendo se eu lhe podia dar uma boleia até à bomba de gasolina mais próxima porque tinha ficado sem combustível.
Claro que o levei, e como isso me acontece com frequência, estou preparada com "equipamento pesado", voltámos e lá pôs a gasolina no carro.
Ao chegarmos à bomba, onde pagou três euros de gasolina, ainda me disse se eu queria meter um ou dois euros no meu carro, o que recusei.
"Que Deus a abençôe!!!!", foi repetindo e a esposa, já com o carro em andamento. Ainda me disse o nome, onde morava e se eu precisasse de alguma coisa "ou de uma roupinha para pagar quando pudesse", para ir ter com ele.
Cerca de uma hora depois, no Barreiro, um individuo de idade, bem apessoado, dirigiu-se a mim e pediu-me para lhe comprar uma dose de comida.
Como ali não havia nenhum restaurante, disse-lhe que só lhe podia dar algum dinheiro.
Insistia que uma dose custava 4 euros e eu lhe podia dar 5 euros.
Disse-lhe que não, que só lhe dava 2 euros, que era o que tinha. Agarrou no dinheiro e virando costas disse: "O que é que eu faço com 2 euros?".
Claro que foi acompanhado por umas frases menos simpáticas da minha parte...
Realmente, quem vê caras não vê corações...
Ao fazer a entrega do jornal, fui abordada por um senhor cigano, fiquei logo desconfiada, mas ele muito atrapalhado lá me foi dizendo se eu lhe podia dar uma boleia até à bomba de gasolina mais próxima porque tinha ficado sem combustível.
Claro que o levei, e como isso me acontece com frequência, estou preparada com "equipamento pesado", voltámos e lá pôs a gasolina no carro.
Ao chegarmos à bomba, onde pagou três euros de gasolina, ainda me disse se eu queria meter um ou dois euros no meu carro, o que recusei.
"Que Deus a abençôe!!!!", foi repetindo e a esposa, já com o carro em andamento. Ainda me disse o nome, onde morava e se eu precisasse de alguma coisa "ou de uma roupinha para pagar quando pudesse", para ir ter com ele.
Cerca de uma hora depois, no Barreiro, um individuo de idade, bem apessoado, dirigiu-se a mim e pediu-me para lhe comprar uma dose de comida.
Como ali não havia nenhum restaurante, disse-lhe que só lhe podia dar algum dinheiro.
Insistia que uma dose custava 4 euros e eu lhe podia dar 5 euros.
Disse-lhe que não, que só lhe dava 2 euros, que era o que tinha. Agarrou no dinheiro e virando costas disse: "O que é que eu faço com 2 euros?".
Claro que foi acompanhado por umas frases menos simpáticas da minha parte...
Realmente, quem vê caras não vê corações...
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Acordar Abril
As férias passadas, a praia já quase como uma recordação, é altura para voltar ao tempo real.
É altura para olharmos para o que nos rodeia e à porcaria que nos estão a fazer. Sem fazer mais comentários sobre o desgoverno e a falta de democracia que enfrentamos, deixo aqui um texto que hoje transcrevia para a nossa rúbrica «Crónicas de Guerra», e que nos lembra a importância de voltar a fazer um 25 de Abril.
«2 horas da tarde. Estou no quarto a escrever estas linhas. De entre as cartas recebidas sobressai a carta da Lucília, escrita propositadamente para me descrever os últimos acontecimentos e cuja primeira página era isto: «Caro Amigo Marquês. Não podia nem queira deixar passar nem mais um dia sem te dizer os meus cordiais parabéns por nesta altura de vitória e liberdade que o país atravessa, envergares uma farda verde.
Farda essa que foi símbolo da morte e da discórdia, é hoje finalmente o símbolo da vitória, da liberdade e do fim do fascismo.
Os bravos soldados portugueses que viram a sua farda desacreditada e que aliás tinham vergonha de a envergar, hoje mostram-na vaidosos e vitoriosos.
Lamento, Marquês, não poderes viver connosco na metrópole estas horas de alegria e liberdade, ainda hoje me parece tudo isto um sonho e estou convencida que a grande maioria das pessoas está ainda com medo de despertar e encontrar uma realidade já passada.
Como me dá prazer sair à rua e, no Rossio, onde era hábito encontrar-se os polícias quando o povo pretendia fazer uma manifestação, encontrar agora dois ou três carros de assalto, dois «jeeps» da tropa e uma infinidade de tropas de farda verde ou azul, ornamentada com um cravo vermelho.
No cano das suas armas, (instrumento que muitos odiaram), encontra-se igualmente um cravo vermelho, como que a dizer-nos que aquele foi o instrumento que nos restitui a Primavera.
Custa realmente acreditar que tudo isto não seja um sonho.»
Infelizmente foi mesmo um sonho. Um sonho que por culpa de todos nós, nestes anos de "democracia", deixámos destruir. Agora procuramos novamente os «soldados de farda verde ou azul, com cravos vermelhos nos canos das armas», mas estes já não existem.
Esfumaram-se como tudo o que acontece nos sonhos.
Esfumaram-se como tudo o que acontece nos sonhos.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Lacaios fardados!!!!
A revolta que tenho hoje contra isto, extravasa qualquer noção de politicamente correcto.
Ver uma decisão de uma Câmara Municipal eleita democraticamente e nunca rebatida pela população, ser pura e simplesmente desrespeitada por um grupelho da Protoiro, através de um tribunal de Braga muito bem pago, é de bradar aos céus, mas nada de espantar, num país onde a Justiça só serve quem lhe interessa.
Mas ver uma força policial, que supostamente serve para defender os cidadãos EM TODOS OS SEUS DIREITOS agir como meros lacaios fardados de um lobbie taurino, ultrapassa tudo e diz também tudo sobre o país e a corja à qual estamos entregues.
E aqui, os meus parabéns à SIC, que além de não transmitir touradas, não teve medo de publicar a ameaça do lacaio fardado.
http://videos.sapo.pt/WzISf3WeJRHv1rEPEntw
Não estive lá, não tenho meios para gastar em gasolina, mas estive em coração. E por isso deixo o relato de Rita Silva sobre A VERGONHA QUE SE PASSOU EM VIANA DO CASTELO.
«Relato de uma Testemunha - para o que e para quem possa servir
Quando comecei a trabalhar na ANIMAL, há 10 anos atrás, fi-lo não só porque havia decidido dedicar a minha vida à Causa mas também porque me identifiquei sempre com os princípios desta Organização. Um destes princípios era o da não-violência. Defendo que devemos ser activos e nunca passivos, mas pacíficos, quando estamos em defesa de... interesses e direitos fundamentais de quem não se pode defender a si próprio. Dos grandes movimentos sociais - sendo que o Movimento de Defesa dos Direitos dos Animais é o 3.º grande movimento social da História - este é aquele em que se defendem indivíduos não-humanos, e, por essa razão, é ainda mais passível de ser atacado, pois, em geral, enquanto humanos, sentimo-nos menos empáticos para com os de uma espécie diferente da nossa. Desde que me juntei a esta casa que já tive a minha integridade física posta em causa inúmeras vezes, bens materiais destruídos, já para não mencionar as ameaças diárias que recebo. Contudo, este foi um efeito secundário que aceitei quando aqui cheguei porque sabia que fazia parte do trabalho e da decisão que havia tomado. Escolhemos o comportamento, escolhemos as consequências, não é verdade? Não me queixo e nem me admiro de que gente que ganha a vida e/ou que retira prazer em explorar, torturar e matar animais sencientes use de todas as formas de violência possíveis para tentar combater quem se opõe a esse comportamento. Nos tempos idos (confesso que já não sou do tempo em que os manifestantes apanhavam pancada da polícia mas tenho muitos colegas a quem isso sucedeu) as forças da segurança não compreendiam bem nem estavam acostumadas a este tipo de contestação social, de modo que por vezes algumas manifestações terminavam em detenções e até mesmo em alguma forma de violência, quer de um lado, quer de outro, diga-se em boa verdade. Era tudo muito novo por cá e a revolta por vezes gerava comportamentos menos próprios e que, infelizmente, levavam a que o lado da razão a perdesse. Em todo o caso, estes episódios foram excepções à regra, e conforme referi, foram num passado longínquo.
Pela parte da ANIMAL, salvo algumas excepções em que se encontram agentes policiais menos preparados ou menos educados (como em qualquer área), só posso dizer que a nossa experiência é bastante positiva. Pedimos presença policial em todas as manifestações, não só porque é um direito que temos, mas também porque já “não estamos para” ser agredidos por aqueles que defendem as infames actividades contra as quais nos opomos. Tratamos toda a gente com dignidade e respeito, conhecemos os nossos deveres enquanto cidadãos e Organização, mas também conhecemos muito bem os nossos direitos constitucionais.
Posto isto, e porque esta introdução já vai longa e não pretendo maçar-vos, gostava de vos falar acerca da vergonha que ontem sucedeu em Viana do Castelo. O que eu vi ontem - ninguém me contou, eu vi - foi um conjunto de atentados aos direitos, liberdades e garantias de qualquer cidadão ou grupo de cidadãos. Depois de ter sido salva por um repórter de imagem da SIC de ficar sem uma perna - a quem aproveito para agradecer publicamente -, o que sucedeu devido ao facto de um aficionado me ter tentado atropelar a alta velocidade, pedi ao agente mais próximo de mim que o identificasse de imediato e a resposta (novidade para mim) que recebi foi que não lhe dissesse como fazer o trabalho dele e me calasse. Portanto, temos uma cidadã que quer apresentar uma queixa imediata contra um atentado à sua integridade física que é mandada calar por um agente que a deveria proteger. Mais tarde, e no meio de uma grande confusão em que nitidamente os agentes não faziam a mínima ideia de como organizar ou controlar uma manifestação (pensámos que a formação fosse igual para todos) percebemos que metade dos nossos colegas estavam retidos do lado contrário ao nosso, juntamente com os organizadores, impedidos de virem para o local da manifestação e rodeados de agentes do corpo de intervenção que empunhavam armas semi-automáticas! Isso mesmo! Enquanto um grupo de pessoas com um grave distúrbio se divertia a seviciar bovinos, humanos pacíficos tinham armas de fogo à sua volta, como se de terroristas se tratassem! Bem, depois de tudo isto só posso dizer-vos que foi o caos completo. Fomos empurrados de um lado para o outro, maltratados, fomos enfiados num canto ridículo a uma distância imensa de onde sucedia a tourada (e sim, eu sei o que é uma distância razoável para manter a segurança, e não foi o caso, pois estes agentes só criaram insegurança e não segurança). Foram eles que criaram TODA a insegurança!
Já atrás das grades, enquanto tentava denunciar o que se estava a passar, fotografando e filmando vários horrores que ia ouvindo da boca dos agentes do corpo de intervenção, que notoriamente pareciam estar a retirar algum sádico prazer no que estavam a dizer e a fazer, um rapaz que estava ao meu lado direito, EM SILÊNCIO, leva um murro na boca e fica sem um dente. Esse murro veio da mão de um desses agentes! O pobre rapaz tremia por todo o lado enquanto sangrava da boca e os jornalistas começaram a aproximar-se de nós para ver o que se passava e retirar imagens. Foi nesse momento, em que enquanto estava a ser entrevistada para a SIC, esse mesmo agente agarra num outro operador de camera - que também estava a gravar - pelos ombros e literalmente o atira para o outro lado da rua. O seu comentário seguinte foi “vê lá o que é que publicas”.
Senti a minha integridade posta em causa bem como a dos meus colegas, vi uma garota ser arrastada pelo pescoço – qual filme de acção de 5.ª categoria – por um agente do corpo de intervenção. Uma garota que simplesmente estava a exercer o seu direito à resistência. Um dos meus colegas estava junto a uma rapariga que pediu a identificação a um agente depois de ele ter insultado a sua mãe, também ali presente, e a resposta que recebeu foi “para quê? Para me ligares logo à noite?”
Foi isto, meus amigos, foi isto que sucedeu ontem em Viana. Foi um caso de repressão policial a este Movimento que é de paz! Garanto-vos que tudo farei para que se faça correr tinta fora de Portugal para que se saiba a que ponto chegámos neste país. Sim, porque o que ontem se passou é um sintoma grave de um Estado de Direito DOENTE.
Hoje mesmo seguiu uma carta para cada um dos líderes dos Grupos Parlamentares, bem como para o Senhor Primeiro Ministro e para o Senhor Ministro da Administração Interna.
Ontem à noite a equipa da ANIMAL esteve na PSP de Viana do Castelo apresentando queixas formais acerca de tudo isto. Temos provas documentais e testemunhais e repito que “não brincamos em serviço”. Para nós esta Causa é tão séria quanto a nossa própria vida e não vamos permitir que direitos fundamentais sejam postos em causa. Peço encarecidamente a todas as pessoas que estiveram ontem presentes para que se desloquem também à Esquadra e não deixem de apresentar queixa. É muito importante que façamos valer os nossos direitos. Não desistam! Por vós e pelos animais que defendem!
Para terminar gostava de deixar também uma nota quanto ao facto de Viana do Castelo ser ou não uma cidade anti-touradas, que é! Não daremos um minuto de descanso a esses senhores dessas associações tauromáquicas, que cheios de dinheiro alugam avionetas, publicidade de dezenas de milhares de euros, e contratam seguranças privados com cães treinados para atacar (além da PSP ainda contámos com mais esta pérola) e garantimo-vos que as touradas (como eles bem sabem) têm os diazinhos contados. A ética vence sempre! Não temos dúvidas de que muitos dos comportamentos violentos de ontem foram encomendados, e não temos medo de o dizer. O dinheiro não compra tudo. A nossa consciência não está à venda e não somos reles ao ponto de entrar em ataques pessoais para fazer valer a nossa posição.
Coloco a ANIMAL à disposição de quem precise de testemunhas. Estejam à vontade para nos contactar.
Rita Silva
Activista pelos Direitos dos animais
Presidente da Direcção da ANIMAL»
Quando comecei a trabalhar na ANIMAL, há 10 anos atrás, fi-lo não só porque havia decidido dedicar a minha vida à Causa mas também porque me identifiquei sempre com os princípios desta Organização. Um destes princípios era o da não-violência. Defendo que devemos ser activos e nunca passivos, mas pacíficos, quando estamos em defesa de... interesses e direitos fundamentais de quem não se pode defender a si próprio. Dos grandes movimentos sociais - sendo que o Movimento de Defesa dos Direitos dos Animais é o 3.º grande movimento social da História - este é aquele em que se defendem indivíduos não-humanos, e, por essa razão, é ainda mais passível de ser atacado, pois, em geral, enquanto humanos, sentimo-nos menos empáticos para com os de uma espécie diferente da nossa. Desde que me juntei a esta casa que já tive a minha integridade física posta em causa inúmeras vezes, bens materiais destruídos, já para não mencionar as ameaças diárias que recebo. Contudo, este foi um efeito secundário que aceitei quando aqui cheguei porque sabia que fazia parte do trabalho e da decisão que havia tomado. Escolhemos o comportamento, escolhemos as consequências, não é verdade? Não me queixo e nem me admiro de que gente que ganha a vida e/ou que retira prazer em explorar, torturar e matar animais sencientes use de todas as formas de violência possíveis para tentar combater quem se opõe a esse comportamento. Nos tempos idos (confesso que já não sou do tempo em que os manifestantes apanhavam pancada da polícia mas tenho muitos colegas a quem isso sucedeu) as forças da segurança não compreendiam bem nem estavam acostumadas a este tipo de contestação social, de modo que por vezes algumas manifestações terminavam em detenções e até mesmo em alguma forma de violência, quer de um lado, quer de outro, diga-se em boa verdade. Era tudo muito novo por cá e a revolta por vezes gerava comportamentos menos próprios e que, infelizmente, levavam a que o lado da razão a perdesse. Em todo o caso, estes episódios foram excepções à regra, e conforme referi, foram num passado longínquo.
Pela parte da ANIMAL, salvo algumas excepções em que se encontram agentes policiais menos preparados ou menos educados (como em qualquer área), só posso dizer que a nossa experiência é bastante positiva. Pedimos presença policial em todas as manifestações, não só porque é um direito que temos, mas também porque já “não estamos para” ser agredidos por aqueles que defendem as infames actividades contra as quais nos opomos. Tratamos toda a gente com dignidade e respeito, conhecemos os nossos deveres enquanto cidadãos e Organização, mas também conhecemos muito bem os nossos direitos constitucionais.
Posto isto, e porque esta introdução já vai longa e não pretendo maçar-vos, gostava de vos falar acerca da vergonha que ontem sucedeu em Viana do Castelo. O que eu vi ontem - ninguém me contou, eu vi - foi um conjunto de atentados aos direitos, liberdades e garantias de qualquer cidadão ou grupo de cidadãos. Depois de ter sido salva por um repórter de imagem da SIC de ficar sem uma perna - a quem aproveito para agradecer publicamente -, o que sucedeu devido ao facto de um aficionado me ter tentado atropelar a alta velocidade, pedi ao agente mais próximo de mim que o identificasse de imediato e a resposta (novidade para mim) que recebi foi que não lhe dissesse como fazer o trabalho dele e me calasse. Portanto, temos uma cidadã que quer apresentar uma queixa imediata contra um atentado à sua integridade física que é mandada calar por um agente que a deveria proteger. Mais tarde, e no meio de uma grande confusão em que nitidamente os agentes não faziam a mínima ideia de como organizar ou controlar uma manifestação (pensámos que a formação fosse igual para todos) percebemos que metade dos nossos colegas estavam retidos do lado contrário ao nosso, juntamente com os organizadores, impedidos de virem para o local da manifestação e rodeados de agentes do corpo de intervenção que empunhavam armas semi-automáticas! Isso mesmo! Enquanto um grupo de pessoas com um grave distúrbio se divertia a seviciar bovinos, humanos pacíficos tinham armas de fogo à sua volta, como se de terroristas se tratassem! Bem, depois de tudo isto só posso dizer-vos que foi o caos completo. Fomos empurrados de um lado para o outro, maltratados, fomos enfiados num canto ridículo a uma distância imensa de onde sucedia a tourada (e sim, eu sei o que é uma distância razoável para manter a segurança, e não foi o caso, pois estes agentes só criaram insegurança e não segurança). Foram eles que criaram TODA a insegurança!
Já atrás das grades, enquanto tentava denunciar o que se estava a passar, fotografando e filmando vários horrores que ia ouvindo da boca dos agentes do corpo de intervenção, que notoriamente pareciam estar a retirar algum sádico prazer no que estavam a dizer e a fazer, um rapaz que estava ao meu lado direito, EM SILÊNCIO, leva um murro na boca e fica sem um dente. Esse murro veio da mão de um desses agentes! O pobre rapaz tremia por todo o lado enquanto sangrava da boca e os jornalistas começaram a aproximar-se de nós para ver o que se passava e retirar imagens. Foi nesse momento, em que enquanto estava a ser entrevistada para a SIC, esse mesmo agente agarra num outro operador de camera - que também estava a gravar - pelos ombros e literalmente o atira para o outro lado da rua. O seu comentário seguinte foi “vê lá o que é que publicas”.
Senti a minha integridade posta em causa bem como a dos meus colegas, vi uma garota ser arrastada pelo pescoço – qual filme de acção de 5.ª categoria – por um agente do corpo de intervenção. Uma garota que simplesmente estava a exercer o seu direito à resistência. Um dos meus colegas estava junto a uma rapariga que pediu a identificação a um agente depois de ele ter insultado a sua mãe, também ali presente, e a resposta que recebeu foi “para quê? Para me ligares logo à noite?”
Foi isto, meus amigos, foi isto que sucedeu ontem em Viana. Foi um caso de repressão policial a este Movimento que é de paz! Garanto-vos que tudo farei para que se faça correr tinta fora de Portugal para que se saiba a que ponto chegámos neste país. Sim, porque o que ontem se passou é um sintoma grave de um Estado de Direito DOENTE.
Hoje mesmo seguiu uma carta para cada um dos líderes dos Grupos Parlamentares, bem como para o Senhor Primeiro Ministro e para o Senhor Ministro da Administração Interna.
Ontem à noite a equipa da ANIMAL esteve na PSP de Viana do Castelo apresentando queixas formais acerca de tudo isto. Temos provas documentais e testemunhais e repito que “não brincamos em serviço”. Para nós esta Causa é tão séria quanto a nossa própria vida e não vamos permitir que direitos fundamentais sejam postos em causa. Peço encarecidamente a todas as pessoas que estiveram ontem presentes para que se desloquem também à Esquadra e não deixem de apresentar queixa. É muito importante que façamos valer os nossos direitos. Não desistam! Por vós e pelos animais que defendem!
Para terminar gostava de deixar também uma nota quanto ao facto de Viana do Castelo ser ou não uma cidade anti-touradas, que é! Não daremos um minuto de descanso a esses senhores dessas associações tauromáquicas, que cheios de dinheiro alugam avionetas, publicidade de dezenas de milhares de euros, e contratam seguranças privados com cães treinados para atacar (além da PSP ainda contámos com mais esta pérola) e garantimo-vos que as touradas (como eles bem sabem) têm os diazinhos contados. A ética vence sempre! Não temos dúvidas de que muitos dos comportamentos violentos de ontem foram encomendados, e não temos medo de o dizer. O dinheiro não compra tudo. A nossa consciência não está à venda e não somos reles ao ponto de entrar em ataques pessoais para fazer valer a nossa posição.
Coloco a ANIMAL à disposição de quem precise de testemunhas. Estejam à vontade para nos contactar.
Rita Silva
Activista pelos Direitos dos animais
Presidente da Direcção da ANIMAL»
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
"nenhum homem pode domar a língua"
Tiago 3:8: “... nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.”
Para quem me conhece, uma ateia convicta, pode parecer estranho uma citação bíblica neste meu blogue.
No entanto, por não acreditar na figura do Deus cristão (ou outros, já agora), não significa que não tenha lido informação sobre o assunto.
E há frases e ditos que nos tocam e que, a determinadas alturas ou situações das nossas vidas, nos vêm à cabeça. Foi o caso ontem.
E realmente, ao Homem/Mulher é mesmo difícil «domar a língua».
Estou habituada a ouvir as chamadas «bocas» devido ao meu peso, desde que me lembro.
Estou também habituada a ouvir as tais «bocas» devido às minhas tatuagens.
E também já ouvi ditaches juntando ambas...
Mas ouvir uma mulher, com idade para ser minha avó, muitissimo preocupada pelo meu bronze, é dose.
E é que a "senhora" não demonstrou preocupação pela minha saúde, antes redargiu em voz serpentina:
«Vejam só, tão queimada, não deve fazer mais nada senão estar ao Sol.»
Realmente, razão tinha Tiago, a língua de certa gentinha é mesmo um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Parabéns Zeca
Tanto disseste, tanto lutaste
tanto cantaste a liberdade, a justiça, a amizade
e agora
muitos dos se aquecem à tua chama
muitos dos botam discurso com as tuas palavras
muitos dos se dizem teus amigos
tanto cantaste a liberdade, a justiça, a amizade
e agora
muitos dos se aquecem à tua chama
muitos dos botam discurso com as tuas palavras
muitos dos se dizem teus amigos
... Foram os mesmos que te barraram a entrada
que te esqueceram, que te quiseram calar.
Porque tu, Zeca, sempre fostes verdadeiro.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Gatunos, criminosos, gente sem préstimo, bem vindos!!!
Sim, esses são os que Portugal (ou melhor, o sistema social português) acarinha e apoia.
Aqueles que traficam droga e armas, mas recebem o subsidio social de inserção.
Aquelas que nem alimentação dão aos filhos, mas têm todos os dias um carro a levar-lhes alimentos a casa.
Aqueles que dizem em altos gritos que ou lhes dão o subsidio ou matam todos, e depois guiam Mercedes.
Aquelas que mal chegam a Portugal engravidam ainda antes de pousar as malas.
Porque o que não se quer são idosos de escassas reformas que deixam de comer para comprar o medicamento que lhes permite viver mais uns dias.
O que não se quer são desempregados que por causa de má gestão dos patrões ficaram sem pão para os filhos.
O que não se quer são mães e pais que lutam todos os dias pela vida dos filhos, por um minimo de qualidade que sucessivos governos lhes tentam retirar.
Por isso deixo esta historia.
Sim, circula no Facebook, se calhar, ou melhor, a única arma que temos hoje.
É a história e o apelo de uma Mãe Coragem e por isso perseguida, porque a única coisa que quer é permitir que o filho viva.
Com dignidade.
«Exmo. Sr. José Carlos Queiroz
Venho por este meio, visto não ter outra forma de contacta-lo, responder, à notificação de comparência. Que, na minha ausência me foi deixada a informação, que implicará a cessação da prestação, junto dos serviços do Centro Distrital competente.
Agora e desculpando-me a inconveniência, pergunto-lhe, não tem por acaso conhecimento do estado de saúde do meu filho? Porque será que ele não frequenta o ensino especial obrigatório? Porque será também, que tem de ter a assistência para além da hospitalar dum fisioterapeuta ao domicílio para lhe dar assistência respiratória?
Por uma única razão, o Rafael tem 99% de incapacidade. Incapacidade essa, que não me permite dar-me ao luxo de sequer pensar em ter um emprego. Mas o Rafael está vivo e para além de ter de ser vigiado 24horas por dia tem o direito assim como qualquer cidadão de sair à rua com a sua mãe. Não sabia era que cada vez que tivesse que o fazer tivesse que notificar primeiro os serviços sociais das minhas ausências domiciliárias.
No processo deveriam estar todas estas informações. O sistema até era funcional aquando tratado directamente no Centro de Segurança Social mas agora e sem perceber porquê, os casos como o meu, foram enviados para o CRATO centro de toxicodependentes e carenciados, desculpe-me mais uma vez a ironia, mas ainda não atingi esse estatuto. Pois o CRATO nem tem respostas efectivas para nos dar nos casos de insustentabilidade por assistência a terceiros.
Estou extremamente revoltada, falaram comigo ao telefone, e ficaram de me deixar uma notificação com um aviso, com alguma antecedência para me dirigir ao núcleo.
Era isso que eu esperava, não o que fizeram de forma desleal, não podem tratar todas as pessoas da mesma forma. Se alguém engana e vive à custa do contribuinte, esse alguém não sou eu certamente. Sabe, eu gostava, muito mesmo de ter vida própria, de poder trabalhar e socializar com as outras pessoas, mas não posso, é a vida do meu filho que está em risco.
E ainda me querem tirar o pouco que recebo que é o que nos alimenta? Nem ao meu filho mais velho consigo dar-lhe o curso superior que tantas vezes lhe prometi, porque tudo para nós é insuficiente. Não acha já, que é preciso fazer uma grande gestão numa família monoparental com dois filhos a cargo, sendo um deles uma criança com paralisia cerebral grave, com 320euros de subsídio?
Continuamos a utilizar o R/C da vivenda até que nos arranjem uma casa que tenha condições logísticas ao meu filho, por parte da Câmara.
Pode vir a qualquer hora seja de dia, ou de noite, agradeço que me enviem uma forma de vos comunicar quando me ausento, visto que segunda, quarta e sexta entre as 11.30 a as 13h estou no hospital com o Rafael (o que também poderão ir verificar), e além disso a grande maioria das consultas visto ser um doente crónico grave, são em Lisboa aonde é constantemente acompanhado.
Não sendo eu nenhuma conhecedora do assunto, o Estado não pouparia mais se propusessem aos pais trabalharem nas escolas e fizessem assim parte duma sociedade activa aonde poderiam dar assistência directa aos seus filhos e cruzar conhecimentos com outras auxiliares?
Assim sim, acredito que se evitariam algumas fiscalizações desnecessárias.
Este documento será enviado também ao Ministro da Solidariedade, emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares.
O meu filho é infelizmente, um doente permanente e eu não ando a roubar o estado, pelo contrário, foi um médico que trabalha para o estado que me tirou a minha vida e a do meu filho.
Agradeço resposta.
Cumprimentos.
Cristina Capela»
Aqueles que traficam droga e armas, mas recebem o subsidio social de inserção.
Aquelas que nem alimentação dão aos filhos, mas têm todos os dias um carro a levar-lhes alimentos a casa.
Aqueles que dizem em altos gritos que ou lhes dão o subsidio ou matam todos, e depois guiam Mercedes.
Aquelas que mal chegam a Portugal engravidam ainda antes de pousar as malas.
Porque o que não se quer são idosos de escassas reformas que deixam de comer para comprar o medicamento que lhes permite viver mais uns dias.
O que não se quer são desempregados que por causa de má gestão dos patrões ficaram sem pão para os filhos.
O que não se quer são mães e pais que lutam todos os dias pela vida dos filhos, por um minimo de qualidade que sucessivos governos lhes tentam retirar.
Por isso deixo esta historia.
Sim, circula no Facebook, se calhar, ou melhor, a única arma que temos hoje.
É a história e o apelo de uma Mãe Coragem e por isso perseguida, porque a única coisa que quer é permitir que o filho viva.
Com dignidade.
«Exmo. Sr. José Carlos Queiroz
Venho por este meio, visto não ter outra forma de contacta-lo, responder, à notificação de comparência. Que, na minha ausência me foi deixada a informação, que implicará a cessação da prestação, junto dos serviços do Centro Distrital competente.
Agora e desculpando-me a inconveniência, pergunto-lhe, não tem por acaso conhecimento do estado de saúde do meu filho? Porque será que ele não frequenta o ensino especial obrigatório? Porque será também, que tem de ter a assistência para além da hospitalar dum fisioterapeuta ao domicílio para lhe dar assistência respiratória?
Por uma única razão, o Rafael tem 99% de incapacidade. Incapacidade essa, que não me permite dar-me ao luxo de sequer pensar em ter um emprego. Mas o Rafael está vivo e para além de ter de ser vigiado 24horas por dia tem o direito assim como qualquer cidadão de sair à rua com a sua mãe. Não sabia era que cada vez que tivesse que o fazer tivesse que notificar primeiro os serviços sociais das minhas ausências domiciliárias.
No processo deveriam estar todas estas informações. O sistema até era funcional aquando tratado directamente no Centro de Segurança Social mas agora e sem perceber porquê, os casos como o meu, foram enviados para o CRATO centro de toxicodependentes e carenciados, desculpe-me mais uma vez a ironia, mas ainda não atingi esse estatuto. Pois o CRATO nem tem respostas efectivas para nos dar nos casos de insustentabilidade por assistência a terceiros.
Estou extremamente revoltada, falaram comigo ao telefone, e ficaram de me deixar uma notificação com um aviso, com alguma antecedência para me dirigir ao núcleo.
Era isso que eu esperava, não o que fizeram de forma desleal, não podem tratar todas as pessoas da mesma forma. Se alguém engana e vive à custa do contribuinte, esse alguém não sou eu certamente. Sabe, eu gostava, muito mesmo de ter vida própria, de poder trabalhar e socializar com as outras pessoas, mas não posso, é a vida do meu filho que está em risco.
E ainda me querem tirar o pouco que recebo que é o que nos alimenta? Nem ao meu filho mais velho consigo dar-lhe o curso superior que tantas vezes lhe prometi, porque tudo para nós é insuficiente. Não acha já, que é preciso fazer uma grande gestão numa família monoparental com dois filhos a cargo, sendo um deles uma criança com paralisia cerebral grave, com 320euros de subsídio?
Continuamos a utilizar o R/C da vivenda até que nos arranjem uma casa que tenha condições logísticas ao meu filho, por parte da Câmara.
Pode vir a qualquer hora seja de dia, ou de noite, agradeço que me enviem uma forma de vos comunicar quando me ausento, visto que segunda, quarta e sexta entre as 11.30 a as 13h estou no hospital com o Rafael (o que também poderão ir verificar), e além disso a grande maioria das consultas visto ser um doente crónico grave, são em Lisboa aonde é constantemente acompanhado.
Não sendo eu nenhuma conhecedora do assunto, o Estado não pouparia mais se propusessem aos pais trabalharem nas escolas e fizessem assim parte duma sociedade activa aonde poderiam dar assistência directa aos seus filhos e cruzar conhecimentos com outras auxiliares?
Assim sim, acredito que se evitariam algumas fiscalizações desnecessárias.
Este documento será enviado também ao Ministro da Solidariedade, emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares.
O meu filho é infelizmente, um doente permanente e eu não ando a roubar o estado, pelo contrário, foi um médico que trabalha para o estado que me tirou a minha vida e a do meu filho.
Agradeço resposta.
Cumprimentos.
Cristina Capela»
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Nas Asas...
Há coisas verdadeiramente espantosas...
Diria mesmo... extraordinárias...
Tanta gente a fazer-se passar desportivamente por mais altaneira que os restantes, a voar nas Asas da honestidade, a Praticar o melhor do Milénio, a tentar mensalmente denegrir os que trabalham no mesmo ramo, e eis senão quando, numa Corrida, ficamos a saber que são ainda mais caloteiros do que os que andam a roubar carteiras no Metro...
Realmente, há gentinha que está mesmo bem uns para os outros.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Politica, politiquices e politiqueiros
Ou porque há dias que temos menos paciência, ou porque a
repetição da mesma coisa nos vai cansando, o que é certo é que estou cada vez mais
farta de assistir às reuniões camarárias cá do burgo.
Felizmente que só vou assistir às intervenções do público, aquilo que realmente interessa aos meus leitores, porque de outra forma acho que a determinadas alturas, ainda me dava (mais) um ataque de loucura e alguém ouviria o que não gosta.
Convido quem gasta um minuto do seu tempo a vir aqui ler os meus desabafos, a assistir a uma reunião camarária. Prometo que pelo menos se irá rir, como aconteceu às várias pessoas que ontem ali estiveram.
Por acaso, agora até têm começado relativamente perto da hora marcada, coisa que durante anos não acontecia, fazendo com que as pessoas, já de si nervosas por irem intervir num órgão daqueles, estivessem horas à espera até se reunir o quórum suficiente para a abertura da sessão.
Mas depois é o «serrar presunto» que me enerva.
E agora que se aproximam mais umas eleições autárquicas, o serrote então não pára, nas tais «discussões eleitoralistas», onde cada tema que é abordado, cada questão levantada, é tida como um ataque ao actual executivo e como um ataque é lançada.
Voam acusações de «não fazer», respondidas com «a culpa é do Governo». Se o discurso se volta para o concelho, logo vem a resposta da situação nacional, mas quando se fala de questões nacionais ou internacionais ligadas a esta ou àquela força política, voltam as atenções a focar-se nas maravilhas do concelho.
E depois é aflitiva a falta de conhecimentos concretos sobre certos assuntos.
Se uns se preparam até à exaustão, outros tocam as coisas pela rama, errando até nos dados que apresentam como verdades. Ou lançam-se acusações para o ar, que depois de respondidas ou explicadas por quem de direito, mais ou menos fundamentadas, mais convencem quem assiste que se limitam apenas a ser ditaites para constar em acta, com comparações quase estapafúrdias.
Risos, falas por cima de quem está na posse da palavra, troca até de alguns «piropos», tudo isto faz também parte do menu.
Como seixalense irrita-me assistir a isto.
Assistir a politiquinhas mesquinhas, onde pouco ou nada é falado em concreto, onde discursos duram horas a remoer o mesmo, onde tudo o que é bom é feito por cá, e tudo o que é mau é culpa de terceiros.
E claro que bule também com os meus nervos que me tentem fazer passar por parva.
Já referi neste meu blogue que esperei nove meses para obter uma resposta da autarquia sobre de quem era a responsabilidade de pintar as passadeiras, para vir a saber que estas são da responsabilidade da Estradas de Portugal. (http://janaoseinao.blogspot.pt/2010/06/descubra-as-diferencas.html)
E depois, qual não é o meu espanto, e com que cara ficariam, quando o assunto das passadeiras é levantado por um partido da oposição e ouço que afinal sim, que existem cerca de 2000 passadeiras no concelho e que a Câmara Municipal está a intervencioná-las…
Ora se são da responsabilidade da Estradas de Portugal, não está o executivo a «fazer filhos em casa alheia», quando não há dinheiro sequer para pagar serviços prestados? Quando é que a Câmara Municipal irá reaver os valores agora dispendidos?
Ou afinal a responsabilidade das passadeiras é, e sempre foi, da autarquia?
Infelizmente quem perde com estas politiquices não é a política, mas sim os munícipes, que em vez de terem ali discutidos os assuntos que realmente interessam ao concelho, ouvindo quem pode, auxiliando quem deve, acabam por ser horas e horas de «diz que fez e não fez» ou «prometeu e não cumpriu».
Pelo meio, lá se vão votando e aprovando os pontos da acta.
Felizmente que só vou assistir às intervenções do público, aquilo que realmente interessa aos meus leitores, porque de outra forma acho que a determinadas alturas, ainda me dava (mais) um ataque de loucura e alguém ouviria o que não gosta.
Convido quem gasta um minuto do seu tempo a vir aqui ler os meus desabafos, a assistir a uma reunião camarária. Prometo que pelo menos se irá rir, como aconteceu às várias pessoas que ontem ali estiveram.
Por acaso, agora até têm começado relativamente perto da hora marcada, coisa que durante anos não acontecia, fazendo com que as pessoas, já de si nervosas por irem intervir num órgão daqueles, estivessem horas à espera até se reunir o quórum suficiente para a abertura da sessão.
Mas depois é o «serrar presunto» que me enerva.
E agora que se aproximam mais umas eleições autárquicas, o serrote então não pára, nas tais «discussões eleitoralistas», onde cada tema que é abordado, cada questão levantada, é tida como um ataque ao actual executivo e como um ataque é lançada.
Voam acusações de «não fazer», respondidas com «a culpa é do Governo». Se o discurso se volta para o concelho, logo vem a resposta da situação nacional, mas quando se fala de questões nacionais ou internacionais ligadas a esta ou àquela força política, voltam as atenções a focar-se nas maravilhas do concelho.
E depois é aflitiva a falta de conhecimentos concretos sobre certos assuntos.
Se uns se preparam até à exaustão, outros tocam as coisas pela rama, errando até nos dados que apresentam como verdades. Ou lançam-se acusações para o ar, que depois de respondidas ou explicadas por quem de direito, mais ou menos fundamentadas, mais convencem quem assiste que se limitam apenas a ser ditaites para constar em acta, com comparações quase estapafúrdias.
Risos, falas por cima de quem está na posse da palavra, troca até de alguns «piropos», tudo isto faz também parte do menu.
Como seixalense irrita-me assistir a isto.
Assistir a politiquinhas mesquinhas, onde pouco ou nada é falado em concreto, onde discursos duram horas a remoer o mesmo, onde tudo o que é bom é feito por cá, e tudo o que é mau é culpa de terceiros.
E claro que bule também com os meus nervos que me tentem fazer passar por parva.
Já referi neste meu blogue que esperei nove meses para obter uma resposta da autarquia sobre de quem era a responsabilidade de pintar as passadeiras, para vir a saber que estas são da responsabilidade da Estradas de Portugal. (http://janaoseinao.blogspot.pt/2010/06/descubra-as-diferencas.html)
E depois, qual não é o meu espanto, e com que cara ficariam, quando o assunto das passadeiras é levantado por um partido da oposição e ouço que afinal sim, que existem cerca de 2000 passadeiras no concelho e que a Câmara Municipal está a intervencioná-las…
Ora se são da responsabilidade da Estradas de Portugal, não está o executivo a «fazer filhos em casa alheia», quando não há dinheiro sequer para pagar serviços prestados? Quando é que a Câmara Municipal irá reaver os valores agora dispendidos?
Ou afinal a responsabilidade das passadeiras é, e sempre foi, da autarquia?
Infelizmente quem perde com estas politiquices não é a política, mas sim os munícipes, que em vez de terem ali discutidos os assuntos que realmente interessam ao concelho, ouvindo quem pode, auxiliando quem deve, acabam por ser horas e horas de «diz que fez e não fez» ou «prometeu e não cumpriu».
Pelo meio, lá se vão votando e aprovando os pontos da acta.
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